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| Busto de Eça, Penedo da Saudade (fonte) |
Tudo o que de maravilhoso tem a vida se concentra então em esperanças: o clima das idealizações não é outro senão o dessa idade sagrada, única em que o homem pode iniciar-se na carreira dos grandes destinos, que parte tanto da exaltação da imaginação como da vontade.
Para Eça, como para todos os que contemplaram com olhos de sonho as águas do Mondego, persistia sempre a Coimbra encantada.
«O nosso mote, como a nossa Vida - escreve êle no seu artigo sôbre Antero - todo se encerrava naqueles dois belos versos:
A galope, a galope, oh Fantasia,
Plantemos uma tenda em cada estrêla!
«E em cada estrêla plantávamos uma tenda, onde dormíamos e sonhávamos um instante, para logo a erguer, galopar para outra clara estrêla, porque éramos verdadeiramente, por natureza, ciganos do Ideal. Mas o Ideal nunca o dispensávamos, e nem as sardinhas assadas das Tias Camelas nos saberiam bem se não lhes juntássemos, como um sal divino, migalhas de Metafísica e de Estética. A pândega era mesmo idealista. Ao segundo ou terceiro decilitro de carrascão rompiam os versos. O ar de Coimbra, de noite, andava todo fremente de versos. Por ente os ramos dos choupos, mal se via com a névoa das nossas quimeras...»"
in Lopes de Oliveira, José, Eça de Queiroz - história das suas obras contada por ele próprio, (Lisboa), Vida Mundial Editora, 1944
