quarta-feira, junho 30, 2010

Durban

Um Brasil-Portugal, jogado na cidade "fundada" por Vasco da Gama, e onde Fernando Pessoa cresceu, foi sem dúvida um grande hino à portugalidade.



E isto, pá, são apenas contingências da verdadeira portugalidade, pá. Dá-se uns encontrões, e tal, mas somos todos amigos, pá.

segunda-feira, junho 28, 2010

UDL: o momento mais grave (2)

O post "UDL: o momento mais grave" teve o seguinte comentário enérgico:

Eu defendo ferozmente que o União vá para TN e fique lá. Ou desapareça, é irrelevante. Em qualquer dos casos, começa a haver cada vez menos justificação para manter o estádio... a demolição está mais próxima!

É talvez um bom exemplo da falta de identificação dos leirienses com a sua terra? Talvez não seja assim tão simples.
Este cavalheiro, amigo de longa data desta casa, leiriense de nascimento e cada vez mais de coração, à medida que a sua actividade profissional vai exercendo um papel cada vez maior no desenvolvimento da cidade, nutre fraco sentimento pelo clube da cidade. É, como muitos outros, sportinguista - e faz falta um estudo sociológico que explique o porquê de a região de Leiria ter a maior concentração de sportinguistas do Mundo. Talvez esteja de alguma forma relacionado com aquele factor de "terra de fronteira" referido por JHS, neste caso revelando-se uma identidade "contra", ou seja, contra o grande clube nacional e dos regimes políticos, cujo bem-estar é identificado com o bem-estar da Nação. Ou talvez eu esteja apenas a exagerar. Em todo o caso, ilustra bem a minha tese, e agradeço-lhe por isso.

Quanto à demolição ou implosão do Estádio... creio ser hoje evidente que o Estádio e a União de Leiria são duas entidades não só distintas mas aparentemente inimigas. Estou certo que se a União conseguisse juntar os mesmos adeptos que, por exemplo, o SC Braga, ou se tivesse a mesma mística da Briosa, as comadres não se zangariam. Assim, sou levado a concordar com o W., essa impossibilidade começa agora a ser uma miragem no horizonte. (Até deixar de ser uma miragem, temos muito que andar...)


Nederland
Não tenho prestado muita atenção aos comentadores nem aos jornais, mas do pouco que vi, ninguém coloca a hipótese de a Holanda ser candidata ao título. Provavelmente porque os holandeses são introvertidos e de pouca conversa, e portanto não dão nas vistas.

A Holanda ganhou TODOS os 12 jogos que disputou neste Campeonato: 8 na fase de apuramento para a Fase Final, 3 na fase de grupos da Fase Final e 1 nos oitavos-de-final.

É verdade que os holandeses não são de meias-tintas, e este percurso corresponde à imagem mental que tenho da selecção holandesa: ganham tudo de forma eficaz e até bonita - mas perdem quando chegam perto do topo, com uma qualquer Alemanha ou Brasil que se revela mais forte.

Mas, bolas!! Será que esta estatística tão simples não garantiria outro respeito por parte dos comentadores?


12 já foram, faltam 3. Têm 4 golos sofridos nestes 12 jogos. Talvez não tenham jogado bem, mas o Brasil-Holanda vai ser muito interessante. Para tripla.

UDL: o momento mais grave

O associativismo de Leiria sempre foi idiossincrático. Embora existam muitas colectividades, grémios, clubes e sociedades, para o futebol - fenómeno de identificação sociológica por excelência - sempre houve dificuldades. Dos sócios fundadores da A. F. Leiria, nenhum dos dois clubes da cidade - Leiria Gimnasio Club e Ginasio Sportivo Liz - sobreviveu para vir a constituir a base que deu origem à União em 1966, resultado da fusão do Sporting de Leiria e do Colipolense e após a obstinada recusa do clube mais bairrista e com mais identidade própria da cidade, o Sport Clube Leiria e Marrazes, em fazer parte desta fusão, o que deu sequência a uma rivalidade que permanece nos nossos dias.


Diz o JHS que Leiria (bem como a Estremadura) nasceu como terra de fronteira entre o Norte cristão e o Sul muçulmano e que isso terá influenciado uma certa falta de identidade própria. É verdade que Leiria (a região) se vê a si própria como "Gigante Económico, Anão Político", mas não é fatal que isso seja um problema único da cidade ou da região. Afinal, Coimbra debate-se com o mesmo problema, e até o Porto e o Norte - é o problema da macrocefalia. E, além disso, o Interior do país tem problemas bem mais graves.

Mas já me desviei do tema principal, que é o culminar do problema em que o estádio de Leiria se tornou - sendo uma infeliz consequência indirecta do que descrevi há pouco. Há a possibilidade de a União de Leiria passar a jogar permanentemente em Torres Novas. Nos Estados Unidos, onde não existe uma identificação tão forte entre clubes e cidades, é possível que alguns clubes possam pegar na trouxa e ir jogar para outro lado. Na Europa, isso não faz qualquer sentido.

Embora adepto da Briosa, não deixo de me sentir vagamente desconfortável com toda esta situação. Considero bastante embaraçoso e lamentável para a cidade que se tenha chegado a esta situação, e receio que esteja mais próximo o dia em que se concretize aquilo que muitos vaticinaram. Tendo em conta o nível de credibilidade e confiança que os dois contendores (João Bartolomeu e a Leirisport) inspiram junto dos leirienses, talvez não se vá "tomar partido"; mas, até quando irão os patrocinadores do clube achar vantajosa esta situação?

100% animal

E depois há aquelas situações dignas de um documentário da BBC.



Captado no Campo, concelho de Caldas da Rainha

18

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sábado, junho 26, 2010

Coreia do Norte: o factor psicológico

Dizia o Napoleão que "o factor psicológico é três quartos da guerra." Isso ficou bem patente no Portugal-Coreia do Norte. É evidente que Portugal foi claramente superior, e foi graças a isso que chegou ao 3-0. Muito mérito para a equipa portuguesa por esse resultado.

Do terceiro ao sétimo golo, é o demérito da equipa coreana que prevalece. Se os coreanos tivessem mantido o sangue frio, poderiam ter tentado responder.


Que foi o que fez o Portugal de Eusébio em 1966, quando se viu a perder 3-0, como parece que lembrou o jornal I. Manteve o sangue frio e foi virar o resultado. O factor psicológico foi o mais importante, em ambos os jogos.

sexta-feira, junho 25, 2010

Católicos vs. Protestantes?

Um contributo para a mundivisão do Pedro Arroja.



Estados Unidos da América (PROT)






Portugal (CAT)



Nasceu no Sul, é mais castiça e mais morena,
Gosta de fado, vai ver os toiros na arena.
Mas as do centro são as mais raianas,
O doce olhar, o sorriso das tricanas.
E as do Norte são mais claras, de pele branca,
São muito alegres, muito simples, muito francas.

Onde vais, portuguesa bonita,
Volta atrás, vem escutar a canção,
E essa capa com fitas de prata,
É que alegra e mata o meu coração.
E o sorriso com que tu me encantas,
Dá vida e aquece a minha ilusão.

As da Madeira são tão lindas como as flores,
E a natureza favorece as dos Açores.
Mas a que vivem longe da terra natal,
Têm alguém que as canta em Portugal.
Por todas tenho muito amor, muita ternura,
No meu caminho ficou sempre uma aventura.

Onde vais, portuguesa bonita,
Volta atrás, vem escutar a canção,
E essa capa com fitas de prata,
É que alegra e mata o meu coração.
E o sorriso com que tu me encantas,
Dá vida e aquece a minha ilusão.

São os amores que eu já vivi na minha vida,
Mais um adeus, mais um regresso, a despedida.
Sou saltimbanco, vou de terra em tera,
E a todos levo mais um sonho, uma quimera.
Já corri mundo, mas fiquei com a certeza
de que a mais meiga é mulher portuguesa.

Onde vais, portuguesa bonita,
Volta atrás, vem escutar a canção,
E essa capa com fitas de prata,
É que alegra e mata o meu coração.
E o sorriso com que tu me encantas,
Dá vida e aquece a minha ilusão.

Nasceu no Sul, é mais castiça e mais morena,
Gosta de fado, vai ver os toiros na arena.
Mas as do centro são as mais raianas,
O doce olhar, o sorriso das tricanas.
E as do Norte são mais claras, de pele branca,
São muito alegres, muito simples, muito francas.

Onde vais, portuguesa bonita,
Volta atrás, vem escutar a canção,
E essa capa com fitas de prata,
É que alegra e mata o meu coração.
E o sorriso com que tu me encantas,
Dá vida e aquece a minha ilusão.

Onde vais, portuguesa bonita,
Volta atrás, vem escutar a canção,
E essa capa com fitas de prata,
É que alegra e mata o meu coração.
E o sorriso com que tu me encantas,
Dá vida e aquece a minha ilusão.





Mundivisão
Curioso como uma pesquisa por Mundivisão no Google devolve uma óptica situada fora dos grandes centros urbanos. Mistérios do SEO.....

Chicote - a boa e velha tradição!

Marta Jorge
Quem o São João na Guarda passar,
um caldo de grão terá de provar,
para a tradição não quebrar,
o meu já fui papar,
com uma caneca de vinho tinto para não destoar!
...
VIVA O SÃO JOÃO!!!!Martelinhos, alcachofas, fogos para saltar, sardinhas e manjericos!!!
Ver mais
Ontem às 22:31 · ·
Paulo Aroso Campos
Paulo Aroso Campos
Lol um grãozinho de desculpa para beber uma caneca de vinho? :P
Ontem às 22:41 ·
Marta Jorge
Marta Jorge
achas?! era daquele carrascão...o reserva má do Chicote, se isso for possível!!! Mas pronto...uma pessoa comete loucuras em nome da tradição! hihihihi


(...)


Marta Jorge
Marta Jorge
não...por aqui só mesmo o caldo de grão, tudo o resto é produto da minha imaginação e saudosismo, ou talvez daquele copo de vinho muuuuuito mau....
Ontem às 23:15 ·
Ricardo Ramalho
Ricardo Ramalho
Ainda há pior que Chicote? :P
há 22 horas ·
Ismael Paulino
Ismael Paulino
Chicote, senhores!.... Pavoroso! Que bela lembrança! Obrigado!

Rolo's de palha


Na viagem que fiz o ano passado ao litoral alentejano, (faz por estes dias um ano, visto que foi no final de Junho), tirei algumas dezenas de fotos, sendo que publiquei muito poucas.

Uma das que tirei foi aos fardos de palha enrolados que se viam, ao longo da estrada entre Sines e Porto Covo. Os rolos significavam uma inteligência prática menos habitual na Estremadura, onde, após a ceifa, as máquinas deixam quadriláteros de palha no terreno, mais difíceis de deslocar. Os alentejanos não são nada parvos.

Lá ao fundo vê-se a Serra do Cercal.

quinta-feira, junho 24, 2010

Kids, computers, books

Reduzindo um texto longo e interessante a uma frase que poderia constituir um tweet:

Para as crianças, o computador constitui um risco de descida das notas escolares. Por outro lado, a presença de livros em casa (e a interacção que os pais podem proporcionar, nesse aspecto) constitui um factor para a criança vir a ter melhores notas.

(Fora de brincadeiras com o nosso sistema educativo, por agora. Estas conclusões são, talvez as esperadas em relação a esta questão. Mesmo assim, sou a favor de que as crianças não deixem de ter contacto com a informática desde cedo. Desde que devidamente vigiadas e aconselhadas - tal como tudo o resto!, não tem de ser um beast of seven heads, como diria o Aidan.)

quarta-feira, junho 23, 2010

We're too sexy for our shirts!

Somos demasiado bons para a Warner, pá!


é verdade, fomos mesmo bloqueados. Clicar para aumentar.

O Planalto sem nome

Um amigo, vasto conhecedor da geografia do nosso país, natural do Ribatejo e residente numa vila da Estremadura, confessou-me, há pouco tempo, numa deslocação à célebre Taberna do Manelvina, que "esta é uma das zonas do país onde me perco mais facilmente."
"Esta" é uma zona que não vem como tal nos mapas, nem nos livros, pois nenhum especialista a estudou de forma independente da região que a circunda, nem as próprias pessoas que lá moram, certamente, a consideram dessa forma. E, no entanto, eu concordo com este amigo - esta zona tem um grau de complexidade geográfica acima do habitual, e reconhece-se como unidade.



Falamos de uma espécie de planalto. Não é propriamente um planalto porque não é plano; pelo contrário esta zona é atravessada por vários rios e ribeiras que formam fundos vales. No entanto, aos limites indicados pela linha a vermelho correspondem, grosso modo, cumeadas que descem para a área adjacente. A oriente, há um longo vale e depois da cumeada por onde passa a estrada nacional 8-6, que se situa aí precisamente por conveniência geográfica; a ocidente, entre Caldas e Valado dos Frades, há a bacia da antiga Lagoa da Pederneira; a norte, idem - até chegarmos a Alcobaça.


É uma zona dividida pelos concelhos de Caldas da Rainha e Alcobaça; possui três sedes de freguesia na sua zona sul (Salir de Matos, Santa Catarina e Vimeiro) e três a norte (Cela, Vestiaria e Bárrio.) Em termos turísticos, e para além do Manelvina, temos, por exemplo, a estação arqueológica de Parreitas, no Bárrio, ou um monumento a Humberto Delgado na Cela Velha, onde passava longas estadias.

terça-feira, junho 22, 2010

Palavra de honra!

"O clube [Sport Clube Escolar Bombarralense] encontra-se naquele local há mais de 80 anos e há pouco tempo fomos contactados por um grupo de advogados que representam determinadas pessoas, informando que tínhamos algum tempo para abandonar o local (...) aquele terreno foi doado ao Bombarralense, embora não exista nada por escrito, uma vez que naqueles tempos a palavra valia mais que uma escritura. Fico triste com toda esta situação, já que o clube merecia outro tipo de tratamento (...)

João Carlos Fróis Pedro, presidente em fim de mandato do SCEB, em entrevista ao Notícias do Bombarral, edição 15 Junho 2010


O Sport Clube Escolar Bombarralense assinala o seu centenário no próximo ano e foi um dos sócios fundadores da Associação de Futebol de Leiria. Felizmente que já não precisa do velhinho "Campo de Jogos", hoje totalmente envolvido pela malha urbana da vila, visto que dispõe de um moderno Estádio Municipal. Mas não deixa de constituir uma situação caricata.



Obras de Santa Engrácia!
Uma estrutura que esteve quase 300 anos para ser construída não podia estar muito tempo sem andaimes. Aliás, a própria alma lisboeta e nacional não dispensa o andaime na Igreja de Santa Engrácia. Senão, como podemos continuar a utilizar a expressão?

Foto captada em Janeiro de 2010.
Não esquecer que este é apenas um dos dois Panteões Nacionais, e não "o" Panteão.

Tesourinhos SARIP

segunda-feira, junho 21, 2010

Solstício de Verão

"Viver na Terra pode ser caro, mas inclui uma viagem anual grátis à volta do Sol."
Anónimo (in De Rerum Natura)

domingo, junho 20, 2010

Anarquia consensual

Ainda sobre o tema dos Matraquilhos, o Analfabeto referiu num comentário a questão da "anarquia consensual." Para além de ele ter razão, eu gostaria de aprofundar um pouco este tema e falar das diferenças entre um desporto federado e um desporto amador.
Olhando para o regulamento, é visível que a Federação fez um bom trabalho na tarefa de aproximar os Matraquilhos a desportos como o Bilhar; eventuais incorrecções e situaões menos claras poderão ser corrigidas no futuro. Além disso, desconheço os standards da International Table Soccer Federation, que devem obrigar a determinados procedimentos.



Gosto, além disso, de ver como este desporto está bem implantado no concelho de Alcobaça. Por entre a confusão de informação disponível no site da FPM e no subdomínio da Associação de Matraquilhos de Leiria, consigo discernir que a União Desportiva de Turquel é um dos associados, e que o Casal de Vale de Ventos e os Casais de Santa Teresa (já na freguesia de S. Vicente Aljubarrota) são dos primeiros participantes.


Cultura própria
Em todo o caso, sim; a "anarquia consensual" de que o Analfabeto fala é na verdade uma cultura própria. Os casos que sublinhei no post anterior são alguns dos que mais "cortam" com a cultura popular, que é aquela em que fui formado.



A reposição de bola na mesa de jogo é sempre feita sobre a linha de meio campo, e nunca na área defensiva e recorrendo a moeda ao ar. Parte-se do princípio que a sorte decidirá quem leva vantagem no meio campo. Mais: habitualmente exige-se ao jogador que faz o lançamento que faça a bola bater na chapa metálica do lado oposto ao seu, de modo a garantir uma reposição equitativa, e não "caseira". Assim, golos marcados quase inadvertidamente no momento de uma reposição em que a bola casualmente bate num jogador, são considerados pelos jogadores honrados como não válidos. Uma situação mais difícil quando existe a pressão monetária associada a um"set" de 9 bolas...
Faz ainda parte da cultura popular bater a bola 3 vezes antes de a introduzir na mesa, e simular o descascar de um ovo depois das 3 batidas. Mas isso já é totalmente extra-jogo.


A troca de jogadores pode ser feita em qualquer altura, e não apenas no final da partida. Aliás, nunca poderia ser feita no final, pois, no jogo popular, a equipa que perde à melhor de 9 bolas deverá ceder o lugar à equipa seguinte, e portanto não há partida seguinte.


Sobre a entrada e saída da bola na baliza, a cultura popular não é muito clara, pois são situações, apesar de tudo, raras. Mas julgo prevalecer o conceito futebolístico da linha de baliza: se passou a linha de baliza, é golo... além disso, isto permite aos jogadores "poupar" mais uns tostões, pois cada bola custa dinheiro. Pelos padrões de 1996, cada bola custava 5,55555555555556 escudos (50 escudos/9 bolas).


Nos matraquilhos, evidentemente que a partida à melhor de 9 bolas é obrigatória. Como poderiam existir histórias de reviravoltas gloriosas de quem perde 4-0 e consegue ir vencer 5-4? Ou do desespero de quem perde 4-0, consegue empatar e acaba por perder na "negra" (terminologia emprestada do snooker"? À melhor de 5 bolas, nem dá tempo para aquecer.


Arrastar a mesa e bater com os varões (ou barões, como a FPM lhes chama, talvez por a sede ser em Valongo) é, obviamente anti-jogo. Mas, não poder falar com os adversários?... a essência dos matraquilhos é obviamente discutir animadamente com os adversários - e mesmo os jogadores que gostam de permanecer calados o reconhecem....


A anarquia é consensual porque baseada no costume e na cultura. E sim, passar para as regras da FPM seria um choque.



E depois, além da cultura popular, há sempre a malta que leva o conceito para lá dos limites.

José Saramago (1922-2010)

"Não consigo compreender como em Portugal damos tanto valor ao bom feitio das pessoas e desvalorizamos tanto o talento e a genialidade"

Vítor Serpa, sobre José Saramago, in A Bola (19 Junho 2010)


Nota: Este senhor, que já esteve aqui, tem a resposta para isso.

Regulamento Oficial Matraquilhos - equipas

2.6. No caso de a bola sair para fora da mesa de jogo, esta será reposta na extremidade da linha de baliza da equipa que anteriormente sofreu um golo e terá de ser reposta pelo atleta defensivo da equipa. Caso aconteça na primeira bola de jogo, esta terá de ser colocada na baliza oposta à última reposição de bola. Para isto basta que a bola entre em contacto com um dos atletas ou na superfície externa da mesa de jogo.

...então e a primeira reposição de bola do jogo?



4. BOLA MORTA
4.1. Uma bola será declarada “bola morta” quando pára o seu movimento
completamente, não estando ao alcance de qualquer jogador.
4.2. Na Defesa a bola será reposta pelo atleta defensivo na sua área, no Meio Campo a
bola será ganha pela equipa contrária que fez a última reposição de bola e no Ataque
a bola será ganha pela equipa adversária.

pela equipa adversária de quem? Pela equipa que ataca?

4.3. Toda a bola reposta terá de ser efectuada com a máxima garantia de que a equipa
adversária está pronta para jogar. (esta regra rege-se não apenas a bolas mortas).

Primeiro: As bolas mortas regem-se por esta regra, não é a regra que se rege às bolas mortas. Segundo: se a regra se aplica não apenas a bolas mortas, porque não criar uma secção específica para ela em vez de a colocar dentro da secção de bolas mortas?



5.3. Durante os intervalos os atletas devem manter-se no local de jogo, sentando-se na
sua mesa de apoio ao jogo. Contudo poderão ir ao WC, sem exceder o limite de
tempo, mas sempre com a autorização do Árbitro ou Director Desportivo, caso
contrário, poderão ser admoestados pelos mesmos.

Algum dos leitores me pode esclarecer se no ténis ou no bilhar os jogadores têm de pedir autorização ao árbitro para ir ao WC?



6. MUDANÇA DE POSIÇÕES
6.1. Só é permitida a troca de posições dos atletas (defesa - ataque e vice versa) no final
de cada partida.

Ok.... rigidez táctica para obrigar a equipa a fazer escolhas.



8. BOLA ENTRA E SAI DA BALIZA
8.1. Não é considerado golo e o jogo continua normalmente.

Facilita o critério de avaliação, não é?....

quarta-feira, junho 16, 2010

terça-feira, junho 15, 2010

Coimbra/Figueira da Foz: Garraiada da Queima

Por falar em tradições: um dos meios sociais onde as manifestações sócio-culturais respeitam as tradições herdadas de gerações anteriores, e portanto mais representativos do Portugal mais antigo e genuíno, é o meio académico. Com as necessárias adaptações a um tempo onde os cidadãos são tratados como tal, e respeitando as leis gerais da sociedade, as tradições académicas evoluíram para um conjunto de rituais que servem o espírito de comunidade e solidariedade que deve existir no meio académico, pese embora existirem ainda casos de indivíduos que se recusam a alterar a sua perspectiva e cometem crimes e abusos em nome da praxe.

A Garraiada da Queima das Fitas é um dos elementos ancestrais do conjunto de festividades da festa académica coimbrã, sem farpas.

segunda-feira, junho 14, 2010

Famílias bilingues: não tenhais medo!

"As famílias bilingues podem criar uma confusão de fonemas no ambiente da criança, o que pode atrasar a fala até ao terceiro ano. Dado que é apenas um adiamento até que o bebé possa harmonizar a sua confusão e que a maioria das crianças será capaz de falar as duas línguas depois do atraso na assimilação, nunca me preocupei com isso.
Um par de gémeos chineses, que ouvia chinês em casa, mas inglês à sua volta, não falava aos 2 anos - excepto um com o outro. Assim, a sua linguagem privada consista de palavras ininteligíveis para todos, excepto para eles e para um linguista especializado - porque cada palavra era uma mistura de uma parte chinesa e de outra inglesa. Uma vez compreendida esta regra, as palavras eram definidas, reproduzíveis e significantes."

T. Berry Brazelton, "Os Primeiros Passos dos Bebés - uma declaração de independência, Terramar (2ª edição portuguesa: 2002), pp. 23-24

Vasco

"Vasco da Gama is a South African football (soccer) club based in Parow, Cape Town that plays in the Premier Soccer League. Coming from the lower ranks, the club has its roots entrenched in the local Portuguese South African community". (Wikipedia)

Símbolo do Vasco da Gama da Cidade do Cabo



Sobre o próprio Vasco da Gama (Wikipedia):
(...)The Oceanário in the Parque das Nações, has a mascot of a cartoon diver with the name of "Vasco", who is named after the explorer. (...)

domingo, junho 13, 2010

Dempsey

Todos olhámos para o pobre Green e o seu monumental pato, mas ninguém reconheceu o mérito de Dempsey.
O jogador norte-americano não estava em muito boa posição, mas não desistiu, insistiu e acreditou. O remate não foi bom, mas a sua perseverança foi recompensada. Se pensarmos que há sempre uma probabilidade de a bola entrar, saberemos que Dempsey merece crédito por este bom resultado dos States face à equipa que arrisca uma decepção se não chegar à final.


Mais ou menos como este golo. Todos esquecemos que a bola é desviada na perna do defesa inglês. Foi um grande azar do adversário, tal como ontem. Mas o que interessa é que ele insistiu e acreditou, e com isso virou o sentido do jogo.

Idanha-a-Nova

As regiões do Centro-Sul do país possuem inegavelmente uma maior tradição tauromáquica. Talvez por causa da geografia plana, mais favorável ao animal; talvez por causa da influência maior das civilizações meridionais, nomeadamente a romana, relativamente ao Norte. Seja lá pelo que for, é no centro-sul que encontramos mais facilmente estas manifestações culturais espontâneas. Em Idanha, tal como na Moita, o touro não necessita de ser farpeado.

sábado, junho 12, 2010

Tshabalala!



Um momento de glória desportiva para este atleta do clube sul-africano Kaizer Chiefs, que corporizou a vontade dos "Bafana Bafana" de se superiorizarem a uma equipa posicionada muito acima no ranking da FIFA (83º vs. 17º).

sexta-feira, junho 11, 2010

Moita

Na Moita do Ribatejo, que afinal pertence à Estremadura, vem-nos um outro exemplo. Os activistas da Animal poderiam invocar que ocupar a via pública com festejos que podem atentar contra a asegurança dos cidadãos é um abuso da liberdade individual, mas eu refuto; por um lado, os activistas da Animal estão preocupados acima de tudo com os direitos dos animais e menos com as liberdades individuais; em segundo, trata-se de um festejo de uma comunidade, com regras fixadas, prazos, alertas, etc., e portanto a segurança dos cidadãos que não querem participar no festejo não é posta em causa; em terceiro lugar, é realmente posta em causa a segurança dos cidadãos que participam activamente nos festejos - mas trata-se de respeitar a liberdade deles de participar. Como diz o povo, "só vai para lá quem quer". Respeitar a vontade desses cidadãos em participar é uma responsabilidade cívica. E sim, eu pessoalmente não me colocaria à frente de um bicho destes.

quinta-feira, junho 10, 2010

Forcão

Entre os defensores puros das touradas e os activistas da Animal, existem vários graus intermédios no que concerne às touradas. Entre eles, as pessoas que apreciam o espectáculo e consideram que se tornaria melhor se se eliminasse o sofrimento do animal (leia-se, farpas e sangue.)

Já existem exemplos tauromáquicos desse género. Este é um deles.

(Estou consciente que os activistas da Animal invocarão que se mantém a utilização de um animal inocente, desnorteado e assustado para gáudio de uma multidão. Mas eu não estou a comunicar para eles, e sim para os que se interrogam sobre se se pode fazer touradas sem farpas.)

segunda-feira, junho 07, 2010

Soichi Noguchi

Finalmente o Soichi Noguchi passou sobre Portugal!

Troféu Pedro Chaves: 1ª vitória da 150 SARIP

A 150 SARIP obteve no passado sábado a sua primeira vitória no Troféu Pedro Chaves, no XII GP (3º de 2010), em Palmela. Toda a informação no sítio do costume.



Projecto Spacebits - Portugal visto a 20km de altura
um vídeo absolutamente fabuloso. Para mais informação, é seguir o link.

sexta-feira, junho 04, 2010

Reprise: Margem Sul State of Mind

Antes da música, o desporto:


Villas-Boas no FCP
Nada que não fosse esperado, infelizmente. Realçamos a forma leal como tratou o clube (nomeadamente no "caso" Sporting) e os excelentes resultados alcançados, tirando o clube do último lugar e colocando a equipa a jogar bonito! Desejamos-lhe muito boa sorte! E sim, pode vir o Jorge Costa!



Luís Coelho no RSC Cronenberg
Der RSC Cronenberg bastelt weiter am Kader für die kommende Saison in der Rollhockey Bundesliga. Gestern Abend unterschrieb der portugiesische Spieler Luis Antonio Ferreira Coelho, f€ür ein Jahr und einer Option auf ein weiteres Jahr, bei den Cronenberger Löwen.
Luis Coelho ist 25 Jahre alt und findet den Weg vom portugiesischen Zweitligisten ‚Club Turquel' an die Ring Str. Aktuell belegt Coelho mit dem ‚Club Turquel' den zweiten Platz in der Liga. (link)

A escola do HCT a dar frutos!



E agora, sim, a reprise



Agora com a letra:



(Rui Unas) Estou aqui em Almada
Ou aqui no fogueteiro
Seixal é mesmo ali
Sou policia sinaleiro
Para ali é o Barreiro, Montijo e Alcochete
Onde fica o Freeport que é uma bronca do cacete

Props pro pessoal
que vive nesta margem
Que gasta um euro e trinta
quando passa na portagem
Sempre que passo aqui
tremo tipo gelatina
A primeira vez que fui
assaltado foi nesta esquina
A segunda nesta rua,
e a terceira foi aqui
A quarta foi agora
enquanto estou neste jardim
Mando pausa no Octavia
da minha mãe Oiço "Ganda maluco",
eu respondo "tá-se bem"
Sou poliglota
nas línguas eu sou forte
Falo Português
com sotaque dos palop
Falo em brasileiro
da costa da caparica
E criolo enquanto
como uma cachupa rica

(Diana Piedade) Margem Sul, sitio onde são feitos os sonhos
Porque só se dorme aqui
Estás na Margem Sul
Vem andar na selva de asfalto
e sofrer um assalto
Bem-vindo à Margem Sul

(Rui Unas) Sei dançar kizomba, aprendi com a vizinha
O irmão não gostou quase me partiu a espinha
Quando chego da discoteca ás sete de la "manhana"
Vejo as paragens cheias de gente em fila indiana
Margem sul é grafitis em paredes e muros
É entrar numa loja, ouvir Hiphop e Kuduros
É ver policias e ladrões jogarem à apanhada
É às vezes ter que fazer queixa na esquadra
Foi aqui que me deram um enxerto de porrada
Confundiram-me com um nigga que saiu de precária
Aqui jogava bola, de dia e ao relento
Agora a praceta é parque de estacionamento
A primeira vez que fui ao cinema foi aqui
Vi o never ending story e Karate Kid
(Wax On, Wax Off, Wax On, Wax Off)

(Diana Piedade) Margem Sul, sitio onde são feitos os sonhos
Porque só se dorme aqui
Estás na Margem Sul
Vem andar na selva de asfalto e sofrer um assalto
Bem-vindo á Margem Sul

(Rui Unas) Aqui é só saúde, temos sondas, hospitais
E poder de compra, novos centros comerciais
Para comprarmos dvds ou aquela bike
Bens de primeira necessidade como o chapéu da Nike
Olha ali um casamento, é só roupa cara,
Homens com fato da h&m, as damas vestem Zara
Margem Sul é cultura, não sei se sabes,
é Ruth Marlene, os Anjos, Soraia Chaves
Na relva faço picnics e também o pino,
Isto não é deserto, fu fu fuck Mário Lino!
Temos muito verde, mas aqui é só vermelhos
A festa do Avante é aqui todos os anos!
Por falar em cores, também há amarelos,
É a loja do chinês onde eu comprava caramelos!

(Unas - Agora há loja do chinês?
Chinesa - Sim
Unas - Eu queria caramelos por favor
Chinesa - Não tenho
Unas - O quê?
Chinesa - Não tenho!)

(Diana Piedade) Margem Sul, sitio onde são feitos os sonhos,
Porque só se dorme aqui...
Estás na Margem Sul,
Vem andar na selva de asfalto e sofrer um assalto
Bem-vindo à Margem Sul...

Se precisas de apoio emocional,
cruza a ponte e vai ao Cristo no Pragal,
Construído no tempo de Salazar,
Que tem os braços bem abertos para gritar "yeaaah, yeaaaah"

(Diana Piedade) Margem Sul, sitio onde são feitos os sonhos
Porque só se dorme aqui
Estás na Margem Sul
Vem andar na selva de asfalto e sofrer um assalto..
Bem-vindo à Margem Sul

quinta-feira, junho 03, 2010

Mas ninguém pára a M80?? (3)



Whoah,ah,oh,oh, YEA!

I,I gotta new life
You would hardly recognize me I'm so glad
How could a person like me care for you?
(Why?)Why do I bother
When you're not the one for me
Ooooo, is enough, enough?

I saw the sign and it opened up my eyes
I saw the sign
Life is demanding without understanding
I saw the sign and it opened up my eyes
I saw the sign
No one's gonna drag you up to get into the light where you belong...
But where do you belong?
Under the clean moon
For so many years I've wondered who you are
How could a person like you bring me joy?
Under the pale moon
Where I see a lot of stars
Ooooo Is enough, enough

I saw the sign and it opened up my eyes
I saw the sign
Life is demanding without understanding
I saw the si-ign and it opened up my eyes
I saw the sign
No one's gonna drag you up to get into the light where you belong...
But where do you belong?
Oh!Oh, oh, oh

(Larger instrumental break)

I saw the sign and it opened up my mind!
And I am happy now living without you
I've left you, oh-oh-OH!
I saw the sign and it opened up my eyes I saw the sign
No one's gonna drag you up to get into the light where you belong

(I saw the sign - I saw the si-i-ign) I saw the sign!
(I saw the sign - I saw the si-ig-i-ign)
(i saw the sign - i saw the si-ign) i saw the sign!

And it opened up my eyes, I saw the sign! (sign, sign,sign)

More lyrics: http://www.lyricsfreak.com/a/ace+of+base/#share

quarta-feira, junho 02, 2010

Do Código Civil


O Código Civil (que aparece aqui enquadrado com um castelo que, como não podia deixar de ser, é das princesas - e já dizia aquele poeta açoreano, que fez anos ontem, "todas as princesas têm um castelo", grande abraço, pá!) é um documento extremamente interessante. A sua leitura e análise, mesmo que em termos dos seus princípios gerais, deveria constar dos programas do ensino obrigatório.
O ensino obrigatório deveria servir para dar aos alunos as ferramentas conceptuais para virem a ser capazes de aprender uma ou mais profissões, e para terem uma maior consciência de si mesmos e da sociedade em que vivem. Uma passagem rápida pelo Código Civil seria extremamente importante nesse sentido, para que os cidadãos pudessem ter maior consciência das regras pelas quais se rege a sociedade em que vivem.

Aqui no blogue, como temos uma noção muito própria de serviço público, vamos começar por um artigo importante, sobre o estilicídio.

Artigo 1365º (Estilicídio)
1. O proprietário deve edificar de modo a que a beira do telhado ou outra cobertura não goteje sobre o prédio vizinho, deixando um intervalo mínimo de cinco decímetros entre o prédio e a beira, se de outro modo não puder evitá-lo.
2. Constituída por qualquer título a servidão de estilicídio, o proprietário do prédio serviente não pode levantar edifício ou construção que impeça o escoamento das águas, devendo realizar as obras necessárias para que o escoamento se faça sobre o seu prédio, sem prejuízo para o prédio dominante.