quinta-feira, fevereiro 16, 2006

Tou a ficar farto disto, mas pronto…
A crise dos cartoons tem duas leituras possíveis: a questão da liberdade de expressão e a questão política. Confundir as duas vale a pena e dá dividendos políticos, mas seria preferível não o fazer.
O sr. Amaral, que escreve no Diário Económico, é precisamente uma daquelas pessoas que se dá mal com a liberdade de expressão. Este princípio base da democracia tal como se tem desenvolvido no “Ocidente” (Europa, América do Norte, América Central e do Sul – as democracias asiáticas são um pouco diferentes), em pé de igualdade com outros, tem um problema que é custar a digerir quando se vira contra nós. O sr. Amaral queixa-se de que o chamam de homofóbico se criticar a Opus Gay, ou de ser racista se atacar a comunidade negra. Ou seja, o sr. Amaral tem uns ouvidos super-sensíveis e chora se disserem mal dele. E por isso cala-se.
A liberdade de expressão pressupõe que as pessoas tenham confiança em si próprias e afirmem a sua identidade (uma tradição individualista ligada ao liberalismo); não devem ter medo do politicamente correcto que as insulta, porque, no Ocidente, quem bater no sr. Amaral por ele atacar a comunidade negra deverá ser detido e julgado. Eu próprio já debati com pessoas que defendiam Hitler e não lhes chamei nazis – usei contra-argumentos.
O sr. Amaral tem razão quando diz que não devemos ser solidários com idiotas, mas no que toca à liberdade de expressão, há duas perguntas que os “ocidentais” fazem:

- porque é que não podem circular cartoons de Maomé quando os “cartoons” da Igreja Católica circulam à vontade?

- porque razão os muçulmanos dão tanta importância a uns simples desenhos? (e esta segunda pergunta é a única questão que justifica que se fale de choque de mentalidades, mais do que de civilizações ou culturas.)

Quanto à leitura política, o sr. Amaral tem razão. Existe mais retórica belicista na Europa – foi esse o desejo do Irão e dos governos de países islâmicos que apoiaram esta crise. Na Europa, ou calamos os bonecos ou reafirmamos o direito de os fazer.

Talvez os cartoons possam ter semelhanças com os dos judeus no III Reich, mas há uma diferença enorme; no III Reich, se um judeu fizesse um cartoon do Hitler, cortavam-lhe o pio, enquanto na Europa de hoje os cartoons anti-judeus podem circular livremente. Acho que são para consumo interno iraniano – e estão muito fixes. (claro que os autores do site se sentem incomodados...)

Manipulação anti-muçulmana
Bem documentada, e devidamente filtrada, aqui.

Esta é só para ver o que diz o Ricardo Gomes… não quer dizer que eu concorde com o V.P.V.
"Parece que as tropas portuguesas continuam no Afeganistão até 2007. O que se espera que lá façam com o governo cercado em Cabul e a economia dependente da papoila do ópio não é claro. Os senhores da droga, os senhores da guerra e os chefes tribais mandam no país. Pouco a pouco, os Taliban começam a voltar. A NATO precisava de 300.000 homens para impor um mínimo de segurança e ordem. Tem 15.000. Para serve esta comédia e por que razão Portugal participa tão submissamente nela? O sr. Amado, ministro, não explicou."

E por falar em V.P.V., vocês não acham este argumento pró-tabágico muito parecido com o do Gilberto?
"O Ocidente que deixou de acreditar fosse no que fosse, acredita fervorosamente na saúde. Não se percebe este amor ao corpo. Um indivíduo que não fume, que não beba, que se obrigue disciplinadamente a uma dieta punitiva e faça exercício sem parar ganha o extraordinário privilégio de trabalhar muito mais, durante muito mais tempo. Ou, pior ainda, acaba por cair numa velhice patética e por morrer entubado e espicaçado e com médicos que o tratam como quem trata o problema de uma rã.
Não espanta que a esquerda goste deste exercício de melhoramento do homem. É repressivo e abre um belo e vasto campo à intolerância dos não-fumadores. Quando qualquer mentecapto pode perseguir um tabagista como um ente sub-humano, a populaça aprecia. Até Hitler era dado a esse desporto. Como dizia o outro, não tarda muito que ninguém se lembre como a vida era doce, antes da saúde se tornar a religião oficial."

Fórmula 1 - a célebre ultrapassagem
Já que me estão sempre a falar nela...

1 comentário:

danish disse...

o sr. amaral é director da revista MAXMAN!!axo k liberdade de expressão n deve ser problema pa ele..