domingo, novembro 12, 2006

Rubrica "Rebocadas do Nada"

Benfica é o maior clube do mundo


Benfica é o maior clube do mundo em número de associados e de adeptos, mais de 160 mil socios e cerca de 20 milhões de adeptos. Não nos podemos esquecer que para se ser grande é preciso percorrer um longo e, por vezes dificil caminho. Ao longo da sua história, nem tudo foram "pêras doces", mas foi nos momentos piores que se notou a grandeza deste clube. Nem só de Rui Costa, Eusebio e João Pinto este clube se tornou no que é hoje... Homens como Michael Thomas, Martin Pringle, Panduru, Marcelo, Paredão, Hassan, Jamir, Valdir, Steve Harkness e muitos mais também ajudaram a construir o maior clube do mundo. É sem duvida, uma prova inequivoca que fazer parte do maior não significa obrigatoriamente que se seja bom.
A Morte
"Aconteceu-nos uma coisa realmente curiosa: tínhamo-nos esquecido de que temos de morrer. É esta a conclusão a que chegaram os historiadores depois de terem examinado todas as fontes escritas da nossa época. Uma investigação realizada nos cerca de cem mil livros de ensaio publicados nos últimos vinte anos mostraria que apenas duzentos deles (0,2%, portanto) tocavam o problema da morte. Livros de medicina incluídos." (Pierre Chaunu)
Reflexões sobre o Aborto
Aproveito para lançar o debate em torno de mais um referendo sobre o aborto. Já que os politicos não têm coragem para decidirem sozinhos sobre esta matéria, os portugueses vão ter que votar sobre um dos assuntos mais delicados da humanidade. Um pequeno excerto, que será um pré-anuncio de um texto mais alargado quando tivermos em fase de campanha...
"Portanto, a questão do aborto só admite duas possibilidades:
-A primeira é a de que o feto é realmente um ser humano - pequeno e indefeso - que está numa fase de desenvolvimento no ventre de uma mulher. Se assim for, o aborto é talvez o maior dos crimes, a acção mais horrível e monstruosa que os homens podem cometer. E os milhões de abortos cometidos anualmente no mundo constituem o mais sangrento holocausto da História: qualquer coisa tão macabra e ignóbil que de nenhuma forma pode ser admitida por uma pessoa de bem.
-A segunda possibilidade é a de que o feto não é uma fase do desenvolvimento do ser humano, mas é qualquer outra coisa. Por exemplo, como dizem alguns, uma parte anómala do corpo da mulher, uma espécie de tumor. Neste caso, pode ser eliminado em qualquer altura, sem que se perceba muito bem por que razão deve a lei meter-se no assunto."
Clip Space
Deixo-vos com uma das melhores cenas de sempre do cinema, Hearts On Fire foi, é e sempre será uma inspiração para quem gosta de cinema.

9 comentários:

Ismael disse...

Mais uma vez a nossa nova Rubrica a mostrar a sua qualidade, e ainda bem que já estávamos enjoados de F1.

- só te esqueceste do Vale e Azevedo...

- muito bem vista essa questão da morte, realmente reflectimos muito pouco sobre a questão... aliás, esse é o ponto onde a sociedade civil/secularizada/laica/ateia cede mais pontos à religião...

- nuestra formadora de español organizó aulas de conversación con temas fracturantes como el aborto, para obrigar las personas a hablar.

- e vivam as máquinas de combate...

Anónimo disse...

Tendo em conta a minha ignorância, permitam-me um pequeno comentário relativamente ao aborto. É um caso controverso, de facto. Mas se pensarem um pouco, digam-me se vos custa cortar as unhas quando saiem do banho? Parece uma comparação estúpida mas afinal até é indêntico. Trata-se da remoção de um algomerado de células que não são desejadas, do corpo de alguém. Refiro-me como é óbvio, a um tempo de gestação muito curto. Só para concluir. Em qual dos casos é que o aglumerado de células é um ser humano? No meu ponto de vista...Nenhum! Continuem, são fantásticos. Beijos. Íris

Ismael disse...

Olá Íris,
espero que continues a visitar regularmente o nosso blogue, porque muitas vezes temos a sensação de que estamos a falar praticamente sozinhos...

A reflexão sobre o aborto vai continuar. Por agora, gostaria de acrescentar que faz-me alguma impressão que a possibilidade de aborto seja concedida apenas a quem tem dinheiro para se deslocar a Badajoz ou a Londres, em caso de penalização.

Daniel Sousa disse...

obrigado por participar Iris... eu nao olho para um feto como olho para uma "unha", ou um "tumor", ou uma "borbulha".. é acima de tudo um futuro ser humano e só por isso merece o direito à vida e o beneficio da duvida, é necessário o estado criar mecanismos para estas crianças rejeitadas serem englobadas na sociedade quando não são desejadas pelos pais... obviamente que respeito as opiniões distintas das minhas...

Daniel Sousa disse...

respondendo ao Ismael... acho que nada concede o direito a uma pessoa de terminar com a vida de nenhuma pessoa... Quem se desloca a outros países não tem esse direito nem essa possibilidade... não é este o caminho para uma sociedade mais desenvolvida... desresponsabilizar as pessoas pelos seus actos não é o caminho certo para um mundo melhor... só estamos a dar uma desculpa para serem masi iresponsaveis, seja nesta materia ou noutra qualquer... como é o caso da droga, do tabaco ou do alcool... eu se estou alcoolizado quero ser responsabilizado por todos os actos errados que cometo para com a sociedade...

Ismael disse...

- Ninguém põe em dúvida que os mecanismos do Estado são insuficientes para que a paternidade possa ser assumida. Só que, da mesma forma, teremos poucas dúvidas que o Estado deve, igualmente, dar os mecanismos para evitar que o aborto se torne um meio de contracepção, i.e., educação sexual, etc.
Acima disto, o Estado tem é que facilitar a paternidade, concedendo isenções de IRS em massa em todas as despesas relacionadas com crianças, e não é nas fraldas, porque uma criança demora mais de 20 anos a criar mas parece que as fraldas são aquele elemento determinante na escolha de ter ou não uma criança.

Ismael disse...

Isto porque, julgo eu, o Estado dificilmente se consegue substituir eficazmente aos pais na educação das crianças. É preferível facilitar a opção destes.

- Quem se desloca a outros países tem esse direito e essa possibilidade. Tem o direito porque a lei desses países o permite, e tem a possibilidade porque regressa a Portugal sem o bebé.
A Iris referiu-se a "um tempo de gestação muito curto", logo (penso eu, mas só ela o poderá confirmar) o feto não cabe nestas considerações.

O texto que tu apresentaste exclui qualquer patamar intermédio. "A questão só admite duas possibilidades." A despenalização que vai ser votada implica a aceitação de um patamar intermédio, que é na prática aquilo que se discute porque as pessoas que se vêm na situação remordem-se em considerações até chegarem a uma conclusão.

Ismael disse...

- A despenalização não traz consigo uma alteração da ordem moral. Ninguém defende a despenalização do aborto ao feto. Ninguém considera moralmente responsável o aborto ao feto. Claro que poderemos discutir se a despenalização implica uma alteração da ordem moral...

Termino com uma citação de um colega meu:

"Seria legítimo o Estado proibir o aborto se tal fosse a posição de uma maioria esmagadora - digamos, de mais de 95% - dos cidadãos. Se tal fosse o caso, ao proibir o aborto o Estado mais não estaria do que a incorporar na lei a prática consuetudinária da esmagadora maioria da população. Não estaria a retirar liberdade a praticamente ninguem.

No entanto, este não é o caso na nossa sociedade. Como se sabe, em Portugal, desde há muitos decénios, milhares de mulheres abortam todos os anos, contando nessa prática com a cumplicidade de inúmeros amigos, familiares, profissionais médicos, etc. Claramente, grande parte da sociedade aceita que se aborte. Nestas condições, se o Estado proíbe o aborto, está a violentar e a retirar a liberdade a grande parte da sociedade.

Podemos talvez comparar o aborto às touradas [comparação recentemente feita pelo António Figueira no blogue 5 dias]. Proibir as touradas na Suécia não é anti-liberal - mais não faz do que incorporar na lei um hábito da esmagadora maioria, se não mesmo da totalidade, da população sueca. Proibir as touradas em Portugal seria claramente anti-liberal - seria violentar e retirar a liberdade a uma parte substancial dos portugueses, que gosta de participar em touradas ou de a elas assistir."

Anónimo disse...

Gostaria de especificar a minha humilde opinião. Quando me refiro a um aglomerado de células é pelo facto de só ao fim de 8 semanas é que podemos chamar de feto ou embrião. Durante estes dois meses o que acontece é a meiose e mitose, divisão de célula mãe em duas, sucessivamente até perfazer biliões de células iguais à original, dando origem à mórula. Peço desculpa a quem discorda mas para mim mantém-se o que chamo de aglomerado de células.
O facto de se tomar a pílula do dia seguinte, é precisamente desfazer essa multiplicação celular. Se pensarmos assim, também a pílula do dia seguinte é matar um ser humano.
Quanto ao facto do aborto ser ou não permitido, é óbvio que acarreta muitas responsabilidades não só da parte do governo como de todos nós. Penso que já seria alargar a discussão para temas como a prevenção e educação sexual que de uma forma geral são inerentes ao tema do aborto.
Mas de qualquer forma acho lamentável o facto de uma mulher que pode ter um azar na vida ou por outro motivo qualquer, ter de recorrer a Espanha ou a alguma ‘Sra Parteira’, correndo por vezes o risco da própria vida.
Respeito profundamente qualquer opinião e gosto de as debater de uma forma saudável.
Sempre que no vosso blog estiver um tema polémico como este terei todo o prazer em participar enquanto me deixarem como é óbvio. Beijocas para todos e obrigada por me darem bons momentos.
Íris