terça-feira, julho 31, 2007

Rúbrica: Generais Nazis

JOSEPH DIETRICH

Aprendiz de talhante, Dietrich uniu-se ao Exército Alemão em 1911 e chegou à patente de sargento durante a Primeira Guerra Mundial. Como conhecido de Hitler de longa data, juntou-se à organização paramilitar do Partido Nazi – a S.A – em 1923. Trabalhou em vários empregos após o fracasso do Golpe da Cervejaria nesse ano, e voltou ao Partido Nazi em 1928, tornando-se membro das S.S. (o grupo de elite do partido). Tornou-se comandante dos guarda-costas de Hitler, servindo também como seu motorista em viagens de carro pela Alemanha. Dietrich foi eleito – representando o Partido Nazi – membro do Reichstag (Parlamento Alemão) em 1930, e em 1931 já havia atingido a patente de Gruppenführer (Tenente-General) das S.S.
A unidade especial S.S. que Dietrich fundou em 1932 evoluiu para o Leibstandarte – SS Adolf Hitler (LAH), que serviu como exército pessoal de Hitler e mais tarde se tornou uma divisão da Waffen SS. Como recompensa pelo papel desempenhado pela LAH no violento expurgo de Ernst Röhm e de outros oficiais graduados da S.A., Dietrich foi promovido à patente de SS-Obergruppenführer (General). Continuou a liderar a LAH, comandando-a em batalhas em Kharkov e Kursk, na Frente Oriental. Em 1943 a LAH foi expandida, tornando-se o 1º Corpo Panzer SS. Em junho de 1944, essa unidade foi convocada à Frente Ocidental, onde Dietrichse uniu à desesperada resistência à invasão Aliada da Normandia. Promovido a SS-Oberstgruppenführer (Coronel-General), ele recebeu o comando de um reagrupado – porém enfraquecido – 5º Exército Panzer, que cobriu a retaguarda da retirada alemã pelo norte da França. Em outubro de 1944, Dietrich foi colocado no comando do 6º Exército Panzer, que liderou a ofensiva alemã pelas Ardenas, na Batalha do Bulge. Ele liderou essa unidade na Hungria e na Áustria durante a fase final da guerra. Rendendo-se ás forças americanas em maio de 1945, Dietrich foi considerado parcialmente responsável pelo assassinato de prisioneiros americanos em Malmédy, por tropas SS, durante a Ofensiva das Ardenas. Em 1946 ele foi condenado a 26 anos de prisão, e foi libertado após cumprir 10 anos de sua pena. Em 1957 ele foi condenado por uma corte alemã por seu papel nos expurgos promovidos por Hitler contra as S.A. em 1934, e cumpriu mais 20 meses de prisão por essa acusação. Faleceu em 1966.

domingo, julho 29, 2007

Um ano e poucos dias depois do meu avô (materno), é a vez da sua comadre e minha avó (paterna) se juntar a ele no cemitério de Turquel.
Para além da coincidência de ambos sucumbirem ao mesmo cancro intestinal, poucas mais palavras são necessárias. Mais uma vez, e mesmo tendo em conta a dissonância cultural, deixo o Rebellion (Lies) para lembrar que a vida continua.

quarta-feira, julho 25, 2007

A malta abusa do inglês, man
"Mas, assim ou de outro modo, que seja sobretudo nacional em gramática! Que significa a construção do período à inglesa - adoptada pelo discurso da coroa? Que britânico furor a tomou de colocar os adjectivos antes dos substantivos? E uma adulação
à pérfida Álbion? Quebramos nós o Tratado de Methuen - para nos irmos escravizar no tratado de gramática de Sadley? A que vêm estas expressões repetidas de pública fazenda, nacional riqueza? São influências da política inglesa?
Confiemos em que nunca tenhamos de descer à humilhação de ouvir a coroa, por atenção aos nossos fiéis aliados, abrir-se deste modo com o País:

«Dignos pares e senhores deputados da portuguesa nação: - Feliz me acho, por me sentar no meio do nacional parlamento, dando começo às nacionais lides. E necessário que zelemos a pública administração, para manter as pátrias liberdades. Sem o constitucional decoro não há públicas garantias. A nacional fazenda merecerá o maior zelo ao legislativo poder. O executivo poder esse manterá as publicadas leis. Está aberta a ordinária sessão das portuguesas câmaras. All right!»

Esperemos que a coroa, mais bem aconselhada, volte às tradições da nacional - gramática.
E o próprio Sr. Pinto Bessa aplaudirá!"

Eça de Queirós e Ramalho Ortigão, "As Farpas" (1872)


terça-feira, julho 24, 2007

“As namoradas dos amigos
(…) tenho a convicção de que os homens têm uma relação diferente com as namoradas e esposas dos amigos do que aquela que as mulheres têm com os namorados e maridos das suas amigas.
A cara-metade do nosso amigo é como se fosse nossa irmã. Mesmo que não gostemos nada dela – caso em que se torna uma irmã desavinda. Enfim, é sabido que as namoradas dos amigos – tal como os irmãos – não se podem escolher. Umas e outros, contudo, merecem todo o respeito sejam quais forem as circunstâncias.
Homem digno desse nome não se deixa tentar. A namorada do amigo é intocável. (…)
Um dos rituais mais importantes de uma relação é o momento em que se apresenta a namorada aos amigos. Todo um processo de ratificação. Os amigos já cá estavam e vão permanecer. A namorada, quando apresentada, é para ficar. Essa é a intenção do apaixonado. Conheceu uma miúda com quem se sente preparado para tentar a felicidade. E tal é impossível sem integrá-la totalmente na sua vida. Os amigos, quais sacerdotes do rito, devem tacitamente dar o seu aval, acolhê-la, fazer-se sentir em casa. E, já agora, passar a melhor imagem possível do homem que ela escolheu (sim, porque são sempre as mulheres que nos escolhem – mas isso fica para outra crónica.)
Posto isto, existem regras irredutíveis. E qualquer homem que as viole, que rompa uma sequer, não merece ter amigos nunca mais. (…) Há mais marés que marinheiros, diz o povo. Por essas e por outras é que as namoradas dos amigos são inatingíveis, são da nossa família, são carmelitas descalças, não para aqui chamadas, são seres extraterrestres com quem é impossível reproduzir, são gajos.” (…)

Luís Filipe Borges, o gajo da boina e da Revolta dos Pastéis de Nata, in revista Tabu, nº 45, 21 Julho 2007 (parte integrante do “Sol”)

C.O.P.S.

É-me difícil estabelecer qual era o meu favorito dessas 5 séries que animavam o meu almoço em 1990. Na verdade, o Saber Rider é talvez a minha memória mais vísivel. Contudo, e ao contrário da intro do Star Blazers, lembro-me perfeitamente da intro do COPS.
Recordo também que a série se passava em 2020 e isso causava-me um pensamento futurologista: seria o mundo em 2020 como era visto naquela série? Logo se veria, pois faltavam 30 longos anos...
Recordei-me disto com especial incidência em 2005, quando se cumpriu metade desse tempo. Não foi assim tão longo, mas sempre aconteceram umas coisitas...

segunda-feira, julho 23, 2007

F1 - Winkelhock!
Quando começou o GP da Europa, no circuito alemão de Nurburgring, já chovia, mas todos levaram pneus de seco. Todos menos Markus Winkelhock, que quando terminou a volta de aquecimento, em vez de alinhar na grelha como todos os outros, entrou nas boxes e daí largou, com pneus de chuva. (quem larga das boxes larga atrás dos outros, mas Markus já ia largar em último, de qualquer forma...)
Por vezes, ir contra a opinião da maioria é o caminho a seguir. No final da primeira volta era já claro que ia chover forte. Alguns entraram logo nas boxes; outros, como Raikkonen que escorregou e portanto não conseguiu acertar com a entrada, mantiveram-se em pista.
Foi assim que, à 2ª volta da sua carreira na Fórmula 1 e ao volante do carro mais fraco, Markus Winkelhock protagonizou este momento:

É possível que o vídeo venha a ser retirado porque a Fórmula One Management anda à caça dos direitos de autor. O que temos é um Spyker a ultrapassar um Ferrari e a conseguir perto de 30s de liderança sobre Raikkonen.

Infelizmente para Winkelhock, continuou a chover ao ponto de se formarem rios e lagos na pista, e quando não há segurança as corridas são interrompidas. Quando parou de chover, quase todos tinham pneus intermédios e o jovem estreante mantinha pneus de chuva, o que fez com que passasse de líder a 17º numa só volta.
É evidente que isto não é para ser levado demasiado a sério. É possível que a Spyker e Winkelhock nunca mais voltem a liderar uma corrida. Também a Minardi liderou uma volta, em 20 anos de participação. Em todo o caso, imaginemos que a chuva parava um pouco antes, o que se mantinha mas mais fraca? Winkelhock teria bem mais de 30 segundos de vantagem, e ter-se-ia aguentado nessa posição durante bastantes voltas... de qualquer forma, como veio a desistir por falha mecânica, não se perdeu muito. Em todo o caso, já fez melhor que Lewis Hamilton, que só liderou uma corrida à (+/-) 20ª volta da sua carreira.

A corrida em si também foi interessante e significou a quase demissão de Raikkonen do campeonato, com mais uma quebra, e um pulo decisivo de Alonso, que aproveitou a chuva no final para ultrapassar Massa e ganhar 10 pontos a Hamilton que batalhou bastante no final do pelotão mas terminou em 9º. Alonso poderá ser o terceiro piloto a ganhar 3 campeonatos seguidos, depois de Fangio e Schumacher.
Massa e Alonso tocaram-se 2 vezes este fim-de-semana, uma delas aquando da ultrapassagem que decidiu a corrida. Clicando aqui podemos ver que por enquanto a Fórmula 1 é mais pacífica que o futebol.


Mais memórias
Por volta de 1990, o canal 2 dava bonecos à hora do almoço, que eu via quando vinha almoçar a casa, vindo da escola primária. Cada dia era um diferente. O Saber Rider era um deles, e este (Star Blazers, em português Força Astral) era outro.

Na verdade, tenho menos memória visual da intro da "Força Astral" que do Saber Rider. Da Força Astral recordo a aparente disparidade de meios entre os terrestre e o inimigo; o Império Cometa, o inimigo, que num dado episódio destruiu a Lua a tiro só para intimidar os habitantes da Terra (apesar de tudo, o Império Cometa ainda tinha menos poder de fogo que o Cell ou o Bubu), as grandes semelhanças com um porta-aviões e as lutas "aéreas" em pleno espaço, e também o existir som (tiros e explosões) no espaço, quando eu tinha um livrinho que dizia que no espaço não havia som.

sábado, julho 21, 2007

Quando o tema de conversa é desenhos animados da infância, costumo causar alguma confusão mental aos meus amigos quando lhes menciono uma série onde se combatiam uns extra-terrestres que eram feitos de vapor; que quando eram atingidos voltavam, tipo tele-transporte, ao planeta deles, onde podiam ser reactivados de novo; e onde geralmente apareciam umas denominadas "unidades Renegado" que eram derrotadas pelos bons.

Como a internet é a versão moderna da Biblioteca de Alexandria, o Google e o Youtube forneceram-se essa informação de borla. A série chamava-se Saber Rider and the Star Sheriffs e a entrada era esta:

quinta-feira, julho 19, 2007

RENEGADOS EM FORMA!!!

Quem me conhece, sabe que eu sou especialista em fazer parte de "guettos patéticos" (citando Doutor Jose Manuel Pureza), para além da SARIP, faço ainda parte dos FD e dos Renegados. Aqui está uma foto dos Renegados a brincar na areia de S. Pedro de Moel num torneio fabuloso. Como se percebe bem, estamos todos em forma, devem estar uns 600 kg em campo no minimo e ainda la faltava o Edgar.

A SARIP apoia a arte!!!

quarta-feira, julho 18, 2007

eu sou o autêntico Júlio Isidro da política. Não só lancei o presidente da JS/Açores, como ensinei ao ex-primeiro-ministro o que ele havia de dizer às pessoas.

Ainda Paulo Geraldo
Foi consultar a internet sobre o tal estudo referido por Paulo Geraldo na sua segunda aparição neste blogue. O estudo chama-se "Marriage-lite: The rise of coabitation and its consequences" de Patricia Morgan.
Não li o livro, mas consultei duas análises relativamente completas do mesmo, que estão aqui e aqui.
São apresentados muitos números que mostram uma correlação entre a coabitação e toda a espécie de situações gravosas: separações, violência, alcoolismo, desemprego, menos empenho em termos profissionais. Faz inclusivamente algo que eu exigi anteriormente a Paulo Geraldo: afirma que os coabitantes se separam têm menos probabilidades de, no futuro, terem relacionamentos duradouros.
Os números são bastantes impressionantes, mas há um outro pormenor que também impressiona: a quase ausência de explicações para os dados encontrados.

As análises enumeram os dados encontrados, baseados em grande medida numa correlação entre a coabitação e tudo quanto é mau, e no fim enunciam os riscos e os perigos da coabitação. No entanto, ficamos sem saber os motivos que levam a existência dessa correlação.

"From the many surveys that have been conducted, cohabitations are not a helpful way to parenthood. They are not a helpful preparation for marriage, and do nothing to strengthen marriage. Frequently they are associated with increased risk of marital breakdown. Contrary to public belief they are a major cause of the rise in numbers of people ultimately living alone."
Mas porquê?

Uma hipótese: ao longo dos 20 anos que o estudo durou, o casamento é a instituição dominante e socialmente aceite; logo, a coabitação só se verifica nos estratos mais instáveis da sociedade, onde há problemas de desemprego, analfabetismo, exclusão social, marginalidade, etc, ou seja, onde há todas as condições para vidas instáveis e menos produtivas, e onde portanto há menos estabilidade e menos condições para o casamento.

O estudo não indica dados sobre a profissão dos coabitantes, rendimentos, escolaridade, participação social, etc. Só diz que a coabitação está associada a instabilidade. Para mim não chega – especialmente porque há fortes indícios (alcoolismo, menos commitment, desemprego, etc) de que a coabitação avaliada e medida neste estudo esteja associada a situações de exclusão social.

Além disto, há a questão da regulação do conflito. Se entendermos o divórcio como uma solução para um problema, não vemos o divórcio ou a separação como uma coisa má em si própria. É natural que, numa sociedade que favorece a regulação do conflito por outros meios, o divórcio suceda – a questão era precisamente encontrar uma solução para o conflito.

No fim, temos o seguinte: “marriage takes place as a public act befor family and friends. it involves depth of commitment on the part of two people and the promiseto love and care for each other for life. It envolves constraints, but constraints are part of the creation of a "secure and predictable environment to ehich real and durable choices may take place. When we lose the constraints we lose the choice: we lose a species of liberty and the guarantees the unique and productive environment that marriage can create. Marriage offers stability, security and a lasting happiness, which these who cohabit desire but cannot obtain.”

Isto é tudo verdade, e eu próprio partilho da intenção de ter um ambiente seguro e previsível – faz parte do conceito de qualidade de vida.
Mas “seguro e previsível” é algo que a sociedade actual não tem sido. Há um choque cultural de gerações, por motivos sociais, culturais e tecnológicos. Há um número crescente de pessoas a viver sozinhas nas grandes cidades, perseguindo o emprego. As transformações são rápidas e súbitas. Os constrangimentos referidos são mais próprios de ambientes socialmente mais coesos ou onde existem regras mais rígidas - menos típicos de sociedades em transformação acelerada. (Os constrangimentos são necessários porque o Amor é uma coisa, não é?...)

Marriage offers stability, security and a lasting happiness – aqui voltamos mesmo ao início. Se duas pessoas construírem este nível de empenho e perseguirem o mesmo ideal, porque há de ser a mera ou inicial coabitação um estorvo?

(Se, como diz uma entrevistada num desses estudos, a coabitação foi uma desculpa para o namorado levar vida de solteiro, e que a única vantagem da coabitação era poder deixá-lo que era tud o que ela não queria, o melhor que ela faz é deixá-lo. Tal indivíduo provavelmente não seria grande marido.)

No fundo, é isto que está, talvez, mais em causa. A sociedade precisa que as pessoas não sejam inteiramente egoístas, de modo a assegurar o melhor ambiente para que o futuro – as crianças – possam crescer.

Contudo, o que está em causa é a atitude e o empenho. Só está directamente relacionado com o casamento por motivos sociológicos. Em lugar de louvar o casamento, todos deveríamos louvar os verdadeiros valores: a atitude, o empenho. Se o egoísmo é moda, em breve poderá deixar de o ser, pois eu acredito que o “instinto” natural da grande maioria das pessoas vai para a reprodução. E relembrar um facto simples: AS INSTITUIÇÕES NÃO SÃO ETERNAS, E É PREFERÍVEL DESTRUIR UMA INSTITUIÇÃO NOCIVA A CONSERVÁ-LA. Não vou repetir que o casamento não é garante suficiente para que os valores existam, estou farto de o dizer.

Falta saber, de facto, se a coabitação era uma instituição social largamente aceite e reconhecida por todos os estratos da sociedade ou se estava reservada a uma situação de clandestinidade associada à exclusão social.

Picassinos, cemitério de blogues


ISTO É QUE É UMA OFERTA DE TRABALHO PARA LICENCIADO


Código da Oferta:
OE200707/0170
Tipo Oferta:
Contrato Individual de Trabalho (por tempo indeterminado)
Estado:
Activa
Nível Orgânico:
Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior
Organismo:
Universidade do Porto
Função ou Equiparado a Categoria:
Tecnico Superior de 2ª Classe
Áreas Funcionais:
Grupo
Área Funcional
Áreas Funcionais Comuns
Outras
Remuneração Mínima:
1344.33 EUR
Suplemento Mensal:
0.00 EUR
Conteúdo Funcional:
Incrementar a participação de docentes/investigadores da U.PORTO em programas de financiamento; Recolha sistemática de informação e levantamento das “calls” abertas para candidaturas a programas de financiamento nacionais e internacionais, incluindo os do 7º programa comunitário de apoio e do 7PQ da CE; Divulgação geral e direccionada das oportunidades de financiamento; Organização de acções de divulgação e cursos de formação nesta área; Acompanhamento e gestão financeira dos projectos financiados quando necessário; Assegurar a participação de entidades externas em acções promovidas pela UPIN através de projectos conjuntos com entidades ou grupos de Investigação e Desenvolvimento (I&D) da U.Porto; Apoiar a elaboração de candidaturas a programas de apoio à I&D e inovação; Participar em acções de preparação para o 7º PQ da UE; Levantamento de manifestações de interesse dentro da U.PORTO para a participação em programas de financiamento de Investigação, Desenvolvimento e Inovação (ID&I); Aconselhamento sobre os programas de financiamento mais adequados e sobre os métodos de elaboração de candidaturas de sucesso; Concertação estratégica com gabinetes de apoio à ID&I das unidades orgânicas e unidades de I&D da U.PORTO, assim como de outras instituições nacionais e internacionais.
Habilitação Literária:
Licenciatura
Descrição da Habilitação:
Licenciatura em Ciência Política e Relações Internacionais
Requisitos Profissionais:
Experiência internacional comprovada, de preferência através da participação em programas de estudo de intercâmbio internacional;Experiência profissional na área das Relações Internacionais e Mobilidade de Alunos do Ensino Superior;Bons conhecimentos e, de preferência, experiência profissional em:- Estruturas comunitárias e nacionais de financiamento das actividades de I&D;- Conhecer a forma como se estrutura e funciona uma Universidade (dando preferência a quem conheça a orgânica da Universidade do Porto);- Programas de financiamento de ID&I nacionais e internacionais, preferencialmente no Programa-Quadro de I&DT da Comissão Europeia;- Disseminação de oportunidades de financiamento de I&D (incluindo a elaboração organizada de mailing lists e organização de informação em formato de newsletter periódica);- Gestão de projectos financiados;- Promoção de actividades conjuntas de inovação universidade-empresa;- Organização de eventos;- Gestão de contactos com redes de informação de I&D nacionais e internacionais;- Bons conhecimentos em línguas (fluência em pelo menos duas línguas estrangeiras).Capacidades de:- Realização e orientação para os resultados;- Bom relacionamento no trabalho, actuando para desenvolver um bom ambiente de trabalho;- Espírito de equipa e capacidade de coordenação;- Análise, planeamento e organização;- Espírito de Iniciativa, aberto e crítico;- Adaptação e melhoria contínua.Disponibilidade imediata.
Local de Trabalho
(local de trabalho mesmo do Organismo)
Número de Postos:
1
Quota para Portadores de Deficiências:
0
Prazo Duração Contrato (meses):
0
Jornal Oficial e Orgão de Com. Soc.:
"O Primeiro de Janeiro", de 16/07/2007
Texto Publicado:
UNIVERSIDADE DO PORTOREITORIA E SERVIÇOS CENTRAISRefª UPIN.01Nos termos previstos no artigo 8º do Regulamento de Celebração dos Contratos Individuais de Trabalho desta Universidade aprovado pela Deliberação nº 899/2006, e publicado no Diário da República, 2ª série, nº 127, de 4 de Julho de 2006, torna-se público que se aceitam candidaturas à admissão em regime de contrato de trabalho por tempo indeterminado de um Técnico Superior de Grau 1 Nível 4 para o exercício de funções na UPIN do Instituto de Recursos e Iniciativas Comuns da Universidade do Porto.A remuneração será a correspondente ao nível 65, a que cabe o valor mensal de € 1344,33, de acordo com os anexos II-A e B do Regulamento acima indicado, com as alterações introduzidas pela Deliberação nº 832/2007, publicada no Diário da República, II série, nº 97, de 21 de Maio, acrescida do subsídio de refeição de quantitativo igual ao dos funcionários e agentes.Funções a desempenhar: Incrementar a participação de docentes/investigadores da U.PORTO em programas de financiamento; Recolha sistemática de informação e levantamento das “calls” abertas para candidaturas a programas de financiamento nacionais e internacionais, incluindo os do 7º programa comunitário de apoio e do 7PQ da CE; Divulgação geral e direccionada das oportunidades de financiamento; Organização de acções de divulgação e cursos de formação nesta área; Acompanhamento e gestão financeira dos projectos financiados quando necessário; Assegurar a participação de entidades externas em acções promovidas pela UPIN através de projectos conjuntos com entidades ou grupos de Investigação e Desenvolvimento (I&D) da U.Porto; Apoiar a elaboração de candidaturas a programas de apoio à I&D e inovação; Participar em acções de preparação para o 7º PQ da UE; Levantamento de manifestações de interesse dentro da U.PORTO para a participação em programas de financiamento de Investigação, Desenvolvimento e Inovação (ID&I); Aconselhamento sobre os programas de financiamento mais adequados e sobre os métodos de elaboração de candidaturas de sucesso; Concertação estratégica com gabinetes de apoio à ID&I das unidades orgânicas e unidades de I&D da U.PORTO, assim como de outras instituições nacionais e internacionais.1. Poderão candidatar-se todos os indivíduos com os seguintes requisitos:a) Posse de licenciatura em Ciência Política e Relações Internacionais;b) Experiência internacional comprovada, de preferência através da participação em programas de estudo de intercâmbio internacional;c) Experiência profissional na área das Relações Internacionais e Mobilidade de Alunos do Ensino Superior;d) Bons conhecimentos e, de preferência, experiência profissional em:- Estruturas comunitárias e nacionais de financiamento das actividades de I&D;- Conhecer a forma como se estrutura e funciona uma Universidade (dando preferência a quem conheça a orgânica da Universidade do Porto);- Programas de financiamento de ID&I nacionais e internacionais, preferencialmente no Programa-Quadro de I&DT da Comissão Europeia;- Disseminação de oportunidades de financiamento de I&D (incluindo a elaboração organizada de mailing lists e organização de informação em formato de newsletter periódica);- Gestão de projectos financiados;- Promoção de actividades conjuntas de inovação universidade-empresa;- Organização de eventos;- Gestão de contactos com redes de informação de I&D nacionais e internacionais;- Bons conhecimentos em línguas (fluência em pelo menos duas línguas estrangeiras).e) Capacidades de:- Realização e orientação para os resultados;- Bom relacionamento no trabalho, actuando para desenvolver um bom ambiente de trabalho;- Espírito de equipa e capacidade de coordenação;- Análise, planeamento e organização;- Espírito de Iniciativa, aberto e crítico;- Adaptação e melhoria contínua.f) Disponibilidade imediata.2. As candidaturas deverão ser formuladas em carta ou requerimento dirigido ao Reitor da Universidade do Porto e apresentadas no Serviço de Recursos Humanos e Expediente da Reitoria e Serviços Centrais, à Praça Gomes Teixeira, até ao próximo dia 20 de Julho de 2007, acompanhadas da seguinte documentação:a) Curriculum vitae;b) Certidão de habilitações literárias;c) Documentos comprovativos da posse de experiência profissional.3. A falta de entrega dentro do prazo de qualquer um dos documentos que constituem o processo de candidatura previsto no nº 2 implica a exclusão do concurso, sem necessidade de audiência prévia.4. A selecção será feita por avaliação curricular, podendo ser complementada por entrevista profissional de selecção caso o júri considere necessário.5. Os critérios de apreciação e de ponderação da avaliação curricular e o sistema de classificação final, incluindo a respectiva fórmula classificativa constam de actas das reuniões do júri.6. Em cumprimento da alínea h) do artigo 9º da Constituição, a Administração Pública, enquanto entidade empregadora, promove activamente uma política de igualdade de oportunidades entre homens e mulheres no acesso ao emprego e na progressão profissional, providenciando escrupulosamente no sentido de evitar toda e qualquer forma de discriminação.7. Caso se candidatem trabalhadores que se encontrem na situação prevista no nº 1 do artigo 135º do Código do Trabalho têm os mesmos preferência na celebração de contrato sem termo, em igualdade de condições, se o recrutamento se destinar ao exercício de funções idênticas àquelas para que foi contratado.Universidade do Porto, 12 de Julho de 2007O REITOR(J. C. D. MARQUES DOS SANTOS)
Apresentação de Candidaturas
Local:
Recursos Humanos e Expediente da Reitoria da UP
Contacto:
220408104
Observações Gerais:
Morada:Praça Gomes Teixeira, S/N4099-002 Porto

Data de Publicação:
2007-07-16
Data Limite:
2007-07-20

terça-feira, julho 17, 2007


"Em 1956, a Alemanha pediu desculpas em nome do povo alemão pela II Guerra Mundial e o Holocausto. Em 1973, os EUA pediram desculpas à comunidade africana pelo escravatura. Curiosamente, os judeus nunca pediram desculpa pela morte de Jesus Cristo...nem os muçulmanos pelos atentados do 11 de Setembro..."

domingo, julho 15, 2007

Alguém sabe quem é esta pessoa que por vezes aparece na televisão?


A minha irmã sabe, pois disse o nome dela mal a viu surgir no ecrã. É ainda um pouco em "linguagem de bebé", mas dá para perceber bem.

Paulo Geraldo e a coabitação
(…) o estudo, intitulado “Marriage-Lite: The Rise of Cohabitation and its Consequences, foi publicado pelo Institute for the Study of Civil Society.
A autora, a socióloga Patricia Morgan, afirma que a sociedade deveria ter um melhor conhecimento daquilo que implica a coabitação, nestes tempos em que ela se dá com frequência cada vez maior.
Desconheço o estudo. Portanto, até conhecer, deverei manter alguma prudência, pois Paulo Gerardo (ou antes, Paulo Geraldo) saberá melhor do eu do que está a falar.

Há no Reino Unido cerca de 1,5 milhões de casais que vivem juntos sem estarem casados, e para 79% dos homens e 71% das mulheres, menores de 35 anos, é essa a forma inicial de vida em casal. São, sem dúvida, números espantosos.
Novamente, repito: são dados indicados pelo estudo, e não tenho quaisquer motivos para duvidar. Em todo o caso, estes dados apresentados por PG não têm, por si mesmos, qualquer problema – pelo menos do meu ponto de vista.

Nestas uniões de facto, as mulheres correm um risco maior de sofrerem maus tratos, o que não é de espantar. A realidade é que as uniões de facto costumam formar-se com uma rapidez muito maior do que os casamentos. (…) Quanto mais curto for esse tempo de conhecimento, mais fácil é ocultar uma personalidade violenta.
Tendo em conta os números existentes sobre a violência conjugal, disponíveis aqui http://www.apav.pt/pdf/violenc_domest_2006.pdf, tenho de colocar sérias dúvidas a esta afirmação. Os quadros 4 e 5 indicam que o estado civil da vítima e do autor dos crimes registados é, na maioria absoluta dos casos (mais de 50%), o de casado. Aparentemente, muitas personalidades violentas foram igualmente ocultadas em períodos “longos” de namoro e noivado…

É natural que, há medida que vai crescendo o número de uniões de facto em relação ao número de casamentos, esta estatística vá sendo alterada. Mas isso não muda a premissa de base – o casamento, por si só, não dá mais garantias que a união de facto contra a violência.

Além disso, há novamente uma questão de liberdades individuais que PG tende a esquecer. Se existir violência conjugal num casal em união de facto, é mais fácil, em termos legais, por cobro a essa situação do que num casamento propriamente dito. A mulher (ou o homem, que também os há vítimas) tem menos laços legais em relação a quem lhe bate.
Também em termos sociais deveria ser mais fácil por cobro a situações de violência, se o casal estiver em união. Contudo, tal depende das pessoas que rodearem o casal. PG não deve conhecer casais, civil e legalmente consumados, nos quais, se houver violência, as pessoas mais próximas da vítima aconselham a “ter paciência, que isso passa.” Aliás, tendo em conta a opinião de Paulo Gerardo sobre o divórcio, é fácil de adivinhar o que diria se alguém lhe batesse à porta a pedir conselho numa questão deste género. “Tenhamos paciência, que há de melhorar! Divórcio é que não!” Ou será a separação de uma família “unida de facto” é menos grave que uma família “casada”?

Também as crianças sofrem consequências especialmente graves - pior rendimento escolar, mais problemas psicológicos -, graças à instabilidade do ambiente familiar.
PG retoma os temas já debatidos anteriormente, pelo que tenho de fazer o mesmo. Aqui, concordo absolutamente: numa família onde existam ralhos e discussões diárias, violência ocasional ou diária, e nenhuma perspectiva de futuro, as crianças sofrem. A separação dos pais é o caminho a seguir, a bem das crianças.
Eu aqui deveria frisar bem a ausência de perspectivas de futuro. Não se trata de uma discussão ocasional seguida de uma reconciliação. Isso é o normal e o saudável. Trata-se de um estado de guerra permanente, em que o melhor que a criança pode ter é a ausência de gritaria – ou a ausência de um dos progenitores. Quando não há discussão, há ameaça surda, ódio escondido, e o amanhã não se imagina melhor… é o desespero feito rotina diária.


Esse ambiente deveria ser o ninho seguro, intocável, no qual elas se desenvolvessem harmoniosamente.
Concordo a 100%.

Além disso, se não podem ter confiança em que os seus pais permaneçam juntos, dificilmente poderão no futuro formar eles mesmos uma relação duradoura.
Novamente, tomo as afirmações de PG como insulto pessoal. Ou antes: se eu não tenho confiança que o casamento civil e legal garanta a estabilidade da família, dificilmente poderei confiar em argumentações do género das de Paulo Gerardo.

A coabitação é mais frágil que o casamento. São menos de 4% as uniões de facto que duram mais de 10 anos. Em 20% dos casos, separam-se antes de terem passado 3 anos (no caso dos casais casados, esta mesma percentagem é de 3%). As uniões de facto que não terminam em casamento desfazem-se numa proporção quatro vezes maior que os casamentos. Os casais que coabitam são menos fiéis que os casados.
Com efeito, terei de consultar os dados do estudo referido por PG. As conclusões a tirar destes números são, a priori, as seguintes: o amor é efectivamente algo muito fraquinho e frágil, ao contrário do que dizia PG no outro texto, já que é absolutamente necessário um contrato legal para o fazer durar…

Estão por estudar quais as segundas relações de todos estes casamentos falhados, quais as idades médias deste tipo de casamentos falhados, etc. A maturidade, o estatuto social, tudo isso conta. É algo que as pessoas como PG tendem a esquecer: o potencial, o futuro, o que acontece depois de todos esses males. Tudo isso também tem de ser devidamente avaliado, pois não basta dizer que um casal em que cada um tem 20 anos de idade se separou ao fim de 3 meses e depois considerar que os 50 anos seguintes das pessoas não entram para os estudos. Voltaram a casar? Tiveram filhos? Produziram algo de relevante para a sociedade ou tornaram-se, sei lá, marginais?…


Para as mulheres, a coabitação parece ser um excelente caminho para se transformarem naquilo a que se chama mães solteiras ou mães solitárias, especialmente no caso daquelas que possuem menos recursos económicos.

Aqui, PG tem razão. A coabitação pode ser um risco, em termos legais. Mas PG não sabe bem onde se está a meter. Utilizar o argumento economicista? O casamento deve ser preservado por motivos de racionalidade financeira e económica?
Muito bem! Mas então, melhor que o casamento é as famílias com três “pais”! Imaginem uma casa onde vive marido, mulher e irmão do marido, que não se casou por motivos que nem interessa imaginar, e três crianças. Pois não é muito melhor haver três pessoas em permanência a ganhar “para a casa” e a cuidar das crianças, em vez de duas pessoas?
E por que não, já agora, duas lésbicas com rendimentos mensais combinados acima de 2000 euros mensais face a um casal normal com rendimentos de 1000 euros?
Bom. Fiquemos por aqui; em todo o caso, acreditem que lamento por todas as “mães solitárias” que lutam todos os dias com os poucos meios que têm – após terem saído de um casamento e lidado com tribunais que demoram anos a devolver-lhes um pouco do seu património.

Quanto aos homens, verifica-se que a coabitação é a forma ideal de continuarem a comportar-se como se fossem solteiros (na verdade continuam a ser solteiros), tanto no que se refere ao trabalho como às relações sociais e às responsabilidades em casa e com os filhos. Os homens casados costumam trabalhar com maior seriedade, e reduzem a sua vida social fora dos ambientes familiar e profissional.
Mais uma vez, remeto o comentário para uma posterior análise do referido estudo…
Também para mais tarde fica a questão das liberdades individuais, que são pouco referidas por Paulo Geraldo – nomeadamente no que toca à questão de ninguém obrigar as pessoas a viver em coabitação, se não o quiserem…

Eu era para fazer mais um capítulo respondendo a Paulo Gerardo sobre a questão das liberdades individuais no casamento. Terá de ficar adiado, pois Paulo Gerardo voltou à carga (desta vez apontando a sua artilharia à união de facto) e terei de mostrar o meu ponto de vista sobre a questão.
Mas antes disso, aqui fica uma notícia curiosa:

Soldado EEUU paga para ser herido, a fin de no volver a Irak

The Associated Press, NUEVA YORK --

Un soldado que recientemente volvió de Irak ha admitido que pagó 500 dólares a otra persona a fin de que le diera un tiro en una pierna para no volver a la guerra.Jonathan Aponte, de 20 años, denunció originalmente que un ladrón le había disparado, pero cambió la versión cuando la policía lo interrogó, dijeron las autoridades. Aponte debió partir el lunes a Irak, para permanecer ahí otros ocho meses."Creo que esto era mejor que ser blanco de los disparos todos los días" en Irak, dijo Aponte a la cadena WCBS-TV, en una entrevista transmitida el viernes. "Mi mente no puede hacer esto ya, no puedo soportarlo".

Claro que vai ser acusado judicialmente. Melhor seria ter voltado ao Iraque e, uma vez lá, adoptado um método muito mais discreto, mais barato e que lhe evitaria dores e chatices:

quarta-feira, julho 11, 2007

Devemos continuar?

"Tomei conhecimento, não há muito tempo, de um estudo recente que mostra com clareza o efeito negativo que tem a coabitação. Aqui, costumamos dar à coabitação o nome de uniões de facto. O estudo, intitulado Marriage-Lite: The Rise of Cohabitation and its Consequences, foi publicado pelo Institute for the Study of Civil Society. A autora, a socióloga Patricia Morgan, afirma que a sociedade deveria ter um melhor conhecimento daquilo que implica a coabitação, nestes tempos em que ela se dá com frequência cada vez maior.
Há no Reino Unido cerca de 1,5 milhões de casais que vivem juntos sem estarem casados, e para 79% dos homens e 71% das mulheres, menores de 35 anos, é essa a forma inicial de vida em casal. São, sem dúvida, números espantosos. Na opinião da autora do estudo, a atitude crescentemente permissiva que se tem tido para com a coabitação - até ao ponto de ser considerada em muitos ambientes como algo normal - não tem feito senão ocultar os factos que o seu estudo manifesta. É interessante repararmos neles.
Nestas uniões de facto, as mulheres correm um risco maior de sofrerem maus tratos, o que não é de espantar. A realidade é que as uniões de facto costumam formar-se com uma rapidez muito maior do que os casamentos. O tempo de namoro e noivado - do qual não prescindem habitualmente aqueles que pretendem unir-se para toda a vida - serve para que os dois jovens se conheçam melhor um ao outro. Quanto mais curto for esse tempo de conhecimento, mais fácil é ocultar uma personalidade violenta.
Também as crianças sofrem consequências especialmente graves - pior rendimento escolar, mais problemas psicológicos -, graças à instabilidade do ambiente familiar. Esse ambiente deveria ser o ninho seguro, intocável, no qual elas se desenvolvessem harmoniosamente. Além disso, se não podem ter confiança em que os seus pais permaneçam juntos, dificilmente poderão no futuro formar eles mesmos uma relação duradoura.
A coabitação é mais frágil que o casamento. São menos de 4% as uniões de facto que duram mais de 10 anos. Em 20% dos casos, separam-se antes de terem passado 3 anos (no caso dos casais casados, esta mesma percentagem é de 3%). As uniões de facto que não terminam em casamento desfazem-se numa proporção quatro vezes maior que os casamentos. Os casais que coabitam são menos fiéis que os casados.
Para as mulheres, a coabitação parece ser um excelente caminho para se transformarem naquilo a que se chama mães solteiras ou mães solitárias, especialmente no caso daquelas que possuem menos recursos económicos.
Quanto aos homens, verifica-se que a coabitação é a forma ideal de continuarem a comportar-se como se fossem solteiros (na verdade continuam a ser solteiros), tanto no que se refere ao trabalho como às relações sociais e às responsabilidades em casa e com os filhos. Os homens casados costumam trabalhar com maior seriedade, e reduzem a sua vida social fora dos ambientes familiar e profissional.
O casamento e a coabitação dizem respeito à forma como nos organizamos para educar da melhor maneira a próxima geração, que terá a seu cargo a sociedade no futuro. Estamos a ver quais são as tendências. Devemos continuar assim, ou tentar mudar as coisas?"
Paulo Gerardo
Morangos com Fel. Rendição inevitável ou combate necessário?

«O realismo exige que, para observar um objecto de modo a conhecê-lo, o método não seja imaginado, pensado, organizado ou criado pelo sujeito, mas sim imposto pelo objecto» (Luigi Giussani, O Sentido Religioso). Sugiro que sigamos esta indicação para perceber o fenómeno "Morangos com Açúcar".
Trata-se de um produto televisivo, por isso tem um conjunto de ingredientes típicos: como tudo na televisão, ao contrário do que se possa pensar, não pretende ser realista, mas sim ser um espectáculo, e não pretende dar informações, mas sim provocar emoções. Porque é dirigido ao lazer, a sua técnica consiste em apelar à lógica generalizada do lazer, ou seja, distrair; prescindir de qualquer esforço, especialmente o de pensar, e manter, o maior tempo possível, acesa a instintividade.
Porque o público-alvo são adolescentes e pré-adolescentes (embora possa atrair também crianças), importa relembrar algumas características típicas destas idades. Os adolescentes estão a experimentar a autonomia, mas ainda não sabem geri-la adequadamente; vivem um momento de explosão sensorial, sobretudo no que se refere a estímulos de natureza sexual; julgam-se invulneráveis a riscos, nomeadamente o de serem influenciados; estão a descobrir a capacidade de pensar logicamente, na qual se julgam independentes, mas não se apercebem de quanto assimilam e reproduzem chavões, que repetem julgando fazer afirmações de sua autoria.
Como formato, “Morangos com Açúcar” domina com mestria estes dois factores: produto televisivo e público-alvo. É uma telenovela, com particular intensidade de apresentação, tirando partido da dificuldade do seu público de gerir autonomamente e de forma adequada o seu tempo livre. Também joga com o desejo de autonomia típico dos adolescentes, já que os protagonistas são representados por actores mais velhos do que as idades que querem retratar, dando a ideia de que aquela idade corresponde a uma maturidade maior do que a real.
Tem um grafismo e cenários apelativos e cria uma atmosfera fantasiosa, onde quase todos os ambientes do quotidiano (escola e casa) são muito modernos, como se o comum das famílias portuguesas, em vez de decorações clássicas, optasse pelo último grito do design.
Na aparência das pessoas, nas conversas que têm e nos problemas que se lhes colocam há uma sobre-estimulação da sensualidade, o que tem um forte apelo nestas idades, especialmente por despertar também uma emoção de transgressão e clandestinidade.
A superficialidade e o lugar-comum na abordagem dos temas aproveita a vulnerabilidade destas idades à assimilação de chavões, reforçando a tendência para a banalidade e pretensão de saber tudo.
Como conteúdo, o aspecto mais pernicioso parece-me ser o empobrecimento da ideia de adulto: os adultos de “Morangos com Açúcar”; ou são pessoas censuráveis e não fiáveis; ou são antipáticos e distantes; ou são laterais por passarem ao lado do que realmente interessa aos miúdos; ou são compinchas; ou são objectos sexuais. Os adolescentes, esses são senhores das suas vidas, porque, ou não têm uma autoridade que se afirme, ou enfrentam-na e vergam-na com sucesso. Acresce a sabida obsessão pela sexualidade: os adolescentes de "Morangos com Açúcar" são quase todos sexualmente activos (os que não são têm pena e a sua aparência é ridícula) e movem-se, na maior parte do tempo, por motivações sexuais.
Sublinho ainda a pobreza de valores: em "Morangos com Açúcar" é importante o não-racismo, a ecologia e a saúde pública. Tudo o resto é opcional e não absoluto. A existência e massiva presença de "Morangos com Açúcar" exige assim, um juízo e uma tomada de posição (a suposta não tomada de posição é, ao contrário do que pretende, altamente expressiva).
Deixo algumas mensagens subliminares que me parece que os Pais transmitem aos filhos quando se rendem à inevitabilidade desta novela: «Fazes o que queres: já tens idade para isso e não tenho o direito de interferir nas tuas escolhas»; «A nossa vida, a nossa casa e a escola que te escolhemos são cinzentas e sem graça; giras são as vidas, as casas e as escolas de "Morangos com Açúcar"» ; «Já estás crescido(a), por isso é normal que o sexo esteja no centro das tuas preocupações: vive a vida, faz as tuas experiências, mas toma cuidado com as doenças»; «Os valores que te transmitimos são os nossos, mas são tão bons como outros quaisquer; cada um tem que encontrar os seus»; «Não é preciso estar sempre a aprofundar tudo e em geral as coisas são tal e qual o que parecem»; «Uma telenovela é de facto algo de irresistível, compreendo que não passes sem "Morangos com Açúcar" Podes ver desde que faças antes os TPC»; «Veste-te como quiseres, és jovem, tu é que sabes o que se usa, não te quero forçar ao meu gosto nem tenho nenhum critério para te dar nessa matéria».
O que sugiro é a clareza de uma escolha e a coragem de a levar até às ultimas consequências: que podem passar por banir a televisão, proibir simplesmente de ver "Morangos com Açúcar" ou outras versões mais negociais. Lembro que quanto mais pequenos são os filhos mais os ajuda e protege uma posição firme. E posso prometer em nome da minha experiência profissional, que não ver ”Morangos com Açúcar”, ainda que todos os meninos da escola vejam, não causa traumas, nem provoca exclusão.
Como educadores, o que está em causa é a proposta de uma certeza. Não uma certeza de não errar, mas «a certeza como significado e como horizonte, como fonte de energia e como apoio e, portanto, como capacidade de atravessar qualquer contradição e obscuridade» (Luigi Giussani, Educar é um Risco). Remar contra a corrente é árduo, às vezes parece impossível, mas devemos aos que nos foram confiados a comunicação da totalidade do que encontrámos. Devemos-lhes essa provocação à vida.

Madalena Fontoura

terça-feira, julho 10, 2007

Resposta a Paulo Gerardo, 2
É habitual considerar a Sociologia como uma ciência, na melhor das hipóteses, falsa e inútil. De acordo com os nossos padrões habituais, é uma autêntica blasfémia considerar que um tema tão poético, intimista e maravilhoso como o amor pode ser analisado ou explicado pela Sociologia.
Por isso, desafio cada um dos leitores a procurar a verdade por si próprio. Desde a separação dos meus pais, ou talvez desde antes disso, que procuro as respostas que o mundo deu a este tema. O senso comum, as filosofias, as religiões, respostas de determinadas culturas e civilizações, do nosso tempo e de tempos anteriores. Como não sou perito, foi tudo por alto. Contudo, não encontrei nenhum “paradigma” de explicação tão completo como o do sociólogo italiano Francesco Alberoni.
Nascido em 1929, Alberoni distinguiu-se no estudo da sociologia dos grupos e movimentos, e do amor em particular. A sua obra “Enamoramento e Amor”, de 1979, foi um sucesso internacional, tendo-se seguido vários outros títulos na mesma linha.

Muito resumidamente, Alberoni defende que os movimentos colectivos (religiões, partidos, etc.,) têm uma fase inicial, o “estado nascente”, no qual subvertem a lógica das regras já instituídas e levam os primeiros aderentes a darem grande parte de si próprios em prol da causa, e a “instituição”, quando o movimento já estabilizou o seu modo de funcionamento e, mais do que revolucionar, pretende manter-se e perpetuar-se no tempo.

A blasfémia está em que Alberoni afirma que é assim que funciona o amor: uma fase inicial de estado nascente, na qual damos o melhor que temos de nós próprios e estamos dispostos a reconstruir a vida que temos em função dessa instituição que está a nascer – o Casal – uma fase na qual andamos nas nuvens, nas asas do fogo, etc., como dizia PG e como os poetas bem descrevem, uma fase que, segundo alguns estudos, não dura mais de 18 meses (até porque está associada a alterações físicas e hormonais que permitem que nos sintamos super-homens e super-mulheres, o que nos dá aquela sensação única e indescritível); e uma segunda fase, na qual o estado nascente evolui para instituição, o Amor propriamente dito, quando já construímos ou ainda estamos a construir uma vida nova, já com o regresso à normalidade, e na qual os tempos iniciais de paixão são evocados como uma memória forte que explica e justifica o presente. A instituição faz cálculos e contas, mas não é menos amor por causa disso – e se for bem sucedida, pode, naturalmente, ser eterna, ao contrário do Amor-Paixão que, seja ou não bem-sucedido em evoluir para Instituição (pois quantas vezes a Paixão morre, ou não é correspondida, ou as pessoas preferem pular de paixão em paixão e cortam qualquer hipótese de passagem para instituição, etc.), mas nunca é eterno.

Este esquema, mesmo descrito desta forma muito simples e incompleta, diz-nos mais sobre o fenómeno do que qualquer coisa que tenhamos ouvido na rua, especialmente num tempo em que o amor é visto com algum descrédito. O lirismo de PG não ajuda a explicar as coisas: pelo contrário, insistindo em que o Amor-Paixão é eterno, PG só complica ainda mais. Não devemos pensar que o Amor-Paixão é eterno; devemos, sim, pensar que um Casal é um movimento colectivo, uma instituição, e que para sobreviver e perpetuar-se no tempo, tem que ser cuidado, necessita dedicação, paciência, e acima de tudo muito apoio nas horas más e quando a outra pessoa precisa da nossa ajuda. (“Na riqueza e na pobreza, na saúde e na doença.”) Muitas vezes é difícil porque nem sempre estamos alerta. Se pensarmos que o amor é andar nas asas do vento, podemos sofrer uma decepção quando a brisa pára… mas é precisamente o contrário: trata-se de estarmos protegidos para o momento em que o Amor-Paixão começa a morrer, e quando começamos a ver os defeitos da outra pessoa, para os quais estávamos até então cegos pela própria natureza das coisas. Não pensar que o Amor é uma mentira apregoada por aí, mas sim que é assim mesmo que funciona e que não vale menos por isso.

Será esta forma de ver o Amor menos romântica? Apaga o lirismo e a poesia? Não o creio. Também António Damásio foi acusado de retirar sentimento e poesia ao amor quando declarou que tudo não era mais de processos químicos no interior do nosso cérebro, mas foi o próprio a anunciar que conhecer os nossos processos cerebrais não lhes retirava beleza. Pelo contrário: atribui-lhes uma beleza nova.
Esse debate já dura, talvez, desde que alguém disse que as trovoadas eram causadas por descargas eléctricas entre nuvens. Não creio que o Universo se torne menos lindo ou maravilhoso pelo facto de o compreendermos (mais um pouco). Pelo contrário.

Assim é com Alberoni. Estejamos preparados para viver o Amor, e não tenhamos medo – mas façamos as nossas contas.

A noção de que as instituições podem ou não ser eternas não precisaria de um sociólogo para ser compreendida. Velhas instituições perdem o sentido e nascem outras. Isto remete-nos para a questão das liberdades individuais, que constituirá a 3ª e última parte desta resposta.

Em anexo, e para não sobrecarregar este blogue, ficam alguns excertos de “Enamoramento e Amor” de Francesco Alberoni.

segunda-feira, julho 09, 2007

Resposta a Paulo Gerardo, I
Começarei por rebater o texto e argumentos apresentados por Paulo Gerardo, de agora em diante denominado PG.

Hoje em dia a lei não permite que duas pessoas se casem sem hipótese de desfazerem o casamento. Não é possível, perante a lei, casar para sempre.
É capaz de ser complexo explicar como se chegou a este estado.

PG é, portanto, contra a possibilidade de as pessoas não se poderem casar para sempre. PG saberá que nenhuma lei impede as pessoas de casar para sempre. Mas enfim, a possibilidade deveria existir.
É efectivamente complexo chegar como se explicou a este estado. Para resumir, tratou-se de um longo processo de evolução de direitos e liberdades individuais.

“…é bem mais fácil comprovar os efeitos que o divórcio tem tido na nossa sociedade. Nas nossas crianças, nos que cresceram desequilibrados, nas confusões mentais, na perda da segurança. “
Não vejo dados nem estatísticas. Mas, acima de tudo, não vejo estas crianças à minha volta e na sociedade em que vivo – e tenho contacto com gente de muitos estratos sociais. Na verdade, não vejo muitos divórcios e não vejo muitas crianças, ou adolescentes, ou jovens adultos, filhos de pais divorciados. É mais fácil encontrar esses desequilíbrios, essas confusões, essa insegurança, em famílias normais – ou em famílias que já deveriam ter sido dissolvidas, a bem da sociedade. Mas enfim, é a minha opinião contra a de PG.

“Não é sem enorme prejuízo que se anula a família, a qual, por sua natureza, se fundamenta num laço inquebrável - a única coisa que permite a estabilidade indispensável à constituição de um lar e ao crescimento de novos seres.”
Concordo com PG quando diz que não é sem enorme prejuízo que se anula a família. A Família é o núcleo central da sociedade e é a forma mais eficaz que possuímos que criar e desenvolver novos seres, de nos reproduzirmos. É na Família que a criança é mais amada e se desenvolve melhor. Quaisquer tentativas de retirar as crianças à Família devem ser vistas como soluções de último recurso (instituições, por exemplo) e, se propositadas, como tonteira (tal como Platão, que sonhava com um Estado Ideal no qual instituições governamentais substituiriam os Pais na educação das crianças.)
Ora sucede que a Família não tem de ser constituída por pai, mãe e filhos. Podem ser tios; podem ser avós; pode ser um único avô, como acontece por exemplo n’ Os Maias, onde Carlos da Maia revela um interesse vago e de mera curiosidade por saber o que acontecera a seu pai e sua mãe, porque todos eles estavam reunidos naquela figura que fora a sua Família – o avô. Portanto, “única coisa”, não.

“Um professor espera, mais cedo ou mais tarde, problemas num aluno cujos pais se divorciaram”.
Como já disse antes, considero esta passagem um insulto pessoal, e desafio PG, se me lesse, a indicar estudos que mostrem existir uma correlação maior entre insucesso escolar/divórcio do que insucesso escolar/grau de escolarização dos pais ou insucesso escolar/rendimento sócio-económico dos pais ou insucesso escolar/estrato social dos pais.

Vamos supor que a lei nos autorizava a fazer duas coisas quando estivéssemos para casar. Uma delas seria o contrato que agora existe e pode ser anulado com maior ou menos facilidade. A outra, um pacto inquebrável, que impedisse os que se casam de virem a casar mais tarde com outra pessoa qualquer, a não ser por morte do seu cônjuge.
Vamos, ainda, supor que dois jovens se amavam. Ele pedia-a em casamento e ela, naturalmente, perguntava qual das duas espécies de casamento lhe propunha ele.
Poderia ser uma situação embaraçosa, não acham?

Como já indiciei, não acho nada. Creio que a jovem poderia achar vã e pomposa a proposta de pacto inquebrável, e que faria mais sentido adoptarem primeiro o contrato e só mais tarde o pacto. Creio também que o acto do casamento é mais frequentemente um acto planeado e construído do que um arrebatamento de paixão (PG anda a ver muitos filmes), tanto agora como em gerações anteriores. Esta é a minha opinião; e se houver muita gente da minha idade a partilhar dela, estão criadas as condições para um novo tipo de Contrato Social.

Que responderia o meu leitor à sua bem-amada, se fosse o jovem da minha suposição? Seria capaz de lhe propor o casamento descartável? Isso não seria uma manifestação de que o seu amor não era bem... amor?
Não. Porque havia de ser? Seria o quê, então?
Pelo contrário: o “pacto inquebrável” poderia ser a prova de que não era bem amor, mas sim Paixão Arrebatada e Emocional, ou Amor-Paixão. Mas disso falaremos mais à frente.


Não teria estado a sonhar com um amor para toda a vida?, com um vestido de noiva cheio de sentido?
Insisto: não, não teria. Há muitas mulheres que já não sonham com isso. Já para não falar nas pessoas já divorciadas, olimpicamente ignoradas por PG

Sucede que o amor do casamento é de tal forma que não admite meias-tintas: se existe é para sempre.
Terei de perguntar a PG porque razão falham casais cujo amor não foi de meias-tintas e foi jurado para sempre. Falta de vontade?... (não, o amor do casamento pode não ser para sempre. Aliás, perguntemos a muitas pessoas casadas há 30 anos que peso tem o amor, face a questões sócio-económicas, de estatuto social, etc.)

Se aquilo que se entrega não é tudo, esse amor não tem a qualidade necessária para se tornar no fundamento de uma família. Não pode ser alicerce nem raiz. Não será fecundo.
Eu aqui questiono-me no “tudo”. Tudo o quê?
Tempo? Disponibilidade afectiva e emocional? Qualidades pessoais?
É fácil encontrarmos casais onde se entregou “tudo”, um voto eterno, etc., mas a disponibilidade afectiva e emocional ficou de fora. Ou, simplesmente, um dos elementos do casal não tem qualidades para ser alicerce ou raiz. Ou os dois…
Eu acredito que devemos entregar “tudo”, isto é, devemos estar de corpo e alma no projecto do casamento de modo a que tudo corra bem e possamos contribuir o melhor possível para a educação da nossa descendência. Mas não sei se o “tempo” que é declarado no início do casamento é a melhor forma de avaliar esse “tudo.” Esse TUDO constrói-se antes e durante o longo casamento, e é nessa perspectiva de longo prazo que deve ser avaliado. Dizer, num belo dia, que “sim, é para sempre” não dá garantias nenhumas para o futuro.

“Dará frutos apodrecidos, como, infelizmente, temos verificado tantas vezes.”
Mas então? Já há casamento com prazo delimitado? Não sabia…

“O amor não admite o cálculo. Não faz contas. O amor é louco.”
Mas era este homem que dizia querer o bem da sociedade? Pelo contrário, ele quer destruí-la!!! Pois, talvez o amor não as faça, mas SE HÁ COISA QUE O CASAMENTO TEM DE FAZER, É CONTAS!

“Mas hoje cometemos a loucura, e a tolice, de amar sem loucura... Fazemos as nossas contas e os nossos cálculos. Avançamos as peças do nosso xadrez, mas com o cuidado de prevermos uma escapatória, para o caso de ser preciso bater em retirada.”
Nem mais.

Medo de que o casamento não corra bem?... O amor e o medo não podem andar juntos. Quem tem medo não entende nada de amor. Amar é, precisamente, não ter medo. É acreditar que se possui uma força imensa. Quem ama sabe que é também possuído e protegido pelo amor. E que, por isso, caminha noutra altura; voa por cima dos gelos, dos salpicos das ondas, das pedras aguçadas. Vai por cima de um mundo muito pequeno, nas asas um fogo, em mãos de fadas. Possui outra dimensão. Parece-lhe que quem não ama é um morto-vivo...
PG confunde amor-paixão (o chamado Enamoramento) e Amor propriamente dito (instituição), que proporciona o casamento. No final do texto, PG encarrilha pela poesia, como se estivéssemos nos tempos do lírico Camões ou no Romantismo do século XIX. O amor-paixão é lindo, e é verdadeiro, mas não é eterno – alguns estudos apontam para que não possa durar mais de 18 meses. A Verdade do amor-paixão, na qual andamos loucos, nas asas do fogo, etc., é a sua Transformação no Amor, numa verdadeira Instituição, a que F. Alberoni chamou a mais pequena instituição humana, porque, ao lado da Nação, da Religião, do Partido, do Clube, da Associação, o Casal é composto por apenas 2 pessoas. Também a instituição não é eterna – mas tem algumas possibilidades de o ser, se for estimada e cuidada pelas duas pessoas que dela fazem parte. A Instituição permite os cálculos e as contas, porque a Instituição é mais sábia e sabe que as coisas Grandes, se é verdade que precisam de um Sonho que as impulsione, precisam também de disciplina, pés na terra e bom senso, para durarem no tempo.

Somos capazes de um amor assim. Somos capazes de jogar a vida inteira no consentimento matrimonial. Somos capazes de incluir todo o nosso ser numa palavra que dizemos. E de tornar de aço essa palavra pelo tempo fora, através de todos as dificuldades."
No fim, somos todos irmãos e eu aqui concordo com PG. Só que:

1 - PG não sabe distinguir Amor-Paixão de Amor-Instituição; ambos são necessários ao casamento, mas se queremos construir algo que dure, tem que ser um de cada vez e na sua ordem.

2 – A instituição não é eterna e a sociedade só ganha se instituições velhas e podres forem destruídas, de modo a que possam nascer novas. PG julga que é melhor manter as velhas e podres a todo o custo, e gostaria de restringir as liberdades individuais para o fazer…

Amanhã continuamos. Hoje deitei abaixo – amanhã construirei, dando uma opinião mais alargada sobre este tema. O Amor é isto mesmo: construir, destruir e voltar a construir. Um pouco como a vida.

Estou maravilhado

Ambos os espectáculos das Maravilhas foram interessantes, nomeadamente porque foi um dia de praia cansativo e não descolei do sofá. Em todo o caso, não se deve levar demasiado a sério – o interesse estava em ver onde estaria a maior mobilização regional (no nosso caso), ou nacional (no caso do Mundo.)
É evidente que ambas as votações tratam de questões de mobilização, e não de uma escolha imparcial (ou pelo menos menos parcial…) sobre as qualidades patrimoniais, históricas, culturais ou outras. Fiquei surpreendido ao constatar o desinteresse que a iniciativa teve na Europa ao ponto de eleger apenas um monumento. Já nos EUA, é natural – eles não querem saber do que se passa lá fora…
É claro que gostei de ver que os 3 monumentos do distrito de Leiria foram votados entre os 7. Contudo, eu próprio votei naqueles que queria que ganhassem, e não naqueles em que reconhecia mais valor, embora acredite que Alcobaça e Batalha, Património Mundial, o mereciam com toda a justiça. Obviamente que a Ribeira de Lisboa ia receber distinção, mas seria preferível considerá-la como um só monumento…
Quanto ao mundo, pessoalmente acho ainda mais difícil escolher. No Blasfémias, tomam os assobios à Estátua da Liberdade por preferência por tiranos. Obviamente, exageram; os assobios são dirigidos aos Estados Unidos da América. Contudo, é triste que a Estátua da Liberdade, que é antes de mais um símbolo de esperança, de emancipação individual e de libertação de tiranias, e que nessa condição recebeu milhões de imigrantes, seja tratada desta forma. Talvez o futuro a olhe de outra maneira – por agora, a política externa norte-americana não facilita.
Pessoalmente, lamento que a Acrópole de Atenas não tenha ganho. Mas o Grande Legado desta iniciativa foi mesmo por 100 milhões de pessoas, em todo o mundo, a votar para o mesmo assunto. Um acontecimento sem precedentes na História e que nos permite sonhar…

Fórmula 1 – Woke up, finally!
O GP da Grã-Bretanha teve aquilo que já se imaginava que pudesse acontecer: uma luta animada entre AMBAS as escuderias dominantes deste campeonato e de grande parte dos campeonatos dos últimos 30 anos. Foi ainda uma corrida “típica”, na medida em que as paragens para reabastecimentos e respectivas estratégias, que foram inventadas em 1994 para evitar corridas monótonas, foram efectivamente o factor decisório que ajudou a “desbloquear” num circuito onde, geralmente, não é fácil ultrapassar (geralmente, isto é, desde que há sensivelmente 10 anos as configurações aerodinâmicas dos carros, desenhadas pelos engenheiros no ano anterior, passaram a impossibilitar esse tipo de manobras.)
Contudo, “desbloquear” não significa “decidir.” Os pilotos são quem está na pista e não podem cometer qualquer erro, e são aqueles que decidem em último lugar.
Esta foi ainda uma corrida “típica” na medida em que o bicampeão e o bi-vicecampeão puseram os seus colegas de equipa “na ordem”, lutando pela corrida até ao fim, enquanto os colegas erraram e pagaram o preço. A corrida teve 3 partes e 3 configurações, com 3 líderes: se na primeira tivemos Raikkonen ensanduichado entre Hamilton e Alonso, na segunda tivemos o “desaparecimento” do inglês e Raikkonen agora a perseguir o espanhol, e a perseverar para lhe roubar a vitória no segundo reabastecimento.
Hamilton errou, o que acontece a todos: errou quando se atrapalhou no primeiro reabastecimento e errou na afinação aerodinâmica da asa traseira, reconhecendo que foi um dia mau e que podia mesmo ter ficado em 4º. Chato mesmo foi a sua pole-position, que para mim vale cocó. Sim, isso mesmo. Os festejos das bancadas, no final da qualificação, valeram cocó. Hamilton não fez uma volta excepcional que merecesse uma ovação: simplesmente levou menos gasolina no depósito, como se comprovou vendo que foi o primeiro dos 3 líderes a parar para reabastecer. Este sistema enerva-me profundamente. Em todo o caso, mais uma bela manobra do inglês para o campeonato.
Massa errou na largada, o que também acontece a todos, e fez uma grande corrida de recuperação. De qualquer das formas, dificilmente ganharia a corrida…
Campeonato ao rubro!

África – o outro lado

Mais um texto essencial, na linha de Mia Couto (os Africanos devem trabalhar por si próprios; ensina-o a pescar em vez de lhe dares peixe; a melhor ajuda que podemos dar é não estorvar, etc.), desta vez criticando explicitamente todas as iniciativas em torno da ajuda a África. Não sei, nem me interessa muito, se é ou não verdade que o Bono queria que o jornalista ruandês Andrew Mwenda não falasse. A chave central é mesmo a feita por Andrew Mwenda: “Alguma vez algum homem ou nação enriqueceu a pedir esmola?

E a nossa boa consciência deveria deixar os Live Earths e passar para as Conferências de Livre Comércio. Talvez, sordidamente, activistas de esquerda e proteccionistas de direita partilhem os mesmos interesses.

quinta-feira, julho 05, 2007

Para Reflectir...

"Hoje em dia a lei não permite que duas pessoas se casem sem hipótese de desfazerem o casamento. Não é possível, perante a lei, casar para sempre.
É capaz de ser complexo explicar como se chegou a este estado. Mas é bem mais fácil comprovar os efeitos que o divórcio tem tido na nossa sociedade. Nas nossas crianças, nos que cresceram desequilibrados, nas confusões mentais, na perda da segurança. Não é sem enorme prejuízo que se anula a família, a qual, por sua natureza, se fundamenta num laço inquebrável - a única coisa que permite a estabilidade indispensável à constituição de um lar e ao crescimento de novos seres. Um professor espera, mais cedo ou mais tarde, problemas num aluno cujos pais se divorciaram.
Vamos supor que a lei nos autorizava a fazer duas coisas quando estivéssemos para casar. Uma delas seria o contrato que agora existe e pode ser anulado com maior ou menos facilidade. A outra, um pacto inquebrável, que impedisse os que se casam de virem a casar mais tarde com outra pessoa qualquer, a não ser por morte do seu cônjuge.
Vamos, ainda, supor que dois jovens se amavam. Ele pedia-a em casamento e ela, naturalmente, perguntava qual das duas espécies de casamento lhe propunha ele.
Poderia ser uma situação embaraçosa, não acham?
Que responderia o meu leitor à sua bem-amada, se fosse o jovem da minha suposição? Seria capaz de lhe propor o casamento descartável? Isso não seria uma manifestação de que o seu amor não era bem... amor?
Que resposta esperaria a minha leitora, se fosse a jovem em questão? Não teria estado a sonhar com um amor para toda a vida?, com um vestido de noiva cheio de sentido?
Sucede que o amor do casamento é de tal forma que não admite meias-tintas: se existe é para sempre. Se aquilo que se entrega não é tudo, esse amor não tem a qualidade necessária para se tornar no fundamento de uma família. Não pode ser alicerce nem raiz. Não será fecundo. Dará frutos apodrecidos, como, infelizmente, temos verificado tantas vezes.
O amor não admite o cálculo. Não faz contas. O amor é louco.
"É uma loucura amar, a não ser que se ame com loucura", dizia o velho adágio latino. Mas hoje cometemos a loucura, e a tolice, de amar sem loucura... Fazemos as nossas contas e os nossos cálculos. Avançamos as peças do nosso xadrez, mas com o cuidado de prevermos uma escapatória, para o caso de ser preciso bater em retirada.
Medo de que o casamento não corra bem?... O amor e o medo não podem andar juntos. Quem tem medo não entende nada de amor. Amar é, precisamente, não ter medo. É acreditar que se possui uma força imensa. Quem ama sabe que é também possuído e protegido pelo amor. E que, por isso, caminha noutra altura; voa por cima dos gelos, dos salpicos das ondas, das pedras aguçadas. Vai por cima de um mundo muito pequeno, nas asas um fogo, em mãos de fadas. Possui outra dimensão. Parece-lhe que quem não ama é um morto-vivo...
Somos capazes de um amor assim. Somos capazes de jogar a vida inteira no consentimento matrimonial. Somos capazes de incluir todo o nosso ser numa palavra que dizemos. E de tornar de aço essa palavra pelo tempo fora, através de todos as dificuldades"
Paulo Gerardo

terça-feira, julho 03, 2007

segunda-feira, julho 02, 2007

Fim de semana de Meia SARIP
O Danish esteve alojado em Leiria este fim de semana, mas ele que faça o report longo. Eu faço um curto:
- o Danish teve a oportunidade de ver como muda o tempo na costa ocidental, de um dia para o outro - mas ambos os dias foram bons para praia.
- Decorreu este fim-de-semana o I Campeonatozito de Bomberman (equivalente ao Mundialito de Futebol de Praia), com Daniel Sousa, Danish Latif, eu e Tiago Nunes a disputarem uma fase de grupos para acesso às meias-finais. Na final, o Dani ganhou-me por 5-2, mas nem por isso estou menos confiante para o II Bomberman Championship.
- Já localizei a Mélvoa no Google Earth. Também localizei A-do-Barbas.

Fórmula 1 - Who misses Schumacher?
Ao fim de 8 corridas, os 4 primeiros classificados venceram 2 corridas cada um.
Como vai longe o GP Mónaco, quando suspeitámos que a McLaren poderia ter favorecido Alonso! Neste momento, o equilíbrio é de tal forma que é contraproducente haver ordens de equipa. Na verdade, dada a alternância entre McLaren e Ferrari, podemos ter este espectáculo inédito de termos uma luta entre McLarens e no seguinte uma luta entre Ferraris!
Foi assim que Raikkonen acordou da letargia e venceu Massa em luta directa, mas Hamilton ganhou mais 4 pontos a Alonso, que terminou em 7º. Quem pode dizer como termina este campeonato? Em todo o caso, Hamilton já leva 8 pódios seguidos...