domingo, setembro 10, 2006

Fórmula 1 - Schumacher retira-se
Michael Schumacher anunciou finalmente o que se suspeitava - o abandono da modalidade.

A análise da carreira fica para outra altura. Agora, bastará dizer que me sinto um pouco desiludido.
Schumacher completou o padrão de Ayrton Senna, prolongando-o no tempo. Senna manteve-se no topo da F1 praticamente durante os 10 de carreira, que poderiam ter chegado a 15 ou 16 se se concretizasse a previsão do brasileiro de abandonar em 2000.
Schumacher chegou estreou-se no GP Bélgica 91, fez 15 anos o mês passado.

Estou desiludido porque pensei que poderia ficar mais algum tempo. É escandaloso o que estou a dizer, dadas as estatísticas e dado ter os recordes todos. Escandaloso também porque alguns dos leitores estarão felizes com o abandono do odioso alemão.

Acontece que, para mim, era agora que a carreira do alemão se estava a tornar interessante. Após 5 títulos, Schumacher debateu-se com a perda súbita e violenta de performance do seu carro, e o vulgo imaginou que Schumacher estava acabado, e julgou até ver um novo Eusébio.

Este ano Schumacher "renasceu." Isto é: continuou a trabalhar forte e feio com a sua equipa para que o carro deste ano pudesse competir pelo título. Ao contrário do que outros poderiam fazer (veja-se Prost na mesma Ferrari, em 1991), não desmotivou, mão esmoreceu, não pensou "vou mas fazer outra coisa, tou-me a cagar para esta bosta." 2006 foi o regresso do veterano que já se julgava estar acabado.
Schumacher, com 37 anos e 15 de Fórmula 1, mantém praticamente intacto o talento de sempre, e era agora apaixonante ver até onde poderia ir. 2007, batendo o recorde de participações de Riccardo Patrese? 2009? Por que não manter-se em competição até aos 40 anos, tal como fez Nigel Mansell? E até onde poderia manter-se competitivo? Será que as performances relativamente falhadas da Hungria e da Turquia seriam indícios de velhice?
Perguntas sem resposta. Quer Schumacher seja ou não campeão pela 8ª vez, sai efectivamente no topo da carreira, evitando assim o risco de sair pela porta pequena, como Eusébio.

Mas isso não quer dizer que as próximas três corridas não sejam as mais importantes da sua carreira. É a última hipótese de Schumacher ser campeão!!

GP Itália - o regresso da máquina (depois de duas corridas falhadas)

A pole de Raikkonen não adiantou nada. Schumacher seguiu-o de perto até ao primeiro reabastecimento, passou-o fazendo voltas de entrada e saída rápidas, como é costume, e liderou até ao final, saindo muito na frente de Kimi após o segundo reabastecimento. Raikkonen não se terá importado muito: deixou a sua marca no dia em que viu confirmada a sua transferência para a Ferrari. Pelo menos a sua expressão no pódio não revelava que estivesse chateado, mas também não revelava nada, como é costume, "boep!"
Alonso esteve na polémica. Foi penalizado com perda de lugares na grelha por ter bloqueado Massa no final da qualificação. Eu vi a qualificação e achei extremamente injusto, pois Alonso não bloqueou Massa e saiu para a pista à sua frente para poder fazer a volta rápida que lhe deu o 5º tempo.

Depois, na corrida, fez batota ao ultrapassar Heidfeld pela chicane no início da 2ª volta - como se vê no vídeo da corrida - e não foi penalizado por isso. (Os árbitros da F1 vêm emprestados pelo Major.) No final, depois de se desembaraçar de Button e passar Massa e Kubica para chegar "prostianamente" ao 3º lugar, um motor rebentado - finalmente a falha mecânica que reduziu a nada a vantagem pontual do espanhol! Com a vitória, Schumacher ficou a 2 pontos, o que promete três corridas finais fabulásticas.
De resto, a corrida fica marcada pelo estreante Kubica, a chegar ao pódio na sua terceira corrida. Embora fosse nitidamente mais lento que os dois líderes, que Massa e que Alonso, Kubica fez uma boa largada, segurou Massa atrás de si durante toda a corrida e não cometeu um único erro, mantendo um ritmo forte e certinho - deixando Heidfeld na obscuridade. Prémio merecidíssimo para um nome a acompanhar, e primeiro pódio para a Polónia na F1.

5 comentários:

W. disse...

O Heidfeld também foi pela chicane, portanto em teoria ninguem beneficiou. De resto, concordo, dá mais gozo ver o Schumi a ter que trabalhar para ganhar. Como o JAL disse, em 15 anos de carreira teve 4 grandes arqui-rivais: "Hill, Ville, Mika e Alonso". Ora há ali um buraco de 3 ou 4 anos que foram uma seca...

W. disse...

Ah, já agora, onde é que o sr. jornalista da sic q fez a peça que passou no Jornal da Noite de ontem viu que o Kimi confirmou a sua ida para a Ferrari? Uma coisa é toda a gente saber que ele vai, outra é ser anunciado...

Ismael disse...

1- O senhor da SIC deve ter lido na internet,eu também li...
2- Não te esqueças que, entre 1995 e 2003, só houve dois pilotos a ganhar pelo menos uma corrida todos os anos. O Coulthard poderia ser incluído numa lista de "pequenos" arqui-rivais, tal como, aliás, o Senna e o Raikkonen.
3- Se olhares bem p vídeo hás-de ver que o Heidfeld não corta a chicane.
4- Como será p ano?...

Anónimo disse...

Há aí um pequeno engano, eu ganhei pelo menos uma corrida nesses anos todos, MENOS em 1996. Aliás, até o podia ter feito, fiquei em 2º no Mónaco atrás do Panis, culpa da estratégia de boxe que funcionou pior que a Ligier.

W. disse...

As minhas humildes desculpas, tinha ficado com a ideia q o Heidfeld ia em frente. De facto ele travou como o caraças e ficou dentro da pista.
Para o ano vai ser - no mínimo - diferente.