Sociedade Anárquica de Relações Internacionais Piemmel
sábado, setembro 30, 2006
Michael Schumacher, retrospectiva - 3
Japão 1998: na corrida decisiva do título, deixa o motor ir abaixo na grelha de partida, sendo penalizado largando do último lugar. Canadá 1999: despiste na curva de acesso à recta da meta, estando no primeiro lugar.
Entrega 10 pontos a Hakkinen.
Brasil 2001: saídas de pista e erros de estratégia resultam num 2º lugar atrás de Coulthard. Grã-Bretanha 2001: Um erro nas voltas iniciais permite a ultrapassagem de Hakkinen, que viria a vencer. Malásia 2002: acidente com Montoya na primeira curva (responsabilidade partilhada.) Europa 2002: uma saída de pista à 23ª volta custou-lhe 11 segundos, tempo suficiente para ser derrotado por Barrichello nas boxes (ver Casos e Polémicas, a ser tratado mais tarde.) Malásia 2003: desta vez, bate na segunda curva, em Jarno Trulli (Renault)
Brasil 2003: Despista e abandona, sob forte chuva. Grã-Bretanha 2003: fim de semana apagado resulta no 4º lugar final, enquanto Barrichello vence com o outro Ferrari. Japão 2003: a corrida em que bateu o recorde de Fangio foi das piores da sua carreira: larga de 14º, sai da pista à 3ª volta, bate no Sato à 6ª (partindo uma asa), e por muito pouco não causou um acidente na chicane do circuito japonês à 41ª, com da Matta e o seu irmão, para chegar ao 8º lugar – que ere, afinal, tudo o que precisava para ser campeão. Mónaco 2004: quando se está atrás do safety car no Mónaco, o túnel não é o melhor lugar para aquecer os pneus devido à reduzida visibilidade. Montoya não viu a sua travagem violenta e bateu-lhe na traseira. China 2004: despiste na primeira curva (na qualificação) e corrida cheia de erros levam-no ao 12º lugar final. Austrália 2005: para finalizar uma corrida má, bate em Heidfeld. Itália 2005: saída de pista próximo do fim, baixa de 8º para 10º. Austrália 2006: Como explicar isto?
Esta não é uma pesquisa exaustiva, nem vai buscar todos os pormenores. As conclusões a tirar são duas: mesmo os grandes campeões cometem erros… e cometer erros não impede que se chegue ao sucesso. Termino o post de hoje com um erro, mas “dos outros.” Nem o próprio Schumacher está imune a que venham para cima dele… (Bélgica, 2005)
sexta-feira, setembro 29, 2006
VIDA EM "BANDA LARGA"
Falar de globalização nos dias de hoje é, em muito casos, falar de um “papão” alegadamente responsável por todos os males de que padece o Mundo. Recentemente li a obra O Mundo é Plano de Thomas Friedman. Esta obra tem a virtude de encarar a globalização como algo positivo e dá o mote para uma pequena reflexão. Este livro mostra-nos as melhorias que a evolução do Mundo nos proporcionou. Todos conhecem os clichés da Aldeia Global, do Mundo Globalizado, do Espaço Europeu, de Espaço Comum ou de Cidadão do Mundo. Estes conceitos e a sua definição fazem parte da identidade mundial e da identidade e vivência de cada indivíduo. As barreiras comunicacionais de outros tempos estão completamente destruídas. É possível falar com indivíduos do outro lado do Mundo, com culturas e hábitos completamente distintos em tempo real sentado ao computador. A visão negativa que muitos têm da Globalização faz com que algumas comunidades vivam encarceradas dentro de quatro paredes imaginárias, agarradas a dogmas e a princípios que não passam de uma corrente ortodoxa bacoca e desenquadrada. As melhorias que a globalização nos trouxe são, sem margem para dúvida, muito positivas para todos nós. O indivíduo, enquanto principal destinatário da acção política tem hoje mais valias proporcionadas por um Espaço Comum equilibrado. É por isso que devemos contribuir para a construção de um modelo assente nas mais valias que um Mundo Global apresenta, dotando a sociedade em que estamos inseridos e as faixas etárias que vão assegurar o futuro das ferramentas necessárias para encarar estes novos. Este objectivo deve começar a ser materializado logo no início dos anos escolares. Ensinar conceitos como Sociedade do Conhecimento, Empreendorismo, tecnologias de informação, línguas estrangeiras ou potenciar o contacto dos alunos com questões práticas aproximadas da realidade devem ser parte integrante dos planos curriculares desde o início da actividade escolar. Caminhamos, portanto, para uma vivência em “Banda Larga” onde todos devemos ter a capacidade de analisar e interpretar diferentes temáticas sem estar agarrados a métodos ortodoxos, sistemáticos e rotineiros. A perspectiva de uma vida a fazer a mesma coisa desde o inicio da actividade até à reforma cada vez é menos evidente. Qualificando e educando para uma cidadania internacional, sem perder as especificidades da cidadania nacional de cada um, as nossas crianças e os nossos jovens devem ter a possibilidade de utilizar métodos e meios que lhes permitam um enriquecimento da vida e sejam um pólo potenciador de novas perspectivas e novas posturas perante a vida e perante o Mundo. Todos os órgãos de soberania, independentemente das suas competências directas, devem criar mecanismos para essa Vida em “Banda Larga”.
Leiria, um olhar alternativo - III O Largo da República é uma das praças nobres de Leiria. Foi durante séculos chamado de Largo da Portela ( = pequena porta) por ser, de certa forma, a porta de Leiria para quem vem de Lisboa. No Largo temos:A Câmara Municipal, autoria do célebre arq. Ernesto Korrodi, concluído em 1910. Foi aqui que, recentemente, me encontrei com a nossa amiga Magda, de Gouveia, para uma entrevista p técnico superior de não sei o quê, e é daqui também que a nossa Presidente Isabel Damasceno contacta com todos os seus amigos da Liga de Clubes.O edifício da Segurança Social, projectado nos anos 70, é muitas vezes utilizado pelas televisões como imagem de arquivo sobre uma qualquer desgraça envolvendo o nosso sistema de protecção social, e quem teve a ideia de colocar este estilo arquitectónico mesmo ao lado da Câmara sabia que em Leiria o antigo e o moderno fundem-se harmoniosamente.
Do Tribunal de Leiria só consegui, infelizmente, tirar esta fotografia de pormenor.
Estátua de D. Afonso III, Rei que convocou as Cortes em Leiria onde, pela primeira vez, estiveram representantes do Povo. Por aqui se vê como Portugal é um país de brandos costumes: em que outro país podíamos ter uma estátua de um Rei no Largo da República?
terça-feira, setembro 26, 2006
Doutores no desemprego A reportagem da SIC sobre doutorados no desemprego (nem era, propriamente, a licenciados) foi interessante, não pelo conteúdo em si, mas pelas conclusões que podemos tirar. O conteúdo pode ser bizarro para a maioria das pessoas, mas para os licenciados é facilmente adivinhável: professores de Psicologia, doutorados em Psicologia, despedidos ao fim de 11 anos porque só doutores em Filosofia podem leccionar Psicologia (????? É o país que temos, lembras-te, Nuno??), uma doutorada em Oceanografia que quase passou fome, etc. Todos casos mais graves e pungentes, ou dramáticos, que os nossos, de licenciados desempregados ou sub-empregados. (Ao contrário de muita gente, eu estou sempre pronto a ver situações piores que a minha. São muito raros os licenciados que têm filhos para sustentar quando acabam o curso.)
Que conclusões tirar?
- A economia portuguesa não está preparada para aceitar pessoas extra-qualificadas. Os sectores em que maioritariamente trabalha, e as mentalidades de quem os dirige, não precisam deles/desconfiam deles. - O facto de as universidades produzirem qualificados não significa que a economia acompanhe o seu ritmo. E esta é a grande verdade que todos os jovens que frequentam o ensino secundário devem saber. (Quanto aos qualificados, seria bom que estivessem preparados para ir ao estrangeiro.)
Michael Schumacher, Retrospectiva – 2
Ainda dentro das carasterísticas que distinguem Schumacher, há que acrescentar (desenvolvendo o tópico anterior):
Sucesso, e talento, à chuva
Schumacher é daqueles, também poucos, que se evidenciam em corridas com chuva, ou com mudança de condições seco-molhado. Vejamos as vitórias que conseguiu nestas condições: - Bélgica 1992. A sua primeira vitória foi à chuva, e só mesmo assim poderia contrariar a superioridade técnica dos Williams-Renault. Muito sentido de oportunidade nas trocas de pneus e uma prova de maturidade de um jovem de 23 anos. - Bélgica 1995. Depois de uma má qualificação, Schumacher recuperou de 16º para 1º até que começou a chover. Hill trocou para pneus de chuva e rapidamente se aproximou do alemão com slicks. Pouco depois, parou de chover. Hill voltou a trocar de pneus e entregou a corrida. - Espanha 1996. De 9º para 1º em 20 voltas, numa pista encharcadíssima, onde todos os outros apalpavam o terreno e, com tantos acidentes e despistes, só terminaram 6… - Mónaco 1997. Chuva de início ao fim. No meio dos despistes e acidentes, Schumacher caminhou tranquilamente para a vitória, com 1 minuto de diferença sobre o segundo. - Bélgica 1997. Sensibilidade estratégica determina uma vitória fácil, deixando Fisichella a 30 segundos. - Grã-Bretanha 1998. Vitória eficaz (com alguma polémica.) - Europa 2000. O duelo com Hakkinen decidiu-se com a aparição da chuva. - Malásia 2001. “Banhada” da Ferrari sobre os outros. - Estados Unidos 2003. Sem ser uma vitória brilhante, foi eficaz (tirando partida da superioridade dos pneus Bridgestone) e praticamente decidiu o título, deixando-o a 9 pontos de Raikkonen a uma prova do final.
Erros? Claro, e muitos! (definição de “erro”: ocasiões em que a pilotagem pouco eficaz levou ao despiste, acidente, toque e abandono da corrida/dos treinos, com ou sem destruição do carro. Ocasionalmente, poderei incluir erros na afinação com consequência na pilotagem. Não incluirei problemas de relacionamento com a equipa e, ao contrário do que fazem os idiotas do youtube, não incluo acidentes devidos a causas mecânicas.)
Perguntem a vós próprios: quem cometeu mais erros, Schumacher ou Pedro Lamy? Resposta óbvia, não é? Schumacher, claro! Quando se está 15 anos na Fórmula 1, cometem-se montes de erros! (apesar de tudo, nenhum tão disparatado como o do Coulthard, que bateu no muro da box quando ia a entrar.) E pergunta-se o público: então mas o Schumacher não é infalível?
Vejamos:
- S. Marino 1992: despiste e abandono. - França 1992: bate em Ayrton Senna, causando o abandono de ambos.
- África do Sul 1993: despiste e abandono ao tentar ultrapassar Ayrton Senna. - Hungria 1993: fim-de-semana cheio de pequenos despistes até abandonar por falha mecânica. - Europa 1993: despiste e abandono (à chuva) - Austrália 1994: despista-se com violência nos treinos e, suavemente, na corrida. (a ver mais tarde) - Mónaco 1996: depois de fazer uma pole fantástica, larga com pneus de seco numa pista meio molhada e bate logo na primeira volta. - Argentina 1997: causa uma confusão na largada, batendo na primeira curva. - Áustria 1998: na tentativa de ter ritmo para Hakkinen despista-se com alguma violência, recorrendo à box e tendo depois de recuperar até ao 4º lugar. - Bélgica 1998. Seguia descansadamente em primeiro, caminhando a passos largos para a vitória, quando acontece isto.
É visível que Coulthard está encostado á direita. Isto terá custado a Schumacher o campeonato desse ano. (A cena de boxe na boxe, digo, a cena de quase porrada nas instalações da Mclaren, foi só mais uma polémica. )
(continua…)
segunda-feira, setembro 25, 2006
Para quem estiver interessado em comprar um carro familiar e quiser fazer um excelente negocio aqui vai o link da venda do meu Ford Mondeo
Nota: Com este carro não houve lugar a travões de mão, até porque os travões dos carros recentes não o permitem...
Leiria, um olhar alternativo - II
Fachada da Igreja de Santo Agostinho. A Igreja e o respectivo Convento começaram a ser construídos em 1557, 12 anos depois da elevação de Leiria a cidade, e só foram terminados no início do século XVIII devido à oposição dos padres da Sé (politiquices). Na primeira metade do século XX, o Convento albergou o regimento de Infantaria 7. Recentemente, tornou-se mundialmente famosa ao acolher o casamento da Célia e do Telmo, do Big Brother 1.
Liceu Rodrigues Lobo, vulgo Liceu Velho. O Liceu de Leiria foi criado por decreto em 1844, posto a funcionar em 1850 e passou a contar com este edifício próprio em 1912, que se tornou um dos emblemáticos da cidade. Mais tarde passou a acolher a Escola Preparatória José Saraiva, e depois passou a gabinete de acesso ao Ensino Superior, tendo sido ali que eu preenchi as minhas papeladas em 2000.Teri Hatcher seminua. Os placards publicitários são uma realidade já normalizada e sei por experiência própria que a dona de casa desesperada (onde faz o papel de Susan Mayer) estará exposta pelo país fora. Em todo o caso, não creio que Leiria perca em beleza com a sua presença.
A Ponte Hintze Ribeiro, do ministro que a mandou fazer, foi construída em 1904.
Desconheço se existe algum relatório sobre os riscos de desabamento ou a necessidade de obras. Em todo o caso, da ponte obtêm-se um belo panorama sobre o Rio Lis (ou Liz em português antigo.) E ainda há quem se queixe que Leiria não tem espaços verdes.
Agência imobiliária. Placa de sinalização incrustada na parede lateral da farmácia Higiene. Este pitoresco sinal, de meados do século XX, relembra-nos a simplicidade e candura, aliada ao espírito prático e eficácia, da extinta JAE. A incrustação na parede evitava poluir o passeio com mais um poste, (sujeito a vir um qualquer indivíduo arrancá-lo de noite) e as indicações eram simples e claras, num tempo em que havia apenas uma estrada a ligar Lisboa a Porto, a E.N. 1 (acutal IC2) e que nesses tempos primitivos passava pelo centro de Leiria. Hoje, a placa está tão apagada que condutores, peões, Junta e Câmara - ninguém sabe que ela está ali.
Moçambique é campeão mundial do Grupo "B"
A SELECÇÃO Nacional de Hóquei em Patins sagrou-se ontem, em Montevideu, Uruguai, campeão mundial da modalidade, Grupo "B", depois de vencer no jogo da final a Holanda por 5-2. Com esta vitória, os pupilos de Pedro Pimentel acabaram sendo os únicos que lograram vencer todos os seis jogos disputados ao longo da competição, sempre com números expressivos. Na caminhada gloriosa do combinado nacional destaca-se a goleada sobre o México, por 18-1. Um adversário visto "a priori" como sendo das melhores da prova, mas que frente aos moçambicanos não teve "pernas" para aguentar o ritmo avassalador imposto pelos liderados por Pimentel. Aliás, tal vitória permitiu que Moçambique, a par da Colômbia e Holanda, carimbassem o "passaporte" para o Grupo "A", a realizar-se na Suíça no próximo ano. Sublinhe-se que neste grupo, Moçambique jogará com as melhores selecções mundiais, casos de Portugal, Espanha, Argentina e Itália. Este feito faz com que Moçambique ganhe pela primeira o "Mundial" do Grupo "B", melhorando desta forma o seu palmarés, que contabilizava com um Campeonato Mundial do Grupo "C", conseguido no México em 1986
domingo, setembro 24, 2006
EPÁ! “Dois destacados membros da Comunidade Islâmica portuguesa estão a ser vigiados pelo Serviço de Informações e Segurança (SIS). São eles o director do Colégio Islâmico de Palmela, Xeque Rizwan Daud Ismael, e o segundo secretário da Comunida Islâmica de Lisboa (CIL), Ismael Lunat. Motivo: ambos pertencem a um movimento chamado Tabligh Jamaat – cuja tradução literal é “grupo de pregadores” – que está sob vigilância das autoridades francesa, britânicas e norte-americanas. Além dos cargos que ocupam na comunidade, Rizwan Daud Ismael e Ismael Lunat são, respectivamente, líder espiritual e operacional do Tabligh Jamaat em Portugal.” In Revista Sábado, 21/09/2006.
Para além do que a revista diz - o grupo Tabligh Jamaat não é perigoso ou ameaça - que conclusões podemos retirar deste texto? - mais valia o SIS divulgar no seu site a lista de pessoas e organizações a ser vigiadas. Não é a primeira nem a última vez que o trabalho dos nossos serviços “secretos” aparece estampado nas revistas. E depois queixam-se da falta de transparência da democracia! - Tenho que tomar cuidado pois, aparentemente, o SIS pretende espiar as actividades de todos os cidadãos portugueses que apresentem “Ismael” no B.I…
Michael Schumacher, Retrospectiva - I Ao contrário do que dizem as revistas e os sites, esta é uma óptima altura para revermos o que foi a carreira de Schumacher na Fórmula 1. As três corridas que faltam, embora sejam as mais importantes da sua carreira (como já referi antes), e a indecisão sobre se permanece com 7 títulosou chega ao 8º, não vão alterar significativamente o panorama geral. O que distingue este piloto e o classifica no topo da galeria das três dezenas de campeões e das centenas que chegaram ao patamar mais elevado do desporto automóvel? - sucesso, muito sucesso Schumacher possui todos os recordes “simples” (porque existe um sem número de outros recordes menos conhecidos; por exemplo, o número de vitórias num determinado GP. No Mónaco, Schumacher conseguiu 5, contra as 6 de Senna), e vai falhar apenas o recorde de participações, permanecendo Patrese com 256. Em termos estatísticos, só mesmo Fangio poderá eventualmente superar o alemão, mas isto se fizermos estatísticas relativas, isto é, com percentagens. Por exemplo, a percentagem de vitórias de Fangio é de 47,05% (24 vitórias em 51 participações) enquanto Schumacher tem apenas 36,43% (90 vitórias em 247 participações). Da mesma forma, Fangio ganhou 5 dos 9 campeonatos em que participou (55%), enquanto Schumacher ganhou 7 em 16 (43%). (Só para compararmos, Jean Alesi tem uma percentagem de vitórias de 0,49% - 1 vitória em 202 participações.)
- Longevidade - e sempre no topo - Patrese fez mais GP e mais épocas (de 77 a 93), mas nunca foi campeão e entre 1983 e 1990 não venceu qualquer GP. Já Schumacher vence pelo menos um GP por temporada desde 1992, da mesma forma que também desde 1992 nunca terminou um campeonato abaixo de 4º (com excepção da desclassificação de 1997 e do 5º de 1999, em que só participou em metade da temporada devido a acidente.)
Poucos pilotos tiveram carreiras tão longas, e nunca nenhum tinha permanecido durante tanto tempo no topo da F1.
Talento especial Schumacher é daquele génios feitos à medida para pilotar um carro. Para além da determinação, do empenho, das capacidades humanas e de relacionamento, da sensibilidade estratégica (saída e entrada de boxes), a condução super-sensível à chuva, Schumacher tem o feeling irracional. (Mansell é um outro piloto que também tinha feeling, mas faltavam-lhe as outras qualidades.) O vídeo que se segue é uma raridade valiosa no meio de centenas de tributos parolos que se vêem no Youtube. Após a musiquinha e os comentários de Damon Hill e Johnny Herbert, tomemos atenção à comparação dos dados electrónicos fornecidos pela telemetria dos Benetton de Schumacher e Herbert, na mesma curva de alta velocidade ("Bridge") do circuito inglês de Silverstone.
(Dito assim, até parece fácil.) Agora basta multiplicar isto por duas centenas e meia de GP, e milhares de curvas.
sábado, setembro 23, 2006
(post repetido de há alguns meses) Apadrinhar uma criança por 20 euros "Nuno Barquinha tem 29 anos e é subgerente do balcão do banco Santander na Rua do Ouro. (...) Dos três tipos de apadrinhamento à distância (apadrinhamento completo, apadrinhamento escolar e apadrinhamento colectivo de uma turma), Nuno escolheu o apadrinhamento completo, que o compromete a enviar 21 euros por mês (ou 63 euros por trimestre ou 252 euros por ano) para garantir o sustento completo de uma criança, capaz de assegurar assistência alimentar, sanitária e educativa". Mais informações sobre o apadrinhamento à distância no site do Centro para a Cooperação e Desenvolvimento.
Leiria, um olhar alternativo - I Começarei esta rubrica com algumas fotos tiradas da minha varanda, terceiro andar no subúrbio Sudoeste de Leiria.A Igreja Matriz de Parceiros, a uma centena de metros. É muito romântico (sem ironias) viver ao lado de um sino que bate as 24 horas do dia. Como dizia o Fernando Pessoa:
ó sino da minha aldeia, dolente na tarde calma, cada tua badalada soa dentro da minha alma.
Aspecto da rua transversal à Rua Principal. Aquilo a que chamo o Centro Histórico de Parceiros, por contraste com a explosão de prédios e vivendas enormes em zonas mais afastadas da igreja. A mesma rua transversal.
Portagens e saída final da auto-estrada A-8. Quando saio de manhã e vejo o helicóptero da TVI a dizer "TRÂNSITO MUITO COMPLICADO NO IC-19 E NA A8", eu olho pela janela e penso: trânsito complicado na A-8? Ná, deves estar enganado... (o preço elevado das portagens faz com que esta secção final da auto-estrada esteja permanentemente vazia.)
A três quilómetros, meio escondido na paisagem envolvente, o Castelo de Leiria.
Voluntários para Africa
Humana People to People precisa de voluntários para seus projectos na África. Com o programa de 14 meses, você terá a experiência de uma vida ajudando as mais diversas pessoas nos países mais pobres do mundo. Visite nosso site para mais informações: Humana People to People
quinta-feira, setembro 21, 2006
Brevemente
Para além de continuar a bombardear os leitores com os meus textos insuportáveis, especialmente agora que estou acompanhado com alguma postagem por parte do Berto, do Danish e do Daniel "qualquer coisa" Sousa (o nick muda ciclicamente), vou abrir duas novas rubricas:
- Leiria em fotos (ou algo parecido) - Michael Schumacher: Retrospectiva
A não perder!
(Para hoje, alguns versículos do Novo Testamento - O evangelho segundo São Marcos. Lamento o tom brazileiro.)
Jesus responde àqueles que disseram que ele tinha um "espírito imundo", anunciando o pecado imperdoável: "blasfemar contra o Espírito Santo." 3:29
Jesus envia demônios para 2.000 porcos, fazendo-os saltar de um precipício e afogar-se no mar. Quando as pessoas ouviram falar disto, eles pedem para que Jesus saia de suas terras. 5:12-13
Qualquer cidade que não receber os seguidores de Jesus será destruída de forma mais selvagem que Sodoma e Gomorra. 6:11
Jesus critica os judeus por não matarem as crianças desobedientes como determina a lei do Velho Testamento. (veja Ex 21:15, Lv 20:9, Dt 21:18-21) 7:9-13
Jesus nos diz para que cortemos nossas mãos e pés, e arranquemos nossos olhos para evitar o fogo do inferno. 9:43-49
Jesus diz que aqueles que acreditarem e forem batizados serão salvos, enquanto os que não acreditarem serão condenados. 16:16)
Ainda sobre o papa
"”O Islão é violento”. Esse pensamento, que nos nossos dias parece óbvio, na verdade não é mais do que uma tese muito em voga por estes dias no Ocidente, que passa pelas universidades e faz o seu caminho até aos jornais e revistas, defendida por muitos historiadores, pensadores ou meros comentadores. Para todos eles, há violência intrínseca nos textos sagrados muçulmanos, há apelos à violência, e todo o edifício teológico islâmico é uma apologia de uma forma de viver que inclui o uso da violência contra aqueles que não acreditam em Alá. Aparentemente, a realidade do presente dá-lhes razão. Em quase todos os países islâmicos há movimentos políticos que professam ideologias violentas, e muitos deles usam a violência como método de acção política. O ”terrorismo islâmico”, que fustiga muitos países, sejam eles islâmicos ou não, é a manifestação presente dessa violência, e como tem assumido gravidade extrema, assusta terrivelmente. Até porque é apresentado como sendo feito em nome do Islão, e da Guerra Santa. Assim, confrontados com esse terrorismo, que usa o Islão como argumento de assalto e ataque ao Ocidente, a tese dos historiadores e pensadores explica-se a si própria, e obviamente valida-se a ela própria com facilidade. Contudo, é uma tese perigosa e provavelmente precipitada. É uma espécie de ”choque traumático”, uma conclusão apressada. Se, por absurdo, um movimento cristão e católico começasse a colocar bombas a torto e a direito, e a desviar aviões contra arranha-céus, fazendo tudo isso em nome de Cristo, será que aceitávamos de imediato a tese de que o cristianismo é violento? Na verdade, é pouco provável que, se usarmos o critério comparativo, cheguemos à conclusão que o islamismo é mais violento que por exemplo o judaísmo ou o cristianismo. Nos textos sagrados das três religiões pode-se encontrar quase de tudo, e muitas interpretações são viáveis. Por outro lado, não foi o facto de na Bíblia, mais precisamente no Novo Testamento, não existir nenhuma apologia concreta da violência, que impediu os povos ou os estados cristãos de a praticarem. O mesmo se passa com o judaísmo: não há apologias, mas há prática permanente dessas violências. Acrescente-se que, por mais impressionados que nós fiquemos com os actos terroristas de que o Ocidente tem sido vítima, numa escala de horrores eles não chegam nem perto de actos de violência praticados no Ocidente, entre países de tradições religiosas importantes. Tomemos como exemplo a 2ª Guerra Mundial. De um lado estavam países cristãos, protestantes e católicos, como a Alemanha e a Itália, e um país taoista, como o Japão; e do outro países protestantes, católicos e em parte ortodoxos, como a Inglaterra, a América e a Rússia. Ora, não foi o facto de serem países com essas tradições religiosas profundas e aparentemente menos dadas à violência que os impediu de se atirarem às gargantas uns dos outros com uma brutalidade que não tem paralelo na história da humanidade. Comparados com os horrores e as atrocidades que se cometeram de parte a parte, os atentados terroristas do presente são bem menos impressionantes. E, nem sequer vale a pena ir remexer na história antiga: aí, qualquer religião praticou e avalizou um catálogo de horrores, e tenho dúvidas que o Islão tenha direito ao primeiro lugar do ‘top’. Por isso, é preciso cuidado com as palavras e com os juízos precipitados. O papa Ratzinger devia saber que, ao falar de fé e violência, e usar um exemplo islâmico, estava a mexer numa ferida. Podia ter usado um exemplo judaico, cristão ortodoxo, protestante, católico, budista, hindu, taoista. Mas não o fez. Não foi um acto inocente, e julgo mesmo que foi perfeitamente consciente. O Papa sabe que uma guerra religiosa é uma maneira excelente de recuperar o cristianismo. O Islão radical está a dar-lhe uma oportunidade. As desculpas são apenas poeira para os olhos. É preciso reunir os rebanhos quando os lobos andam por perto, e o pastor sabe disso… "
quarta-feira, setembro 20, 2006
Números, apenas números...
3.000 - número próximo das pessoas que perderam a vida nos atentados de 11 de Setembro. 6.300.000 - número médio de crianças que morrem de fome anualmente. 13.000.000 - número de crianças que morrem antes de atingirem os cinco anos por causas evitáveis.
Vamos Caçar os Terroristas!
quarta-feira, setembro 13, 2006
"DIÁLOGO DE SURDOS"
Há pouco menos de cinco anos, Mário Soares defendeu a tese de que uma forma possível de alcançar a paz seria tentar o diálogo com os grupos terroristas. Na altura, estas afirmações foram ridicularizadas por muitos dos especialistas em Relações Internacionais do nosso país. Volvidos cinco anos, outro antigo Presidente da República, Jorge Sampaio, defende a mesma teoria, afirmando a necessidade de dialogar com os grupos extremistas. Dizem os manuais de ciência política (com excepção da corrente realista) que a negociação, a via diplomática e o diálogo devem ser etapas importantes num processo de gestão de conflitos e que a força só deverá ser usada em última instância. Este é o cenário previsível no quadro institucional da ordem mundial vigente com a existência das Nações Unidas. Mas será este um conflito armado convencional? Será que existe margem para que as partes envolvidas se sentem à mesa das negociações? E quais são essas partes, sabendo nós que alguns países islâmicos não são apologistas dos procedimentos dos extremistas religiosos? Nessa mesa ficarão de um lado os países ocidentais e do outro os países árabes? Não será essa disposição o assumir definitivo de um novo Choque de Civilizações até agora “encapotado”? Será esta uma guerra religiosa, económica ou cultural? Enfim, muitas perguntas, todas elas com respostas muito variadas dependendo da perspectiva de cada um. Uma coisa é certa, desde o início desta nova ameaça global que é o terrorismo à escala internacional que a violência tem sido crescente. O jogo do “rato e do gato” tem provocado o aumento de violência e de atentados e não se vislumbra um cessar-fogo definitivo. Olhando para o país vizinho, verificamos que a coragem de José Luís Zapatero e a sua intenção de negociar com a ETA diminuiu drasticamente a violência dos separatistas Bascos. Comparando os contornos da acção da ETA com a acção dos grupos extremistas Islâmicos, não podemos analisar o “processo de paz” em Espanha” com a trivialidade de “ se em Espanha correu bem, no Mundo também correrá”. A Cooperação política e o circuito de informações internacional que hoje existem permitem um combate mais eficaz às acções terroristas. No entanto, passados cinco anos do 11 de Setembro a ameaça global que surgiu em 2001, hoje, é muito maior. Assim, defender uma plataforma negocial com os grupos terroristas islâmicos será, por princípio, uma boa opção. No entanto, tendo em conta os passos normais de qualquer negociação internacional e tendo em conta os contornos deste conflito que em nada são semelhantes a qualquer conflito armado entre Estados e onde não é clara a materialização das reivindicações das partes envolvidas, poderemos estar a querer promover um autêntico diálogo de surdos o que poderá aumentar as diferenças e perpetuar um Choque de Civilizações que é cada vez mais evidente.
terça-feira, setembro 12, 2006
Vai atrasado, mas não interessa Pode-se fazer ao menos uma pequena nota sobre o que eu acho do 11 de Setembro, passados 5 anos. Embora esta guerra seja invisível, dá-me a sensação que toda a gente falhou os seus objectivos.Mais atentados na América? Não houve, embora a Al-Qaeda os prometa regularmente. Conseguiu dois atentados de grande envergadura em Madrid e Londres. Conseguiu muitos outros, mas todos em países muçulmanos, fazendo inúmeras vítimas entre muçulmanos... Devemos acreditar que a Al-Qaeda é uma desculpa e que o 11 de Setembro é uma farsa, tipo Pearl Harbour, para virar a opinião pública americana e ocidental contra o Islão, ou alguns estados islâmicos, e que as cassetes do bin Laden são gravadas nos estúdios do Pentágono? Se quisermos acreditar nisto, também falhou. A Al-Qaeda é um inimigo invisível e espúrio, ao contrário da Espanha, do Japão e da Alemanha, que eram visíveis e concretos. O Iraque foi e é um imenso fracasso e Bush já reconheceu que Saddam não tinha nada a ver com a Al-Qaeda. A segurança da América não melhorou com a guerra iraquiana, numa altura em que surgem novas ameaças, mais a sério, e a opinião pública americana não está motivada ou com espírito guerreiro.
E o mundo, como mudou?
Para dizer a verdade, acho que o mundo não só não mudou com o 11 de Setembro como já não tinha mudado muito. Talvez daqui a 10 ou 15 anos possamos sentir outros efeitos. Os Estados Unidos continuam invulneráveis. A Al-Qaeda não consegue sequer fazer subir o preço do petróleo; a política agressiva de Bush é que o tem feito. Os grandes feitos militares da Al-Qaeda são no Iraque e no Afeganistão, não no Ocidente. O Mundo continua uni-multipolar, e os assuntos importantes continuam a não aparecer nas notícias. Os genocídios continuam a suceder-se sem que alguém repare (estou a ponderar seriamente lançar a ideia de associar este blogue ao movimento de chamada de atenção para Darfur); a China continua a crescer a 10% ao ano e a preparar-se para tomar o lugar da ex-URSS num mundo bipolar, embora menos agreste que o da Guerra Fria;(Hu Jintao, sec.-ger. do PCC) A Índia, próximo disso; e a Europa debate-se com a crise económica e com a crise de identidade, tanto em conjunto (a Constituição falhada) como individualmente (a imigração e problemas relacionados.) (sim, este é uma novidade.) O Protocolo de Quioto continua a arrastar-se, a economia a globalizar-se, e a questão de Israel mantém-se praticamente inalterada. O que mudou, afinal? Duas coisas importantes: acentuou-se o choque das duas "civilizações", Ocidente e Islão, na mente das pessoas em ambos os lados (os cartoons terão tido piores efeitos que o 11 de Setembro) ; e o Irão prepara-se para obter a arma nuclear. E, desta vez, suponho que as gigantescas manifestações anti-guerra que se viram em Fevereiro de 2003 serão mais reduzidas. Agora ninguém pensa que o "Saddam" não tem armas perigosas. Espero, naturalmente, que o Partido Democrata vença as eleições de 2008. Como defensor da aliança portuguesa e europeia com os Estados Unidos, aguardo que a próxima Administração tenha mais bom senso... (já é dizer o óbvio...)
F1 - constatações, I Ayrton Senna vai manter o recorde de vitórias no Mónaco (6) por mais alguns anos. Schumacher venceu lá pela última vez em 2001.
Dúvidas que me deixam fora do sério, agora esclarecidas!!! - Versão 1
1. Se levantar dinheiro e não sai dinheiro, antes de chatear o assistente olhe para a parte de baixo do recibo que sai do Maquina Multibanco, o mais provável e ter a palavra ANULADO escrita. 2. Nunca tente levantar um cheque de um banco noutro banco diferente, pois não dá, apenas se pode levantar um cheque no banco sacado no cheque. 3. Se um cheque tiver cruzado, apenas clientes do banco sacado no cheque podem levantar o referido meio de pagamento à vista. 4. Se não tem nada para fazer da vida, tente ler boas obras de arte ou arranje um hobbie melhor que ir todos os dias ao banco perguntar por movimentos do extracto bancário. 5. A cobrança "Tele Milenio" não é uma comissão do Millenniumbcp, mas sim um débito directo da conta telefónica na Tele 2. 6. Nem toda as pessoas que usam gravata são ricas e ganham bem. 7. Sempre que houver uma fila muito grande no caixa, não se esqueça que pode sempre depositar um cheque ou notas nas caixas multibanco, é muito mais rápido e cómodo. 8. Se a maquina Multibanco não tem dinheiro, dirija-se por favor á ATM mais próxima, nunca peça ao assistente para largar o seu posto de trabalho e ir carregar a maquina com dinheiro apenas para si. 8. Nunca chame à sua conta "conta corrente", isso é um conceito completamente diferente, conta de depósitos à ordem é preferivel.
domingo, setembro 10, 2006
Fórmula 1 - Schumacher retira-se Michael Schumacher anunciou finalmente o que se suspeitava - o abandono da modalidade.
A análise da carreira fica para outra altura. Agora, bastará dizer que me sinto um pouco desiludido. Schumacher completou o padrão de Ayrton Senna, prolongando-o no tempo. Senna manteve-se no topo da F1 praticamente durante os 10 de carreira, que poderiam ter chegado a 15 ou 16 se se concretizasse a previsão do brasileiro de abandonar em 2000. Schumacher chegou estreou-se no GP Bélgica 91, fez 15 anos o mês passado.
Estou desiludido porque pensei que poderia ficar mais algum tempo. É escandaloso o que estou a dizer, dadas as estatísticas e dado ter os recordes todos. Escandaloso também porque alguns dos leitores estarão felizes com o abandono do odioso alemão.
Acontece que, para mim, era agora que a carreira do alemão se estava a tornar interessante. Após 5 títulos, Schumacher debateu-se com a perda súbita e violenta de performance do seu carro, e o vulgo imaginou que Schumacher estava acabado, e julgou até ver um novo Eusébio.
Este ano Schumacher "renasceu." Isto é: continuou a trabalhar forte e feio com a sua equipa para que o carro deste ano pudesse competir pelo título. Ao contrário do que outros poderiam fazer (veja-se Prost na mesma Ferrari, em 1991), não desmotivou, mão esmoreceu, não pensou "vou mas fazer outra coisa, tou-me a cagar para esta bosta." 2006 foi o regresso do veterano que já se julgava estar acabado. Schumacher, com 37 anos e 15 de Fórmula 1, mantém praticamente intacto o talento de sempre, e era agora apaixonante ver até onde poderia ir. 2007, batendo o recorde de participações de Riccardo Patrese? 2009? Por que não manter-se em competição até aos 40 anos, tal como fez Nigel Mansell? E até onde poderia manter-se competitivo? Será que as performances relativamente falhadas da Hungria e da Turquia seriam indícios de velhice? Perguntas sem resposta. Quer Schumacher seja ou não campeão pela 8ª vez, sai efectivamente no topo da carreira, evitando assim o risco de sair pela porta pequena, como Eusébio.
Mas isso não quer dizer que as próximas três corridas não sejam as mais importantes da sua carreira. É a última hipótese de Schumacher ser campeão!!
GP Itália - o regresso da máquina (depois de duas corridas falhadas)
A pole de Raikkonen não adiantou nada. Schumacher seguiu-o de perto até ao primeiro reabastecimento, passou-o fazendo voltas de entrada e saída rápidas, como é costume, e liderou até ao final, saindo muito na frente de Kimi após o segundo reabastecimento. Raikkonen não se terá importado muito: deixou a sua marca no dia em que viu confirmada a sua transferência para a Ferrari. Pelo menos a sua expressão no pódio não revelava que estivesse chateado, mas também não revelava nada, como é costume, "boep!" Alonso esteve na polémica. Foi penalizado com perda de lugares na grelha por ter bloqueado Massa no final da qualificação. Eu vi a qualificação e achei extremamente injusto, pois Alonso não bloqueou Massa e saiu para a pista à sua frente para poder fazer a volta rápida que lhe deu o 5º tempo.
Depois, na corrida, fez batota ao ultrapassar Heidfeld pela chicane no início da 2ª volta - como se vê no vídeo da corrida - e não foi penalizado por isso. (Os árbitros da F1 vêm emprestados pelo Major.) No final, depois de se desembaraçar de Button e passar Massa e Kubica para chegar "prostianamente" ao 3º lugar, um motor rebentado - finalmente a falha mecânica que reduziu a nada a vantagem pontual do espanhol! Com a vitória, Schumacher ficou a 2 pontos, o que promete três corridas finais fabulásticas. De resto, a corrida fica marcada pelo estreante Kubica, a chegar ao pódio na sua terceira corrida. Embora fosse nitidamente mais lento que os dois líderes, que Massa e que Alonso, Kubica fez uma boa largada, segurou Massa atrás de si durante toda a corrida e não cometeu um único erro, mantendo um ritmo forte e certinho - deixando Heidfeld na obscuridade. Prémio merecidíssimo para um nome a acompanhar, e primeiro pódio para a Polónia na F1.
Fotos e imagens (em colaboração com os vídeos) Kylie Bax
terça-feira, setembro 05, 2006
É melhor que ir ao Pantera!!!
domingo, setembro 03, 2006
Eu, Tu e o Emplastro É costume as traduções de títulos de filmes distorcerem o significado original, para não dizer - não têm nada a ver. (Traduções de títulos de filmes é um tema tão válido como outro qualquer.) Por uma vez, temos um caso em que a tradução do título de um filme é melhor que o original. A história anda à volta de um casal e do amigo solteirão do marido, interpretado pelo inevitável Owen Wilson, o que nos dá uma ideia muito aproximada do que será filme. Ora acontece que o título original é "You, Me and Dupree", sendo Dupree a personagem de Wilson. Trata-se de um título desinteressante e banal, que não nos deixa adivinhar a substância. Já "Eu, Tu e o Emplastro" diz tudo. No meio da normalidade, aparece, em pano de fundo, um estraga-fodas incómodo que está a mais. A magia está na sensibilidade do tradutor, que descobriu a existência, em português, de um termo adequado para "estraga-fodas incómodo que está a mais." A palavra "emplastro", no sentido em que é aqui utilizada, não tem tradução para inglês, e isto porque nos países anglo-saxómicos, provavelmente, as pessoas não têm o hábito de se chegar ao pé de câmaras de televsão e acenar, berrar e bater palmas como se tivessem graça - e ninguém pensaria em incentivar um coitado a aparecer rotineiramente atrás dos reporteres de TV e dizer meia dúzia de anormalidades. Afinal, existem excelentes tradutores em Portugal.
Ya... Por falar em Owen Wilson, um amigo meu perguntou-me se estava tudo bem comigo e com a Ana, e à minha resposta "ya", retorquiu "nice answer, Hansel." Para ele deixo as palavras de Eça de Queirós: "Olhe, o meu casamento não tem história (...) É apenas a história de duas pessoas que têm um coração sério e que reciprocamente o colocam num refúgio muito seguro duma estima muito profunda."
sexta-feira, setembro 01, 2006
"Fascismo" ou outra coisa qualquer Recentemente, um texto de Vasco Pulido Valente reacendeu a "faísca" sobre a designação correcta a dar ao regime da II República. A SARIP, junto com o saudoso Quim Batinas, já tinha promovido esse debate há alguns anos, e a expressão "social-corporativismo" alcançou algum consenso. Mais uma vez, o rigor histórico e o combate político chocam entre si. Em História, não me choca chamar social-corporativismo ao regime da Segunda República porque existiram diferenças consideráveis em relação ao modelo italiano (e alemão). Em Política - "teoria e demagogia", como dizia a minha colega de curso - é mais difícil estabelecer diferenças entre esses regimes, até porque a Europa de entre-guerras estava dividida em três esferas de solidariedade política e é isso que interessa, para todos os efeitos. Agora, será que chamar "social-corporativismo" ao regime da Segunda República contribui para branquear os erros e os crimes?... (claro que, a todos os que entendem ser a democracia um regime podre, falível, e que preferem qualquer outra forma de poder controlado, mais valia assumirem-no frontalmente como fazem alguns blogues nacionais.)
Fotos e imagens
Espaço Relações Internacionais - Estado dentro dos estados 1 - Zidane Se Zidane desse uma cabeçada num peito de um transeunte num passeio no meio da rua, seria certamente preso ou condenado a pagar uma multa. Dentro de um campo de futebol, vê um cartão vermelho. 2 - Federação Grega de Futebol Há alguns meses atrás os clubes e selecção gregos foram suspensos num caso idêntico ao do... 3 - Gil Vicente Para lá da palhaçada que é o futebol nacional, a conclusão a retirar é que os clubes não podem, em circunstância alguma, recorrer aos tribunais "civis."
Esta expressão "civis" diz tudo. Até ao século XVIII, havia vários secotres da sociedade com leis, privilégios e tribunais próprios. A nobreza, o clero (que faziam, aliás, as suas próprias leis no interior dos seus territórios), até os estudantes de Coimbra tinham legislação própria. As revoluções liberais estabeleceram a igualdade perante a lei, (com a excepção dos tribunais militares...) princípio que veio a ser alterado em dois sentidos: - quando a igualdade perante a lei gera desigualdade real... - e quando surgem novas classes, novos poderes, que se sobrepõem ao Estado. Não falo de Portugal, mas do Mundo. No Mundo dos Estados, há um poder transversal a todos eles e que, no seu raio de acção, se sobrepõe a eles - é a FIFA, uma das ONG's mais poderosas, que se sobrepõe, não só na prática, mas também legalmente ao poder legislativo do Estado. Daí a existência de tribunais "civis", do Estado, e os "outros", da FIFA e das suas filiais em cada Estado (em Portugal é a FPF.)