sexta-feira, março 18, 2011

Superlua - ciência oficial não desvaloriza o fenóneno

O que é uma superlua? Há quatro a seis por ano

Todos os 27,3 dias a Lua dá uma volta completa em torno da Terra. Como a órbita não desenha uma circunferência, mas uma elipse, a distância entre o satélite natural e o planeta varia todos os meses cerca de 7%, entre um mínimo, 356 574 quilómetros (perigeu) e um máximo, 406 731 km (apogeu). O termo "superlua" surgiu em 1979, num artigo publicado pelo astrólogo norte-americano Richard Nolle na revista "Horoscope", da Dell. Hoje é usado pela comunidade científica para descrever um fenómeno que acontece quatro a seis vezes por ano, quando as fases de lua cheia (no alinhamento Terra, Lua, Sol, o planeta surge no meio) ou uma lua nova (o satélite está no meio) ocorrem quando a Lua está num intervalo de distância entre os 90% e os 100% da distância mínima à Terra. A influência do perigeu lunar nas marés começou a ser estudada só em 1978.


Detalhes técnicos. 19 de Março, a partir das 18h52
A lua cheia de amanhã será a segunda superlua do ano – a primeira foi a 18 de Fevereiro. Até ao final de 2011 haverá mais quatro – uma fase de lua cheia e as restantes de lua nova. A próxima é já no dia 18 de Abril. No sábado a Lua nascerá em Portugal pelas 18h52 e será visível até às 6h06 de domingo. Apesar de a olho nu ser difícil perceber a diferença, o satélite parecerá 13% maior que durante um apogeu lunar. Nolle adianta que a Lua parecerá cerca de 30% mais brilhante.
Filipe Pires, coordenador do Núcleo de Divulgação do Centro de Astrofísica da Universidade do Porto, explicou ao i que se podem esperar marés fora do normal, uma vez que estas são provocadas pela força de atracção da Lua e do Sol, que é mais intensa quando os astros estão alinhados. Quando a superlua acontece na fase de lua nova a força ainda é maior, porque Sol e Lua puxam na mesma direcção.


(...) a superlua de sábado é apresentada nas redes sociais e em muitos sites como a maior aproximação à Terra dos últimos 18 anos. Richard Nolle, que gere o site de previsões www.astropro.com, tem tentado desmentir o mito: "A superlua de 19 de Março é de facto a mais próxima do ano, mas não é de forma alguma a maior dos últimos 18 anos, nem sequer a primeira superlua extrema dos últimos anos. (...)

(...) Richard Nolle não só criou o termo "superlua", como desenvolveu uma teoria que associa o fenómeno a catástrofes naturais como sismos e furacões a uma janela temporal de três a cinco dias. A prová-la, garante, estão o recente sismo de Christchurch, na Nova Zelândia, que coincidiu com a superlua de Fevereiro, ou o furacão Katrina em 2005 (ver gráfico). Uma das associações imediatas nos últimos dias ligava a lua cheia de sábado ao sismo de 8.9 que atingiu o Japão. Nolle rejeita a associação, por ter acontecido fora da janela de risco (...)

(...) Filipe Pires concorda que, como é de esperar um impacto nas marés e no mar, a perturbação no interior da Terra pode ter impacto na actividade sísmica. Ainda assim, o especialista explica que os dados não são claros. Os sismólogos têm sugerido que pode haver uma relação entre os grandes terramotos. Onno Oncken, do Centro de Investigação em Geociências da Alemanha, é um dos defensores da tese, que tem como fundamento os sismos da última década (Chile, Samatra e agora o do Japão) e outros clusters no século passado. Ainda assim, Oncken diz ao i que o problema acaba por ser o mesmo de todas as teorias: "Temos poucos dados de observação e as correlações são coincidência ou demasiado fracas." (...)

Fonte: ionline

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