Há por aí malta que se serve do facto de existir uma Avenida 24 de Julho em Lisboa para decorar datas de aniversário que calhem nesse dia. Mas porquê 24 de Julho?
Tal como muitos lamentam que se tenha mudado o nome à Ponte Salazar, 24 de Julho é seguramente um nome que não agrada aos legitimistas, absolutistas ou miguelistas (três termos para o mesmo “rótulo”) que andam por aí – e na verdade existem
mesmo legitimistas na blogosfera, e não me refiro ao Dr.
Sousa Homem.
A Avenida 24 de Julho assinala um dos
turning points decisivos da guerra civil que assolou Portugal no início do século XIX, entre 1832 e 1834. Depois de um ano resistindo no Porto, cercado pelos absolutistas, os liberais recebem reforços que permitem uma manobra de diversão, através de uma expedição e desembarque de tropas no Algarve, que avançam depois para norte, e com sucesso. Depois de um combate na Cova da Piedade, o exército absolutista evacua Lisboa (para norte), onde os liberais entram a 24 de Julho de 1833, comandados pelo Duque da Terceira. A sorte da guerra estava quase decidida, pois os liberais passaram a controlar Lisboa e Porto.
Curiosamente, isto ditou que a fase final da guerra decorresse principalmente no Ribatejo, visto que D. Miguel fez de Santarém o seu quartel-general. É assim que encontramos batalhas decisivas em locais como Pernes, Almoster e Asseiceira (Tomar), todas vitórias liberais, e é neste cenário que Garrett situa a acção das
Viagens na Minha Terra, no Vale de Santarém onde se cruzam as sentinelas de ambos os exércitos.
Aos comentadoresUm grande bem-haja à
Boo e ao Visionário da Marinha Grande (cuja presença voltou finalmente a ser detectada na internet!) pelos comentários; voltem sempre!
SARIP Vida Selvagem - VOuriço-cacheiro, em zona residencial suburbana de Leiria.

