
(Já agora, este é o post 1500. É só mais um número redondo. Quando for altura de fazermos festa, fá-la-emos, e quem não vier para a festa, pode ir-se embora.)


Tenho recebido aplausos e apupos em relação ao relatório do casamento. Para os aplausos, agradeço, lamento o atraso e prometo muito trabalho e dedicação. Datas, é melhor não prometer nada... mas, isso é como o antigo líder do PSD, "ele há de sair, não sabe é quando." Para os apupos, como eu disse no primeiro post do casamento, as caixas de comentários estão abertas a sugestões e melhoramentos, lembranças de coisas que não se falaram. Também estão abertas ao bota-abaixo do género "ah, isso não interessa nada" mas não se menciona o que poderia interessar. Mas o bota-abaixo não aparece nas caixas de comentários, porque é demasiado português para isso.
Enquanto aguardávamos a saída dos noivos, tentei apanhar fotos da paisagem circundantes. Minde está rodeada pela montanha, que é uma presença visual muito forte. Um pouco como o mar, nos Açores. Onde quer que olhemos, lá está. Não apanhei fotos de jeito, mas consegui algumas durante a viagem para a Quinta dos Lagos, no Vale do Horto, Azoia, Leiria. O percurso entre Minde e Porto de Mós é assim...
...Chegámos à Quinta dos Lagos por volta das 16 horas.
A Quinta dos Lagos é situada num vale, próximo de Leiria. Tem muito boas áreas, pequenos lagos e mini-pontes para o imaginário infantil, e com grandes choupos que dão uma excelente sombra, com alguns cavalos em estábulo.
Casamento prático! Nada de fazer as pessoas esperar para a fotografia, sem comer e sem beber. Não. Primeiro e antes de mais nada, os noivos abriram a mesa.
Depois, sem pressas e descontraidamente, de barriga já composta, toda a gente foi tirando fotos com calma. Com os noivos ou sem eles...
Depois de toda a gente se ter deliciado com a variedade de pitéus espalhados pelas mesas, e tendo havido tempo para relaxar tranquilamente na esplanada, observando atentamente toda a "community" de convidados e fazendo uma série de observações de índole sociológica sobre alguns deles e delas, entrámos para o grande e refrescado pavilhão. Lá descobrimos o alinhamento das mesas.
«Considerando no que é hoje, observando as suas tendências, pode conjecturar-se, aproximadamente, o que virá a ser. Um curioso aprofundou esta questão e lisonjeia-se de ter descoberto, com plausibilidade, as condições em que há-de achar-se o jornalismo no ano 2000.
Há fome e sede de notícias: todos querem saber tudo – o que pode e deve saber-se e o que não pode nem deve saber-se -, a máquina reproduz em minutos o pensamento, para ser transmitido a todos os pontos da terra, e já não é só a máquina para estampar o jornal, é também a máquina para compor; inventou-se o tipógrafo-máquina e deve esperar-se, portanto, que venha a idear-se o redactor-máquina.
O jornal é hoje diário e o mais é que chega a reproduzir a mesma folha em duas ou três edições, com alguns aditamentos ou notícias. Isto será atraso e fossilismo no ano 2000. Daqui a 50 anos, os jornais publicarão uma folha, inteiramente nova, de hora a hora, e, daqui a 100 anos, de minuto a minuto, de instante a instante. Será um moto-contínuo e ainda não satisfará a curiosidade pública. Cada cidadão fará um jornal: o artigo de fundo constará sempre das notícias da sua vida pública e íntima.
Como o jornalismo assume tais proporções, talvez se pense que faltará papel, porque é necessário advertir que de cada jornal se tirarão, de minuto a minuto, milhares de folhas; mas a isto há-de ocorrer-se com facilidade, porque, assim como o jornal é instantâneo, instantânea há-de ser a leitura; e o papel vai, minutos depois de lido, para a fábrica, a fim de se reproduzir [...] apenas o superfino será reservado para os brindes aos assinantes, os quais, ao cabo da sua assinatura, já possuirão uma biblioteca de 525 000 volumes, pois tantos são os minutos que tem o ano; já se vê que a cada folha acompanhará um brinde.
O telégrafo eléctrico generalizar-se-á, cada cidadão terá o seu telégrafo em correspondência mútua, de maneira que em um minuto se saberá o que se passa nos pontos mais afastados e, em Lisboa, se poderá saber, de instante a instante, até à vida caseira do mais boçal esquimó; com o que os povos hão-de folgar, deleitar-se e instruir-se.
O jornal caseiro será alheio à política; para esta haverá jornais especialíssimos e os seus redactores nem serão amigos, nem distintos, quando não forem da mesma parcialidade;quando, porém, comungarem na mesma pia (também em 2000 se darão destas), então serão inteligências robustas, caracteres provados… no que forem.
Mas como é de crer que no ano 2000 já exista a paz universal e a união entre todos os homens, acabará a política, os governos governarão sempre conforme… à nossa vontade, portanto, serão inúteis os jornais políticos; não haverá, pois, nem turibulários, nem oposicionistas; todos serão amigos e distintíssimos cavalheiros, unidos no pensamento comum de amarem a sua pátria. Assim seja.»
in Jornal do Comércio, de 25-02-1868
Durante muito tempo pensei que havia grandes futurologistas no século XIX. Agora, tenho uma opinião ligeiramente diferente: o nosso modelo civiizacional nasceu verdadeiramente no século XIX, e como tal os mais esclarecidos não faziam futurologia - limitavam-se a compreender as tendências do seu tempo e a antecipar a evolução dessas tendências.
E agora, o link para o parecer que O Futebol pediu ao prof. Freitas do Amaral, não sei na condição de quê. Fica o link porque, naturalmente, não ia colocar aqui todo o texto - e muito menos lê-lo.
Espero não vir a ver o imenso Pinhal reduzido a isto. Para mais informações, ver o portal de onde tirei esta foto. link
Do lado direito da foto, a única convidada deste casamento que envergava o típico traje da mulher nazarena.

E pronto. Uma viagem muito singela. A A1 está a ser alargada para 3 faixas no troço Coimbra-Condeixa.
O relato de casamentos começa a ser uma tradição deste blogue. Mais uma vez, fica o “disclaimer” também habitual: este "relatório" representa apenas o meu ponto de vista pessoal, e portanto as distorções e/ou omissões aos factos são da minha inteira responsabilidade. A caixa de comentários fica aberta a questões, complementos, coisas que eu não tenha visto, etc. Só um relato geral permite uma visão também ela geral.
Antes de mais nada, uma palavra para o Fernando, o grande ausente deste casamento devido às pressões monopolísticas dos grandes grupos económicos públicos nacionais do sector dos transportes. O Fernando nunca deixou de estar presente nos corações de todos, Reinold incluído, como veremos mais tarde. E é verdade que algo ficou em falta desta vez. Tenhamos esperança que se tratou apenas de mais um interlúdio até ao reencontro.
O casamento teve um género de despedida de solteiro no Sábado, tendo a SARIP da Europa Continental (tal como tem sido hábito desde Setembro de 2002) deslocado-se ao Valado no Sábado à noite para uma pequena comemoração, onde estariam presentes alguns familiares do Reinold. Infelizmente, chegámos bastante atrasados devido ao facto de termos estado retidos na Praia do Pedrógão para uma etapa de um torneio de andebol de praia, onde a equipa dos famosos Renegados disputou 2 jogos e onde foi necessária a presença de jogadores extra-inscrição para colmatar as ausências. E que bem que eu colmatei essa ausência no banco, o árbitro até chegou a dirigir-me a palavra e tudo. Os Renegados ganharam um jogo que estava perdido e perderam um jogo que estava ganho.
Chegámos ao Valado próximo das 22:30, e se esperávamos uma festa animada, encontrámos aquilo que – bem, aquilo que seria de esperar, não? TODOS os familiares do Reinold, com excepção de uma tia, já estavam na cama! Os holandeses vêm o sol a pôr-se e começam a lavar os dentes… Ou seja, comemos silenciosamente na companhia dos amigos que o Reinold fez em Boston; o Noel, alemão, a sua namorada colombiana e o suíço, filho de pai italiano e mãe filipina, ambos imigrados na Suíça. Ou seja, tal como eu comentei para o Daniel, “we’re the minority here”. Falou-se da Suíça, das Filipinas, de "getting back to the roots", de Moçambique, de Ingrid Betancourt, dos romanos, etc.
Houve ainda tempo para um pulo ao célebre Seveniks, onde não estava o Gilberto, antes de regressarmos a casa.
O grande dia começou muito lentamente depois de uma noite um pouco difícil, porque eu e o Danish temos poucas defesas naturais e estivemos demasiado tempo ao sol no dia anterior. Entre os atrasos, as afinações e a compra de uma prenda cuja elaboração do embrulho demorou mais de 20 minutos, a chegada a Picassinos foi cerca das 10:45, onde fizemos o “transfer” para um Mercedes CDI 20 Sport Coupé que seria o nosso carro de serviço para o resto do dia. O Mercedes fez-se à auto-estrada revelando toda a sua estabilidade e segurança, permitindo-nos chegar ao Valado ainda a tempo para o pequeno-almoço.
Agora sim, uma casa cheia de gente, com destaque para os convidados holandeses, e uma bela piscina. O fotógrafo foi demasiado amador - ou circunspecto - e não conseguiu apanhar nenhum foto com 7 ou 8 convidados arianos.
A SARIP fez questão de se apresentar de uniforme, e portanto trouxeram todos uma camisa azul-clara (com excepção do algodão egípcio do Danish, mas sem deixar de destoar na claridade) e uma gravata azul-escura. É pelos pormenores que se identifica a fineza deste grupo. (contra as más-línguas insinuando que foi apenas uma coincidência.)
Para a posteridade, provavelmente uma das nossas melhores fotos, enquanto ainda não estamos demasiado gordos.
...além da excelência da comida, é de destacar o carácter imensamente prático deste povo. Tudo ordenado, sem confusões, todos a saberem o que têm de fazer e para onde vão. A impavidez foi simbolizada pelo sr. Gerrit, que, quando à chegou, limitou-se a chamar "Reinold!" e a apontar para o relógio. Passados 60 segundos, o pátio estava quase evacuado, com excepção dos tugas que ainda estavam de volta de uma banana.
A viagem decorreu entre o Valado e Minde, a terra da Marta, contornando a Serra dos Candeeiros via Porto de Mós, passando por Alcobaça. O trajecto foi muito tranquilo, mas a subida da serra de Aire, entre Porto de Mós e Mira de Aire, poderia ter sido mais complicada se durasse mais tempo. A estrada é bastante ondulada... (clicar sobre a imagem para aumentar)
Mira de Aire e Minde são duas vilas gémeas instaladas no polje de Minde, ao qual já fiz referência neste blogue. Trata-se de um fenómenos geológico único na Península Ibérica e típico de regiões de calcário, sendo também frequente em zonas da ex-Jugoslávia. Trata-de de uma planície com cerca de 10 km de extensão e 3 de largura, ladeada por montanhas (sendo especialmente alta a vertente do poente). Toda a zona da Serra de Aire e Candeeiros é calcária, pedra mole e permeável à água, pelo que é aqui que se encontram o "complexo" de grutas de Portugal, existindo várias visitáveis com grande profundidade e muitas outras que fazem desta região o paraíso dos espeleólogos. A água das chuvas escoa-se naturalmente pelo solo e penetra a centenas de metros de profundidade. Nos invernos mais chuvosos, a água sobe e inunda o polje, criando um lago que pode durar 2 ou 3 meses e, se a água for muita, criar risco de cheia para as populações.
Um pouco antes das 12:30, chegámos com toda a tranquilidade à Igreja de Minde. Os tugas apontaram todos ao largo da Igreja, de maneira que o trânsito esteve parado cerca de 10 minutos porque de todas as ruas vinham carros a tentar alcançar o Largo, antes de perceberem que não havia lugar para todos. Este procedimento, que aparentemente revela comodismo ou falta de bom senso, é na verdade uma medida de extrema lucidez: quando não conhecemos bem um sítio, nada melhor que estar 10 minutos parado dentro do carro para observarmos com atenção todos os pormenores e para nos sentirmos como em nossa casa.
(continua)

Escrevi o seguinte há 3 anos atrás:
"O MASSACRE DE LEIRIA – 197 ANOS
Na rua Dr. João Soares, em Leiria, existe uma placa cheia de musgo com os seguintes dizeres:
Aos bravos leirienses caídos neste lugar em defesa da Pátria em 05 de Julho de 1808 e aos mártires aqui trucidados pelos franceses do General Margaron como homenagem ao seu valor
5-VII-1929
a L.N. 28 de Maio
A placa está a 4 metros do chão e coberta de musgo, o que significa que poucas pessoas sabem da sua existência. No entanto, e apesar de ter sido patrocinada pelo verdadeiro partido português de extrema-direita que foi a Liga 28 de Maio, o facto histórico permanece, a lembrar os que morreram pelo País – e os que morreram devido à ganância, à ambição e à desumanização trazida pelos cenários de guerra. (Quem estudou conflitos sabe bem que é assim mesmo, a guerra traz ao cima o pior das pessoas.)
Assim, venho por este meio evocar a memória das vítimas da ocupação francesa.
(Entre 2007 e 2011 vamos ter, concerteza, uma série de comemorações dos 200 anos das Invasões. O que será que a Câmara de Leiria está a preparar para evocar o acontecimento? Talvez uma limpeza ao musgo? Será que alguém da Câmara sabe que existe ali aquela placa?…)"
Passados 3 anos, vão existir algumas comemorações, que podem não ser consultadas aqui.
Amanhã teremos, aqui no blogue, uma evocação extra a este acontecimento baseada num texto que saiu num jornal local.