quinta-feira, maio 18, 2006

Scolari
Está na moda dizer mal de Scolari. Não há ninguém que consiga suportar a arrogância, as más escolhas tácticas, o ordenado monstruoso, e, para os adeptos do FCP, o corte de Baía e agora Quaresma, e já agora de Pinto da Costa.
Também os brasileiros lhe quiseram trinchar o pescoço ao não convocar o deus Romário, desnecessário para a conquita do Penta.
Com excepção das escolhas erradas no início da fase de grupos do Euro2004, não entendo as críticas. Scolari tem tentado construir um grupo. Um espírito de grupo, uma mentalidade de grupo, mecanismos de jogo, ou como se diz muito em futebol, "entrosamento" entre o grupo.
Os portugueses já reconheceram que é o grupo que ganha jogos, e é por isso que anseiam por Mourinho para seleccionador, ele que é o Supremo construtor do colectivo. É notório que as equipas de Mourinho funcionam sem super-estrelas, com muita disciplina, como equipas.
Porquê então a birra com Scolari? Ouvir os adeptos do FCP acusar o seleccionador de arrogância, depois de terem adorado Mourinho, é anedótico. É pela Nossa Senhora da Aparecida? Subitamente somos todos não-religiosos. É pelo ordenado? Todos queremos ter bons ordenados, é o nosso alvo número um, aliás. Por causa do Deco? Lol. Por não convocar o Quaresma? Se já é difícil conseguir que jogadores que jogam só de vez em quando funcionem como grupo, imagine-se acrescentar um novo a uns dias do Mundial.
Claro que seria bom termos mais um talentoso a espalhar magia, mesmo que se tornasse estranho ao grupo. É mais consentâneo com o nosso carácter, ver magia e esperar pelo milagre que nos dê a vitória. Planificar não é connosco.
Pergunto-me se Mourinho convocaria Quaresma.

Qual o problema da Fórmula 1?
Carisma.
Os regulamentos são secundários, lutas em pista e proezas ao volante haverá sempre. O que falta mesmo é o carisma dos pilotos, que é pouco necessário para fanáticos como eu mas indispensável para o adepto normal.
Nos anos 80 não havia reabastecimentos, a gasolina tinha que durar toda a corrida. Nem sempre havia ultrapassagens. E no entanto toda a gente reconhecia Mansell, Piquet, Prost, Senna! Eram pilotos com algo mais para dizer que uma cartilha pré-programada. Não falavam só de Fórmula 1, ou das expectativas da corrida. Enfureciam-se, por vezes até demais, como Piquet nesta ocasião.

Com Senna e Prost em pista podíamos sempre esperar por algo de espantoso ou anormal em pista. E depois pelas guerras fora dela. Era um desporto muito humano.
É extremamente decepcionante ouvir os pilotos hoje. Eu próprio fujo disso. Schumacher pouco mais diz que o grupo da Ferrari está unido e motivado. Alonso, para além dos festejos após a vitória, reage mal ao contacto com o público. Montoya não segue a cartilha, mas quando diz algo de diferente é só para dizer mal de Fulano ou Sicrano que o bloqueou. Raikkonen, como bom nórdico ariano, possui o carisma do silêncio. O único piloto que sempre fugiu à cartilha e disse o que bem lhe apetecia foi Jacques Villeneuve, mas infelizmente fez escolhas de equipa erradas, o que não o impede de ter conseguido grupos de fãs bastante fiéis, como a TV mostrou no último GP.
Quanto ao Tiago Monteiro, é melhor nem falar...
É verdade que a próxima saída de Alonso para a McLaren é estranha, e o clima na Renault o é também. Mas isso não chega. a F1 deveria aliviar a carga censória que se aplica aos pilotos.

Terceiro Mundo
Impossível fazer uma iniciativa típica de países civilizados em Lisboa sem que apareça logo uma besta qualquer a provar que estamos muito próximo do Terceiro Mundo.


4 comentários:

Daniel Sousa disse...

os portugueses sao uns burros de merda... gostam é de cagões como o quaresma.. uma equipa vence sempre um conjunto de estrelas vejam so o real madrid... viva o scolari.. havia ca ficar muitos anos...

Baía disse...

Toda a gente se esqueceu que eu fartei-me de mandar patos no último Mundial.

W. disse...

Já tive que explicar a um bronco qualquer numa comunidade de F1 que esse Salazar não era português...

Ismael disse...

Os estrangeiros só conhecem de Portugal o que não devem.
(na Fórmula 1 não vale a pena socar a cabeça do adversário enquanto ele tiver o capacete...)