Teoria e demagogia
A abolição dos matizes facilita muito as coisas na hora de julgar um ser humano, analisar uma situação política, um problema social (...) e permite dar livre curso às filiações e às fobias pessoais sem censuras e sem o menor remorso. Mas é também, a melhor maneira de substituir as ideias pelos estereótipos, o conhecimento racional pela paixão e pelo instinto e de malentender tragicamente o mundo em que vivemos. (...) Disse que as minhas críticas à política para com os palestinos dos dois últimos governos desse país se deviam a que também não queria sentir-me envergonhado de ser amigo de Israel. O diário israelita Haaretz publicava dois dias depois que (...) "Vargas Llosa tem vergonha de ser amigo de Israel." O diário recebeu 199 cartas (...) quase todas me chamam comunista, ultra-esquerdista, castrista, outro Saramago, anti-semita (...) esquecem-se de que aquilo de que sou acusado, na Espanha e na América Latina, é de neocon, ultraliberal, pró-americano e de outras lindezas por atacar Castro, Chávez e o farisaísmo e oportunismo dos intelectuais de esquerda."
Mário Vargas Llosa, DN (25 de Agosto)
Dizia-me uma colega de curso que tinha perdido o interesse pelo assunto, já que tudo ia dar ao mesmo: teoria e demagogia.
Ela tem razão. Aquilo que aconteceu a Mário Vargas Llosa é um exemplo, aliás bastante simples de entender porque se trata apenas de comparar insultos vindos de diversos quadrantes.
Um bom político, como aquele que faz parte dos quadros deste blogue, responderia a essa colega "pá, são os ossos do ofício." Eu, que não sou político, diria que o interesse do curso que tirámos é precisamente saber ver para além da palha e da poeira - isto é, da teoria e da demagogia. (Claro que isto dificulta a militância política.)
E porque não esta, já agora?
Monica BelluciEspaço Ódio: James Blunt
Sou um gajo relativamente calmo e ponderado. Quando ouço música pela primeira vez, é muito raro sentir imediatamente que adoro ou que detesto. Geralmente gosto, gosto mais ou menos, não gosto muito... e quanto mais complexa for a música, mais vezes terá de ser ouvida. (Já tive "lições teóricas" sobre como ouvir música clássica, mas sei que para a apreciar terei de aprender a ouvi-la, o que não será fácil.) Ultimamente, só de Arcade Fire posso dizer que adorei assim que ouvi.Lembro-me do primeiro momento em que ouvi James Blunt na rádio. Uma música molenga e lamechas e uma voz aguda e irritante que berrava YOU'RE BEAUTIFUL, IT'S TRUUUE. "Meu Deus, que é isto?" pensei logo, muito antes de saber o nome do "artista." Infelizmente, tive de continuar a gramar com ele - mas tive mesmo, é verdade, meus amigos. Tive porque a pop music é omnipresente e atinge-nos, por muito que a gente fuja. Olha lá se se ouve o Drogado nas rádios! Isso é que era bom... dizia, tive de aturar aquele eos seus outros sucessos, nomeadamente aquele em que chora baba e ranho GOODBYE MY LOVEEEER, GOODBYE MY FRIEEEEND, numa eficaz tentativa de imitação do som da ovelha que bale, ou melhor, que berra!
Nada me move contra a pessoa. Espero, aliás, que tudo de bom lhe aconteça, nomeadamente ganhar o Euromilhões - talvez assim o meu rádio deixasse de ganir!








