| Camaleão: o símbolo do SLB com a camisola da Mágica. imagem A Bola |
O futebol ganhou uma profundidade e uma intensidade mediática muito forte nas últimas décadas. Hoje em dia qualquer miúdo de 4 ou 5 anos já tem um clube, mesmo que não saiba muito bem o que isso quer dizer, como é o caso da C., que diz que é do Benfica porque o pai também é.
Os 6 elementos da SARIP já tinham todos um clube quando chegaram a Coimbra - 3 do SCP, 2 do SLB e 1 do FCP - e todos eles já tinham festejado títulos. Assim será certamente com a esmagadora maioria dos caloiros que chegam a Coimbra.
Em 2000 a Academia não estava, de todo, fortemente motivada para inverter esta situação; não sei como estará agora. Os doutores do meu curso iam desde o fanatismo benfiquista até ao suave e convicto portismo, passando por um ou outro sportinguista. Todos eram da Académica, mas eram poucos os que a colocavam em primeiro lugar (embora eu recorde alguns casos que foram evoluindo, ao longo do tempo).
Na altura, a Briosa até estava na II Divisão de Honra. Em todo o caso eu não recordo um esforço para ligar a AAC e o OAF. (Aqui o João Portugal Vieira também poderá acrescentar outras informações sobre o esforço que a DG/AAC fazia nesse sentido, mas isso no início dos anos 90.) Não havia um esforço especial para pegar nos caloiros e lhes mostrar que o clube deles era aquele (aliás, aquelas duas faces da mesma moeda - o futebol profissional e as secções).
Alguns dos "ultras" dizem que os camaleões deviam ser afastados o mais possível para manter o OAF puro e limpo.
Eu discordo, porque nasci camaleão. Nasce-se camaleão como se nasce caloiro. É preciso uma praxe, um baptismo, um processo de evolução do camaleão até chegar a adepto. Um processo muito mais difícil que o de caloiro até doutor. É preciso que o camaleão se esqueça das vitórias que já celebrou e se esqueça que, quando volta a casa ao fim de semana, não tem lá outros adeptos da Académica para partilhar as vitórias e a mística.
Sim, eu também recordo aquele lamentável cortejo da Queima cheio de camaleões celebrando a conquista desportiva de um clube de Lisboa, e penso: não é de hoje para amanhã que isso se consegue inverter.
E acima de tudo não é com uma postura de exclusão. É preciso puxar os camaleões para nós, fazê-los perceber a mística, mostrar a importância de ser diferente em vez de ser do clube que tem mais adeptos do mundo, ou do clube que ganha sempre, ou do clube que diz que é mais ecléctico. Mostrar qual é o nosso clube, que é mesmo nosso, e não do pai, ou do tio, ou da aldeia, ou porque é o maior da região onde se nasceu, ou porque tinha um jogador muito bom quando começámos a ver futebol. Não; a Briosa é mesmo nossa e só nossa.
A taxa de conversão destes 6 teve, até agora, um sucesso relativo, visto que os 3 que permanecem em Portugal Continental vão estar no Jamor (mesmo se um deles permanece com um clube de Lisboa como prioridade).
Quanto aos que permanecem como adeptos do SCP, é a melhor altura, não para os excluir, mas para os pressionar: esta é a nossa Académica a viver um momento histórico, juntem-se a nós!
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