domingo, maio 28, 2006

As usual...
Uma corrida fabulosa nas primeiras 50 voltas, daquelas que dá mesmo gosto ver, decidida num par de voltas com dois abandonos (sim, incluindo Webber nos candidatos à vitória). E o bicampeonato de Alonso a desenhar-se. Notas:
- Albers destruiu a asa dianteira de Monteiro na largada e foi muito justamente punido por isso. (Monteiro passou depois a corrida inteira atrás do S.Aguri de Montagny até lhe dar um pequeno empurrão.) Depois de muitos anos de ausência, a FIA tem agora um dispostivo arbitral tão efectivo como a ASAE.
- Schumacher conseguiu uma boa recuperação, para 5º (embora bem ajudado pelos abandonos.)
- Tal como Damon Hill voltou a vencer depois de sair da Williams, também David Coulthard conseguiu voltar a um pódio depois de sair da McLaren.

E porque o circuito de Monte Carlo é o mais apelativo para os não-entusiastas; porque a Fórmula 1 não é só feita pelos pilotos da frente; e porque é penoso lembrar a forma como o talento de Raikkonen está a ser desperdiçado...
Aqui fica a loucura absoluta, com aquele que é, seguramente, o candidato mais forte a ficar sempre em último (qualificações e corridas) até ao final do ano - Franck Montagny.



Eu sou demasiado bom para jogar como deve ser no Europeu sub-21...

28 de Maio
80 anos da Revolução Nacional

"O declínio foi gradual. A Inquisição Portuguesa só foi instalada em 1540 e o seu primeiro herege queimado em auto-de-fé três anos depois; mas só se tornou sombriamente implacável na década de 1580, depois da união das coroas portuguesa e espanhola (...) Os criptojudeus (...) acharam entretanto que a vida em Portugal estava a ficar demasiado perigosa para justificar a saída do país em massa. Levaram com eles dinheiro, experiência comercial, ligações, conhecimentos e - ainda mais importante - aquelas qualidades imensuráveis de curiosidade e inconformismo que constituem o fermento do pensamento.
Foi uma perda, mas em questões de intolerância a maior perda é a que o perseguidor inflige a si próprio. É esse processo de autodiminuição que confere à perseguição a sua durabilidade e a torna, não o acontecimento de um dado momento, ou de um reinado, mas de vidas inteiras, de gerações e de séculos.

os Portugueses esforçaram-se ao máximo em se fechar a influências estrangeiras e heréticas A educação formal era controlada pela Igreja (...) Deixou de haver mais jovens portugueses a estudar no estrangeiro e a importação de livros era rigorosamente controlada por fiscais enviados pelo Santo Ofício (...) as deficiências intelectuais portuguesa não tardaram a tornar-se proverbiais: assim, Diogo do Couto referiu-se em 1603 à "mesquinhez e falta de curiosidade desta nossa nação portuguesa"; e Francis Parry, o diplomata inglês (...) observou que "o povo é tão pouco curioso que nenhum homem sabe mais do que lhe é estritamente necessário=; a visitante inglesa Mary Brearley, no século XVIII, comentou que a maioria das pessoas estava pouco disposta à independência de pensamento e, com raras excepções, demasiado avessa à actividade intelectual para questionar aquilo que tinha aprendido. (...) Em 1600, mais ainda em 1700, Portugal tornara-se um país atrasado e fraco. Os cientistas, matemáticos e físicos criptojudeus de anos idos tinham fugido e nenhuma voz discordante veio ocupar o seu lugar. Em 1736 , D. Luís da Cunha deplorou a ausência de uma comunidade reformista (calvinista) em Portugal. Assinalou que o desafio protestante evitara que o clero católico francês tivesse mergulhado no sórdido nível de obscurantismo dos seus confrades portugueses. palavras provocadoras, mas certeiras; se os lucros do comércio de mercadoria são substanciais, são contudo pequenos quando comparados com o intercâmbio de ideias."

David S. Landes, The Wealth and Poverty of Nations (Causas da Pobreza e Riqueza das Nações ), 1999

E o leitor pergunta-se o que tem a Revolução Nacional (assim chamada por Salazar, e portanto associada na mitologia à Segunda República, embora um não decorra do outro) a ver com isto?
E eu respondo; directamente, nada. Só que o regime da Segunda República, também chamado Estado Novo, foi a todos os títulos o legítimo herdeiro da paralisia mental em que entrámos após o nosso apogeu. E isso é o bastante para relembrar que não podemos voltar a ter outro período de fechamento.

2 comentários:

W. disse...

Acho que este foi o momento mais alto da carreira do TM na F1...

Ismael disse...

o filme tá giro, mas o ponto alto é o GP Bélgica do ano passado...