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sexta-feira, novembro 12, 2010

Workshop de escrita criativa

O António nasceu na Serra da Estrela e nunca pensou noutra coisa que não em ser o melhor jogador de futebol de todos os tempos. Alto, magro, com as pernas tortas, tinha duas rótulas tripartidas como o Pavel Nedved. Treinava sem parar, não sabia fazer outra coisa. Era um futebolista com muito potencial. Rápido; eficaz no remate, com os pés ou de cabeça; forte fisicamente. Não tinha defeitos. Todos os que jogaram com ele o diziam e todos os treinadores o afirmavam. Consigo trazia sempre uma medalha que lhe tinha sido dada pela sua avó, de S. Nuno, padroeiro dos programadores informáticos. Quando pensava na medalha, vinha-lhe a voz da avó aos ouvidos: “tem fé em ti, meu filho, serás o melhor de todos os tempos! Serás a fusão entre o Cristiano Ronaldo, o Pelé, o Maradona e o George Best, com as pernas do Usain Bolt, as mãos do Yashin, e a cara-de-pau do Figo!”
Começou muito novo, no clube da terra; mas era tão bom que logo chamou a atenção do Fernando, treinador do Real Madrid.
O Fernando era estudante, mas só pensava em treinar clubes de futebol. A sua vida era passada ao computador a analisar jogadores e a pensar em transferência. Tanto assim que rapidamente chegou a treinador do Real Madrid.Fernando conhecia o António e sabia do seu potencial. Nos treinos, colocava-o no máximo, e nos jogos punha-o sempre a titular. O António respondia sempre com o máximo dos máximos.
O António não parava de acumular proezas. Golos, assistências, passes certeiros, vitórias atrás de vitórias. Nunca o Real Madrid tivera um jogador tão absolutamente fantástico.
O Fernando estimulava-o a treinar e tinha absoluta confiança de que o António nunca falharia. Os dois começaram a conquistar vários títulos para o Real Madrid, em Espanha e na Europa.
A meio de um jogo – que lhe podia dar a quinta vitória na liga dos campeões - o António recebe a bola, passa por 1, por 2, por 3, segue com a bola, isolado para a baliza, e preparava-se para rematar, quando, subitamente, uma voz lhe ecoa aos ouvidos:
- Ouça lá, estes computadores são para trabalhar!
A bola pára, os jogadores estacam, o público cala-se, o estádio fica silencioso como um jazigo. Só se ouve a mesma voz monumental: - vocês tem a mania de ocupar estes computadores, mas não pode ser, tenham lá paciência!
Sentado no banco de suplentes, o Fernando olhava para o computador, muito atrapalhado, e gaguejava:
- Mas não está aqui ninguém, o computador estava livre...
- Não interessa – repetia a voz – se não é para trabalhar, não é para utilzar!

O António, conhecido no mundo do futebol por Tó Madeira, percebeu então que estava tudo acabado. O Fernando clicou no “Save”, guardou o jogo, e depois clicou no “Exit” e assim desligou o Championship Manager 2001. Antes de hibernar, o Tó Madeira perguntou-se se alguma vez viria a concluir aquele remate.