domingo, dezembro 12, 2010
Alonso: ponto de viragem
Nem por isso. Pelo contrário, já há algum tempo que a veterania não estava tão bem representada. Barrichello (38 anos, 304 GP) já foi confirmado para 2011. Schumacher (41 anos, 264 GP) também - e vai completar 42 já em Janeiro. Como já falei antes, foi este ano que Schumacher discutiu um lugar pontuável durante quase toda uma corrida com um cavalheiro que mal saberia andar quando o alemão se estreou na F1 (Alguersuari, 17 meses de idade). A idade já não é um posto na F1: muito mais novos ou muito mais velhos, o que interessa é a vontade de competir e a capacidade de manter um ritmo competitivo muito elevado. E o dinheiro e os bons patrocínios, claro, mas isso é só até um certo nível.
sexta-feira, março 14, 2008
Antevisão da Temporada F1 2008
- A Ferrari dominou os testes de Inverno e Kimi Raikkonen é o grande candidato ao título. Se o conseguir, igualará Alonso como bicampeão, deixando totalmente em aberto para os próximos anos a luta sobre quem é o melhor do pós-Schumacher;
- Hamilton e a McLaren deverão ser os rivais mais directos; Hamilton tem agora toda a pressão e terá de mostrar o que vale. Para mim, creio que o seu colega Heikki Kovalainen ainda vai surpreender muita gente;
- Massa tem de mostrar agora ou nunca que tem estofo para ser campeão além de fazer apenas 7 ou 8 corridas de bom nível por ano.
- Alonso não vai ter carro para lutar pelo título pela primeira vez desde 2005. Veremos se todo o talento do bicampeão faz a diferença num carro ligeiramente inferior, como Senna o fazia nos últimos anos na McLaren;
- Barrichello vai bater o recorde de presenças em GP; Button... já ninguém sabe quem é e vai desaparecer na obscuridade.
- Fisichella tem de provar que vale a pena ser líder (?) da equipa que fecha o pelotão antes da reforma.
- Ralf Schumacher... terminou a sua carreira da forma mais humilhante possível, saindo de um Force Índia espatifado.
- Época de afirmação ou desilusão para os BM's, Heidfeld e Kubica, bem como Sebastien Vettel.
- Espera-se que seja a época de confirmação total para Nico Rosberg.
- Atenção aos estreantes: Piquet Jr (sem pressão na Renault...), Sebastian Bourdais (um francês de volta à F1, e logo um multicampeão americano... - curiosidade de termos dois Sebastiões na mesma equipa, Toro Rosso: um francês e um alemão.)
Karting - Pedro Chaves
Está publicada a entrevista de Michael Augusto no blogue do Troféu Pedro Chaves.
Destaque ainda para a curta entrevista que Luís Agostinho deu ao blogue do Troféu Pedro Chaves.
Toffler - é tão simples ser visionário
E sobre a Europa?
Alvin Toffler - "Eu também gostaria de saber o que se vai passar. Depois da Segunda Guerra Mundial, o propósito da integração era político. Mas, na minha terminologia, isso não foi acompanhado devidamente por um mergulho na Terceira Vaga. A Europa continua sem a descobrir, de verdade, ao fim destes 50 anos. Se me falar de marcas europeias da terceira vaga, só encontro uma excepção - a SAP AG. O resto, lamento dizê-lo, está morto e bem morto. A vossa comunidade política e mesmo empresarial, por muito duro que isto custe a ouvir, continua a viver essencialmente no passado. A estratégia implícita dos vossos governos ou mesmo da burocracia em Bruxelas continua a ser esta: alimentar a primeira vaga, ou não tenha o 'lobby' da agricultura um peso enorme; apoiar a segunda vaga, de modo que empresas que não são competitivas sobrevivam; e ignorar, em larga medida, os empreendedores da terceira vaga."
Alguém tem uma análise mais realista - e mais simples? Ler aqui a entrevista completa.
domingo, novembro 25, 2007
Falta um projecto político para Portugal?
Vou também fazer a ligação para não atulhar este blog com texto. Já tenho coisas suficientes para o atulhr, nomeadamente com uma eventual lista de expressões da Língua Portuguesa nascidas com as invasões francesas, ou com mais vídeos de Senna e Schumacher, nomeadamente este do GP do Brasil de 1994, no qual seguimos a bordo do carro de Schumacher com o Williams de Senna já muito próximo,
que eu creio que tenha sido o Grande Prémio desportivamente mais relevante da década de 90, mas essa análise fica para outra altura.
Refira-se que, para a hesitação de Alonso em assinar com a Renault, poderá estar a contribur a ameaça que paira sobre a equipa francesa devido às acusações de batota...
sexta-feira, novembro 23, 2007
a religião dos ateus - e outras coisas
O dólar cai
Longe vão os tempos em que um amigo meu, oriundo de um país africano, se queixava de que o seu dinheiro em dólares desvalorizava.
A expressão "longe vão os tempos" é aqui tomada em sentido literal, e não no sentido que se lhe dá habitualmente. Longe vão os tempos, mas se esse meu amigo não trocou já para euros, não sei como será agora...
Silêncio em torno de Alonso
Nem um pio.
Um texto sobre educação sexual
De autoria do Eng. Berto Messias.
F1 - mais um vídeo da temporada de 1993
Se me pedissem para escolher qual a temporada de maior nível da década de 90 (um tema que eu e o Nuno não abordámos, em devida altura), eu diria que foi 93.
Aqui, um toque entre Senna e Schumacher - a glimpse do fabuloso Duelo Desportivo que a Morte nos roubou.
quarta-feira, novembro 21, 2007
Está Publicada
Dizia eu, está publicada a entrevista que Reinold Vrielink deu ao blog do Troféu Pedro Chaves.
Fórmula 1
Já lá vai um mês de defeso...e não há meio de Alonso assinar (com a Renault.) Aliás, parece que está mesmo em negociações com a Red Bull (para fazer pressão junto da Renault, claro). Como será que isto vai acabar? Será que Alonso pensa mesmo que pode ir desalojar Raikkonen da Ferrari no final de 2008? Não seria melhor assinar por 2 anos e pensar em alinhar ao lado do finlandês em 2010? E Briatore? Consegue explicar aos patrocinadores que vai ter Heikki Kovalainen e Nelson Piquet Jr. para o ano, deixando Alonso para a concorrência?...
entretanto, finalmente a Toyota despediu um dos seus 2 desmotivados veteranos - Timo Glock, que fez meia dúzia de corridas em 2004 (substituindo essa grande glória do desporto automóvel que é Georgio Pantano), vai regressar ao activo e a tempo inteiro. Uma oportunidade merecida e que faz da Alemanha aquilo que a Itália e o Brasil já foram: o país que fornece uma carrada de pilotos para o meio e a cauda do pelotão.
Uma curiosidade: www.countrysize.com
Para comparar o tamanho de todos os países e alguns territórios autónomos do mundo
(já estava na hora de o meu trabalho diário na JD dar alguns frutos para o blogue)
sábado, novembro 17, 2007
Hoje recuperamos algumas imagens

Evolução tecnológica

aqui, no intervalo das imagens, deixo o link para uma música que talvez outros leitores se lembrem e um sketch que, certamente, alguém se lembra.
Arte moderna

Arte clássica

E, como não temos flores já há algum tempo...

Está publicada
A entrevista que eu próprio dei ao blog do Troféu Pedro Chaves.
domingo, novembro 04, 2007
Gerações
Ortega y Gasset, "O Que é a Filosofia?" escrito pela primeira vez entre 1929 e 1930.
O livrito que comprei na FNAC de Coimbra na última Latada está a revelar-se proveitoso. Na passagem citada, o célebre filósofo espanhol do século XX aponta-nos uma verdade muito simples e a qual já tive oportunidade de experimentar, apesar dos meus verdes 24 anos: a verdade é que há pelo menos um fenómeno medianamente característico da minha época - os "Morangos com Açúcar" - e que a minha alma sente como externo e indecifrável. É um primeiro indício ou sintoma de envelhecimento. Daqui até 2070, quando eu fizer 87 anos, tenderá a piorar ... numa versão muito pessimista, claro, porque o tempo da minha geração ainda não passou.
Ortega y Gasset discorre sobre vários outros assuntos que ficam para outro dia. Por agora, e visto que não há meio de termos o relatório da temporada de F1 2007, ficamos com mais memórias - o dia em que o piloto estreante Eddie Irvine achou por bem desdobrar-se (i.e., re-ultrapassar um piloto que já lhe tinha dado uma volta de avanço) de Ayrton Senna, o que lhe valeu um par de murros no final da corrida (imagens não disponíveis). Senna nunca tomou essa atitude reprovável com Alain Prost - tinha-lhe demasiado respeito para isso.
Foi no GP Japão 1993 e, apesar de tudo, Senna acabou por vencer.
terça-feira, outubro 30, 2007
F1 - mais análise da temporada
Hamilton e Alonso só vagamente se assemelharam aos "monstres sacrés", mas é verdade que Hamilton conseguiu lutar pelo seu espaço - e, no final, acabou por ser vice-campeão.
Por outro lado, desde o início da temporada que nunca achei - ou antes, nunca vi nada que me dissesse que Hamilton era um piloto fora de série, ao nível de Schumacher ou de Senna. É evidente que está acima da média; adaptou-se bem à competição, foi incrivelmente regular, não acusou demasiado a pressão, e construiu uma liderança sólida, aguentando o confronto com Alonso.
Contudo, os grandes campeões são pilotos de ataque, que reagem a situações adversas, que mostram o toque de génio, que parecem estar acima das circunstâncias. Foi isso que faltou a Hamilton, que construiu a liderança do campeonato à custa da regularidade, da ausência de erros e do aproveitamento dos deslizes alheios. Só no GP dos Estados Unidos foi capaz de vencer Alonso, em luta directa por posição (pela vitória) ao longo de um GP. Quando teve de recuperar de más posições (Europa e Brasil) não foi nada impressionante. Inclusivamente, ficou a sensação de que teve mesmo muita sorte, não sendo penalizado na Hungria nem no Japão. E quanto a ultrapassagens notáveis, terá feito duas - uma a Kubica, em França, e outra a Raikkonen, na Itália, que parecia ter encerrado o campeonato.
Fora disso, geralmente perdia para Alonso em luta directa - mas o pior veio nas duas últimas corridas, onde claramente cedeu à pressão...
Desde o início do ano que avisei: era muito cedo para dizer que Hamilton era um super-génio. Ainda o pode vir a ser, pois tem talento para tal, mas é preciso tempo e prová-lo na pista. O próprio Senna só ficou perfeito em 1991...
quarta-feira, outubro 24, 2007
Latada e F1
dizia, dados todos estes contras, eu acho que o cartaz até é bom. De qualquer forma, aqui fica o protesto, e sugiro ao nossos leitores que ponham, lado a lado, em duas janelas ou assim, o original e este, para visualizarem exactamente a quem se refere o autor deste cartaz.
F1 - análise da temporada (?)
Há tanta coisa para dizer desta temporada de 2007 que nem sei por onde começar. Na verdade, creio que esta rubrica de análise se vai prolongar por várias semanas. Quanto mais não seja porque ainda há um recurso em análise, mas só em sonhos se imagina que Kimi possa perder o título ganho na pista.
Posso começar pelo geral: foi uma temporada que teve, de facto e de direito, quatro candidatos ao título. Desde Ecclestone que não acontecia tal coisa (com a possível excepção de 1982 que foi um ano triste e anormal), e sob esse ponto de vista foi um maná numa década ainda sombreada por Michael Schumacher.
Toda essa disputa significou algo: Schumacher não fez falta. Aliás, se nos perguntarmos "há quanto Schumacher abandonou", creio que poucos pensaremos que foi apenas há um ano. Parece que foi há imenso tempo...
E se, como já afirmei, era interessante ver Schumacher a lidar com a idade, por outro lado só sem ele podemos ter duas equipas com dois candidatos ao título cada uma!
Kimi Raikkonen começou a temporada em grande com uma vitória afirmativa e esmagadora, na Austrália, a grande distância dos McLaren. Quase toda a gente previa um título relativamente fácil para o finlandês. O título veio, só que não foi fácil... a vitória de Kimi representa um acto de justiça: justiça porque os seus adversários da McLaren foram beneficiados pela espionagem; e justiça porque o bi-vicecampeão (2003 e 2005) já merecia um título. Se Alonso se tornasse tricampeão e Kimi se mantivesse a zero, seria difícil de explicar que ambos pudessem ter estatuto semelhante entre os Top Drivers - o que acontecia antes do GP Brasil e continua a acontecer agora. Assim, há 2-1 para o espanhol e a luta continua pelos próximos anos.
O estranho é que Kimi parece ter pilotado melhor em 2003 e em 2005 (sem descurar os seus esforços em 2002, 2004 e 2006, já que o padrão do finlandês é sempre alto) do que em 2007. A primeira metade da temporada foi, em parte, perdida com algumas conduções desinspiradas.
Ao contrário de Alonso ou Hamilton, Kimi fala pouco - mas quando fala é para ser levado a sério. Kimi afirmou por alturas do GP França que só então estava plenamente adaptado ao Ferrari ou o Ferrari a ele. E, como Mourinho, se Kimi fala, é mesmo assim. Não foi desculpa; Kimi reconheceu que as coisas não estavam a correr bem. Mas a partir daí, tudo foi diferente - começando logo com duas vitórias na França e na Grã-Bretanha que o relançaram depois de ter parecido totalmente afastado do campeonato.
Ao contrário de Schumacher, Raikkonen não teve tratamento especial da equipa, nem no laboratório nem na pista. Isso dá muito mais valor ao trabalho e à determinação de Kimi que começaram a dar frutos nessas 2 vitórias.
Claro que, se existissem ordens de equipa na McLaren (ou se David Coulthard ainda estivesse a ocupar o carro de Hamilton), Kimi não teria hipóteses. Mas isso fica para outro dia.
domingo, outubro 21, 2007
Raikkonen - 2007 World Champion!!!!
Há que dar também os parabéns a João Rodrigues pela vitória no Corrida nº 2 do Troféu Pedro Chaves. Os resultados já estão disponíveis aqui e o relatório completo estará brevemente.
sexta-feira, outubro 19, 2007
Decisão Tripla, 21 anos depois
Para abrir o apetite, fiquemos com o resumo dessa fantástica corrida que foi o GP Austrália 1986, no circuito de Adelaide. A decisão foi entre Mansell (Williams azul), Piquet (Williams azul) e Prost (McLaren vermelho e branco); se acrescentarmos que a corrida foi liderada por Senna (Lotus preto) e Keke Rosberg (McLaren vermelho e branco, pai de Nico Rosberg), constatamos que foi uma das grandes corridas da década de 80.
quarta-feira, outubro 17, 2007
Há que tempos que não há um vídeo de F1...
segunda-feira, outubro 08, 2007
Blogue recomendado - ou, FEUC Tracking XI
http://ex-ivan-nunes.blogspot.com/
Sobre Fórmula 1, talvez fale um pouco mais amanhã. Não vi a corrida, e para comentar os resultados, há para aí muitos jornais. Basta dizer que vamos ter a primeira decisão do título com 3 candidatos (na última corrida) desde 1986, quando Mansell, Piquet e Prost encetaram uma das melhores corridas da década.
Claro que a aselhice de Hamilton foi o segundo milagre, dos dois que a Ferrari andava a pedir desde o GP da Europa em Nurburgring e do abandono de Raikkonen. No estado actual da Fórmula 1, um abandono dos pilotos da frente é um milagre, e eram necessários dois milagres - um abandono de Alonso e outro de Hamilton - para que houvesse alguma esperança. Os dois milagres surgiram nestas últimas 2 corridas e é isso que mantém viva a esperança de italianos e finlandeses. Agora é só preciso mais outro: que Hamilton e Alonso choquem no S do Senna do circuito paulistano de Interlagos, e abandonem a corrida, de maneira a que Raikkonen possa conquistar o título com os 8 pontos do 2º lugar enquanto Massa vence o seu GP caseiro pelo segundo ano consecutivo.
Caso contrário, o título fica mesmo com Hamilton...
(Grande corrida de Sebastian Vettel!)
sexta-feira, setembro 14, 2007
Em Férias
Em 1995, Schumacher e Coulthard foram desclassificados do primeiro GP da época por terem usado gasolina ilegal, sendo retirados os pontos a Benetton e Williams, respectivamente. Contudo, estranhamente, os pilotos mantiveram-nos.
Clamor de indignação no paddock. Niki Lauda insurge-se: "não consigo separar o carro do piloto."
E tinha toda a razão. Como se pode separar o carro do piloto? Se ficou provado que a McLaren fez batota, se foi penalizada por isso, se sabemos, e a FIA o admite, que os resultados alcançados por Alonso e Hamilton se deveram à batota, como é possível penalizar a equipa e não penalizar os pilotos?
Mais do que o título de 1994, que para alguns foi conseguido graças ao controlo de tracção e a uma cacetada; mais do que o título de 1990, que foi conseguido graças a uma cacetada admitida por que a deu (em resposta de uma cacetada no ano anterior); o título de 2007, se for ganho por qualquer dos pilotos McLaren, ficará para sempre marcado por injusto. A FIA admitiu que houve batota, e a batota marcará este título para sempre.
Resta esperar que, de acordo com o ditame da FIA que manda que os McLaren sejam despojados de todas as inovações copiadas da Ferrari, os mesmos voltem ao nível a que estavam no GP da Austrália, quando terminaram a quase meio minuto do vencedor Raikkonen. Só assim, e contando com uma eventual ajuda dos BMW, Kimi e Felipe poderão disputar aquilo de que foram roubados - como a FIA o admitiu.
Mais uma da minha irmã
Se pedirmos à minha irmã para "fazer um scolari", ela puxa o braço atrás, fecha o punho e estica-o todo como se fosse esmurrar a cara de alguém, ao mesmo tempo que emite um som a fazer lembrar os tenistas no serviço. E depois ri-se.
Mais a sério, reservo para mais tarde uma reflexão apurada sobre o assunto. Eu gosto de pensar antes de fazer, já o meu pai o dizia. Se calhar é por isso que não jogo futebol.
segunda-feira, setembro 10, 2007
F1 - passo de gigante para o título
(Isto é válido se a McLaren vier efectivamente a ser desclassificada do campeonato de 2007, por batota. Caso contrário, o que tivemos ontem foi quase o abandono definitivo de ambos os pilotos da Ferrari da luta pelo título - e ainda por mais uma afirmação de Hamilton na Fórmula 1, efectuando uma ultrapassagem destemida e eficaz sobre Raikkonen depois de ser batido por este na estratégia de boxes. Note-se, contudo, que Alonso continua a parecer superior a Hamilton em luta directa.)
segunda-feira, setembro 03, 2007
Um post quase mesmo só para mim
já que estamos numa de F1, ficamos com um vídeo muito curioso. É sabido o meu ponto de vista sobre o sport: os pilotos do meio do pelotão podem oferecer um espectáculo tão interessante como os da ponta. Aqui temos Jean Alesi e Mika Hakkinen, sem qualquer dúvida ambos com lugar marcado nos 10 Melhores dos anos 90, conduzindo carros do meio do pelotão (na season em questão, 1992) e a dar uma grande espectáculo de automobilismo, com pneus slick, numa tarde muito chuvosa.
Apesar do esforço, Alesi abandonaria por falha mecânica. Hakkinen terminou em 4º.
quarta-feira, agosto 29, 2007
Enquanto o Cid não vem...
- desculpe, disse Jay Z?
- José Cid!
F1 - Turquia
Se à 8ª corrida havia 4 pilotos com 2 vitórias cada um, tem lógica que à 12ª sejam 3 as vitórias para cada.
Não há memória de haver um campeonato com 4 candidatos ao título, e só por isso 2007 ficará na História. Contudo, isso não implica necessariamente corridas mais emocionates - embora certamente as 5 últimas, que faltam, o sejam nem que seja pela discussão do título!
Na Turquia, Felipe Massa dominou tal como o fizera no ano passado e Kimi Raikkonen marcou passo, com mais um segundo lugar depois do mesmo segundo em Budapeste. Hamilton teve uma fracção do azar que é necessário que tenha para que não vença o campeonato (um furo que o tirou do 3º para o 5º) e Alonso marcou pontos no pódio depois de uma corrida apagada (suplantando os BMW.)
Nota para algumas ultrapassagens muito interessantes no meio do pelotão, nomeadamente de Trulli a Button. Heikki Kovalainen conseguiu finalmente ultrapassar Fisichella na tabela de pontos.
A próxima corrida é no último circuito de alta velocidade que não é oval, o Templo do Automobilismo - Monza, Itália. (coloquem o som alto)
sexta-feira, agosto 17, 2007
O Casamento da Cláudia, I
Às 7 horas da manhã de sábado, 11 de Agosto de 2007, recebi uma SMS do Daniel pedindo para desmarcar o horário combinado para a partida, 09:30. Referia que, derivado ao estado febril, não conseguia dormir mais e se não era possível partirmos um pouco mais cedo. O pedido justificava-se, em parte, porque eu já tinha dado a entender que era preferia partir cedo para fazer uma viagem fresca (apesar de tudo, estamos em Agosto e o Interior não é o Litoral) e com tempo para eventuais paragens.
Por volta das 9 horas, arrancámos de Parceiros, Leiria, com destino a Queiriga, Vila Nova de Paiva. O GPS efectuou rapidamente os cálculos para esta viagem.
O GPS ocupou uma curiosa posição de destaque na viagem de ida. Gentilmente cedido pelo Ricardo Gomes “Katxau”, que está prestes a regressar do Afeganistão, o pequeno aparelho é rápido nos cálculos e igualmente rápido no “recalculando”, a que é obrigado de cada vez que o condutor não segue as suas indicações. Creio que o GPS deverá ter várias opções de controlo (caminho mais rápido, mais curto, mais económico, mais seguro, etc) e portanto os seus “erros” ter-se-ão devido à ausência de programação. A máquina retirará algum carisma às longas viagens, mas dá jeito quando temos pressa.
Pouco depois das 10 chegámos a Coimbra. Foi o meu 25º regresso desde a minha despedida em Maio de 2004. Naturalmente, fizemos uma pequena “romaria”, como religiosos que regressam à sagrada Basílica depois de longa ausência, e dão 7 voltas em torno da Igreja, certificando-se que tudo se encontra mais ou menos como deixaram, enquanto fazem refresh às memórias de pessoas e momentos. (Já antes eu tinha repetido ao Daniel o desafio que lhe lancei para o futuro.) Paragem para café, num café ao lado do antigo clube Passerelle, que mudou de nome.
(A caixa de electricidade está tal e qual.)
Em seguida, o famoso IP3. Só mais tarde me lembrei que poderia ter tirado fotografia à cimenteira de Souselas, junto da qual parámos para combustível. Nem vi se ainda existem os tais sinais a proibir a circulação de materiais perigosos, instalados pela Câmara de Coimbra em reacção à decisão do Governo de avançar com a co-incineração.
A viagem decorreu calmamente, por entre muita música conhecida (de Offspring a Ena Pá 2000 e de Heróis do Mar a Emir Kusturica) e muita conversa “gasosa”, isto é, leve, vaga e nebulosa… à medida que nos aproximamos de Viseu, o nevoeiro costeiro vai (lentamente) dando lugar ao sol.
A minha primeira visita a Viseu foi motivada por um “erro” do GPS que nos levou a atravessar o centro da cidade em vez de procurar um atalho lateral. Como não íamos parar, limitei-me a tirar algumas fotos apressadas que servirão um dia mais tarde como ponto de referência, quando eu visitar a cidade como deve ser.
E o centro...
Claramente, o GPS ignorava que as festas de S. Simão estavam a ser preparadas e levou-nos mesmo para o recinto. Após vários “recalculando”s, seguindo várias de placas e atravessando uma série incontável e interminável de rotundas, lá nos pusemos na mesma estrada para Vila Nova de Paiva, mas desta vez com destino a Queiriga, onde chegámos por volta do meio-dia.
À chegada deparámos com um facto curioso: Queiriga tem duas placas, com 50 metros de distância, a indicar o início da localidade. Será para o visitante não ter dúvidas? Ou terá sido consequência de um processo de alargamento em sede de PDM?
A “pequena” aldeia não é assim tão pequena. Encontrámos algumas casas tradicionais da Beira, em granito, bem como a “Igreja Velha”, após o que alguns populares nos indicaram prontamente o caminho para a Igreja Nova. Mas, na verdade, o que predomina na Queiriga é o palacete tipicamente construído pelo emigrante na sua terra natal, com formas arquitectónicas inspiradas nos países por onde labutou. Por comodidade, passarei a chamar-lhe “chalet do imigra.”
Por volta do meio-dia, parámos numa bela tasca com uma agradável parreira á porta. Entrámos, em busca de uma cerveja.
Nós, litorais urbanizados com a mania que somos superiores aos tugas que na verdade não deixamos de ser, não inventaríamos melhor cenário para um sketch. Lá dentro, um senhor de idade almoçava (creio que um prato de sardinhas) e, atrás do balcão, uma senhora próximo dos 70 anos e com um vigoroso bigode – não estou a inventar – olhou-nos com sinceridade. Não disfarçou minimamente a desconfiança e a estranheza com que dois indivíduos de fato e gravata lhe entraram pelo estabelecimento. Pessoalmente acho estranho, porque ela podia ter pensado que estávamos para um casamento, mas não deixa de ser verdade que, tal como estávamos, parecíamos uma parelha de profetas da Igreja de Jesus Cristo e dos Santos dos Últimos Dias. A senhora estava, também ela, a comer sardinhas. Deu-nos as cervejas; e quando quisemos pagar, com uma pergunta dúbia (“podemos pagar?”), a senhora olhou-nos por o que me pareceu um longo e interminável momento antes de se decidir “por mim, podem”… o troco vinha a cheirar a sardinha. E a própria cerveja também sabia a sardinha. Na verdade, não podíamos ter sido atendidos de forma mais castiça e hospitalária.
À sombra da parreira, dissertámos; o Dani sobre a sabedoria de fazer vinho que a sua família perdeu, já que o pai e os tios não aprenderam com o avô, e eu sobre a sabedoria que fui eu a perder, pois já não herdei esse conhecimento do meu pai. O que não quer dizer que não louve a parreira no pátio, que o meu pai também tem em Turquel.
Em seguida, o Dani ligou à Brígida a pedir indicações. A Brígida indicou que “a seguir a umas casas pequenas, virem à esquerda.” A Brígida fez bem; com a quantidade de chalets de imigra que há, onde houver casas pequenas distinguem-se logo. Contudo, ainda demos algumas voltas até lá chegarmos, o que nos permitiu atravessar a aldeia para a outra extremidade, dar meia volta, estudar profundamente a arquitectura da Alsácia e da Lorena, ouvir a Rádio Sátão (creio que ia haver jogo entre o Sátão e o Penalva do Castelo), e ainda ouvir a Rádio Cidade em 99.3… o Daniel não me deixará mentir; durante
(continua)
F1 - Hungria: guerra aberta
Senna e Prost eram vilipendiados pelo mau exemplo que davam à juventude e pelo mal que faziam ao sentido da honra e da dignidade do desporto.
Hoje, temos saudades desses tempos, em que sabíamos que, por mais cinismo e malvadez que houvesse, havia um profundo sentido de respeito entre dois grandes corredores. Hoje não temos tanta certeza sobre isso, parece estarmos a lidar com simples garotos malcriados.
Mas essa é a única esperança de Kimi Raikkonen.
segunda-feira, julho 23, 2007
Quando começou o GP da Europa, no circuito alemão de Nurburgring, já chovia, mas todos levaram pneus de seco. Todos menos Markus Winkelhock, que quando terminou a volta de aquecimento, em vez de alinhar na grelha como todos os outros, entrou nas boxes e daí largou, com pneus de chuva. (quem larga das boxes larga atrás dos outros, mas Markus já ia largar em último, de qualquer forma...)
Por vezes, ir contra a opinião da maioria é o caminho a seguir. No final da primeira volta era já claro que ia chover forte. Alguns entraram logo nas boxes; outros, como Raikkonen que escorregou e portanto não conseguiu acertar com a entrada, mantiveram-se em pista.
Foi assim que, à 2ª volta da sua carreira na Fórmula 1 e ao volante do carro mais fraco, Markus Winkelhock protagonizou este momento:
É possível que o vídeo venha a ser retirado porque a Fórmula One Management anda à caça dos direitos de autor. O que temos é um Spyker a ultrapassar um Ferrari e a conseguir perto de 30s de liderança sobre Raikkonen.
Infelizmente para Winkelhock, continuou a chover ao ponto de se formarem rios e lagos na pista, e quando não há segurança as corridas são interrompidas. Quando parou de chover, quase todos tinham pneus intermédios e o jovem estreante mantinha pneus de chuva, o que fez com que passasse de líder a 17º numa só volta.
É evidente que isto não é para ser levado demasiado a sério. É possível que a Spyker e Winkelhock nunca mais voltem a liderar uma corrida. Também a Minardi liderou uma volta, em 20 anos de participação. Em todo o caso, imaginemos que a chuva parava um pouco antes, o que se mantinha mas mais fraca? Winkelhock teria bem mais de 30 segundos de vantagem, e ter-se-ia aguentado nessa posição durante bastantes voltas... de qualquer forma, como veio a desistir por falha mecânica, não se perdeu muito. Em todo o caso, já fez melhor que Lewis Hamilton, que só liderou uma corrida à (+/-) 20ª volta da sua carreira.
A corrida em si também foi interessante e significou a quase demissão de Raikkonen do campeonato, com mais uma quebra, e um pulo decisivo de Alonso, que aproveitou a chuva no final para ultrapassar Massa e ganhar 10 pontos a Hamilton que batalhou bastante no final do pelotão mas terminou em 9º. Alonso poderá ser o terceiro piloto a ganhar 3 campeonatos seguidos, depois de Fangio e Schumacher.
Massa e Alonso tocaram-se 2 vezes este fim-de-semana, uma delas aquando da ultrapassagem que decidiu a corrida. Clicando aqui podemos ver que por enquanto a Fórmula 1 é mais pacífica que o futebol.
Mais memórias
Por volta de 1990, o canal 2 dava bonecos à hora do almoço, que eu via quando vinha almoçar a casa, vindo da escola primária. Cada dia era um diferente. O Saber Rider era um deles, e este (Star Blazers, em português Força Astral) era outro.
Na verdade, tenho menos memória visual da intro da "Força Astral" que do Saber Rider. Da Força Astral recordo a aparente disparidade de meios entre os terrestre e o inimigo; o Império Cometa, o inimigo, que num dado episódio destruiu a Lua a tiro só para intimidar os habitantes da Terra (apesar de tudo, o Império Cometa ainda tinha menos poder de fogo que o Cell ou o Bubu), as grandes semelhanças com um porta-aviões e as lutas "aéreas" em pleno espaço, e também o existir som (tiros e explosões) no espaço, quando eu tinha um livrinho que dizia que no espaço não havia som.
segunda-feira, julho 09, 2007
Começarei por rebater o texto e argumentos apresentados por Paulo Gerardo, de agora em diante denominado PG.
“Hoje em dia a lei não permite que duas pessoas se casem sem hipótese de desfazerem o casamento. Não é possível, perante a lei, casar para sempre.
É capaz de ser complexo explicar como se chegou a este estado.”
PG é, portanto, contra a possibilidade de as pessoas não se poderem casar para sempre. PG saberá que nenhuma lei impede as pessoas de casar para sempre. Mas enfim, a possibilidade deveria existir.
É efectivamente complexo chegar como se explicou a este estado. Para resumir, tratou-se de um longo processo de evolução de direitos e liberdades individuais.
Não vejo dados nem estatísticas. Mas, acima de tudo, não vejo estas crianças à minha volta e na sociedade em que vivo – e tenho contacto com gente de muitos estratos sociais. Na verdade, não vejo muitos divórcios e não vejo muitas crianças, ou adolescentes, ou jovens adultos, filhos de pais divorciados. É mais fácil encontrar esses desequilíbrios, essas confusões, essa insegurança, em famílias normais – ou em famílias que já deveriam ter sido dissolvidas, a bem da sociedade. Mas enfim, é a minha opinião contra a de PG.
Concordo com PG quando diz que não é sem enorme prejuízo que se anula a família. A Família é o núcleo central da sociedade e é a forma mais eficaz que possuímos que criar e desenvolver novos seres, de nos reproduzirmos. É na Família que a criança é mais amada e se desenvolve melhor. Quaisquer tentativas de retirar as crianças à Família devem ser vistas como soluções de último recurso (instituições, por exemplo) e, se propositadas, como tonteira (tal como Platão, que sonhava com um Estado Ideal no qual instituições governamentais substituiriam os Pais na educação das crianças.)
Ora sucede que a Família não tem de ser constituída por pai, mãe e filhos. Podem ser tios; podem ser avós; pode ser um único avô, como acontece por exemplo n’ Os Maias, onde Carlos da Maia revela um interesse vago e de mera curiosidade por saber o que acontecera a seu pai e sua mãe, porque todos eles estavam reunidos naquela figura que fora a sua Família – o avô. Portanto, “única coisa”, não.
Como já disse antes, considero esta passagem um insulto pessoal, e desafio PG, se me lesse, a indicar estudos que mostrem existir uma correlação maior entre insucesso escolar/divórcio do que insucesso escolar/grau de escolarização dos pais ou insucesso escolar/rendimento sócio-económico dos pais ou insucesso escolar/estrato social dos pais.
Vamos, ainda, supor que dois jovens se amavam. Ele pedia-a em casamento e ela, naturalmente, perguntava qual das duas espécies de casamento lhe propunha ele.
Poderia ser uma situação embaraçosa, não acham?
Como já indiciei, não acho nada. Creio que a jovem poderia achar vã e pomposa a proposta de pacto inquebrável, e que faria mais sentido adoptarem primeiro o contrato e só mais tarde o pacto. Creio também que o acto do casamento é mais frequentemente um acto planeado e construído do que um arrebatamento de paixão (PG anda a ver muitos filmes), tanto agora como em gerações anteriores. Esta é a minha opinião; e se houver muita gente da minha idade a partilhar dela, estão criadas as condições para um novo tipo de Contrato Social.
Não. Porque havia de ser? Seria o quê, então?
Pelo contrário: o “pacto inquebrável” poderia ser a prova de que não era bem amor, mas sim Paixão Arrebatada e Emocional, ou Amor-Paixão. Mas disso falaremos mais à frente.
Não teria estado a sonhar com um amor para toda a vida?, com um vestido de noiva cheio de sentido?
Insisto: não, não teria. Há muitas mulheres que já não sonham com isso. Já para não falar nas pessoas já divorciadas, olimpicamente ignoradas por PG
Terei de perguntar a PG porque razão falham casais cujo amor não foi de meias-tintas e foi jurado para sempre. Falta de vontade?... (não, o amor do casamento pode não ser para sempre. Aliás, perguntemos a muitas pessoas casadas há 30 anos que peso tem o amor, face a questões sócio-económicas, de estatuto social, etc.)
Eu aqui questiono-me no “tudo”. Tudo o quê?
Tempo? Disponibilidade afectiva e emocional? Qualidades pessoais?
É fácil encontrarmos casais onde se entregou “tudo”, um voto eterno, etc., mas a disponibilidade afectiva e emocional ficou de fora. Ou, simplesmente, um dos elementos do casal não tem qualidades para ser alicerce ou raiz. Ou os dois…
Eu acredito que devemos entregar “tudo”, isto é, devemos estar de corpo e alma no projecto do casamento de modo a que tudo corra bem e possamos contribuir o melhor possível para a educação da nossa descendência. Mas não sei se o “tempo” que é declarado no início do casamento é a melhor forma de avaliar esse “tudo.” Esse TUDO constrói-se antes e durante o longo casamento, e é nessa perspectiva de longo prazo que deve ser avaliado. Dizer, num belo dia, que “sim, é para sempre” não dá garantias nenhumas para o futuro.
Mas então? Já há casamento com prazo delimitado? Não sabia…
Mas era este homem que dizia querer o bem da sociedade? Pelo contrário, ele quer destruí-la!!! Pois, talvez o amor não as faça, mas SE HÁ COISA QUE O CASAMENTO TEM DE FAZER, É CONTAS!
Nem mais.
PG confunde amor-paixão (o chamado Enamoramento) e Amor propriamente dito (instituição), que proporciona o casamento. No final do texto, PG encarrilha pela poesia, como se estivéssemos nos tempos do lírico Camões ou no Romantismo do século XIX. O amor-paixão é lindo, e é verdadeiro, mas não é eterno – alguns estudos apontam para que não possa durar mais de 18 meses. A Verdade do amor-paixão, na qual andamos loucos, nas asas do fogo, etc., é a sua Transformação no Amor, numa verdadeira Instituição, a que F. Alberoni chamou a mais pequena instituição humana, porque, ao lado da Nação, da Religião, do Partido, do Clube, da Associação, o Casal é composto por apenas 2 pessoas. Também a instituição não é eterna – mas tem algumas possibilidades de o ser, se for estimada e cuidada pelas duas pessoas que dela fazem parte. A Instituição permite os cálculos e as contas, porque a Instituição é mais sábia e sabe que as coisas Grandes, se é verdade que precisam de um Sonho que as impulsione, precisam também de disciplina, pés na terra e bom senso, para durarem no tempo.
No fim, somos todos irmãos e eu aqui concordo com PG. Só que:
Amanhã continuamos. Hoje deitei abaixo – amanhã construirei, dando uma opinião mais alargada sobre este tema. O Amor é isto mesmo: construir, destruir e voltar a construir. Um pouco como a vida.
Estou maravilhado
Ambos os espectáculos das Maravilhas foram interessantes, nomeadamente porque foi um dia de praia cansativo e não descolei do sofá. Em todo o caso, não se deve levar demasiado a sério – o interesse estava em ver onde estaria a maior mobilização regional (no nosso caso), ou nacional (no caso do Mundo.)
É evidente que ambas as votações tratam de questões de mobilização, e não de uma escolha imparcial (ou pelo menos menos parcial…) sobre as qualidades patrimoniais, históricas, culturais ou outras. Fiquei surpreendido ao constatar o desinteresse que a iniciativa teve na Europa ao ponto de eleger apenas um monumento. Já nos EUA, é natural – eles não querem saber do que se passa lá fora…
É claro que gostei de ver que os 3 monumentos do distrito de Leiria foram votados entre os 7. Contudo, eu próprio votei naqueles que queria que ganhassem, e não naqueles em que reconhecia mais valor, embora acredite que Alcobaça e Batalha, Património Mundial, o mereciam com toda a justiça. Obviamente que a Ribeira de Lisboa ia receber distinção, mas seria preferível considerá-la como um só monumento…
Quanto ao mundo, pessoalmente acho ainda mais difícil escolher. No Blasfémias, tomam os assobios à Estátua da Liberdade por preferência por tiranos. Obviamente, exageram; os assobios são dirigidos aos Estados Unidos da América. Contudo, é triste que a Estátua da Liberdade, que é antes de mais um símbolo de esperança, de emancipação individual e de libertação de tiranias, e que nessa condição recebeu milhões de imigrantes, seja tratada desta forma. Talvez o futuro a olhe de outra maneira – por agora, a política externa norte-americana não facilita.
Pessoalmente, lamento que a Acrópole de Atenas não tenha ganho. Mas o Grande Legado desta iniciativa foi mesmo por 100 milhões de pessoas, em todo o mundo, a votar para o mesmo assunto. Um acontecimento sem precedentes na História e que nos permite sonhar…
O GP da Grã-Bretanha teve aquilo que já se imaginava que pudesse acontecer: uma luta animada entre AMBAS as escuderias dominantes deste campeonato e de grande parte dos campeonatos dos últimos 30 anos. Foi ainda uma corrida “típica”, na medida em que as paragens para reabastecimentos e respectivas estratégias, que foram inventadas em 1994 para evitar corridas monótonas, foram efectivamente o factor decisório que ajudou a “desbloquear” num circuito onde, geralmente, não é fácil ultrapassar (geralmente, isto é, desde que há sensivelmente 10 anos as configurações aerodinâmicas dos carros, desenhadas pelos engenheiros no ano anterior, passaram a impossibilitar esse tipo de manobras.)
Contudo, “desbloquear” não significa “decidir.” Os pilotos são quem está na pista e não podem cometer qualquer erro, e são aqueles que decidem em último lugar.
Esta foi ainda uma corrida “típica” na medida em que o bicampeão e o bi-vicecampeão puseram os seus colegas de equipa “na ordem”, lutando pela corrida até ao fim, enquanto os colegas erraram e pagaram o preço. A corrida teve 3 partes e 3 configurações, com 3 líderes: se na primeira tivemos Raikkonen ensanduichado entre Hamilton e Alonso, na segunda tivemos o “desaparecimento” do inglês e Raikkonen agora a perseguir o espanhol, e a perseverar para lhe roubar a vitória no segundo reabastecimento.
Hamilton errou, o que acontece a todos: errou quando se atrapalhou no primeiro reabastecimento e errou na afinação aerodinâmica da asa traseira, reconhecendo que foi um dia mau e que podia mesmo ter ficado em 4º. Chato mesmo foi a sua pole-position, que para mim vale cocó. Sim, isso mesmo. Os festejos das bancadas, no final da qualificação, valeram cocó. Hamilton não fez uma volta excepcional que merecesse uma ovação: simplesmente levou menos gasolina no depósito, como se comprovou vendo que foi o primeiro dos 3 líderes a parar para reabastecer. Este sistema enerva-me profundamente. Em todo o caso, mais uma bela manobra do inglês para o campeonato.
Massa errou na largada, o que também acontece a todos, e fez uma grande corrida de recuperação. De qualquer das formas, dificilmente ganharia a corrida…
Campeonato ao rubro!
Mais um texto essencial, na linha de Mia Couto (os Africanos devem trabalhar por si próprios; ensina-o a pescar em vez de lhe dares peixe; a melhor ajuda que podemos dar é não estorvar, etc.), desta vez criticando explicitamente todas as iniciativas em torno da ajuda a África. Não sei, nem me interessa muito, se é ou não verdade que o Bono queria que o jornalista ruandês Andrew Mwenda não falasse. A chave central é mesmo a feita por Andrew Mwenda: “Alguma vez algum homem ou nação enriqueceu a pedir esmola?”
E a nossa boa consciência deveria deixar os Live Earths e passar para as Conferências de Livre Comércio. Talvez, sordidamente, activistas de esquerda e proteccionistas de direita partilhem os mesmos interesses.