quarta-feira, dezembro 31, 2008

O que foi e o que lá vem?!

Para a economia portuguesa, 2008 foi um ano marcado por um conjunto de acontecimentos que não deixam margem para grandes celebrações de boas vindas a 2009. A crise dos mercados financeiros que fez “afundar” o PSI-20 em cerca de 50%, as cotadas nacionais que perderam cerca de 50 mil milhões de euros, as subidas e descidas do petróleo, a nacionalização do BPN, a aval do Estado aos principais bancos nacionais, o caso BPP, as “suspeitas” de corrupção dos antigos administradores do BCP, o conjunto de empresas de “catering” que lesaram o Estado em 170 milhões de euros, os 94 milhões de euros que os bancos portugueses perderem no recente “caso Bernard Madoff”, o aumento do desemprego, a falência de inúmeras empresas, as enormes dificuldades das empresas em conseguir crédito, referindo apenas alguns, dos muitos casos e factos que este ano “assombraram” a nossa economia.
O ano de 2009 não se avizinha fácil, existe um enorme clima de incerteza e insegurança, os indicadores para o futuro não são de todo positivos. A maioria dos “analistas” prevê um ano complicado, sobretudo no primeiro semestre e antecipam que 2010 será o ano da melhoria. O grande problema, é que esta “sebastianina” retoma ainda se encontra dispersa por entre o profundo nevoeiro da crise deste ano. Para os próximos meses, os portugueses poderão esperar uma contínua descida das Euribor, as taxas de juro que definem a maioria das subidas e descidas do empréstimos bancários e depósitos a prazo. Quem tem crédito à habitação indexado a uma Euribor a 3 meses, poderá já no próximo mês constatar uma descida significativa da prestação mensal. De acordo com os “futurólogos”, o preço do petróleo vai manter-se em níveis baixos, a acontecer é um dado positivo para a maioria das indústrias e para os portugueses no geral. O início do ano, vai ainda trazer consigo os habituais aumentos de bens de primeira necessidade. Outro dado importante para 2009, prende-se com o facto de ser um ano de eleições autárquicas, legislativas e europeias, e, como que por magia, os anos de eleições têm tendência para ser, geralmente melhores.
Para o próximo ano, não se deve esperar grandes facilidades nem melhorias da situação económica e financeira do país. Mas, 2008 pode ter dado uma lição importante para o futuro, a sociedade civil tem de ter mais curiosa, participativa e controladora no que toca às forças que comandam a economia. A época do “laissez faire, laissez passer” deverá ser substituída por um conjunto de acções com mais e melhores princípios éticos, que tenham maior poder de controlo. Todos nós, temos de ser mais interventivos e não nos limitarmos apenas a reclamar depois de tudo acontecer. Não é a bradar aos céus que vamos mudar alguma coisa…

Juízo do Ano

Juízo do Ano é uma rubrica do Borda d' Água, "O Verdadeiro Almanaque", que já tem um blogue e até bate recordes de vendas. Embora todos os anos sejam "excepcionais" e "únicos", em 2008 aconteceram algumas coisas que a minha geração nunca tinha visto, e por esse lado talvez seja um ano para recordar. Refiro-me a coisas mundanas, claro (política, economia, a bolha do petróleo e os camionistas, a bolha dos mercados financeiros, o Obama e o Hamilton, coisas dessas), embora a SARIP também tenha tido a sua dose de acontecimentos notáveis.
Estive a ver os últimos artigos do ano nos anos anteriores e constatei que temos alguma tradição de "Juízo do Ano", geralmente a cargo do Daniel. Este espaço pode, portanto, continuar a pertencer-lhe, até porque tem sido ele a fazer as despesas da casa. Vou deixar apenas uma pequena pergunta para reflexão:

- porque razão, depois de tantas polémicas que aqui tivemos, desapareceram as fotografias de "gajas" deste blogue??

Quanto ao blogue, em si mesmo, continua bastante saudável, tendo já ultrapassado os 1500 posts (é à média de quase um post por dia) e com perspectivas muito razoáveis para o próximo ano. Ficamos com a banda coimbrã "Sean Riley and the Slowriders", desta vez a partir do Sapo Vídeos que não é nada a menos que o Youtube.

Um Próspero Ano Novo para todos os nossos leitores e amigos (o voto de prosperidade nunca fez tanto sentido como este ano.)

sexta-feira, dezembro 26, 2008

Nevão

O blogue "Passear por Coimbra", da autoria de Paula Almeida, publicou as seguintes fotos, captadas aquando dos nevões do início deste mês de Dezembro.

(clicar sobre a foto, para aumentar)





Ficamos à espera de um ano mesmo frio, quando nevar no centro de Coimbra. Naturalmente, recomenda-se a visita ao "Passear por Coimbra".

quinta-feira, dezembro 25, 2008

2009 o Ano da Bonança

Eu não sou propriamente um analista financeiro, nem tão pouco um economista, e no que toca a mercados financeiros gosto de me comparar a alguém com a 4ª classe que decidiu abrir uma empresa e que teve relativo sucesso logo nos primeiros anos. Não percebo muito de análises de acções e geralmente invisto confiando no meu senso comum e na minha capacidade de análise rudimentar. Desde que sai de Coimbra em finais de 2004, comecei a investir alguns milhares de euros na bolsa, já perdi algumas centenas em alguns negócios e já ganhei outras centenas também. No global, e mesmo com a crise financeira deste ano, o saldo do meu investimento continua positivo e bem superior às taxas de depósitos a prazo. O que importa saber, é que não invisto na bolsa para ficar rico, mas sim porque adoro comprar, vender e jogar na bolsa, adoro estar "dentro" do mercado. Esta experiência acumulada permite-me alguma legitimidade para dizer algumas coisas acerca do mercado, se o Seabra pode comentar futebol, então eu posso muito bem comentar sobre mercados financeiros...
Todos sabemos que 2008 foi um ano catastrófico para os mercados financeiros, a maioria dos indices bolsistas tem quedas entre os 50% e os 70%, o que a maioria das pessoas não se apercebe é que em cada 1% que a bolsa desce, ganha por seu turno um potencial de subida a dobrar. Estas descidas dão o potencial de subida as acções entre 100% a 200%, considerando que regressam brevemente aos valores de 2007. Os mercados financeiros, antecipam a economia real entre 6 meses a 1 ano, ou seja, o que está a acontecer hoje é o reflexo do que a economia real ira ser daqui por esse periodo de tempo. A maioria dos economistas, acredita que 2010 será o ano da retoma para a economia real, então seguindo a lei dos mercados financeiros da antecipação, os mecados financeiros irão subir apartir do 2 semestre de 2009. Obviamente, que a análise não pode ser tão simplista como isto, mas 2009 poderá efectivamente ser o ano de "rally" às acções. Os mercados estão a niveis minimos, e muitas cotadas sofreram mais pela debanda geral dos investidores do que propriamente pelos maus resultados alcançados em 2008.
Quem viu o petroleo subir como subiu em 2007, jamais iria acreditar que iria descer como desceu em 2008. O próprio Rodrigues dos Santos, escreveu uma ficção onde previa que o petroleo chegasse a um preço disparatado, mas sucedeu precisamente o contrario. O petroleo está a preços incrivelmente baixo e a previsão para 2009 é que continue a descer. São boas noticias para todos nós e principalmente para as cotadas que vivem muito do preço desta matéria-prima.
Vejo esta crise como um incêndio, quando uma floresta arde, geralmente o que escapa são as especies florestais mais fortes e capazes, e no lugar da antiga floresta surge uma muito mais graciosa (isto nos fogos naturais). Esta crise, parece estar a fazer o mesmo, empresas mal geridas estão a entrar em falência a fechar, no curto prazo é mau para quem perde os seus empregos, mas acredito veemente que daqui por alguns anos, essas pessoas serão reintegradas em empresas de melhor valor e a economia ganhará empresas mais solidas e uma melhor gestão em todas as empresas.
Esta é sem dúvida uma época de viragem, quer se acredite na teoria do caos, ou na teoria da bonança, a verdade é que estamos a viver tempos fabulosos no que toca a mudanças. Eu acredito que estamos a "limpar a casa", neste caso a economia. Aparecerem estes escandalos todos, é sinal positivo, é sinal que algo está para mudar, a fiscalização vai ser mais apertada, a economia vai rejuvenescer, e para quem investe na bolsa, este é o momento para comprar, comprar comprar!!!

quarta-feira, dezembro 24, 2008

sábado, dezembro 20, 2008

Comentário

Recentemente, recebemos um amável comentário de um leitor anónimo a um post de Abril de 2007:

olha, eu ñ faço parte dessa religião mas respeito muito. pq as testemunhas de jeová vão de acordo com a biblia, e é o unico grupo q leva a serio os conceitos da biblia... por isso q existe testemunhas de jeová ate os confins da terra!!!!! assim como nos dias de noé, as pesoas ñ fizeram caso do aviso, nos dia de hj será similar... cada um de nós precisamos levar a serio os mandamentos de deus!!!! um dia voces verão a realidade, espero q ñ seja tarde demais!

Um testemunho pouco ecuménico, num tempo em que as grandes religiões mundiais procuram pontos de entendimento e vias de diálogo. Não creio que os nossos bloggers e leitores de inspiração católica se revejam na assunção de serem as testemunhas de Jeová "o unico grupo q leva a serio os conceitos da biblia..." quanto ao facto de existirem testemunhas de Jeová até aos confins da terra, a verdade é que existem católicos até aos confins da terra, muçulmanos até aos confins da terra, judeus (ui... judeus...) até aos confins da terra, e existem também casas do Benfica até aos confins da terra. Quanto ao aviso, suponho que seja uma referência ao aquecimento global.
Enfim, são comentários como estes que provam a versatilidade e a... universalidade do blog da SARIP. Agradecemos a reflexão e fica aberto o debate sobre estas ou outras matérias quaisquer.

Getting Back

"Só quem é cego ou não diferencia um par de atacadores de um laço de usar ao pescoço não reparará na forma moderna e cuidada de José Sócrates se ataviar. E, já agora, de se calçar e de cortar o cabelo (sim, que aquele corte dispensa o pente no bolso de trás das calças). No panorama masculino da política portuguesa ele representa, sem qualquer dúvida, um caso insólito. Para além de penoso, seria bastante enfadonho enumerar aqui as figuras públicas masculinas de porte sem gosto, antiquado ou mesmo grotesco, muitas delas até bem mais novas que o primeiro-ministro, que desfeiam os nossos dias. Aliás, a tendência geral integra-se numa tradição antiga, historicamente ancorada na estética burguesa oitocentista, pós-calvinista e pós-revolucionária, que considera serem apenas as mulheres a terem o direito à cor e ao bom aspecto. «Os homens não se querem bonitos», diz o adágio português, acentuando uma tendência que na Península Ibérica se cruzou ainda com uma sobriedade estimulada pela legislação anti-sumptuária do século XVIII. Para os cavalheiros reserva-se então a sobriedade escura, cinzenta, agora apenas dourada por um nó de gravata «à Windsor», ou, vá lá, um corte de cabelo à Santana Lopes. Suspeito mesmo que algum político caseiro apanhado a ler a Esquire ou a Men’s Health (para não falar da Arena), ou a quem se descubra a estranha mania de usar cremes hidratantes e regeneradores, possa ver definitivamente comprometida a carreira. O pessoal das «jotas» sabe-o muito bem."

Este texto do prof. Rui Bebiano, historiador da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, publicado no seu blogue A Terceira Noite, contém uma private joke saripiana ao bom velho estilo.

domingo, dezembro 14, 2008

Gala dos Renegados

Agradeço o convite e a honra de ter estado presente na Gala dos Renegados que decorreu ontem, dia 13 de Dezembro.

terça-feira, dezembro 09, 2008

Governador do Banco de Portugal

A actual crise veio colocar os governadores dos bancos centrais no centro da política económica, devido às suas competências de supervisão e de assistência a instituições em dificuldades. Mas, quanto será que realmente vale um governador de um banco central?

Para o Governo português, o cargo ocupado por Vítor Constâncio vale uma remuneração anual de perto de 250 mil euros por ano, cerca de 18 vezes o rendimento nacional 'per capita'. Já para a Administração norte-americana, o lugar ocupado pelo seu homologo americano, justifica apenas 140 mil euros anuais, ou seja, 4,2 vezes o rendimento 'per capita' dos EUA.

Não era este mesmo Vitor Constâncio que defendia que o aumento do ordenado minimo nacional seria catastrofico para a economia portuguesa?!... Agora já se percebe porque era contra o aumento do ordenado minimo, com o salário que ele ganha (25.000€ mês sem contar com prémios, bónus, outras regalias como carro, telemovel...) dificilmente o Estado tem margem para aumentar mais uns cêntimos a quem trabalhar verdadeiramente. Percebe-se agora porque ele não conseguiu descobrir nada no BCP, no BPN, no BPP, é que estava demasiado ocupado a contar as notas que recebia por mês, que isto de receber 25 mil euros por mês requer muito tempo para contar o salário.

Como é possivel o governador do banco central dos Estados-Unidos, receber menos que o de Portugal? Será pelo poder enorme que a ecnomia portuguesa tm em relação à economia dos EUA? Cada vez mais se nota, a debilidade da III Républica... não tardará muito para que alguém faça alguma coisa, uma nova revolução é precisa, mas desta vez uma revolução de ideais e de principios e não apenas uma revolução nos lugares de "tachismo".

sábado, dezembro 06, 2008

Paradigma

Perguntaram-me, digo, foi tema de conversa recente, a definição de paradigma. Relembrei as aulas de ICS, com o prof. Carlos Fortuna, onde lidámos directamente com a definição de paradigma. Tinha em mente o nome de um autor alemão, Kuhn, ligado a esta matéria. Com efeito, a Wikipedia refere o dito investigador:

Paradigma (do grego Parádeigma) literalmente modelo, é a representação de um padrão a ser seguido. É um pressuposto filosófico, matriz, ou seja, uma teoria, um conhecimento que origina o estudo de um campo científico; uma realização científica com métodos e valores que são concebidos como modelo; uma referência inicial como base de modelo para estudos e pesquisas.

Thomas Kuhn, (1922 - 1996) físico americano celebre por suas contribuições à história e filosofia da ciência em especial do processo (revoluções) que leva a evolução do desenvolvimento científico, designou como paradigmáticas as realizações científicas que geram modelos que, por período mais ou menos longo e de modo mais ou menos explícito, orientam o desenvolvimento posterior das pesquisas exclusivamente na busca da solução para os problemas por elas suscitados.

Em seu livro “A estrutura das Revoluções Científicas” apresenta a concepção de que “um paradigma, é aquilo que os membros de uma comunidade partilham e, inversamente, uma comunidade científica consiste em homens que partilham um paradigma”, p. 219 e define “o estudo dos paradigmas como o que prepara basicamente o estudante para ser membro da comunidade científica na qual atuará mais tarde”, p. 31.


Diz a Wikipedia que o físico era americano, mas continuo a dizer que era alemão porque a Wikipedia não tem credibilidade. A memória que tenho das aulas de ICS é precisamente sobre o paradigma científico antes e após a revolução científica do sécs. XVI-XVII, e à forma como eu o entendo para mim mesmo, o que pressupõe já a elaboração de um suporte teórico e de uma panóplia de preconceitos e estereótipos com os quais crio uma heurística de interpretação desse fenómeno social.

Na prática, no paradigma anterior de criação de conhecimento, a trovoada era causada porque Deus estava irritado; no paradigma científico (que prevalece até hoje), a trovoada é um fenómeno atmosférico que provoca descargas eléctricas sobre a superfície terrestre.
O paradigma é, portanto, o modelo, a super-estrutura dentro da qual se move um determinada concepção sobre alguma coisa. Isto pode ser desde já aproveitado pelo jornalismo desportivo, que pode passar a dizer que José Mourinho causou uma ruptura com o paradigma do treino de futebol e instaurou um novo paradigma.
Serve este post para agradecer a todos os co-bloggers que estão a manter este blog vivo e de boa saúde, nomeadamente no 5º aniversário, e para agradecer também a amizade manifestada por todos, neste período no qual me encontro em mudança de paradigma.

sexta-feira, dezembro 05, 2008

Mas não têm os outros

Desde a altura em que o Nuno disse que o problema dos paises sub-desenvolvidos era os outros nâo terem dinheiro, o mundo mudou completamente. A realidade é que o problema de tudo é os outros não terem dinheiro. A economia está em recessão, o Quim dá frangos atrás de patos, o Cristiano Ronaldo é o melhor do mundo. No entanto, nem tudo é negativo neste mundo, existem coisas boas que nos dão motivo para rir, como por exemplo o bigode do Fernando!!!