"Comecemos pelo início, pelo Anadia. Fui júnior do Anadia durante dois anos. Jogávamos na 1.a divisão do distrital de Aveiro e defrontávamos equipas como o Beira-Mar, a Sanjoanense e a Ovarense. Nesse período, apurámo-nos as duas vezes para o campeonato nacional. E numa dessas séries, tocou-nos a Académica e o FC Porto. Perdemos 3-1 nas Antas mas ganhámos 3-1 em casa, ao FC Porto de Artur Jorge, Vieira Nunes, Ribeiro Cardoso, Eugénio Alves... Depois, fomos ganhar 3-0 a Coimbra e foi esse o grande passo.Para a mudança Anadia-Académica?
Sim. Lembro-me perfeitamente de todos esses dias. O capitão [Mário Wilson, então treinador da equipa principal da Académica] tirou notas desse 3-0 e foi à Anadia falar com o meu pai. Parece hoje: ia ter uma aula de História às duas da tarde e vi passar um Fiat 600. Lá dentro estava o Mário Wilson. Conhecia-o da colecção de cromos, que saía nos rebuçados. Juntos, fomos ter com o meu pai, que tinha uma tipografia numa oficina. A ideia do capitão era falar com o meu pai para que ele concordasse com a minha ida para Coimbra, que ficava a 30 quilómetros de Anadia. Havia então uma lei escolar em que a Académica tinha a possibilidade de recrutar jogadores a 40 km de Coimbra. Aí começou a minha grande aventura... com um senão: à saída da Anadia, o Fiat 600 não pegava e eu tive de empurrá-lo. Lá dentro, o Mário Wilson e um senhor da Académica chamado Augusto Martins.
E como foi em Coimbra?
Ainda fiz duas épocas de júnior, com uma grande equipa. Chegaram comigo o Mário Campos, hoje director do Serviço de Nefrologia dos Hospitais da Universidade de Coimbra, o Pedrosa do Vilafranquense e o Pinheiro, formado em Medicina. Juntos, percorremos o caminho dos juniores e também fizemos parte da grande Académica, que acabou em segundo lugar do campeonato, a três pontos do Benfica. Estávamos em 1966/67, a mesma época em que perdemos a final da Taça de Portugal com o V. Setúbal. Foi uma final inédita com dois prolongamentos! Se o Jacinto João não fizesse o golo, aquilo arrastava-se para outro dia. Outros tempos em que não havia cá penáltis... Nessa final, os mais novos - eu pela Académica e o Vítor Baptista mais o Tomé pelo V. Setúbal - saíram bem vistos. Foi o nosso passaporte para os grandes. Eu para o Benfica, como o Vítor [Baptista], e o Tomé para o Sporting. Eu, entretanto, acabara o sétimo ano, agora 12.º, e estava a tirar Direito em Coimbra. Com a ida para o Benfica, transferi o curso para Lisboa, mas era inconciliável."
(entrevista completa no ionline)
Sem comentários:
Enviar um comentário