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quarta-feira, janeiro 25, 2012

Ora essa

- "Então mas o Conjunto António Mafra foi formado no Porto?"
- "Então havia de ser aonde? Em Mafra, não?"


quarta-feira, março 24, 2010

Galaico-português

Recordo aquele dia de Setembro, soalheiro, quando estava na fila para cair na rede do peixe, digo, para me tornar cliente da Caixa Geral de Depositos, à imagem de centenas de outros peixes, digo, caloiros, e me passar pelas mãos o Diário das Beiras - as Beiras! A Beira Litoral, a Beira Alta... - e sentir que estava um pouco deslocado, de facto, da minha Estremadura natal.

E aqui tomo consciência, de facto, de que estou no antigo Reino de Leão, e da forte decisão dos condes e barões de Portucale, liderados pelo jovem Afonso, de separarem Portucale da Galiza - quando ambos vêm da mesma matriz.

quinta-feira, fevereiro 18, 2010

Porto, 1980 - o background do Chico Fininho

"É talvez o mais famoso "freak" português de todos os tempos, apesar de nunca ter existido, a não ser nas espiras de um disco. Foi concebido no útero de uma guitarra eléctrica, nasceu num parto de três acordes em "blues" mas logo correu para o gira-discos e se empoleirou no prato, refastelando-se nos três minutos de glória proporcionados por uma canção pop. Daí pairou numa posteridade discreta da qual caberá, de vez em quando, às gerações seguintes, definir os contornos.
(...)
a descrição do Chico Fininho era tão vívida, a canção era tão sugestiva, que muitos julgavam que ele era alguém de carne e osso, que com sorte poderia ser encontrado num qualquer café do Porto, sendo detectável pela sua indumentária ou pelo seu inconfundível calão urbano, recheado de termos como "shoot", "merda" (como sinónimo de droga) "trip" ou "judite". O próprio Rui Veloso teve alguma dificuldade em impor uma personalidade própria, já que muitos chegaram a suspeitar que o "freak" fosse uma espécie de "alter-ego" do cantor, uma reencarnação que Veloso usasse para singrar no "underground" citadino. Mas, por irónico que pareça, o Chico Fininho é anterior à própria emergência de Rui Veloso no mundo do espectáculo. O seu parceiro Carlos Tê é que o criou, escrevendo o poema por alturas de 77, ou seja, ainda antes de conhecer Rui Veloso e é também ele, ao contrário do que geralmente se julga, o autor da música.
(...)
A própria Cantareira (de que muitos portuenses ouviram falar pela primeira vez por causa do Chico Fininho) é uma simples zona de pescadores junto ao rio Douro que só por um mero acaso poderia ser confundida com um paradeiro de "freaks". A menção deste local na canção deve-se prosaicamente ao facto de ele constituir uma escala frequente nos passeios habituais de Carlos Tê ao longo da zona ribeirinha. O amigo de Rui Veloso morava, então, no Bairro da Pasteleira, não longe da Foz, e costumava descer a pé em direcção ao Passeio Alegre e ao Jardim António Cálem para às vezes só terminar na vila piscatória da Afurada (também tema de uma canção em "Ar de Rock") após uma travessia do rio de barco. (...)

Fonte: Nuno Corvacho (texto de 2000)





Gingando pela rua
Ao som do Lou Reed
Sempre na sua
Sempre cheio de speed

Segue o seu caminho
Com m**** na algibeira
O Chico Fininho
O freak da Cantareira

Chico fininho
Uuuuuuh uuuuuuh

Aos sss pela rua acima
Depois de mais um shoot nas retretes
Curtindo uma trip de heroína
Sapato bem bicudo e joanetes

A noite vem já e mal atina
Ele é o maior da Cantareira
Patchuli, borbulhas e brilhantina
Cólicas, escorbuto e caganeira

Chico fininho
Uuuuuuh uuuuuuh

Sempre a domar a cena
Fareja a judite em cada esquina
A vida só tem um problema
O ácido com muita estricnina

Da Cantareira à Baixa
Da Baixa à Cantareira
Conhece os flipados
Todos de gingeira

Chico fininho
Uuuuuuh uuuuuuh

domingo, janeiro 10, 2010

Invicta

Há dias, relembraram-me o episódio em que a cidade do Porto se revoltou e ergueu para impedir a compra do Coliseu pela Igreja Universal do Reino de Deus. Notáveis e anónimos, todos se ergueram e conseguiram impedir essa (sem querer faltar ao respeito pelos crentes desta religião) calamidade.

fonte: link

E lembrei-me desta análise do JHS:


"Nenhum herói portuense simboliza melhor este lugar que esse Pedro Feudo-Tirou, que não existiu. (...) Foi ele que, Pedro, João, Tiago, qualquer que haja sido o seu nome, resistiu à opressão senhorial dos sucessores de D. Hugo; quem depois tomou o partido do Bolonhês, quem respondeu ao Mestre de Avis, que, aflito, pedia auxílio (...) foi ainda ele quem embarcou para descobrimentos e peregrinações (...) foi o único que em Portugal clamou, de cara ao sol e não em ciladas nocturnas, contra (...) o poder absoluto do marquês de Pombal (...) o que em 1820 impôs o regime da soberania popular e o regresso do rei ausente; o que potestou contra a restauração do absolutismo e deu ânimo e pão aos bravos do Mindelo,
[e que por ter resistido um ano ao cerco do exército de D. Miguel ganhou o título de Cidade Invicta] o que desfraldou o estandarte da Patuleia, anunciou com Saldanha a hora da Regeneração, proclamou a primeira vez a República no 31 de Janeiro. Foram 8 séculos de resistência e de defesa da liberdade colectiva, contra qualquer que fosse o paço donde viesse a ofensa: luta contra o poder prelatício, contra a vexação senhorial, contra a intromissão cortesã ou as hegemonias descabidas do poder central.
(...) Por Rui Pereira [tio de Nun’ Álvares] ter ficado dentro da cidade mais de três dias tocaram os Portuenses a rebate, queimaram-lhe as casas, mataram-lhe criados e iam-no quase matando a ele. Era privilégio que os moradores do Porto prezavam acima de qualquer outro o de que nenhum fidalgo pudesse entrar na cidade e morar dentro dela mais de três dias. Nem o duque de Bragança, nem o arcebispo de Braga conseguiram escapar à regra. O único que entrou e ficou foi o conde Vímara Peres (...)
JHS, O Tempo e a Alma, I Volume, p. 85

Suponho que foi apenas mais um acto de resistência a acrescentar à lista.