 |
| António Indjai, chefe do Exército da Guiné Bissau |
Vamos abrir o ano com um tema de política internacional, que temos tido poucos por aqui.
Descobrimos no final de 2011 que a Guiné-Bissau, antiga colónia e província ultramarina portuguesa, é agora um protectorado de Angola.
Disseram as notícias:
"O que os habitantes de Bissau ouviram ontem de manhã não foi coisa não tivessem já ouvido várias vezes nos últimos anos, habituados como estão a que os militares do país se digladiem com armas para conquistar o poder. Desta vez o tiroteio não resultou em mortos, mas uma das cabeças do regime, o almirante Bubo Na Tchuto, chefe do Estado-Maior da Armada, acabou detido por “tentativa de subversão da ordem constitucional”, segundo a rádio Voz da América.
Bubo Na Tchuto parece ter tomado o gosto aos golpes de Estado, tendo em conta que em 2010 ascendeu à chefia da Armada guineense ao liderar com António Indjai, hoje chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, um golpe militar que destituiu, na altura, Zamora Induta do cargo mais alto da hierarquia castrense.
“O meu nome é sempre associado a confusão. Mas posso dizer ao país que não tenho nada a ver com o que se está a passar. Foi o próprio chefe do Estado-Maior que me ligou, esta manhã, a perguntar se seriam os meus homens que tentaram atacar o paiol, ao que lhe respondi que não são os meus homens e não tenho nada a ver com isso”, explicou Na Tchuto.
Para evitar o que lhe aconteceu em 2010, quando esteve algumas horas detido pelos revoltosos, o primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Carlos Gomes Júnior, refugiou-se na embaixada de Angola, situada em frente à sua residência. O líder político beneficiou da protecção dos soldados angolanos, que dispararam para o ar e evitaram que voltasse a ser raptado." (
Ionline)
Que os srs. Indjai e Na Tchuto, responsáveis máximos do exército e da marinha, andem de vez em quando aos tiros, aceita-se, e é também normal que o primeiro-ministro saiba que a qualquer momento pode ser apeado.
Mas o facto de o primeiro-ministro morar em frente à embaixada de Angola e fugir para lá quando há tiros é a prova de que, de facto, o governo da Guiné tem a protecção de Luanda e eventualmente não sobrevive sem essa protecção.
Luanda não quer, naturalmente, perder o investimento quer está a fazer na Guiné:
"Bissau, 21 Out 2010 - Angola concedeu à Guiné-Bissau um apoio orçamental de 12 milhões de dólares, uma linha de crédito de 25 milhões de dólares e o perdão da dívida guineense, anunciou quarta-feira em Bissau o ministro da Geologia, Minas e Indústria de Angola.
“A Guiné-Bissau tem um défice orçamental de 12 milhões de dólares e Angola vai cobrir esse défice o mais rapidamente possível”, afirmou Joaquim Costa David." (
fonte)
Significa isto que o império colonial da lusofonia está, eventualmente, a renascer, mas agora com a metrópole em Luanda. São boas notícias para a Guiné, onde se instala agora uma
pax angolana que vai certamente evitar confusões nos anos mais próximos. Para encerrar este post era uma foto de José Eduardo dos Santos com uma toga e uma coroa de louros à Júlio César, mas não há disso na net. No máximo, há este
post.