Vinha eu do treino com os meus companheiros Tiago e Ricardo, quando nos deparamos com um pequeno coelho junto á berma da estrada. Facilmente alcancei o pobrezinho, as minhas suspeitas confirmaram-se assim que peguei nele, ele sofria de uma doença qualquer. Decidi trazê-lo para casa, na esperança de o poder curar do mal que padecia, coloquei-o numa gaiola, dei-lhe água e comida (cenoura e maçã). Deixei o pobre animal a descansar, que me pareçe ser bastante jovem ainda, provavelmente da ninhada deste Verão, e decidi procurar a doença que ele tinha na internet. O pior dos cenários confirma-se, ele sofre de mixomatose, para quem não sabe e eu não sabia, esta doença é muito grave e altamente contagiosa (transmissão feita pelos mosquitos e pulgas) que ataca os coelhos e leva sempre à morte. "No início, os sintomas são um corrimento nasal que vai aumentando, chegando às vezes a dificultar a respiração do animal. Em seguida, os olhos ficam congestionados e inflamados, com grande secreção purulenta. Mais tarde, aparecem pequenos tumores na base da orelha, nariz e lábios, que vão se estendendo por toda a cabeça, a qual se apresenta muito inchada. Estes tumores espalham-se por todo o corpo, principalmente no ânus e órgãos genitais. O animal fica com febre ligeira, emagrece e morre geralmente entre 4 a 8 dias, após o aparecimento dos primeiros sintomas". Perante este cenário, não sei o que hei-de fazer, por um lado não quero matar o animal, por outro não quero que ele sofra mais já que vai morrer de qualquer das formas. Nestas alturas, surge-me o velho paradigma do sofrimento vs morte rápida. Se fosse um familiar meu como iria eu agir? Se fosse eu próprio, que decisão faria? Para já, o pobre animal vai ficar na gaiola, com água, comida e uma temperatura agradável, eu lhe darei os seus ultimos dias dignos de vida mesmo que os passe a sofrer, vou dar-lhe carinho e respeita-lo como animal. Como é frustrante, querer salvar uma vida e não poder fazer nada...