segunda-feira, setembro 14, 2009

O Baptizado da Charlotte - 2

A menor afluência de convidados em relação ao casamento foi patente na extrema facilidade com que conseguimos estacionamento, face à outra vez. Também o próprio cerimonial prévio à entrada na igreja foi bastante mais rápido. Aqui com um momento de ternura da NetJets Team do Troféu Pedro Chaves.



Pode parecer que não, mas a Charlotte estava bem disposta. Já se sabe que os holandeses não expressam emoções facilmente.


Ainda relativamente ao casamento, recupero o que nessa altura se falou sobre a presença da comunidade mais alargada nas cerimónias de casamento e baptizado, representada por pessoas não convidadas mas que assistem na mesma. Mais uma vez, a comunidade cristã de Minde fez questão de estar devidamente representada. Mas desta vez não houve histórias de reis nem de comboios.




A maior parte das fotos captadas no interior da Igreja são de péssima qualidade. Quanto aos vídeos, a sua colocação no Youtube vai demorar mais algum tempo. Em todo o caso, e na ausência de leituras no idioma neerlandês, os pontos de destaque da cerimónia foram:

- o jovem adolescente, citado no casamento, agora um orgulhoso padrinho e já com uma voz de barítono, um pouco mais possante;

- o momento de comunhão geral, na reza do Pai Nosso, em que todos demos as mãos;


- o padre Albino Carreira, que conduziu a cerimónia de uma forma ainda mais surpreendente e interessante que no casamento; despachado, interactivo, com o suficiente grau de informalidade, e realçando, de forma inteligente, que entre o ateísmo e a fé talvez não tenha de ir assim uma distância tão grande, dado que, na sua óptica, as condicionantes estruturais da vida humana “empurram” sempre o Homem para Deus. À sua maneira, terá razão - em todo o caso, sem dúvida que foi a melhor forma de conduzir esta cerimónia em particular. E simboliza uma tendência actual da Igreja Católica, que os agnósticos, por trás do seu preconceito anti-Vaticano, não estão a apanhar: depois de muitos anos em que a Igreja jogou à defesa, procurando isolar os poucos que se iam afastando do grande rebanho dos fiéis, a Igreja joga agora ao ataque, procurando integrar aqueles que querem, de uma forma ou de outra, integrar-se, e deixando de colocar as barreiras tradicionais – o tempo não vai para colocar obstáculos. É uma mudança de estratégia silenciosa e que nos relembra que a Igreja de Roma já dura há 2000 anos e, portanto, já teve de adaptar-se a muita coisa.

- Uma coisa é certa: a Igreja de Roma conseguiu colocar o Reinold num altar a explicar o que é o baptismo, e temos aí algures um vídeo que o prova. Sim, que, nesta matéria, eu seria como S. Tomé. No fim, e dando já o salto para a cerimónia de assinatura do livro de registos da Paróquia, o Reinold falou

É verdade, Danish, é verdade, Fernando, é verdade, Berto. Segurem os vossos queixos. O Reinold fez um discurso para aí de uns 40 segundos para todos os convidados!...

E tem razão: a cerimónia uniu-nos todos naquilo que era mais importante – Welcome Charlotte! E, para além disso, num belo monumento do século XVII.

Pintura oferecida à Igreja por um casal de Minde

A assinatura do livro foi no salão lateral da Igreja do qual, segundo o Padre Carreira, o cardeal Serafim terá dito que era o melhor da diocese para o efeito. E tem outra vantagem, também segundo o Padre Carreira, que é a carpete para os garotos poderem rebolar à vontade.




Além do Reinold, falou a Marta, os padrinhos, e os avós (embora o Padre Carreira tivesse algum receio de que os avôs holandeses não tivessem percebido o que ele tinha dito).


O Padre Carreira tentou que a bisavó da Charlotte falasse também, do alto dos seus 95 anos. Temos um curto vídeo (que virá mais tarde, também). Ela estava, de facto, emocionada; mas, se alguém pensou que ela não percebeu o pedido, desengane-se, porque nós estávamos próximos e ouvimos claramente a sua reacção: “para quê?” A veneranda senhora simplesmente não quis ser o centro das atenções.

Mas o que tive mesmo pena, mas mesmo de exasperação com a falha de timing, foi de não captar o momento em que bisavó e bisneta cruzaram os dedos, quando a Charlotte passou por todos nós. Porque teria sido a reedição daquele anúncio da Coca-Cola – mas real.

3 comentários:

Unknown disse...

Está lindo Ismael! Obrigada por tornares este momento intemporal, único e inesquecível na vida da Charlotte e na nossa.

Marta, Reinold e Charlotte

Ismael disse...

Obrigado... (Mas acredita que fiquei chateado por ter perdido aquela oportunidade.)

Rita Mendes disse...

Felicidades para a jovem princesa e para os pais.