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terça-feira, março 08, 2011

Eça de Queirós em Coimbra (1861-66)

Busto de Eça, Penedo da Saudade (fonte)
"A Coimbra dêsse tempo era a Coimbra de todos os que por lá passaram na quadra ridente dos 17 ou 18 anos: a visão deslumbrante do alvorecer da Mocidade.
Tudo o que de maravilhoso tem a vida se concentra então em esperanças: o clima das idealizações não é outro senão o dessa idade sagrada, única em que o homem pode iniciar-se na carreira dos grandes destinos, que parte tanto da exaltação da imaginação como da vontade.
Para Eça, como para todos os que contemplaram com olhos de sonho as águas do Mondego, persistia sempre a Coimbra encantada.
«O nosso mote, como a nossa Vida - escreve êle no seu artigo sôbre Antero - todo se encerrava naqueles dois belos versos:

A galope, a galope, oh Fantasia,
Plantemos uma tenda em cada estrêla!



«E em cada estrêla plantávamos uma tenda, onde dormíamos e sonhávamos um instante, para logo a erguer, galopar para outra clara estrêla, porque éramos verdadeiramente, por natureza, ciganos do Ideal. Mas o Ideal nunca o dispensávamos, e nem as sardinhas assadas das Tias Camelas nos saberiam bem se não lhes juntássemos, como um sal divino, migalhas de Metafísica e de Estética. A pândega era mesmo idealista. Ao segundo ou terceiro decilitro de carrascão rompiam os versos. O ar de Coimbra, de noite, andava todo fremente de versos. Por ente os ramos dos choupos, mal se via com a névoa das nossas quimeras...»"

in Lopes de Oliveira, José, Eça de Queiroz - história das suas obras contada por ele próprio, (Lisboa), Vida Mundial Editora, 1944

quinta-feira, maio 21, 2009

Ainda o apanhamos!

São lamentáveis essas baixas expectativas! Ainda não estás em idade de adoptar o fatalismo muçulmano do Eça...

W., em comentario ao post anterior


Ora essa?...
Mas é justamente o contrário do fatalismo muçulmano do Eça... é o estoicismo/epicurismo!...



Vá, que ainda o apanhamos...

quarta-feira, janeiro 09, 2008

Citação de Eça de Queirós

"Preciso dar-me uma disciplina intelectual, económica, moral e doméstica. Como? É aqui que está o busílis. Não há senão um meio: esse meio seria casar-me. Eu não tenho hoje pelo casamento aquele horror de outrora, comparável ao horror do cavalo selvagem pela manjedoura. Bem ao contrário: tenho corrido tanto pelo descampado da sentimentalidade, que uma manjedoura confortável em que mãos benévolas me sorrotem uma palha honesta - sorri-me como uma entreaberta paradisíaca. Eu precisva de uma mulher serena, inteligente, com uma certa fortuna (não muita), de carácter firme disfarçado sob um carácter meigo (...) que me adoptasse como se aodta uma criança, me obrigasse a levantar a certas horas, me forçasse a ir para a cama a horas cristãs - e não quando os outros almoçam - que me alimentasse com simplicidade e higiene, que me impusesse um trabalho diurno e salutar, e que, quando eu começasse a chorar pela Lua, ma prometesse - até eu a esquecer (...) esta doce criatura salvaria um artista de si mesmo - que é o pior abismo de um artista - e daria uma daquelas obras de caridade que outrora levavam gente ao Calendário. Mas, ai! Onde está esta criatura ideal? Onde está esta luz no mar, esta torre de segurança, esta fonte de caridade?"

Eça de Queirós, em carta ao amigo Ramalho Ortigão, escrita 8 anos antes de se casar com Emília de Castro, um casamento "sem história", numa outra famosa citação queirosiana que eu já publiquei neste blogue e que posso publicar outra vez se algum leitor tiver mais dúvidas sobre a que tipo de felicidade se pode aspirar num casamento. (reparem que eu não disse encontrar, mas sim aspirar.)

(esta tirada final, como se vê, significa que este post não tem qualquer relação com a minha namorada mas sim que é dirigido a alguém em especial que vou proteger, por razões de privacidade e como é prática habitual)