"Mas, assim ou de outro modo, que seja sobretudo nacional em gramática! Que significa a construção do período à inglesa - adoptada pelo discurso da coroa? Que britânico furor a tomou de colocar os adjectivos antes dos substantivos? E uma adulação à pérfida Álbion? Quebramos nós o Tratado de Methuen - para nos irmos escravizar no tratado de gramática de Sadley? A que vêm estas expressões repetidas de pública fazenda, nacional riqueza? São influências da política inglesa?
Confiemos em que nunca tenhamos de descer à humilhação de ouvir a coroa, por atenção aos nossos fiéis aliados, abrir-se deste modo com o País:
«Dignos pares e senhores deputados da portuguesa nação: - Feliz me acho, por me sentar no meio do nacional parlamento, dando começo às nacionais lides. E necessário que zelemos a pública administração, para manter as pátrias liberdades. Sem o constitucional decoro não há públicas garantias. A nacional fazenda merecerá o maior zelo ao legislativo poder. O executivo poder esse manterá as publicadas leis. Está aberta a ordinária sessão das portuguesas câmaras. All right!»
Esperemos que a coroa, mais bem aconselhada, volte às tradições da nacional - gramática.
E o próprio Sr. Pinto Bessa aplaudirá!"
Eça de Queirós e Ramalho Ortigão, "As Farpas" (1872)