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| Costa (imagem daqui) |
"Que memórias tem do seu início de carreira?
Foi acidental. Comecei a jogar futebol no Sport Clube de Vila Real, ainda era estudante de liceu. Depois fui estudar Engenharia Mecânica, para a Universidade de Coimbra, que era a mais credenciada. Por uma questão familiar, de tradição. O meu pai formou-se em Coimbra, o meu irmão também. Só que entretanto… tinha jeito para jogar. E com idade júnior já era titular em Coimbra, na Académica.
Quem eram os grandes nomes dessa Académica?
Vítor Campos, Mário Campo, Gervásio, Manuel António, ainda apanho o Serafim e o Oliveira Duarte em final de carreira. Eles tiveram problemas com lesões, que me proporcionaram a entrada no onze. E nunca mais de lá saí.
Que sensações lhe transmite essa Académica?
Na Académica aprendi muito cedo o que é tentar jogar bem, fazer um jogo de posse de bola, agradável à vista. E também aprendi a escutar os mais velhos – foram eles que me ensinaram quase tudo. Foi também lá que aprendi o companheirismo. Só para ver bem: na minha época de estreia, em 1971/72, a Académica desceu de divisão. Sabe o que nós, jogadores, fizemos? Combinámos não nos separarmos e continuarmos na equipa para repor a Académica no seu lugar, a 1.a divisão. Foi o que aconteceu na época seguinte, na 2.a Divisão, zona norte, com 13 pontos de avanço sobre o segundo classificado [Varzim]."
Como era jogar nessa altura?
Sem esquecer os golos, as viagens de autocarro, o companheirismo... Tenho de contar uma coisa: eu marcava os cantos e os lançamentos laterais depois do meio-campo. Lembro-me de jogar em Coimbra, e também nas Antas, em que tinha de pedir licença à assistência para fazer esses lances. Tal era a enchente, está a ver? E atenção que esses estádios tinham pista de atletismo, mas essa parte era completamente invadida pelos adeptos em dia de jogos grandes. Bons tempos, direi eu. Agora isso é impossível. E às vezes ia contra os fotógrafos e os polícias. Bons tempos, repito. Tenho mais nostalgia desses tempos em que o estádio estava cheio e a multidão aderia ao futebol. Hoje em dia o futebol é um espectáculo, um negócio. Naquela altura era uma festa.
Como se dá a sua transferência para o FC Porto?
Em 1978. Na altura, Jorge Nuno [Pinto da Costa] era o director do departamento de futebol e o Pedroto o treinador. Interessaram-se por mim. Um dia mandaram o Jorge Vieira a Coimbra mas expulsaram--no do café que eu frequentava em Coimbra [risos abafados]. A partir daí, eu o Jorge Nuno decidimos encontrar-nos a meio caminho, em campo neutro [risos]."
(artigo completo aqui)

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