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quarta-feira, julho 18, 2007

eu sou o autêntico Júlio Isidro da política. Não só lancei o presidente da JS/Açores, como ensinei ao ex-primeiro-ministro o que ele havia de dizer às pessoas.

Ainda Paulo Geraldo
Foi consultar a internet sobre o tal estudo referido por Paulo Geraldo na sua segunda aparição neste blogue. O estudo chama-se "Marriage-lite: The rise of coabitation and its consequences" de Patricia Morgan.
Não li o livro, mas consultei duas análises relativamente completas do mesmo, que estão aqui e aqui.
São apresentados muitos números que mostram uma correlação entre a coabitação e toda a espécie de situações gravosas: separações, violência, alcoolismo, desemprego, menos empenho em termos profissionais. Faz inclusivamente algo que eu exigi anteriormente a Paulo Geraldo: afirma que os coabitantes se separam têm menos probabilidades de, no futuro, terem relacionamentos duradouros.
Os números são bastantes impressionantes, mas há um outro pormenor que também impressiona: a quase ausência de explicações para os dados encontrados.

As análises enumeram os dados encontrados, baseados em grande medida numa correlação entre a coabitação e tudo quanto é mau, e no fim enunciam os riscos e os perigos da coabitação. No entanto, ficamos sem saber os motivos que levam a existência dessa correlação.

"From the many surveys that have been conducted, cohabitations are not a helpful way to parenthood. They are not a helpful preparation for marriage, and do nothing to strengthen marriage. Frequently they are associated with increased risk of marital breakdown. Contrary to public belief they are a major cause of the rise in numbers of people ultimately living alone."
Mas porquê?

Uma hipótese: ao longo dos 20 anos que o estudo durou, o casamento é a instituição dominante e socialmente aceite; logo, a coabitação só se verifica nos estratos mais instáveis da sociedade, onde há problemas de desemprego, analfabetismo, exclusão social, marginalidade, etc, ou seja, onde há todas as condições para vidas instáveis e menos produtivas, e onde portanto há menos estabilidade e menos condições para o casamento.

O estudo não indica dados sobre a profissão dos coabitantes, rendimentos, escolaridade, participação social, etc. Só diz que a coabitação está associada a instabilidade. Para mim não chega – especialmente porque há fortes indícios (alcoolismo, menos commitment, desemprego, etc) de que a coabitação avaliada e medida neste estudo esteja associada a situações de exclusão social.

Além disto, há a questão da regulação do conflito. Se entendermos o divórcio como uma solução para um problema, não vemos o divórcio ou a separação como uma coisa má em si própria. É natural que, numa sociedade que favorece a regulação do conflito por outros meios, o divórcio suceda – a questão era precisamente encontrar uma solução para o conflito.

No fim, temos o seguinte: “marriage takes place as a public act befor family and friends. it involves depth of commitment on the part of two people and the promiseto love and care for each other for life. It envolves constraints, but constraints are part of the creation of a "secure and predictable environment to ehich real and durable choices may take place. When we lose the constraints we lose the choice: we lose a species of liberty and the guarantees the unique and productive environment that marriage can create. Marriage offers stability, security and a lasting happiness, which these who cohabit desire but cannot obtain.”

Isto é tudo verdade, e eu próprio partilho da intenção de ter um ambiente seguro e previsível – faz parte do conceito de qualidade de vida.
Mas “seguro e previsível” é algo que a sociedade actual não tem sido. Há um choque cultural de gerações, por motivos sociais, culturais e tecnológicos. Há um número crescente de pessoas a viver sozinhas nas grandes cidades, perseguindo o emprego. As transformações são rápidas e súbitas. Os constrangimentos referidos são mais próprios de ambientes socialmente mais coesos ou onde existem regras mais rígidas - menos típicos de sociedades em transformação acelerada. (Os constrangimentos são necessários porque o Amor é uma coisa, não é?...)

Marriage offers stability, security and a lasting happiness – aqui voltamos mesmo ao início. Se duas pessoas construírem este nível de empenho e perseguirem o mesmo ideal, porque há de ser a mera ou inicial coabitação um estorvo?

(Se, como diz uma entrevistada num desses estudos, a coabitação foi uma desculpa para o namorado levar vida de solteiro, e que a única vantagem da coabitação era poder deixá-lo que era tud o que ela não queria, o melhor que ela faz é deixá-lo. Tal indivíduo provavelmente não seria grande marido.)

No fundo, é isto que está, talvez, mais em causa. A sociedade precisa que as pessoas não sejam inteiramente egoístas, de modo a assegurar o melhor ambiente para que o futuro – as crianças – possam crescer.

Contudo, o que está em causa é a atitude e o empenho. Só está directamente relacionado com o casamento por motivos sociológicos. Em lugar de louvar o casamento, todos deveríamos louvar os verdadeiros valores: a atitude, o empenho. Se o egoísmo é moda, em breve poderá deixar de o ser, pois eu acredito que o “instinto” natural da grande maioria das pessoas vai para a reprodução. E relembrar um facto simples: AS INSTITUIÇÕES NÃO SÃO ETERNAS, E É PREFERÍVEL DESTRUIR UMA INSTITUIÇÃO NOCIVA A CONSERVÁ-LA. Não vou repetir que o casamento não é garante suficiente para que os valores existam, estou farto de o dizer.

Falta saber, de facto, se a coabitação era uma instituição social largamente aceite e reconhecida por todos os estratos da sociedade ou se estava reservada a uma situação de clandestinidade associada à exclusão social.

Picassinos, cemitério de blogues


domingo, julho 15, 2007

Alguém sabe quem é esta pessoa que por vezes aparece na televisão?


A minha irmã sabe, pois disse o nome dela mal a viu surgir no ecrã. É ainda um pouco em "linguagem de bebé", mas dá para perceber bem.

Paulo Geraldo e a coabitação
(…) o estudo, intitulado “Marriage-Lite: The Rise of Cohabitation and its Consequences, foi publicado pelo Institute for the Study of Civil Society.
A autora, a socióloga Patricia Morgan, afirma que a sociedade deveria ter um melhor conhecimento daquilo que implica a coabitação, nestes tempos em que ela se dá com frequência cada vez maior.
Desconheço o estudo. Portanto, até conhecer, deverei manter alguma prudência, pois Paulo Gerardo (ou antes, Paulo Geraldo) saberá melhor do eu do que está a falar.

Há no Reino Unido cerca de 1,5 milhões de casais que vivem juntos sem estarem casados, e para 79% dos homens e 71% das mulheres, menores de 35 anos, é essa a forma inicial de vida em casal. São, sem dúvida, números espantosos.
Novamente, repito: são dados indicados pelo estudo, e não tenho quaisquer motivos para duvidar. Em todo o caso, estes dados apresentados por PG não têm, por si mesmos, qualquer problema – pelo menos do meu ponto de vista.

Nestas uniões de facto, as mulheres correm um risco maior de sofrerem maus tratos, o que não é de espantar. A realidade é que as uniões de facto costumam formar-se com uma rapidez muito maior do que os casamentos. (…) Quanto mais curto for esse tempo de conhecimento, mais fácil é ocultar uma personalidade violenta.
Tendo em conta os números existentes sobre a violência conjugal, disponíveis aqui http://www.apav.pt/pdf/violenc_domest_2006.pdf, tenho de colocar sérias dúvidas a esta afirmação. Os quadros 4 e 5 indicam que o estado civil da vítima e do autor dos crimes registados é, na maioria absoluta dos casos (mais de 50%), o de casado. Aparentemente, muitas personalidades violentas foram igualmente ocultadas em períodos “longos” de namoro e noivado…

É natural que, há medida que vai crescendo o número de uniões de facto em relação ao número de casamentos, esta estatística vá sendo alterada. Mas isso não muda a premissa de base – o casamento, por si só, não dá mais garantias que a união de facto contra a violência.

Além disso, há novamente uma questão de liberdades individuais que PG tende a esquecer. Se existir violência conjugal num casal em união de facto, é mais fácil, em termos legais, por cobro a essa situação do que num casamento propriamente dito. A mulher (ou o homem, que também os há vítimas) tem menos laços legais em relação a quem lhe bate.
Também em termos sociais deveria ser mais fácil por cobro a situações de violência, se o casal estiver em união. Contudo, tal depende das pessoas que rodearem o casal. PG não deve conhecer casais, civil e legalmente consumados, nos quais, se houver violência, as pessoas mais próximas da vítima aconselham a “ter paciência, que isso passa.” Aliás, tendo em conta a opinião de Paulo Gerardo sobre o divórcio, é fácil de adivinhar o que diria se alguém lhe batesse à porta a pedir conselho numa questão deste género. “Tenhamos paciência, que há de melhorar! Divórcio é que não!” Ou será a separação de uma família “unida de facto” é menos grave que uma família “casada”?

Também as crianças sofrem consequências especialmente graves - pior rendimento escolar, mais problemas psicológicos -, graças à instabilidade do ambiente familiar.
PG retoma os temas já debatidos anteriormente, pelo que tenho de fazer o mesmo. Aqui, concordo absolutamente: numa família onde existam ralhos e discussões diárias, violência ocasional ou diária, e nenhuma perspectiva de futuro, as crianças sofrem. A separação dos pais é o caminho a seguir, a bem das crianças.
Eu aqui deveria frisar bem a ausência de perspectivas de futuro. Não se trata de uma discussão ocasional seguida de uma reconciliação. Isso é o normal e o saudável. Trata-se de um estado de guerra permanente, em que o melhor que a criança pode ter é a ausência de gritaria – ou a ausência de um dos progenitores. Quando não há discussão, há ameaça surda, ódio escondido, e o amanhã não se imagina melhor… é o desespero feito rotina diária.


Esse ambiente deveria ser o ninho seguro, intocável, no qual elas se desenvolvessem harmoniosamente.
Concordo a 100%.

Além disso, se não podem ter confiança em que os seus pais permaneçam juntos, dificilmente poderão no futuro formar eles mesmos uma relação duradoura.
Novamente, tomo as afirmações de PG como insulto pessoal. Ou antes: se eu não tenho confiança que o casamento civil e legal garanta a estabilidade da família, dificilmente poderei confiar em argumentações do género das de Paulo Gerardo.

A coabitação é mais frágil que o casamento. São menos de 4% as uniões de facto que duram mais de 10 anos. Em 20% dos casos, separam-se antes de terem passado 3 anos (no caso dos casais casados, esta mesma percentagem é de 3%). As uniões de facto que não terminam em casamento desfazem-se numa proporção quatro vezes maior que os casamentos. Os casais que coabitam são menos fiéis que os casados.
Com efeito, terei de consultar os dados do estudo referido por PG. As conclusões a tirar destes números são, a priori, as seguintes: o amor é efectivamente algo muito fraquinho e frágil, ao contrário do que dizia PG no outro texto, já que é absolutamente necessário um contrato legal para o fazer durar…

Estão por estudar quais as segundas relações de todos estes casamentos falhados, quais as idades médias deste tipo de casamentos falhados, etc. A maturidade, o estatuto social, tudo isso conta. É algo que as pessoas como PG tendem a esquecer: o potencial, o futuro, o que acontece depois de todos esses males. Tudo isso também tem de ser devidamente avaliado, pois não basta dizer que um casal em que cada um tem 20 anos de idade se separou ao fim de 3 meses e depois considerar que os 50 anos seguintes das pessoas não entram para os estudos. Voltaram a casar? Tiveram filhos? Produziram algo de relevante para a sociedade ou tornaram-se, sei lá, marginais?…


Para as mulheres, a coabitação parece ser um excelente caminho para se transformarem naquilo a que se chama mães solteiras ou mães solitárias, especialmente no caso daquelas que possuem menos recursos económicos.

Aqui, PG tem razão. A coabitação pode ser um risco, em termos legais. Mas PG não sabe bem onde se está a meter. Utilizar o argumento economicista? O casamento deve ser preservado por motivos de racionalidade financeira e económica?
Muito bem! Mas então, melhor que o casamento é as famílias com três “pais”! Imaginem uma casa onde vive marido, mulher e irmão do marido, que não se casou por motivos que nem interessa imaginar, e três crianças. Pois não é muito melhor haver três pessoas em permanência a ganhar “para a casa” e a cuidar das crianças, em vez de duas pessoas?
E por que não, já agora, duas lésbicas com rendimentos mensais combinados acima de 2000 euros mensais face a um casal normal com rendimentos de 1000 euros?
Bom. Fiquemos por aqui; em todo o caso, acreditem que lamento por todas as “mães solitárias” que lutam todos os dias com os poucos meios que têm – após terem saído de um casamento e lidado com tribunais que demoram anos a devolver-lhes um pouco do seu património.

Quanto aos homens, verifica-se que a coabitação é a forma ideal de continuarem a comportar-se como se fossem solteiros (na verdade continuam a ser solteiros), tanto no que se refere ao trabalho como às relações sociais e às responsabilidades em casa e com os filhos. Os homens casados costumam trabalhar com maior seriedade, e reduzem a sua vida social fora dos ambientes familiar e profissional.
Mais uma vez, remeto o comentário para uma posterior análise do referido estudo…
Também para mais tarde fica a questão das liberdades individuais, que são pouco referidas por Paulo Geraldo – nomeadamente no que toca à questão de ninguém obrigar as pessoas a viver em coabitação, se não o quiserem…

quarta-feira, julho 11, 2007

Devemos continuar?

"Tomei conhecimento, não há muito tempo, de um estudo recente que mostra com clareza o efeito negativo que tem a coabitação. Aqui, costumamos dar à coabitação o nome de uniões de facto. O estudo, intitulado Marriage-Lite: The Rise of Cohabitation and its Consequences, foi publicado pelo Institute for the Study of Civil Society. A autora, a socióloga Patricia Morgan, afirma que a sociedade deveria ter um melhor conhecimento daquilo que implica a coabitação, nestes tempos em que ela se dá com frequência cada vez maior.
Há no Reino Unido cerca de 1,5 milhões de casais que vivem juntos sem estarem casados, e para 79% dos homens e 71% das mulheres, menores de 35 anos, é essa a forma inicial de vida em casal. São, sem dúvida, números espantosos. Na opinião da autora do estudo, a atitude crescentemente permissiva que se tem tido para com a coabitação - até ao ponto de ser considerada em muitos ambientes como algo normal - não tem feito senão ocultar os factos que o seu estudo manifesta. É interessante repararmos neles.
Nestas uniões de facto, as mulheres correm um risco maior de sofrerem maus tratos, o que não é de espantar. A realidade é que as uniões de facto costumam formar-se com uma rapidez muito maior do que os casamentos. O tempo de namoro e noivado - do qual não prescindem habitualmente aqueles que pretendem unir-se para toda a vida - serve para que os dois jovens se conheçam melhor um ao outro. Quanto mais curto for esse tempo de conhecimento, mais fácil é ocultar uma personalidade violenta.
Também as crianças sofrem consequências especialmente graves - pior rendimento escolar, mais problemas psicológicos -, graças à instabilidade do ambiente familiar. Esse ambiente deveria ser o ninho seguro, intocável, no qual elas se desenvolvessem harmoniosamente. Além disso, se não podem ter confiança em que os seus pais permaneçam juntos, dificilmente poderão no futuro formar eles mesmos uma relação duradoura.
A coabitação é mais frágil que o casamento. São menos de 4% as uniões de facto que duram mais de 10 anos. Em 20% dos casos, separam-se antes de terem passado 3 anos (no caso dos casais casados, esta mesma percentagem é de 3%). As uniões de facto que não terminam em casamento desfazem-se numa proporção quatro vezes maior que os casamentos. Os casais que coabitam são menos fiéis que os casados.
Para as mulheres, a coabitação parece ser um excelente caminho para se transformarem naquilo a que se chama mães solteiras ou mães solitárias, especialmente no caso daquelas que possuem menos recursos económicos.
Quanto aos homens, verifica-se que a coabitação é a forma ideal de continuarem a comportar-se como se fossem solteiros (na verdade continuam a ser solteiros), tanto no que se refere ao trabalho como às relações sociais e às responsabilidades em casa e com os filhos. Os homens casados costumam trabalhar com maior seriedade, e reduzem a sua vida social fora dos ambientes familiar e profissional.
O casamento e a coabitação dizem respeito à forma como nos organizamos para educar da melhor maneira a próxima geração, que terá a seu cargo a sociedade no futuro. Estamos a ver quais são as tendências. Devemos continuar assim, ou tentar mudar as coisas?"
Paulo Gerardo