sexta-feira, abril 25, 2014
Na Alemanha dificilmente haveria um 25 de Abril com cravos
"Em primeiro lugar, explicou ao brigadeiro que não percebia lá muito de tanques. “Fui improvisado para aqui. Sei pouco trabalhar com isto. Vou ver se consigo, mas eu não sei”, desculpou-se. E quando o brigadeiro o ameaçou “ou dá fogo ou meto-lhe um tiro na cabeça!”, Alves Costa decidiu-se por um desenrascanço 100% nacional: enfiou-se dentro da torre e trancou a porta. “Eu, fechando-me dentro do carro, ninguém abre, porque aquilo é blindado, entende?” E assim se fez Abril.
Nós somos o povo para quem Herman Melville criou, sem saber, o seu Bartleby, o desconcertante escrivão que fazia da passividade uma filosofia existencial. A tudo o que lhe era pedido Bartleby respondia: “Preferiria não o fazer.” Também José Alves Costa preferiria não atirar sobre os revoltosos de Santarém. E não atirou. No entanto, nunca afrontou de forma directa o seu superior: “A gente sabia o regime que tinha. Se calhava as coisas não correrem bem, a minha vida podia ir para o maneta”, explicou a Adelino Gomes. É certo que o espírito luso-bartlebyano, na mão de burocratas, é de modo a conduzir qualquer alma ao desespero – como pode comprovar quem já passou dias numa repartição pública. No ramerrão diário, “preferiria não o fazer” é um inferno paralítico, que nos faz sonhar com as virtudes da disciplina teutónica. Mas na Alemanha dificilmente haveria um 25 de Abril com cravos enfiados nos canos das espingardas, porque um qualquer Alves Costa da Baviera nunca mandaria o seu brigadeiro dar uma curva enquanto fingia cumprir ordens. Para citar José Gil, a não-inscrição chega ao próprio heroísmo – o cabo apontador que impediu que a revolução se tornasse num banho de sangue viveu 40 anos no anonimato de uma aldeia da Póvoa de Varzim. Afinal, ele não fez nada. O que é tão absurdo quanto comoventemente português."
João Miguel Tavares
quarta-feira, abril 23, 2014
Truman Show
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| Jim Carrey, The Truman Show (1998) |
"Porquê?"
"Estou sempre à espera de que caia um cenário ou alguma coisa qualquer [risos]. O J. D. Salinger tem uma frase muito engraçada que é "Eu sou um paranoico ao contrário, acho que há uma conspiração das pessoas para me fazer feliz." E comigo acontece isso, a sensação que dá é que as pessoas estão a fazer de propósito para que as coisas me corram bem. Uma pessoa não questiona isso. Quando se recebe uma notícia má, diz-se logo: "Porquê a mim?" Quando é uma notícia boa, nunca se diz: "Espera lá, porquê a mim?" Mas eu faço-o. Porquê? Realmente não mereço."
RAP, in DN
quinta-feira, abril 03, 2014
Os índios a caminho do Rio
"Jovens indígenas estão a ser treinados num projecto de talentos para a
selecção olímpica brasileira de tiro com arco. Deixaram a aldeia e vivem
em Manaus. Estão felizes e só o barulho os incomoda." Reportagem Público (aqui).
terça-feira, abril 01, 2014
Académica, 2 - Olhanense, 1
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| Galhardete da Colecção dos mesmos |
Alcançámos finalmente o objectivo dos 30 pontos, e foi pena que o FC Porto esteja em tão fraca forma que se deixe bater pela equipa da lontra, senão estaríamos a 3 pontos da Europa.
Mas tenham calma. Apesar do contentamento e da satisfação pelos objectivos alcançados, eu não creio que possamos falar ainda de legítimo acesso à EUropa - mesmo que ele possa acontecer. Nós continuamos a ter um dos piores ataques da Liga e estamos rodeados de outras equipas de percurso médio. Uma candidatura realmente europeia é a do Estoril destes últimos 2 anos, e do Sp. Braga nos últimos 5 ou 6 que este ano perdeu gás. E é nisso que nos devemos concentrar, no médio e longo prazo.
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