terça-feira, setembro 26, 2006

Doutores no desemprego
A reportagem da SIC sobre doutorados no desemprego (nem era, propriamente, a licenciados) foi interessante, não pelo conteúdo em si, mas pelas conclusões que podemos tirar. O conteúdo pode ser bizarro para a maioria das pessoas, mas para os licenciados é facilmente adivinhável: professores de Psicologia, doutorados em Psicologia, despedidos ao fim de 11 anos porque só doutores em Filosofia podem leccionar Psicologia (????? É o país que temos, lembras-te, Nuno??), uma doutorada em Oceanografia que quase passou fome, etc. Todos casos mais graves e pungentes, ou dramáticos, que os nossos, de licenciados desempregados ou sub-empregados.
(Ao contrário de muita gente, eu estou sempre pronto a ver situações piores que a minha. São muito raros os licenciados que têm filhos para sustentar quando acabam o curso.)

Que conclusões tirar?

- A economia portuguesa não está preparada para aceitar pessoas extra-qualificadas. Os sectores em que maioritariamente trabalha, e as mentalidades de quem os dirige, não precisam deles/desconfiam deles.
- O facto de as universidades produzirem qualificados não significa que a economia acompanhe o seu ritmo. E esta é a grande verdade que todos os jovens que frequentam o ensino secundário devem saber. (Quanto aos qualificados, seria bom que estivessem preparados para ir ao estrangeiro.)

Michael Schumacher, Retrospectiva – 2

Ainda dentro das carasterísticas que distinguem Schumacher, há que acrescentar (desenvolvendo o tópico anterior):

Sucesso, e talento, à chuva

Schumacher é daqueles, também poucos, que se evidenciam em corridas com chuva, ou com mudança de condições seco-molhado. Vejamos as vitórias que conseguiu nestas condições:
- Bélgica 1992. A sua primeira vitória foi à chuva, e só mesmo assim poderia contrariar a superioridade técnica dos Williams-Renault. Muito sentido de oportunidade nas trocas de pneus e uma prova de maturidade de um jovem de 23 anos.
- Bélgica 1995. Depois de uma má qualificação, Schumacher recuperou de 16º para 1º até que começou a chover. Hill trocou para pneus de chuva e rapidamente se aproximou do alemão com slicks.

Pouco depois, parou de chover. Hill voltou a trocar de pneus e entregou a corrida.
- Espanha 1996. De 9º para 1º em 20 voltas, numa pista encharcadíssima, onde todos os outros apalpavam o terreno e, com tantos acidentes e despistes, só terminaram 6…
- Mónaco 1997. Chuva de início ao fim. No meio dos despistes e acidentes, Schumacher caminhou tranquilamente para a vitória, com 1 minuto de diferença sobre o segundo.
- Bélgica 1997. Sensibilidade estratégica determina uma vitória fácil, deixando Fisichella a 30 segundos.
- Grã-Bretanha 1998. Vitória eficaz (com alguma polémica.)
- Europa 2000. O duelo com Hakkinen decidiu-se com a aparição da chuva.
- Malásia 2001. “Banhada” da Ferrari sobre os outros.
- Estados Unidos 2003. Sem ser uma vitória brilhante, foi eficaz (tirando partida da superioridade dos pneus Bridgestone) e praticamente decidiu o título, deixando-o a 9 pontos de Raikkonen a uma prova do final.

Erros? Claro, e muitos!
(definição de “erro”: ocasiões em que a pilotagem pouco eficaz levou ao despiste, acidente, toque e abandono da corrida/dos treinos, com ou sem destruição do carro. Ocasionalmente, poderei incluir erros na afinação com consequência na pilotagem. Não incluirei problemas de relacionamento com a equipa e, ao contrário do que fazem os idiotas do youtube, não incluo acidentes devidos a causas mecânicas.)

Perguntem a vós próprios: quem cometeu mais erros, Schumacher ou Pedro Lamy?
Resposta óbvia, não é? Schumacher, claro! Quando se está 15 anos na Fórmula 1, cometem-se montes de erros! (apesar de tudo, nenhum tão disparatado como o do Coulthard, que bateu no muro da box quando ia a entrar.)
E pergunta-se o público: então mas o Schumacher não é infalível?

Vejamos:

- S. Marino 1992: despiste e abandono.
- França 1992: bate em Ayrton Senna, causando o abandono de ambos.

- África do Sul 1993: despiste e abandono ao tentar ultrapassar Ayrton Senna.
- Hungria 1993: fim-de-semana cheio de pequenos despistes até abandonar por falha mecânica.
- Europa 1993: despiste e abandono (à chuva)
- Austrália 1994: despista-se com violência nos treinos e, suavemente, na corrida. (a ver mais tarde)
- Mónaco 1996: depois de fazer uma pole fantástica, larga com pneus de seco numa pista meio molhada e bate logo na primeira volta.
- Argentina 1997: causa uma confusão na largada, batendo na primeira curva.
- Áustria 1998: na tentativa de ter ritmo para Hakkinen despista-se com alguma violência, recorrendo à box e tendo depois de recuperar até ao 4º lugar.
- Bélgica 1998. Seguia descansadamente em primeiro, caminhando a passos largos para a vitória, quando acontece isto.

É visível que Coulthard está encostado á direita. Isto terá custado a Schumacher o campeonato desse ano. (A cena de boxe na boxe, digo, a cena de quase porrada nas instalações da Mclaren, foi só mais uma polémica. )

(continua…)

9 comentários:

W. disse...

Felizmente, e como bem te lembras, não tive Psicologia... e vicé-versa!

Já tinha saudades de rever o belo do triciclo de 98!

Ismael disse...

Sim, mas tiveste Filosofia...

W. disse...

Infelizmente. Mas o giro é que vão deixar de ser possível exigir Filosofia como específica, portanto vai haver gente sem colocação. Era preciso arranjar solução! É o lóbi dos filósofos!

Anónimo disse...

Nao e apenas a economia que nao consegue acompanhar os licenciados que saem das universidades...mas muitas universidades que nao acompanham as necessidades da economia tambem...

Anónimo disse...

sem falar dos licenciados que querem um emprego e não um trabalho.. preferem nao fazer nenhum que ir trabalhar num emprego mais duro...

Anónimo disse...

vão trabalhar mandriões!!!

Ismael disse...

Concerteza que há universidades com cursos sem grande correspondência no mercado de trabalho.
E também é bem possível que haja excesso de alunos em cursos que têm saídas que o mercado poderá absorver, mas não na quantidade existente.
Agora, o que quer dizer exactamente que as universidades não acompanham as necessidades da economia? Estamos a a falar de diminuir vagas em cursos existentes ou abrir licenciaturas e/ou especializações que não existem e o mercado precisa?
(uma licenciatura em Construção Civil e um mestradozito em Relações com o Poder Local?)

Anónimo disse...

um curso tecnico em construção civil tipo bacharelato.. é melhor que 600 vagas em direito e mais 600 em historia...

Ismael disse...

http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=curso+t%C3%A9cnico+constru%C3%A7%C3%A3o+civil&btnG=Pesquisa+Google&meta=

podem não ser bacharelatos, mas para isso vamos ter bolonha.

Para diminuir as vagas em Direito e em História, tens que convencer as universidades e faculdades correspondentes a aceitar menos dinheiro. E no caso de Direito, não deves contar com a simpatia da Ordem.
(E quando digo Ordem, não é a do Camarnal, mas a dos Advogados.)