Doutores no desemprego
A reportagem da SIC sobre doutorados no desemprego (nem era, propriamente, a licenciados) foi interessante, não pelo conteúdo em si, mas pelas conclusões que podemos tirar. O conteúdo pode ser bizarro para a maioria das pessoas, mas para os licenciados é facilmente adivinhável: professores de Psicologia, doutorados em Psicologia, despedidos ao fim de 11 anos porque só doutores em Filosofia podem leccionar Psicologia (????? É o país que temos, lembras-te, Nuno??), uma doutorada em Oceanografia que quase passou fome, etc. Todos casos mais graves e pungentes, ou dramáticos, que os nossos, de licenciados desempregados ou sub-empregados.
(Ao contrário de muita gente, eu estou sempre pronto a ver situações piores que a minha. São muito raros os licenciados que têm filhos para sustentar quando acabam o curso.)
Que conclusões tirar?
- A economia portuguesa não está preparada para aceitar pessoas extra-qualificadas. Os sectores em que maioritariamente trabalha, e as mentalidades de quem os dirige, não precisam deles/desconfiam deles.
- O facto de as universidades produzirem qualificados não significa que a economia acompanhe o seu ritmo. E esta é a grande verdade que todos os jovens que frequentam o ensino secundário devem saber. (Quanto aos qualificados, seria bom que estivessem preparados para ir ao estrangeiro.)
Schumacher é daqueles, também poucos, que se evidenciam em corridas com chuva, ou com mudança de condições seco-molhado. Vejamos as vitórias que conseguiu nestas condições:
- Bélgica
- Bélgica 1995. Depois de uma má qualificação, Schumacher recuperou de 16º para 1º até que começou a chover. Hill trocou para pneus de chuva e rapidamente se aproximou do alemão com slicks.
Pouco depois, parou de chover. Hill voltou a trocar de pneus e entregou a corrida.
- Espanha 1996. De 9º para 1º em 20 voltas, numa pista encharcadíssima, onde todos os outros apalpavam o terreno e, com tantos acidentes e despistes, só terminaram 6…
- Mónaco 1997. Chuva de início ao fim. No meio dos despistes e acidentes, Schumacher caminhou tranquilamente para a vitória, com 1 minuto de diferença sobre o segundo.
- Bélgica 1997. Sensibilidade estratégica determina uma vitória fácil, deixando Fisichella a 30 segundos.
- Grã-Bretanha 1998. Vitória eficaz (com alguma polémica.)
- Europa 2000. O duelo com Hakkinen decidiu-se com a aparição da chuva.
- Malásia 2001. “Banhada” da Ferrari sobre os outros.
- Estados Unidos 2003. Sem ser uma vitória brilhante, foi eficaz (tirando partida da superioridade dos pneus Bridgestone) e praticamente decidiu o título, deixando-o a 9 pontos de Raikkonen a uma prova do final.
(definição de “erro”: ocasiões em que a pilotagem pouco eficaz levou ao despiste, acidente, toque e abandono da corrida/dos treinos, com ou sem destruição do carro. Ocasionalmente, poderei incluir erros na afinação com consequência na pilotagem. Não incluirei problemas de relacionamento com a equipa e, ao contrário do que fazem os idiotas do youtube, não incluo acidentes devidos a causas mecânicas.)
Perguntem a vós próprios: quem cometeu mais erros, Schumacher ou Pedro Lamy?
Resposta óbvia, não é? Schumacher, claro! Quando se está 15 anos na Fórmula 1, cometem-se montes de erros! (apesar de tudo, nenhum tão disparatado como o do Coulthard, que bateu no muro da box quando ia a entrar.)
E pergunta-se o público: então mas o Schumacher não é infalível?
- S. Marino 1992: despiste e abandono.
- França 1992: bate
- África do Sul 1993: despiste e abandono ao tentar ultrapassar Ayrton Senna.
- Hungria 1993: fim-de-semana cheio de pequenos despistes até abandonar por falha mecânica.
- Europa 1993: despiste e abandono (à chuva)
- Austrália 1994: despista-se com violência nos treinos e, suavemente, na corrida. (a ver mais tarde)
- Mónaco 1996: depois de fazer uma pole fantástica, larga com pneus de seco numa pista meio molhada e bate logo na primeira volta.
- Argentina 1997: causa uma confusão na largada, batendo na primeira curva.
- Áustria 1998: na tentativa de ter ritmo para Hakkinen despista-se com alguma violência, recorrendo à box e tendo depois de recuperar até ao 4º lugar.
- Bélgica 1998. Seguia descansadamente em primeiro, caminhando a passos largos para a vitória, quando acontece isto.
É visível que Coulthard está encostado á direita. Isto terá custado a Schumacher o campeonato desse ano. (A cena de boxe na boxe, digo, a cena de quase porrada nas instalações da Mclaren, foi só mais uma polémica. )
(continua…)
9 comentários:
Felizmente, e como bem te lembras, não tive Psicologia... e vicé-versa!
Já tinha saudades de rever o belo do triciclo de 98!
Sim, mas tiveste Filosofia...
Infelizmente. Mas o giro é que vão deixar de ser possível exigir Filosofia como específica, portanto vai haver gente sem colocação. Era preciso arranjar solução! É o lóbi dos filósofos!
Nao e apenas a economia que nao consegue acompanhar os licenciados que saem das universidades...mas muitas universidades que nao acompanham as necessidades da economia tambem...
sem falar dos licenciados que querem um emprego e não um trabalho.. preferem nao fazer nenhum que ir trabalhar num emprego mais duro...
vão trabalhar mandriões!!!
Concerteza que há universidades com cursos sem grande correspondência no mercado de trabalho.
E também é bem possível que haja excesso de alunos em cursos que têm saídas que o mercado poderá absorver, mas não na quantidade existente.
Agora, o que quer dizer exactamente que as universidades não acompanham as necessidades da economia? Estamos a a falar de diminuir vagas em cursos existentes ou abrir licenciaturas e/ou especializações que não existem e o mercado precisa?
(uma licenciatura em Construção Civil e um mestradozito em Relações com o Poder Local?)
um curso tecnico em construção civil tipo bacharelato.. é melhor que 600 vagas em direito e mais 600 em historia...
http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=curso+t%C3%A9cnico+constru%C3%A7%C3%A3o+civil&btnG=Pesquisa+Google&meta=
podem não ser bacharelatos, mas para isso vamos ter bolonha.
Para diminuir as vagas em Direito e em História, tens que convencer as universidades e faculdades correspondentes a aceitar menos dinheiro. E no caso de Direito, não deves contar com a simpatia da Ordem.
(E quando digo Ordem, não é a do Camarnal, mas a dos Advogados.)
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