Do Poder do VHS
- Mano, quero ver o dragão bolzê.
- Mas donde é que tu conheces o dragão bolzê?
- Foi a tia, que me emprestou uma cassete!
Não sendo meu hábito seguir os problemas alheios – mesmo envolvendo crianças – como quem segue uma telenovela, o caso Alexandra impressionou-me de uma forma diferente. Não tanto por causa do erro da decisão judicial. Diz um célebre provérbio que “quando vires que estás do lado da multidão, pensa duas vezes porque provavelmente estás errado.” Estou no meio da multidão que considera a decisão judicial errada e acho que todos os provérbios têm excepções. Acho também que erros judiciais acontecem, como tudo na vida, e que não devíamos tomar a parte pelo todo. Para além do incalculável sofrimento causado à criança, há duas questões particularmente graves, mais graves que o erro judicial:
- se a mãe biológica fosse de um país da União Europeia, o caso seria diferente. Haveria tribunais europeus, os países europeus são signatários das convenções internacionais de Direitos Humanos, têm imprensa livre, opiniões públicas sensíveis a estas questões. Seria possível tenter reverter a decisão. Mas como a mãe pertence a um estado gigantesco e totalitário, fechado, imprensa censurada, governado em ditadura de facto, imune a quaisquer pressões internas, indiferente a convenções de Direitos Humanos, não há nada a fazer.
Este caso mostra duas coisas essenciais de que nos esquecemos frequentemente:
- A imprensa livre é fundamental; mesmo que a generalidade das pessoas (as “massas”) não tenham um entendimento muito profundo sobre as questões, têm uma opinião e têm peso político. Esta é a importância da democracia tal como a conhecemos actualmente, e temos o dever de zelar por ela e de ser intolerantes, e duros, para com os que a combatem. Aqueles que me diziam, em Coimbra, que os Direitos Humanos não servem para nada, estão profundamente errados, e este é um caso muito claro.
- o projecto europeu trata disto mesmo: que os países europeus se agrupem e lutem pelos seus valores comuns, em aliança natural com os países que partilham destes valores, nomeadamente os Estados Unidos da América, e que possam opor-se àqueles que são os inimigos, nomeadamente a Rússia e a China. Dada a dependência sabuja que temos do gás russo, não vai ser fácil. Mas não nos podemos esquecer das regras básicas – e há muita gente que que se esquece e que pensa que os Estados Unidos são o nosso inimigo. Bush pode ser desagradável, mas pode ser apeado do cargo. Putin não.
(alguém sabe o nome daquele senhor que puseram no lugar do Putin enquanto ele passou a primeiro-ministro, sendo que continua a ser ele a dar a cara às TV internacionais?)

"A ínfima parcela de pessoas que pensa que sabe o motivo pelo qual é hoje feriado em Leiria está enganada. Toda essa gente (cerca de 3% da população do concelho) pensa que é o aniversário da elevação de Leiria a cidade. Errado. Comemora-se hoje a criação da Diocese de Leiria pelo Papa Paulo III (com a bula Pro Excellenti), em 1545. Esse gesto conduziu à elevação de Leiria a cidade pelo Rei D. João III, a 13 de Junho do mesmo ano. “Se a medicação pode ajudar nos casos mais puramente psicológicos ou filosóficos, a filosofia pode proporcionar ajuda em quase todas as situações em que se está a fazer um tratamento físico ou psicológico. Mesmo nos quadros mais estritamente psiquiátricos, como aqueles em que é necessário recorrer ao tratamento com lítio, como é o caso dos maníaco-depressivos, a filosofia pode revelar-se uma boa ajuda, uma vez conseguida a estabilização do doente. Um diagnóstico destes será bem mais fácil de suportar pelas pessoas que conseguirem desenvolver uma disposição filosófica funcional a propósito da situação que têm de enfrentar. Uma das razões que tona difícil a continuação dos tratamentos com drogas – mesmo que quem as está a tomar sinta que a medicação lhe faz bem – é que a pessoa que as toma deixa de se sentir igual a si própria enquanto dura o tratamento. O que nos leva directamente à pergunta fundamental da filosofia: «Quem sou eu?» É bem provável que algumas pessoas tenham de redescobrir quem são graças a um frasco de comprimidos. O que, por sua vez, as pode levar aos tipos de questões que são o pão e a manteiga dos filósofos: «O que é que me faz ser quem sou?» e «O que é que eu sou – se sou alguma coisa – para além do corpo físico?»
Marinoff, Lou, (1999) “Mais Platão, Menos Prozac!”, Lisboa: Editorial Presença (3ª edição), p. 47
FEUC Tracking, XXI
Timor comemorou ontem o 7º ano de independência, pelo que naturalmente lá tivemos o nosso caro professor João Titterington Gomes Cravinho, Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, em representação do nosso país, e com a sua infalível camisa cor-de-rosa.
Estóicos
Comecei bem o dia, hoje; à meia-noite, brindei com um amigo, que desejou que para o próximo ano estivéssemos a brindar num sítio melhor. Respondi-lhe que se estivermos no mesmo sítio, será óptimo; sinal de que ambos estaremos vivos.
"Aqui em Alcobaça não sei que culto há em torno da rainha morta. Ignoro se existe um museu inesiano: uma biblioteca inesiana, que reúna e exponha as centenas de espécies bibliográficas que o drama inspirou por toda a Europa; uma arte local inesiana que trasladasse à cerâmica e ao cristal as lembranças da triste rainha; uma literatura preparada adrede, que vá desde o desdobrável brilhante e polilingue até às obras sobre a vida dos dois amantes, sem esquecer as emocionantes estrofes de Os Lusíadas; as reproduções das séries de gravuras românticas e de tantas outras composições inspiradas pelo episódio; pequenas recordações turísticas relacionadas com o grande desvairo, e tudo o mais que puder evitar que esta esplêndida herança de lirismo histórico vá mirrando até não ser mais que um pormenor anódino. Ninharias essenciais. O balcão de Julieta, em Verona, a casa do Greco, em Toledo, a prisão de Sócrates, em Atenas, são ninharias dessas. A lenda de Pedro e Inês, a ressonância lírica que despertou pelo tempo fora poderiam fazer de Alcobaça um santuário desta nova onda de peregrinações que é o turismo. E se Coimbra venera a Rainha Santa Isabel e as Caldas festejam a sua D. Leonor, seria inexplicável que os Alcobacenses não recordassem a rainha mártir, a única que Camões cantou."
"Estrangeiros disfarçam-se no bairro Alexandra, província do Gauteng, África do Sul, onde o ano passado começou a xenofobia que tantas vítimas fez e tantos estragos provocou. É o caso dos Zimbabweanos, como mostra um holandês que lá vive e prepara a sua tese de mestrado: "A estratégia mais comum é falar a língua zulu, adotar um nome zulu e vestir-se como um zulu, o que é chamado de ‘estilo Pantsula'. Assim, usando um tênis All-Stars ou Dickies, compra-se a segurança em Alexandra, diz o cabeleireiro Khumalo. O zimbabuense de 18 anos Sibosizu, que vende DVDs na rua, confirma. "E eu também uso jeans, camiseta e boné", ele comenta. "Aí você fica parecendo zulu. Meu nome também não é verdadeiro. Meu nome na verdade é Tariro, mas se eu disser, todo mundo vai saber que sou zimbabuense. Me sinto seguro com meu disfarce. "Principalmente para os zimbabuenses que falam ndebele, é fácil disfarçar, já que a língua é muito similar ao zulu."
Carlos Serra, do blogue moçambicano Oficina de Sociologia
To pull a MacGyver.
This is the art of slapping together a solution to a problem at the last minute, with no advanced planning, and no resources. It's the coat hanger you use to fish your car keys out of the toilet, the emergency mustache you hastily construct out of pubic hair."
A Bola - “O Pepetela, eu sei, também jogou futebol.”
Pepetela - “Joguei até aos 16 anos, fui federado e campeão de juniores na Huíla, pela Académica da Huíla. Estava numa cidade que vivia muito dos estudantes e havia dois clubes: o Juventude e a Académica.”
Pepetela, escritor angolano, em entrevista a A Bola, Sábado, 16 de Maio de 2009
“Os cónegos que viviam no convento eram regrantes, porque estavam sujeitos a uma regra. Elegiam o seu prior e isso criou logo atritos com o bispo que entendia ser o directo superior dos seus cónegos; mas os regrantes conseguiram ficar sob a dependência directa do papa, sem terem portanto de obedecer ao bispo. Ficaram célebres as lutas entre os dois poderes. Um dos episódios mais conhecidos é a história da carne: certo dia o monge encarregado das compras foi ao açougue e voltou sem carne, porque o bispo a tinha mandado comprar toda para a sé. O prior percebeu o desafio; mandou reunir e armar os seus homens que no dia seguinte assaltaram as casas do bispo e levaram para Santa Cruz toda a carne que lá acharam. Declarada a guerra, toda a Coimbra aderiu a algum dos partidos. Houve combates de rua, morreu gente, e o rei teve de mandar forças a ocupar a cidade para restabelecer o sossego. Foi isto em tempo de D. João II.”
JHS, (1986) O Tempo e a Alma, II Volume, p. 120: Círculo de Leitores
O Mercado de Santana é, como referi anteriormente, uma organização tripartida dos municípios de Alcobaça, Caldas da Rainha e Rio Maior, pelo facto de estar situado precisamente na fronteira entre estes três municípios. O dia estava chuvoso, chuva molha-tolos, ou "borraço" como se lhe chama por aqui, mas nem por isso a afluência era significativamente menor.
A Serra dos Candeeiros, quase invisível devido à nebulosidade.
Embora pensemos em Santana como uma manifestação popular portuguesa, deveremos começar por ter consciência de que é, pelo contrário, um fórum de cosmopolitismo, no sopé da Serra dos Candeeiros. A carrinha das cassetes debita, em altos decibéis, música das mais variadas origens (pimba, kizomba, dance mix, brasileira, etc.). Para além do povo romani, naturalmente representado em todos os centros de comércio ao ar livre, em Santana temos, por exemplo, indianos, seja católicos de Goa…
…seja hindus, transportando a sua vaca sagrada no tablier da carrinha.
Podemos encontrar toda a sorte de produtos em Santana:
A Santana acorrem pessoas vindas dos mais diversos pontos do país…