domingo, setembro 03, 2006

Eu, Tu e o Emplastro
É costume as traduções de títulos de filmes distorcerem o significado original, para não dizer - não têm nada a ver.
(Traduções de títulos de filmes é um tema tão válido como outro qualquer.)
Por uma vez, temos um caso em que a tradução do título de um filme é melhor que o original.
A história anda à volta de um casal e do amigo solteirão do marido, interpretado pelo inevitável Owen Wilson, o que nos dá uma ideia muito aproximada do que será filme.
Ora acontece que o título original é "You, Me and Dupree", sendo Dupree a personagem de Wilson. Trata-se de um título desinteressante e banal, que não nos deixa adivinhar a substância. Já "Eu, Tu e o Emplastro" diz tudo. No meio da normalidade, aparece, em pano de fundo, um estraga-fodas incómodo que está a mais.
A magia está na sensibilidade do tradutor, que descobriu a existência, em português, de um termo adequado para "estraga-fodas incómodo que está a mais." A palavra "emplastro", no sentido em que é aqui utilizada, não tem tradução para inglês, e isto porque nos países anglo-saxómicos, provavelmente, as pessoas não têm o hábito de se chegar ao pé de câmaras de televsão e acenar, berrar e bater palmas como se tivessem graça - e ninguém pensaria em incentivar um coitado a aparecer rotineiramente atrás dos reporteres de TV e dizer meia dúzia de anormalidades.
Afinal, existem excelentes tradutores em Portugal.

Ya...
Por falar em Owen Wilson, um amigo meu perguntou-me se estava tudo bem comigo e com a Ana, e à minha resposta "ya", retorquiu "nice answer, Hansel." Para ele deixo as palavras de Eça de Queirós:
"Olhe, o meu casamento não tem história (...) É apenas a história de duas pessoas que têm um coração sério e que reciprocamente o colocam num refúgio muito seguro duma estima muito profunda."

3 comentários:

W. disse...

Por falar em Eça, vocês estão aburguesados! É só publicidade por todo o lado, chiça!
Quanto a isso dos bons tradutores, eu sei que eles existem, embora os que eu conheço não estejam a exercer. Eu acho é que os tipos são demasiado criativos, e então metem o dedo onde podem, ou seja, no título! Mas se nos lembrarmos d' "As Minas de Salomão", reescrito pelo Eça, vemos q a tendência dos tradutores criativos vem do século XIX (olha o Eça outra vez!).

W. disse...

Já agora, os jornalistas também são incompeten... digo, excessivamente criativos! Veja-se que o sr. João Carneiro da Silva descobriu que ontem os Pearl Jam tocaram o "I Am Man", música que só deve existir na cabeça do senhor... Bastava dar um saltinho ao site dos PJ para ver a Setlist e não dizer disparates...

Ismael disse...

O marketing é rei! Mas só me podem chamar aburguesado quando eu pesar mais de 80 kg. (Estabilizei nos 63.)

Os jornalistas, geralmente, ou são ignorantes ou são demasiado conhecedores (tipo aqueles que escrevem sobre música e cinema nas revistas do DN e do Público.)