Cenas alternativas implicam um certo afastamento da lógica, ou seja, isto vai por onde apetece. Descemos da Portela em direcção ao Centro Histórico, onde fazemos umas paragens ao acaso.
O Castelo de Leiria foi "composto" por D. Afonso Henriques e a cidade cresceu, primeiro dentro dos seus muros, e depois na vertente sul, exposta ao sol. Digo "composto" e não "construído" devido à mais que provável existência de anteriores fortificações árabes e talvez romanas. Contudo, tal como sobre uma série de outros assuntos muito em voga que mereceriam um post, a História é feita do que aconteceu e não do que "poderia ter sido", e a Leiria que temos é inteiramente um criação cristã/portuguesa.O seu Centro Histórico tem tudo a ver com o de Coimbra. Casas de traça medieval (embora nenhuma devidamente assinalada como aquela ao pé do Guitarras e do restaurante Aeminium), ruas estreitas, níveis de conservação pouco satisfatórios (não vou dizer que "está podre" porque tem havido alguma recuperação), enfim, a Idade Média. E a qualquer momento deparamos com ângulos interessantes do Castelo, dada a sua proximidade.
A Igreja da Misericórdia, de que espero obter outra perspectiva futuramente, foi construída em 1544, em cima da sinagoga.Leiria teve a segunda maior judiaria do País, a seguir ao Porto. Evidentemente, os judeus de Leiria foram tão perseguidos como os outros, e só é de espantar que o desaparecimento da sinagoga tenha demorado 38 anos após o massacre de judeus em Lisboa (1506). Contudo, antes disso houve tempo para trazer a imprensa para Portugal.
Este painel de azulejos encontra-se nas traseiras da Igreja da Misericórdia e reza o seguinte:...atesta de fama e voz constante no seu tempo, que já vinha autorizada do nosso insigne matemático Pedro Nunes, e doutros varões muito sabedores das nossas coisas, que Leiria fora a primeira cidade em toda a Hispânia que tivera impressão de forma ou de caracteres metálicos, quais João de Guttenberg havia inventado na cidade de Mogúncia. Pedro Afonso de Vasconcellos (da famosa arte de imprimissão - de Américo Cortez Pinto)
A imprensa fora inventada pelo judeu alemão Guttenberg e, naturalmente, a comunidade judaica encarregou-se de a transportar pela Europa. Leiria, combinando uma forte comunidade hebraica + a existência de um moinho de papel (a visitar futuramente), reuniu as condições para esta proeza ibérica.
O prof. José Hermano Saraiva diz que esta "humilhação eterna" deveria ter servido para castigar um eventual par de adúlteros. Não o vou contradizer...
O nosso amigo João referiu uma vez quem eram os autores desta enigmática frase reproduzida nas paredes de, pelo menos, Coimbra, Leiria e Alcobaça, que eu passo a reproduzir:Os espíritos matavam +- (ou: mais de) 200 pessoas por noite
Solução para matar espíritos: vinagre, sal e pó de laranja
Eram uns maluquinhos quaisquer, mas já não me lembro bem do que ele disse. Só mesmo ele para saber quem escreveu isto; em todo o caso, como a mente gosta de mistérios, a minha memória resolveu cortar o que disse o João para manter o enigma em suspenso...
(amanhã ou depois: o Islão moderado em entrevista. E é tão difícil encontrá-lo...)
6 comentários:
Ainda estou para saber o que raio é "pó de laranja"...
Ah, e admito a minha ignorância, não fazia ideia que essa igreja tinha sido construída sobre a sinagoga! E nunca reparei na humilhação eterna...
Também não faço ideia o que seja o pó de laranja... talvez seja vernáculo para um qualquer tipo de droga...
O João era um colega de curso já com 30 anos e um filho, que vivia de rendimentos, não sei bem quais, "mas o Danish deve saber melhor que eu..." e era curioso, porque ele parecia saber de tudo um pouco, quer nas aulas onde ás vezes podia tar 15m a falar sem ninguém o interromper (uma vez távamos a dormir enquanto ele falava e ele disse aquela frase que pus entre aspas, e o Danish assustou-se porque estava a milhas do que ele estava a falar...) e realmente só mesmo ele para ter uma ideia de quem é essa gente do pó de laranja...
E a humilhação eterna, onde é?
numa ruazinha em frente ao "buraco" do centro histórico. (Ainda não cheguei aos podres...)
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