 |
| José Pratas não tinha coito para brincar à apanhada. daqui |
A linguagem das crianças ainda é cheia de inocência e desprovida de segundos sentidos. Mas não é universal, isto é, as especificidades do falar de cada região ainda têm influência.
Assim se explica que uma mãe, natural do Porto, fique surpreendida por ouvir um grupo de crianças mencionando o coito, a meio de um jogo de apanhada.
Faço como a Alexandra Lencastre e socorro-me da Wikipédia:
Couto, do latim Cautum (cotum, coto, couto e coito), definia, no século IX, um lugar imune.
As doações de couto, frequentes entre os séculos IX e XIII, como expressão senhorial, implicavam o privilégio da proibição de entrada de funcionários régios (juízes, meirinhos, mordomos, etc.) na terra coutada. Definia-se oficialmente, no reinado de D. Dinis, o acto de coutar uma terra como escusar os seus moradores da hoste e do fossado, do foro e de toda a peita, ou seja, imunidade perante os impostos e justiça reais. (...) Os coutos de homiziados constituiam-se em terras a que poderiam acolher-se, libertando-se das penas em que tivessem incorrido, quaisquer criminosos (...)
Designam-se por "coutos de Alcobaça" as 13 vilas dependentes do Mosteiro cisterciense, pelourinho e concelho próprio, governadas pelo Mosteiro sem interferência do rei, sendo Turquel uma delas. O Couto Mixto, entre a Galiza e o Norte, é outro exemplo conhecido de abrigo.
Do couto ao coito o salto é tão simples como na loiça, na tesoira, no oiro, no toiro, no coiro.
Este coito não tem portanto nada a ver com o outro coito, também derivado do latim, mas de
coitum.
Será misterioso que só na linguagem das crianças - e pelo vistos não no Norte - tenha sobrevivido o "couto" medieval, transformado em coito. Mas quem para brincou à apanhada, a palavra não tem nada de estranho...
E os nossos leitores, quem é que utilizava um coito para brincar à apanhada?