sexta-feira, janeiro 13, 2012
A Estrada de Rio Maior a Leiria em 1791
domingo, setembro 11, 2011
11 de Setembro
Pouco tempo depois estava em casa, liguei a TV e lá estava, de facto, uma torre a arder e o José Rodrigues dos Santos a relatar a coisa. E lembro-me de ver, em directo, o 2º avião, e de, tal como o pivot, ter hesitado sobre se era a repetição, até perceber que não podia ser.
Estava de regresso a Leiria (era a época de exames de Setembro; não me recordo que exame fiz nesse dia) e a meio da tarde recordo estar na rodoviária e toda a gente estar colada às televisões dos cafés a acompanhar o que parecia uma cena de filme. O cenário de guerra mundial previsto pelo Marco não parecia descabido; pelo menos enquanto não se percebesse quem estava a atacar os EUA e qual a dimensão do ataque. Só depois se percebeu que não era nenhuma guerra mundial e nem sequer um evento que alterasse a ordem internacional como a queda do Muro de Berlim e do Pacto de Varsóvia. Mas isso é outra história.
E vocês, onde é que estavam no 11 de Setembro?
sexta-feira, março 04, 2011
Entre-os-Rios - 10 anos
quarta-feira, dezembro 02, 2009
Napoleão
razões terão para o serem. Em 1804, foi a sua coroação como Imperador dos Franceses;
E em 1805, a mais "mediática" das suas vitórias e talvez também a mais brilhante, em termos tácticos, em Austerliz (actual República Checa), sobre um exército combinado austríaco e russo.
É, curiosamente, o nome de uma pastelaria situada na vila do Bombarral, certamente em evocação à batalha da Roliça (uma das freguesias do concelho) que se deu em 1808.
terça-feira, setembro 01, 2009
70 anos
This post is dedicated to M. Marciniszyn and to her country, on the 70h anniversary of the Nazi agression. Mas se calhar podia pôr em português que ela percebia na mesma.
Uma palavra de apreço para Neville Chamberlain
É frequente os historiadores exaltarem a acção do primeiro-ministro Churchill, pela resistência à agressão nazi, por oposição à política de “apaziguamento” do primeiro-ministro anterior, Neville Chamberlain, que, supostamente, abriu caminho às jogadas arriscadas de Hitler nos 3 anos antes da invasão da Polónia.
Esta oposição não faz sentido. A força do Reino Unido foi precisamente a continuidade de políticas entre diferentes ministérios. Numa democracia cuja opinião pública era efectivamente favorável à paz, Chamberlain representava a essência do povo que o elegeu. O Reino Unido, ao ceder várias vezes a Hitler (ocupação da Renânia, anexação da Áustria, anexação da Checoslováquia germânica), colocou-se a si próprio na posição do “bom.”
O acordo de Munique, muitas vezes considerado como o fim da paz e a humilhação das democracias, foi na verdade o “esticar da corda.” Enquanto proclamava “a paz para o nosso tempo”, Chamberlain deu ordem imediata para um programa de rearmamento, porque sabia que não se poderia confiar mais em Hitler. Ao mesmo tempo, nenhum cidadão inglês ficou com a sensação de que não se fez tudo para apaziguar o bigodinho.
Chamberlain lançou as bases materiais (armamento) e morais (sentido de ter a razão do seu lado) para que Churchill pudesse liderar o país eficazmente durante a Batalha de Inglaterra, 2 anos mais tarde.
sexta-feira, julho 24, 2009
Avenida 24 de Julho
Tal como muitos lamentam que se tenha mudado o nome à Ponte Salazar, 24 de Julho é seguramente um nome que não agrada aos legitimistas, absolutistas ou miguelistas (três termos para o mesmo “rótulo”) que andam por aí – e na verdade existem mesmo legitimistas na blogosfera, e não me refiro ao Dr. Sousa Homem.
A Avenida 24 de Julho assinala um dos turning points decisivos da guerra civil que assolou Portugal no início do século XIX, entre 1832 e 1834. Depois de um ano resistindo no Porto, cercado pelos absolutistas, os liberais recebem reforços que permitem uma manobra de diversão, através de uma expedição e desembarque de tropas no Algarve, que avançam depois para norte, e com sucesso. Depois de um combate na Cova da Piedade, o exército absolutista evacua Lisboa (para norte), onde os liberais entram a 24 de Julho de 1833, comandados pelo Duque da Terceira. A sorte da guerra estava quase decidida, pois os liberais passaram a controlar Lisboa e Porto.
Curiosamente, isto ditou que a fase final da guerra decorresse principalmente no Ribatejo, visto que D. Miguel fez de Santarém o seu quartel-general. É assim que encontramos batalhas decisivas em locais como Pernes, Almoster e Asseiceira (Tomar), todas vitórias liberais, e é neste cenário que Garrett situa a acção das Viagens na Minha Terra, no Vale de Santarém onde se cruzam as sentinelas de ambos os exércitos.
Aos comentadores
Um grande bem-haja à Boo e ao Visionário da Marinha Grande (cuja presença voltou finalmente a ser detectada na internet!) pelos comentários; voltem sempre!
SARIP Vida Selvagem - V
Ouriço-cacheiro, em zona residencial suburbana de Leiria.
terça-feira, maio 19, 2009
Panóplia (II)
SARIP um passo à frente da Antena 3
A rubrica de internet WWW, da Antena 3, teve como tema de hoje o WolframAlpha, já mencionado por nós ontem.
Ideias de Turismo desaproveitadas (ou quando a ficção é mais verdadeira que a realidade)
"Aqui em Alcobaça não sei que culto há em torno da rainha morta. Ignoro se existe um museu inesiano: uma biblioteca inesiana, que reúna e exponha as centenas de espécies bibliográficas que o drama inspirou por toda a Europa; uma arte local inesiana que trasladasse à cerâmica e ao cristal as lembranças da triste rainha; uma literatura preparada adrede, que vá desde o desdobrável brilhante e polilingue até às obras sobre a vida dos dois amantes, sem esquecer as emocionantes estrofes de Os Lusíadas; as reproduções das séries de gravuras românticas e de tantas outras composições inspiradas pelo episódio; pequenas recordações turísticas relacionadas com o grande desvairo, e tudo o mais que puder evitar que esta esplêndida herança de lirismo histórico vá mirrando até não ser mais que um pormenor anódino. Ninharias essenciais. O balcão de Julieta, em Verona, a casa do Greco, em Toledo, a prisão de Sócrates, em Atenas, são ninharias dessas. A lenda de Pedro e Inês, a ressonância lírica que despertou pelo tempo fora poderiam fazer de Alcobaça um santuário desta nova onda de peregrinações que é o turismo. E se Coimbra venera a Rainha Santa Isabel e as Caldas festejam a sua D. Leonor, seria inexplicável que os Alcobacenses não recordassem a rainha mártir, a única que Camões cantou."
Zero!
Racismo na África do Sul
"Estrangeiros disfarçam-se no bairro Alexandra, província do Gauteng, África do Sul, onde o ano passado começou a xenofobia que tantas vítimas fez e tantos estragos provocou. É o caso dos Zimbabweanos, como mostra um holandês que lá vive e prepara a sua tese de mestrado: "A estratégia mais comum é falar a língua zulu, adotar um nome zulu e vestir-se como um zulu, o que é chamado de ‘estilo Pantsula'. Assim, usando um tênis All-Stars ou Dickies, compra-se a segurança em Alexandra, diz o cabeleireiro Khumalo. O zimbabuense de 18 anos Sibosizu, que vende DVDs na rua, confirma. "E eu também uso jeans, camiseta e boné", ele comenta. "Aí você fica parecendo zulu. Meu nome também não é verdadeiro. Meu nome na verdade é Tariro, mas se eu disser, todo mundo vai saber que sou zimbabuense. Me sinto seguro com meu disfarce. "Principalmente para os zimbabuenses que falam ndebele, é fácil disfarçar, já que a língua é muito similar ao zulu."
Carlos Serra, do blogue moçambicano Oficina de Sociologia
És muita p********, tu!
domingo, maio 17, 2009
Diversos
Pormenores típicos
equipada com televisão por cabo.
Cela Velha, Alcobaça.
Académica de Huíla
A Bola - “O Pepetela, eu sei, também jogou futebol.”
Pepetela - “Joguei até aos 16 anos, fui federado e campeão de juniores na Huíla, pela Académica da Huíla. Estava numa cidade que vivia muito dos estudantes e havia dois clubes: o Juventude e a Académica.”
Pepetela, escritor angolano, em entrevista a A Bola, Sábado, 16 de Maio de 2009
Por infeliz coincidência (para os castelhanos), à final da Taça do Rei chegaram o Barcelona, símbolo da Catalunha, e o Atlético de Bilbau, símbolo do País Basco (que só tem jogadores bascos no plantel, é uma autêntica selecção nacional basca.) É tocado o hino espanhol antes do início do jogo, e o que faz o público catalão e basco?
Assobia (ver vídeo.) E a TVE, para evitar o embaraço, censura a cena, o que valeu a demissão posterior do Director. Mas, do ponto de vista castelhano, eu acho que ele até esteve muito bem...
(O Barcelona venceu por 4-1.)
“Estamos bem, graças a Deus."
Hélio Henriques, administrador da Farportugal, empresa de Ourém que fabrica anualmente 1 milhão de terços e 300 mil Nossas Senhoras, em grande parte para exportação. Nota ainda para o facto de o CR7 ter encomendado 5000 terços à Farportugal para inscrever a marca CR7 e posterior distribuição aos seus fãs. (por 6,5€)
Das Guerras entre a Sé Velha e Santa Cruz
“Os cónegos que viviam no convento eram regrantes, porque estavam sujeitos a uma regra. Elegiam o seu prior e isso criou logo atritos com o bispo que entendia ser o directo superior dos seus cónegos; mas os regrantes conseguiram ficar sob a dependência directa do papa, sem terem portanto de obedecer ao bispo. Ficaram célebres as lutas entre os dois poderes. Um dos episódios mais conhecidos é a história da carne: certo dia o monge encarregado das compras foi ao açougue e voltou sem carne, porque o bispo a tinha mandado comprar toda para a sé. O prior percebeu o desafio; mandou reunir e armar os seus homens que no dia seguinte assaltaram as casas do bispo e levaram para Santa Cruz toda a carne que lá acharam. Declarada a guerra, toda a Coimbra aderiu a algum dos partidos. Houve combates de rua, morreu gente, e o rei teve de mandar forças a ocupar a cidade para restabelecer o sossego. Foi isto em tempo de D. João II.”
JHS, (1986) O Tempo e a Alma, II Volume, p. 120: Círculo de Leitores
Ó sotôr! Ó sôr engenheiro!
domingo, março 29, 2009
Ponte das Barcas - 29 de Março de 1809
terça-feira, março 17, 2009
O Relógio de Lincoln
A ser reparado pelo relojoeiro Jonathan Dillon, quando se deu o ataque das forças confederadas ao forte Sumter, na Carolina do Sul, que constitui o primeiro acto da Guerra da Secessão, aquele registou no mecanismo o sucedido. O forte "foi atacado pelos rebeldes nesta data, 13 de Abril. A escravidão morreu. Graças a Deus que temos um Governo não terá medo de o fazer", gravou o relojoeiro no interior daquele que foi também o primeiro relógio do presidente americano - informação revelada por Dillon numa entrevista ao New York Times, em 1906.
(...)
Desde então, o facto era ciclicamente mencionado quando se falava das pequenas histórias em torno do grande conflito americano, até que esta semana o Museu Nacional de História Americana decidiu abrir o relógio enquanto está patente uma exposição sobre a vida de Lincoln neste museu" (...)
Notícia completa aqui.
Sem querer desvalorizar a importância de Lincoln na história norte-americana, ocidental e mundial, isto é típico da forma simultaneamente pateta, dinâmica, pirosa, cheia de sentido de marketing, e - after all - inteligente como os americanos encaram a sua História. Qualquer palermice serve para se celebrarem a si próprios, ultrapassando o facto de praticamente não terem História nenhuma porque têm apenas 200 anos.
(Falo dos Yankees, claro; esta história não deve ser do agrado da Confederação. )
O Museu Nacional de História Portuguesa, se existisse, teria brevemente uma ocasião muito melhor para fazer uma "festa" como o seu congénere americano fez com um relógio escrito por dentro: pegaria na "onda" da canonização do Condestável Nuno Álvares Pereira e faria uma acção "patriótica" com um significado muito mais abrangente, relativo a um dos períodos mais emocionantes e significativos da nossa História. E colocando o marketing à frente da ideologia - não seria necessário acreditar que o Condestável interferiu com o óleo para aproveitar um momento único.
Só que nós temos tanta História que nem sabemos o que fazer com ela.
quarta-feira, março 04, 2009
Entre os Rios - 8 anos
(Além disso, eu só comecei a usar óculos na adolescência.)
Estávamos em casa da Ângela e da Cláudia quando recebemos a notícia de que tinha caído uma ponte, em Entre-os-Rios, Castelo de Paiva, arrastando consigo algumas dezenas de pessoas.
E, a prazo, o governo de Guterres.

Se tivéssemos memória, hoje teria sido o dia para as televisões terem saído à rua saber do estado das nossas infra-estruturas e o que tem sido feito para evitar que aquele cenário tenebroso se repita. Mas não. Fiquei a saber que Carolina Salgado faltou à sessão de um julgamento porque foi ao médico e porque não tinha onde deixar os filhos.
terça-feira, fevereiro 24, 2009
Parque de Estacionamento ou Monumento Histórico?
As obras páram, começam as obras arqueológicas, e agora o Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (IGESPAR) autorizou a empresa a continuar com o parque.
Este é o já clássico conflito entre a actividade empresarial e a preservação do património. neste caso concreto, ocorrem-me várias ideias.
- O facto de o convento ter sido descoberto a 8 metros de profundidade. Já se sabia que o assoreamento do Mondego ao longo dos últimos 800 anos (ou mais?...) tinha provocado uma subida do leito do rio mais ou menos dessa ordem. Mas não deixa de ser fascinante pensar na cidade que se perdeu debaixo da lama.
- O facto de a empresa construtora não ter pensado (???) que, ao projectar um parque de estacionamento subterrâneo na Fernão de Magalhães, existiria uma probabilidade elevada de encontrar alguma coisa!
Alguns dirão se que trata de "encher os bolsos" e que o parque não devia ser construído. Discordo. As empresa procuram oportunidades de negócio; além disso, as empresas não devem ser obrigadas a pagar por uma responsabilidade que deve ser de todos, e portanto do Estado, que é a preservação do património comum (isto quando não existirem empreendedores que consigam criar riqueza a partir do património, e não à custa dele.) O papel regulador deve ser do poder público, que se poderia ter questionado, em primeiro lugar, da real necessidade de criar um parque de estacionamento numa zona central e antiga onde, eventualmente, o trânsito poderia ser diminuído e não aumentado. Mas essa é outra questão.
Neste caso em concreto, parece-me razoável - já que o projecto avançou - que se faça o parque. O convento está a 8 metros de profundidade, numa zona de elevada densidade; seria totalmente impossível pô-lo a descoberto - não podemos demolir os edifícios vizinhos. em última análise, poderíamos revolver toda a baixa de Coimbra. É preferível, creio, concentrarmo-nos naquilo que está à superfície. Quer aquilo que já se fez, e que foi absolutamente notável...
...quer aquilo que está ameaçado.

desenvolvido pela plataforma do choupal, a ser colado nos automóveis, como
forma de protesto contra a prevista construção de um viaduto sobre a Mata Nacional do Choupal
Só para concluir: o artigo do Público está assinado pelo jornalista André Jegundo. Peço aos saripianos que puxem pela memória e me digam se é o André que eu estou a pensar, porque teremos aqui mais um "FEUC Tracking".
terça-feira, fevereiro 17, 2009
O Santo Condestável
(Foi este segundo momento de rebeldia, depois do conhecido episódio matricida de Afonso Henriques, que levou ao período alto da nossa História.)
Nuno Álvares Pereira foi, portanto, uma espécie de Salgueiro Maia, em grande. Depois de "entregar" o país ao novo regime, não aceitou as mordomias naturais que a burguesia nacional avidamente açambarcou - antes de levar o País para Ceuta e pelo mar dentro - e retirou-se para um convento. Uma atitude típica da santidade - provavelmente só lhe faltou mesmo uma cunhazita, lá em Roma, para demorar 600 anos, especialmente tendo em conta, por exemplo, que Josémaría Escrivá de Balaguer já é santo há mais tempo.
sábado, fevereiro 14, 2009
Brasileiro nega existência da Escola de Sagres
A notícia começa logo com o "brasileiro." Não sei se escreveriam "Português nega existência da escola de Sagres." Como é brasileiro, há mais probabilidades de ser um ressabiado a querer destruir a nossa historiografia patriótica.
O Prof. J. H. Saraiva, não referido na notícia, também disse a mesma coisa. Não é novidade nenhuma, e basta pensar um bocadinho. Porque raio é que o Infante havia de se isolar num canto da costa portuguesa, mais uns quantos "sábios", para fazer magia? Porque era mais silencioso? Porque a vastidão do mar era inspiradora?
O Infante era chefe de uma ordem religiosa e um dos políticos mais importantes do Reino. Não podia dar-se ao luxo de estar longe da corte e da capital. Os sábios, a mesma coisa: é na capital e na corte é que estão os luxos, as mulheres, os prazeres, as famílias, os contactos, as trocas de ideias, as sinergias, os conhecimentos pessoais e científicos de outros sábios. Porque raio haviam todos de ir isolar-se num ermitério?
quarta-feira, janeiro 07, 2009
"Como Dar Cabo de um País" de João Pinto e Castro
A Companhia da Escócia começou por angariar fundos em Londres, mas o governo inglês, receando a concorrência que o projecto faria à Companhia das Índias Orientais, opôs-se à ideia. A Companhia teve então que virar-se para o mercado doméstico de capitais, onde não teve dificuldade em angariar 400 mil libras em poucas semanas (o equivalente a 40 milhões de libras na actualidade). O entusiasmo em torno do projecto era tal que toda a gente na Escócia – rica, pobre e remediada – se endividou para comprar acções da Companhia, cujo activo equivalia a metade de todo o capital disponível no país.
Em Julho de 1698 partiu para o Panamá a primeira expedição, que integrava cinco navios e transportava 1.200 pessoas. A tragédia foi fulminante: o clima inóspito e as doenças rapidamente dizimaram um bom número de colonos. De modo que, após ser-lhes negada ajuda pelas colónias inglesas da América, o estabelecimento foi abandonado em Julho de 1699. Entretanto, como na época não havia telefone nem Internet, uma segunda expedição vinha a caminho com mais 1.200 pessoas, tendo sofrido igual destino. No final, regressou à pátria um navio com 30 sobreviventes. Em resultado, a Companhia da Escócia viu-se arruinada e, com ela, toda a nação. Aparentemente, nenhum dos promotores do empreendimento tinha a mínima ideia das condições reais do local onde haviam persuadido um país inteiro a aplicar somas colossais.
Em 1707, uma Escócia exangue resignou-se a assinar o Acto de União com a Inglaterra. Em compensação, a Inglaterra acordou pagar aos investidores da Companhia 398 mil libras. Por outras palavras, o país foi vendido. Só em 1999, três séculos mais tarde, a Escócia conseguiu recuperar o seu Parlamento.
Na época, o ódio popular incidiu mais sobre os ingleses do que sobre os promotores do "Darien Scheme", apesar da evidente estupidez do projecto e da colossal insensatez dos seus líderes, que não hesitaram em mobilizar uma nação inteira para investir em algo cuja viabilidade jamais fora suficientemente investigada. No final, os investidores recuperaram melhor ou pior o seu dinheiro; mas milhares de pessoas perderam a vida e o país a sua independência.
(...)
Os sucessos recentes na Islândia recordam-nos que, ainda hoje, é possível os desmandos de aventureiros descontrolados levarem um país à ruína. Mas os estudantes de economia são poupados ao conhecimento de eventos como o relatado, não vá dar-se o caso de ficar abalada a sua confiança nas teorias muito limpinhas que lhes explicam como as economias funcionam. É muito mais conveniente fazê-los crer que tudo se resume a encontrar o ponto de intersecção da oferta e da procura, ignorando a importância das relações de poder na determinação do resultado final.
Sabemos há séculos que as sociedades anónimas se prestam a toda a espécie de abusos quando a sua actuação não é convenientemente regulada. Em casos extremos, podem semear a miséria e arruinar países. Mas foi preciso chegarmos junto ao abismo para esta verdade ser recuperada e reconhecida."
Este artigo foi publicado por João Pinto e Castro e pode ser consultado na íntegra no Jornal de Negócios online, acessível a partir deste link.
A diferença entre o "Darien Scheme" e as teorias da conspiração que circulam nos e-mails, é que o "Darien Scheme" ultrapassou o teste do tempo e é considerado como facto histórico. Ao contrário do que vulgarmente se pensa, a História é uma ciência crucial para entendermos o Homem e o seu comportamento.
sábado, julho 26, 2008
Elvisus Preisulorum
quarta-feira, junho 18, 2008
193º aniversário
Faz hoje 193 anos que Napoleão foi derrotado na batalha de...
...travada na actual Bélgica. Napoleão seria em breve removido do governo da França, pela segunda vez e definitivamente, sendo depois exilado na ilha britânica de Santa Helena, no Atlântico Sul.
sexta-feira, maio 02, 2008
Serenata
O Dos de Mayo, juntamente com a derrota de Bailén e com acções militares que levaram à derrota de Junot, foi um dos primeiros sinais que provaram à Europa que o Império Francês não era invencível.
A repressão ficou imortalizada no célebre quadrode Goya "Os Fuzilamentos do Três de Maio."

Foi publicada a entrevista de João Rodrigues no blogue do Troféu Pedro Chaves.
Começa dentro de meia hora a Serenata Monumental da Queima das Fitas. Este vai ser o primeir ano, desde 2001, que não vou estar presente na Queima das Fitas.
Há quem diga que "os tempos são outros", há quem diga que a vida vai mudando, e há quem não diga nada. Não marcar presença pelo menos um dia, torna-se simbólico. Ou poderia tornar-se. Porque a verdade é que há muito que o "cordão umbilical" foi cortado. Nada disto é novidade.
Vou sentir falta da peregrinação. Terei de fazê-la noutra altura; "um dia voltarei", como dizia o poeta. Não importa se voltou, importa que - um dia voltará. Voltaremos sempre. A peregrinação é necessária apenas para reconhecermos que, por mais longe que estejamos de Coimbra, nunca saímos inteiramente de lá.
Além disso, de uma certa forma, este ano a Queima vai ser em Lisboa.
quinta-feira, abril 24, 2008
Parque Verde na margem esquerda do Mondego
Ver notícia completa aqui.
A culpa foi do Soares ou do Vasco?
Em Ciência Históricas, prossegue um debate sobre se são as grandes ideologias, os grandes movimentos, as grandes massas, a "super-estrutura", que decide a História, ou se é mais determinante o papel dos indivíduos isolados, "one man can make a difference", como rezava o lema do Knight Rider.
(Depois há o determinismo e o anti-determinismo, mas essa é outra questão.)
A verdade, como sempre, deve estar algures no meio. No entanto, eu sou dos que acha que as circunstâncias, as ideias, a "big picture", manda mais que os indivíduos.
Por isso, acho que o grande culpado de a descolonização ter corrido como correu é o meu tio Joaquim. Ele esteve na Guiné e, a dada altura, começou a pensar que não estava a lutar em defesa do solo sagrado de Portugal, Mãe Pátria, mas que estava a dar o couro numa terra estranha, para que alguns colonos pudessem viver bem à custa do preto.
O meu tio é que lixou isto tudo.
domingo, abril 20, 2008
O Acordo Ortográfico é uma fatalidade
Carta de Oliveira Salazar a Marcello Caetano
Ao Doutor Marcello Caetano
Consultei o doutor Paulo Cunha acerca do assunto do Canadá. [reunião de parlamentares da NATO.] O ministro consultou várias chancelarias mas eu não estou senhor da posição tomada ou a tomar. Pareceu-me que em geral os governos se manifestaram hostis a um superparlamento a controlar a OTAN. Assim que receba resposta, transmitir-lha-ei.
Fico à espera [Salazar escreveu "esperando" e emendou para "à espera"] das considerações que queira ter a bondade de fazer sobre algum dos assuntos versados na última reunião da UN. (Com a influência recebida dos brasileiros escrevi em cima «esperando».)
Com muitos cumprimentos
23 de Abril de 1955
in Antunes, José Freire, "Salazar Caetano - Cartas Secretas 1932 - 1968" (1993), Círculo de Leitores, pp. 357-358



