A manhã estava "morrinhenta" e algo fresca, mas prometia um dia de calor. Passámos por Porto de Mós e, por entre todas as trivialiadades tão necessárias à vida, reparei que o Daniel estava a reeditar uma das cenas da saudosa cassete VHS que o Fernando nos enviou de S. Miguel. A estrada já é conhecida dos leitores, e, embora tenha bastantes curvas acentuadas, são apenas 20 km até Minde.
Passámos em frente à Casa do Benfica de Mira de Aire por volta das 11:15, e foi então que, como bons tugas, realizámos que não sabíamos onde era a casa dos pais da Marta. Como, por naturais motivos de agenda de um dia bastante carregado, nem o Reinold nem a Marta puderam atender o telemóvel (coisa que se podia ter feito com mais comodidade nos dias ou nas semanas anteriores), adoptámos a atitude típica face à falta de planeamento: o desenrasca. Procurámos um ajuntamento de automóveis; e pedimos direcções baseados numa informação que mais tarde se revelou errónea. (E ficámos sem saber quem será o «Embrulha» e o «T'Manel da Loira».)
A tarefa não teve sucesso, mas ficámos a conhecer Minde a fundo. Vimos o centro histórico e as suas ruas estreitas; a zona nobre com moradias de classe média; o trilho dos peregrinos de Fátima que presumo ser o caminho do Tejo; passámos pelo mercado (é verdade, Cínthia, Primeiro Mundo também tem mercado, tal e qual, e ainda não foste a Santana!...); encontrámos a Igreja, naturalmente; e até passámos pelo Anthony Kiedis, a quem, se tivéssemos perguntado o caminho, provavelmente ter-nos-ia respondido "take it on the otherside".
Desistimos e parámos no Minipreço,
antes que o Reinold nos avisasse que era, afinal, bem próximo da avenida principal.
Chegámos pouco antes do meio-dia. Muito a tempo, portanto, de nos abastecermos convenientemente para a cerimónia. Em todo o caso, a "Charlie" já estava pronta...
...e começava a ficar impaciente com a demora. (A fazer lembrar o seu avô, no casamento, apontando enfaticamente o mostrador do relógio de pulso.)
Um pouco de paciência, bebé. Dá-nos ao menos uns minutos para respirarmos o ar puro da serra e apreciarmos a paisagem alpina.
(continua)