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sábado, fevereiro 15, 2014

Conselho aos caloiros

O "Café Central" de Coimbra
1.º
O quintanista é soberano absoluto: deveis-lhe obediencia e submissão.

2.º
Sêde cortezes com os novatos e venerae os veteranos.

3.º
Não entreis nos bilhares de noite: evitai os vicios, e protegei os cabelleireiros.

4.º
Passai as vesporas de feriado a ler.
Antes as semsaborias de Paul de Kock, do que vir para casa tosquiado.

5.º
Fugi do prego, da batota e do café central: tudo isto deixa a bolsa despejada.

6.º
Amae o quintanista sobre tudo, e o novato como a vós mesmos.

“Almanach dos Estudantes para 1872” A. Sérgio de Castro e A. B. Rodrigues
Coimbra: Imprensa da Universidade, 1871 – pp.121/122

terça-feira, abril 10, 2012

Praxe suspensa

Sobre o caso da suspensão da praxe em Coimbra, motivada por uma agressão de um aluno a duas alunas em contexto de praxe, deixo a opinião de um leitor e amigo da casa que não identifico porque ele publicou estas ideias no Facebook - e no meu entender o Facebook é uma rede semi-pública, a partir da qual não se devem (deveriam) citar coisas sem autorização dos autores (a não ser que seja algo publicado numa Página FB, o que não foi o caso.)

"Isto não é um caso de praxes e tradições, é um caso de polícia. Principalmente porque o autor devia ter sido expulso há três anos atrás, quando atacou a pontapé uma colega no meio da Faculdade. É alguém com óbvios problemas mentais, sem o equilíbrio para estar na Universidade. A reação do João Luis pareceu-me excessiva a princípio, mas como apareceram casos de homens a gozar mulheres e incidentes com excesso de alcóol nas últimas semanas, em contextos estudantis, parece-me que ele fez bem em parar um pouco para reflexão interna. Desde o D. Dinis que as praxes de Coimbra são um contrato de autonomia dos estudantes perante o poder político e a cidade, quando a letra e o espírito das praxes e tradições é quebrado essa autonomia não pode ser um meio de promover a impunidade, pelo que espero que este Conselho de Veteranos dê o apoio necessário às vítimas e traga de volta a normalidade praxistica em breve."


"Sim, existem dois mitos por trás de várias posições do campo anti-praxista que urge combater: de que a praxe de gozo se tem tornado mais agressiva nos últimos dez anos, quando o contrário é que tem acontecido nos últimos vinte anos; e de que acontecimentos isolados como este do tipo com problemas mentais a bater nas raparigas são generalizados, quando na verdade foi a violência anti praxista generalizada e cega a nível de género ou política que reforçou a praxe em Coimbra, no seu sentido mais amplo. A história do anti-praxismo é de uma violência inaceitável, e urge recordar as novas gerações desses períodos negros. Mas ao mesmo tempo parar um pouco e reflectir os caminhos da praxe de gozo pós reforma da praxe e contaminação da praxis das outras instituições também deve ser feito, e não custa nada ouvir os contributos de todos que estejam de boa fé, qualquer que seja o seu campo."

domingo, março 29, 2009

Do Alto - 4


Artº 47º

Secção I

Título I

Da Hierarquia da Praxe

Artigo 3º

(…)

XIII – Bolognez – pertencem à categoria de Bolognez:

Os que estão matriculados pela primeira vez no 2º Ciclo, ressalvando a condição de Novato.


Secção II

Título XIV - Da Condição de Bolognez

Artigo 47º

a) Ao Bolognez é vedada a permanência nas vias públicas da Baixa após as seis horas da manhã e até à hora do primeiro toque matutino da Cabra.


quinta-feira, março 05, 2009

Melhor que o euromilhões

Terminou esta semana mais uma "vaga" de livros publicados pela revista "Sábado" por mais 1 €, com "O Quarto Protocolo", de Frederick Forsyth, um autor britânico especializado em ficção política. (Não, nunca li, por isso não sei muito bem do que estou a falar.) Curiosa coincidência: o dito autor chegou a Bissau no dia antes do assassinato de Nino Vieira! Ora, que melhor material podia querer para a sua próxima obra?...


Artigo 160º

a) Os vãos das portas protegem quando o “animal” tiver a chave da porta, bem assim como as portas dos Cafés, Hotéis, Pensões, Cinemas e outras casas públicas, se não estiverem encerradas ao público.

b) Os abrigos das paragens dos autocarros, bem assim como todos os telheiros ou alpendres, não protegem. De igual modo os urinóis abertos não protegem, mas ao infractor só pode ser aplicada a sanção depois de ter urinado, ainda que não tenha sido esse o motivo que aí o levou.

c) Não é permitido aplicarem-se sanções nos passeios da Câmara Municipal, da Praça 8 de Maio e no espaço compreendido entre a Faculdades de Letras e a Biblioteca Geral, sem prejuízo de os infractores poderem ser postos debaixo de trupe nesses locais.


quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Artº 157

TITULO X

Das proteções

Artigo 155º

Dum modo geral, constitui protecção o auxilio dado por doutores ou futricas aos caloiros e bichos para os livrar da PRAXE.

Artigo 157º

A protecção dada pelos futricas está sujeita às condições seguintes:

a) Ser o protector pai, mãe, avô, avó, irmão ou irmã do “animal”.

b) Ser o protector uma senhora que tenha a cabeça coberta por chapéu ou lenço e traga meias.

c) Ser o protector uma sopeira com avental.

A protecção da alinea a) deste artigo constitui a chamada “protecção de sangue”e tem precedência sobre todas as outras.

As protecções das alíneas a) e b) deste artigo só são eficazes se o “animal” enfiar uma das patas superiores no braço do protector.

A protecção da alinea c) só será eficaz desde que o “animal” se coloque debaixo do avental.


Até ao final da semana teremos a terceira e última parte da foto-report do Carnaval de Turquel 2009.

segunda-feira, fevereiro 23, 2009

The good ol' nineties + artº 63

"Andava nos últimos tempos com uma enorme necessidade de ouvir a minha música dos anos 90. Regressei aos discos dos Ride, Nirvana, Pavement, Bluetones... "

in "Coimbra é uma lição"

Curioso... será que se pega, esta necessidade de voltar aos anos 90?


Código de Praxe da Universidade de Coimbra
Os códigos de praxe são, como se sabe, uma derivação do código de praxe da Universidade de Coimbra. E o código de praxe da Universidade de Coimbra é, sem qualquer dúvida, um passatempo de juristas. Hoje, em Coimbra como em mais nenhum outro local, a praxe é vista desta forma, visto Coimbra estar na linha da frente no que toca, quer ao debate reflexivo sobre o deve ou não ser a praxe, quer ao real significado da praxe numa sociedade de cidadãos esclarecidos e responsáveis.
É fácil constatar que, se levada à letra, a praxe se pode tornar uma divertida paródia ao espírito ultra-legislador de uma certa forma de entender a Lei, num país onde gostamos de fazer leis perfeitas que, naturalmente, não vêm a ser cumpridas. É neste espírito que, nos próximos tempos, vamos ter alguns dos artigos mais curiosos do Código da Praxe de Coimbra, na versão saída da última revisão, em 2007, e que adaptou a praxe à era de Bolonha.


Artigo 63º
a) Ao Dux-Veteranorum é vedada a permanência na Ponte de Santa Clara ao badalar da Meia-Noite no relógio da Torre da Universidade. Se aí for encontrado ser-lhe-á aplicada sanção de unhas por qualquer doutor na PRAXE ou por veterano mesmo à futrica, que esteja presente.
b) Tendo assistido à infracção vários doutores de hierarquias diferentes, apenas podem aplicar a sanção aquele ou aqueles que, simultaneamente, tiverem o mesmo e o mais elevado grau hierárquico.

terça-feira, janeiro 22, 2008

Novidade Bombástica: o Fernando vem à Queima!

"se outra razão não houvesse, bastava essa [o facto de Coimbra ser a capital histórica da cultura em Portugal] para vir a Coimbra como quem vem numa peregrinação religiosa até um lugar sagrado."

Foi com esta frase que o prof. José Hermano Saraiva fechou o seu programa de Domingo passado, centrado em Coimbra e no qual abordou vários temas relacionados com a cidade, nomeadamente elogiando a notável obra de recuperação do mosteiro de Santa Clara a Velha.


Quase me arrepiei ao pensar na coincidência do pensamento do prof. Saraiva com o meu: como já outras vezes tenho sublinhado (nomeadamente no cruzamento com os peregrinos de Fátima) que o antigo estudante vai a Coimbra como se fosse numa peregrinação religiosa.

Ora bem. Se assim é, parece que o Fernando vai fazer finalmente o seu Hadj! Em comentário ao post anterior, o Fernando anunciou a sua intenção de, finalmente, regressar à Queima das Fitas!
Presumo que razões de calendário ajudem a esta declaração de intenção, já que, pelas minhas contas, a Festa do Senhor Santo Cristo dos Milagres deste ano não coincide com a Queima. Em todo o caso, o alojamento não há de ser problema! Afinal, deixámos de ter alojamento fixo já há algum tempo e nem por isso temos deixado de ir; haveremos de arranjar uma solução para isso!
Cá te esperamos, pá!

(Ainda no âmbito das alterações ao programa da Queima, queria apenas referir que, desde que me lembro e até ao ano 2000, sempre pensei que a Grande Cerimónia estudantil de Coimbra, aquela com significado mais especial para o estudante que por ela passava, se dava no último ano do curso. Depois, passei a perceber um pouco mais da Praxe e dos seus ritos, e fiquei a saber que a ida no Cortejo era no penúltimo ano, e não no último. O que - claro - passou a fazer todo o sentido.
Em todo o caso, e até por este factor, eu sou mesmo daqueles que menos estranha estas alterações todas ao ritual da Queima...)

Já agora, deixo uma citação do Dux encontrada no já aqui referido fórum skyscrapercity:

Cortejo e bênção das pastas vão passar a realizar-se, a partir de 2008, em diferentes dias da semana. O Processo de Bolonha vai obrigar a uma reestruturação do código da praxe. Com o Processo de Bolonha a reduzir a duração dos cursos, o Cortejo dos Quartanistas vai ser, a partir de 2008, antecipado. Em causa está o facto dos estudantes fitados (que até agora adquiriam o grau no ano lectivo anterior à semana académica) só passarem a usar fitas quando forem no carro do Cortejo. Se até agora os alunos fitados adquiriam o grau no ano lectivo anterior – logo era indiferente o dia em que se realizava o cortejo –, com a alteração do número de anos do curso, os alunos passam a ir no carro apenas no último ano do 1.º ciclo. "Isto significa que os estudantes só podem usar fitas depois de ir no carro. Se o cortejo fosse na terça-feira, haveria muito pouco tempo para assinar as fitas", disse o dux veteranorum da Universidade de Coimbra.

Deixo também um link para uma outra explicação sobre a criação de novos graus da Praxe.