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quarta-feira, agosto 04, 2010
432º aniversário
Da cozinha popular baiana (Brasil) vs. a haute cuisine francesa
"Nacib embasbacou-se ante o cozinheiro. (...) Português de nascimento, de sotaque pronunciado, muitas das palavras a caírem depreciativas de seus lábios eram francesas. Nacib, humilhado, não as entendia. Chamava-se Fernand (...) o seu cartão de visita dizia: Fernand - chef de cuisine. (...)
Para experimentá-lo, pediu-lhe para começar a fazer os salgados e doces para o bar e comida para ele, Nacib. Novamente botou as mãos na cabeça. A comida ficava caríssima, os salgados também. O chef de cuisine adorava latas de conservas: azeitonas, peixes, presuntos. Cada bolinho custava quase o preço de venda. E eram pesados, com muita massa. Que diferença, meu Deus!, entre as empadas de Fernand e as de Gabriela. Umas de pura massa a entrar pelos dentes, a pegar no céu da boca. As outras picantes e frágeis, dissolvendo-se na língua, pedindo bebida. (...)
Maionese, caldo verde, galinhas à milanesa, filé com fritas. Não é que fosse má a comida, não era. Como compará-la, porém, com os pratos da terra, temperados, cheirosos, picantes, coloridos? Como compará-la com a comida de Gabriela? Josué recordava: eram poemas de camarão e dendê, de peixes e leite de coco, de carnes e pimenta." (...)
Jorge Amado, Gabriela, Cravo e Canela (1958), Planeta Agostini (1999), pp. 409-410
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