Uma corrida fabulosa nas primeiras 50 voltas, daquelas que dá mesmo gosto ver, decidida num par de voltas com dois abandonos (sim, incluindo Webber nos candidatos à vitória). E o bicampeonato de Alonso a desenhar-se. Notas:
- Albers destruiu a asa dianteira de Monteiro na largada e foi muito justamente punido por isso. (Monteiro passou depois a corrida inteira atrás do S.Aguri de Montagny até lhe dar um pequeno empurrão.) Depois de muitos anos de ausência, a FIA tem agora um dispostivo arbitral tão efectivo como a ASAE.
- Schumacher conseguiu uma boa recuperação, para 5º (embora bem ajudado pelos abandonos.)
- Tal como Damon Hill voltou a vencer depois de sair da Williams, também David Coulthard conseguiu voltar a um pódio depois de sair da McLaren.
E porque o circuito de Monte Carlo é o mais apelativo para os não-entusiastas; porque a Fórmula 1 não é só feita pelos pilotos da frente; e porque é penoso lembrar a forma como o talento de Raikkonen está a ser desperdiçado...
Aqui fica a loucura absoluta, com aquele que é, seguramente, o candidato mais forte a ficar sempre em último (qualificações e corridas) até ao final do ano - Franck Montagny.
Eu sou demasiado bom para jogar como deve ser no Europeu sub-21...

28 de Maio
80 anos da Revolução Nacional
"O declínio foi gradual. A Inquisição Portuguesa só foi instalada em 1540 e o seu primeiro herege queimado em auto-de-fé três anos depois; mas só se tornou sombriamente implacável na década de 1580, depois da união das coroas portuguesa e espanhola (...) Os criptojudeus (...) acharam entretanto que a vida em Portugal estava a ficar demasiado perigosa para justificar a saída do país em massa. Levaram com eles dinheiro, experiência comercial, ligações, conhecimentos e - ainda mais importante - aquelas qualidades imensuráveis de curiosidade e inconformismo que constituem o fermento do pensamento.
Foi uma perda, mas em questões de intolerância a maior perda é a que o perseguidor inflige a si próprio. É esse processo de autodiminuição que confere à perseguição a sua durabilidade e a torna, não o acontecimento de um dado momento, ou de um reinado, mas de vidas inteiras, de gerações e de séculos.

os Portugueses esforçaram-se ao máximo em se fechar a influências estrangeiras e heréticas A educação formal era controlada pela Igreja (...) Deixou de haver mais jovens portugueses a estudar no estrangeiro e a importação de livros era rigorosamente controlada por fiscais enviados pelo Santo Ofício (...) as deficiências intelectuais portuguesa não tardaram a tornar-se proverbiais: assim, Diogo do Couto referiu-se em 1603 à "mesquinhez e falta de curiosidade desta nossa nação portuguesa"; e Francis Parry, o diplomata inglês (...) observou que "o povo é tão pouco curioso que nenhum homem sabe mais do que lhe é estritamente necessário=; a visitante inglesa Mary Brearley, no século XVIII, comentou que a maioria das pessoas estava pouco disposta à independência de pensamento e, com raras excepções, demasiado avessa à actividade intelectual para questionar aquilo que tinha aprendido. (...) Em 1600, mais ainda em 1700, Portugal tornara-se um país atrasado e fraco. Os cientistas, matemáticos e físicos criptojudeus de anos idos tinham fugido e nenhuma voz discordante veio ocupar o seu lugar. Em 1736 , D. Luís da Cunha deplorou a ausência de uma comunidade reformista (calvinista) em Portugal. Assinalou que o desafio protestante evitara que o clero católico francês tivesse mergulhado no sórdido nível de obscurantismo dos seus confrades portugueses. palavras provocadoras, mas certeiras; se os lucros do comércio de mercadoria são substanciais, são contudo pequenos quando comparados com o intercâmbio de ideias."
David S. Landes, The Wealth and Poverty of Nations (Causas da Pobreza e Riqueza das Nações ), 1999
E o leitor pergunta-se o que tem a Revolução Nacional (assim chamada por Salazar, e portanto associada na mitologia à Segunda República, embora um não decorra do outro) a ver com isto?
E eu respondo; directamente, nada. Só que o regime da Segunda República, também chamado Estado Novo, foi a todos os títulos o legítimo herdeiro da paralisia mental em que entrámos após o nosso apogeu. E isso é o bastante para relembrar que não podemos voltar a ter outro período de fechamento.
2 comentários:
Acho que este foi o momento mais alto da carreira do TM na F1...
o filme tá giro, mas o ponto alto é o GP Bélgica do ano passado...
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