terça-feira, setembro 12, 2006

Vai atrasado, mas não interessa
Pode-se fazer ao menos uma pequena nota sobre o que eu acho do 11 de Setembro, passados 5 anos. Embora esta guerra seja invisível, dá-me a sensação que toda a gente falhou os seus objectivos.Mais atentados na América? Não houve, embora a Al-Qaeda os prometa regularmente. Conseguiu dois atentados de grande envergadura em Madrid e Londres. Conseguiu muitos outros, mas todos em países muçulmanos, fazendo inúmeras vítimas entre muçulmanos...
Devemos acreditar que a Al-Qaeda é uma desculpa e que o 11 de Setembro é uma farsa, tipo Pearl Harbour, para virar a opinião pública americana e ocidental contra o Islão, ou alguns estados islâmicos, e que as cassetes do bin Laden são gravadas nos estúdios do Pentágono? Se quisermos acreditar nisto, também falhou. A Al-Qaeda é um inimigo invisível e espúrio, ao contrário da Espanha, do Japão e da Alemanha, que eram visíveis e concretos. O Iraque foi e é um imenso fracasso e Bush já reconheceu que Saddam não tinha nada a ver com a Al-Qaeda. A segurança da América não melhorou com a guerra iraquiana, numa altura em que surgem novas ameaças, mais a sério, e a opinião pública americana não está motivada ou com espírito guerreiro.

E o mundo, como mudou?

Para dizer a verdade, acho que o mundo não só não mudou com o 11 de Setembro como já não tinha mudado muito. Talvez daqui a 10 ou 15 anos possamos sentir outros efeitos. Os Estados Unidos continuam invulneráveis. A Al-Qaeda não consegue sequer fazer subir o preço do petróleo; a política agressiva de Bush é que o tem feito. Os grandes feitos militares da Al-Qaeda são no Iraque e no Afeganistão, não no Ocidente.
O Mundo continua uni-multipolar, e os assuntos importantes continuam a não aparecer nas notícias. Os genocídios continuam a suceder-se sem que alguém repare (estou a ponderar seriamente lançar a ideia de associar este blogue ao movimento de chamada de atenção para Darfur); a China continua a crescer a 10% ao ano e a preparar-se para tomar o lugar da ex-URSS num mundo bipolar, embora menos agreste que o da Guerra Fria;(Hu Jintao, sec.-ger. do PCC)
A Índia, próximo disso; e a Europa debate-se com a crise económica e com a crise de identidade, tanto em conjunto (a Constituição falhada) como individualmente (a imigração e problemas relacionados.)
(sim, este é uma novidade.)
O Protocolo de Quioto continua a arrastar-se, a economia a globalizar-se, e a questão de Israel mantém-se praticamente inalterada.
O que mudou, afinal? Duas coisas importantes: acentuou-se o choque das duas "civilizações", Ocidente e Islão, na mente das pessoas em ambos os lados (os cartoons terão tido piores efeitos que o 11 de Setembro) ; e o Irão prepara-se para obter a arma nuclear. E, desta vez, suponho que as gigantescas manifestações anti-guerra que se viram em Fevereiro de 2003 serão mais reduzidas. Agora ninguém pensa que o "Saddam" não tem armas perigosas.
Espero, naturalmente, que o Partido Democrata vença as eleições de 2008. Como defensor da aliança portuguesa e europeia com os Estados Unidos, aguardo que a próxima Administração tenha mais bom senso... (já é dizer o óbvio...)

F1 - constatações, I
Ayrton Senna vai manter o recorde de vitórias no Mónaco (6) por mais alguns anos. Schumacher venceu lá pela última vez em 2001.

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