representação de Jesus de Nazaré (madeira, 3m altura) durante uma Via Sacra em Carvalhal de Turquel (Alcobaça), na passada Sexta-Feira Santa. Autoria de António Paulino
No dia 13 de Outubro de 1307, às ordens de Filipe, o Belo, Rei de França, e com a conivência do Papa Clemente V, soldados irromperam pelas propriedades dos cavaleiros Templários em França e aprisionaram-nos. Foi o início de um processo que levou à execução dos membros da Ordem em França e à sua extinção em toda a Europa. Espanta-me que não tenhamos hoje documentários a explorar vivamente este facto, dada a paranóia que andou à volta dos Templários devido ao Código da Vinci e a outros livros de Dan Brown. Ou talvez não me espante: tratou-se de uma moda, que passou, como as outras. Para mim, é um tema de interesse como outro qualquer, só que não foi Dan Brown a chamar-me a atenção para a fascinante e mística história da Ordem do Templo, mas sim Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, que na sua obra Uma Aventura Fantástica (nº 29) construíram uma narrativa que envolveu aventuras em Tomar e a descoberta de um tesouro templário em Almourol. 13 de Outubro de 1307 foi sexta-feira, e embora se diga que a superstição deriva daí, é provável que já existisse (a Última Ceia juntou 13 e Cristo morreu na sexta-feira) e que tenha sido escolhida pela simbologia.
A história mítica dos Templários está por contar, e era necessário que surgisse um Dan Brown que contasse a versão portuguesa da História. Podia ser eu, mas certamente que José Rodrigues dos Santos ou Miguel Sousa Tavares o farão antes de mim. O Tesouro dos Templários não foi de França para a capela de Rosslyn. Veio para Portugal, o único país europeu onde os Templários foram protegidos, com o rei D. Dinis (esse que foi sem dúvida um dos nossos melhores governantes) a mudar-lhe o nome para Ordem de Cristo e a manter-lhe o estatuto. E está no Mosteiro da Batalha, o panteão da Dinastia de Avis, que possui, entre outros mistérios, um sítio oco debaixo do chão e que não será aberto para não danificar o monumento. (esta é a teoria de um historiador português. Claro que há sempre a hipótese de o Tesouro estar em Tomar.
Bem, mas agora vem a parte mais arrepiante desta história...
610 anos, e 700 anos (atenção que eu não li nenhum livro tipo "Portugal Templário" e afins.) Suponhamos que o Tesouro dos Templários está enterrado no Mosteiro da Batalha.
610 anos depois do Vaticano ter sancionado a heresia templária, e a 10 km do local onde está o Tesouro (o túmulo de Maria Madalena? O Evangelho de Cristo, mas de Cristo mesmo, não do outro?), surge a Senhora do Rosário a três crianças, a 13 de Maio. Vai aparecendo, até que marca o dia 13 de Outubro para fazer um milagre.
Nossa Senhora avisou dos perigos da revolução bolchevique que ia surgir daí a poucas semanas. Falou dos crimes que ofendiam a Deus. Mas não falou dos Templários.
Porque marcou Ela o dia do seu milagre para o mesmo dia em que os templários foram atacados?
Esta semana, por uma lógica questão de timing (no dia 9), o Vaticano anunciou a intenção de publicar o processo de condenação dos Templários. A intenção, suponho, será mostrar o seu lado da História face à histeria danbrownica que entretanto passou de moda. Claro que o faz também na véspera dos 700 anos...
Os Templários foram surpreendidos de madrugada. Ora, todas as madrugadas do dia 13 de Outubro, há uma imensa celebração religiosa católica, na nova basílica (agora dupla) erguida a 10 quilómetros do local onde está guardado o Tesouro dos Templários, e igualmente não longe de Tomar, no centro da região que serviu de refúgio dos heréticos. E, no 700º aniversário, não foi excepção, pelo contrário - foi ainda assinalado com a inauguração de nova Basílica.