É com uns dias de atraso, mas não faz mal. Como o próprio disse na televisão, à Fátima Campos Ferreira, ele "não tinha pressa" de completar mais um aniversário. Parabéns, Manoel de Oliveira!
(Um dos melhores pormenores da entrevista que deu à FCF foi logo a abrir:
- Como vê a situação do país, em 2011? - Como é que eu a vejo? À rasca...
O que vale é que não estava lá o José Gil para lhe pregar um sermão.)
Assinalaram-se esta semana as efemérides de dois grandes ícones da cultura mundial do século XX;
20 anos
Do álbum Nevermind, o grande álbum que tornou os Nirvana conhecidos no mundo inteiro e inspirou uma toda uma geração, mesmo que por muito pouco tempo.
80 anos
Do filme "Douro, Faina Fluvial", a estreia de Manoel de Oliveira atrás de uma câmara - estreia assobiada pelos lisboetas e aplaudida pelos críticos estrangeiros.
A grande notícia dos dias anteriores ao Natal foi sem dúvida a confirmação do regresso de M. Schumacher à F1. Para a Mercedes, é certamente uma excelente aposta. A equipa alemã (especialmente depois da saída da BMW), com dois pilotos alemães - sendo um deles o Grande Herói alemão, para mais cuja carreira foi "patrocinada" pela Mercedes antes da chegada à F1. Além disso, trata-se da concretização de um esforço iniciado há 17 anos atrás, quando a Mercedes tentou, sem sucesso, contratar Schumacher à Benetton para a nova equipa Sauber-Mercedes que se estreou em 1993. E que se prolongou em 1998, quando Schumacher era o único rival sério da McLaren-...Mercedes.
Para a F1, depois de todas as boas notícias (equipas novas, Richards Bransons, pneus slicks, fim dos reabastecimentos, fim da estupidez da qualificação), é a cereja no topo do bolo para um 2010 muito interessante.
Para o próprio Schumacher é, para além do derradeiro título de sacanice (conseguiu "trair" a Ferrari...), a derradeira aposta. Estão criadas todas as condições para "o regresso do herói". Afinal, é um enredo semelhante ao do Rocky VI - o velho campeão regressa para provar que ainda consegue estar ao mais alto nível. É difícil saber se conseguirá estar à altura. As contínuas mudanças de regulamentos favorecem-o; capacidade de adaptação a novas condições foi sempre o seu ponto forte. É certo que manteve a forma física, que foi sempre acima da média dos seus adversários. Mas continuaremos, até Março, com algumas dúvidas - mas é bastante provável que se mantenha a 100%. O próprio Mansell, quando regressou, gordo e fora de forma, conseguiu ainda vencer uma corrida... Quanto às estatísticas, é evidentemente um fenómeno. Em Agosto de 2010, assinalar-se-á o 19º aniversário da sua estreia na F1. Nunca ninguém alcançou esta marca cronológica. Pior: se se concretizar a intenção, de permanecer três anos... serão 22 anos de F1! Claro que não são consecutivos, e está aí ainda outro fenómeno, Rubens Barrichello, a aproximar-se dos 300 GP disputados. E essa será outra luta.
Schumacher descrevendo um volta ao Estoril, em 1991
A comparação parece descabida, mas comparo o Schumacher ao Manoel de Oliveira. Ambos são grandes exemplos de vitalidade; de especialistas que, não só o são, mas também estão a ultrapassar em muito os limites cronológicos normais que a vida lhes impõe. Um outro que cabe nesta categoria é Ryan Giggs, também ele desde 1991 uma peça fundamental no Manchester United.
Quanto à competição em si... Schumacher regressa à parceria com Ross Brawn, que lhe deu os 7 títulos, e vai pilotar o carro campeão do mundo! Portanto, pode dizer-se que está tudo em aberto...
Gosto de ver esta Académica a jogar. Sempre com garra, sempre com brio, sem nunca desistir. Sofre um golo cedo e chega aos 30 minutos de jogo com mais posse de bola que o Benfica, sempre a defender à frente e sempre criando oportunidades, não flagrantes, mas com algum perigo. E mesmo a perder 4-0, não perdeu a cabeça, não entrou em pânico, não baixou os braços nem desistiu de lutar, e esteve bastante perto de chegar aos 4-1. Acaba por ser uma derrota com um sabor algo amargo, semelhante à do Vitória de Guimarães face ao FC Porto na passada sexta-feira. Contudo, é esta Académica, com personalidade e sem medos, com um treinador capaz e que honra a sua palavra, que vale a pena acompanhar e apoiar.
...enfim, esta e as todas as outras centenas de equipas, em todos os desportos e em todos os escalões. Como a Secção de Futebol da AAC, a herdeira do espírito do futebol 100% amador, que segue no 5º lugar da Divisão de Honra da Associação de Futebol de Coimbra.
A uma semana de completar 101 anos, Manoel de Oliveira continua a surpreender
"São 14 segundos de película a preto e branco, em que vemos um homem alto, elegante, de bigode e com chapéu. Traz uma bengala na mão esquerda, na direita um cigarro e conversa com outro homem mais baixo. Estávamos em 1926, no Festival das Flores, no Porto, e quem filmava a imagem de rua era nada mais nada menos do que o realizador Manoel de Oliveira. Mas o mais interessante era quem ele filmava."
Mas, claro, será que é mesmo ele? Toda a história no ionline.