Tu é que sabes...
Se um português me convidar (uma festa, uma saída, um jantar, whatever) e eu disser que não, o português fica despeitado. Sentido. Um pouco magoado. Talvez mesmo um bocadinho chateado. Enfim, pior que fodido.
(esta sequência é, como facilmente se nota, copiada de Ricardo Araújo Pereira)
Porquê?... Porquê, pergunta ele. "Tens algo marcado? Tás cansado? Anda lá! Não sejas corte! ANDA!"
O português tem aquela mania do filho único que se imagina no meio de um Truman Show e o Mundo gira à volta dele e por causa dele. É uma falta de consideração recusar um convite! É óbvio que o convidado negacionista se está a cortar porque o português cheira mal, não lavou os dentes, prque não é divertido nas saídas, enfim, seja lá o que for. Até parece que são todos filhos únicos. Uma fraqueza de personalidade que mete dó... bem, pode ser que não. Pode ser que seja só um costume nacional bem vincado: Convite tem que se aceitar!
Recentemente, um amigo meu, oriundo da Europa do Norte, convidou-me para uma noite de copos a meio da semana e eu recusei, porque nesse dia tinha trabalhado 10 horas e no dia seguinte ia trabalhar outras 10. Se ele fosse português, era altamente provável que ele achasse isto uma desculpa tola e que me torturasse convenientemente até eu ceder, ou até ele próprio ceder, de beiça pendurada, resmoneando "tu é que sabes..." com ar de criança birrenta. Nada disso aconteceu. Um simples e honesto "well deserved rest."
É nestas ocasiões que me apetece emigrar.
1 comentário:
Conheço vários filhos únicos, ou criados como tal, que sofrem este "síndroma" do Truman Show. Aliás, eu próprio também, em parte.
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