A "crise" que vivemos nos dias de hoje em relação aos cartoons de Maomé publicados em Setembro por um jornal Dinamarquês e publicados mais tarde um pouco por toda a europa do norte, não é algo que possa ser explicado em algumas linhas de escrita. No entanto, sinto que devo tecer alguns breves comentários no que toca a este tema.
Não nego, que os cartoons possam ser ofensivos em relação à figura central de uma das religiões
mais antiga, mais numerosa, mais conservadora e que menos evoluiu nas ultimas decadas. Considero, que atacar embaixadas, queimar bandeiras, fazer manifestações violentas de incitamento contra os judeus e contra o mundo ocidental não é a forma mais correcta de demonstrar a indignação por algo que se considera ofensivo às nossas crenças. Há cerca de 1 ano, também saiu um cartoon com a caricatura de João Paulo II com um preservativo no nariz e eu não vi Católicos a fazer tamanhas "ideotices" a embaixadas de países maioritariamente protestantes.
Sempre considerei que os fundamentalismos são como um cancro, quanto mais tarde os tratamos mais tarde os podemos curar. A sociedade ocidental, apesar de todas as suas falências, tem tido nas ultimas decadas um percursso de constante evolução positiva, não tenho duvidas que caminhamos constantemente para a criação de uma sociedade aberta. Uma sociedade que evolui, que busca continuamente a melhoria, que aprende com os erros, que procura ser melhor todos os dias, que luta pela pefeição mesmo sabendo que nunca lá chegará, um local onde todo os seres vivos têm direito a ser respeitados e o dever a respeitarem os outros.
O grande ponto que de fricção internacional nos dias que correm hoje, é o "choque de civilizações" entre o Islão Fundamentalista e o "mundo moderno", falo mundo moderno, porque considero que o problema dos Muçulmanos Fundamentalistas é com o desenvolvimento cultural. Eu atrevo-me a dizer, que se pareçe um pouco com a reacção do Vaticano com a criação do Prostestantismo à alguns séculos atrás. Mas com uma diferença, que o Prostetantismo foi criado por europeus numa altura de revolta contra ideais e atitudes do Vaticano e a criação de um Islão moderno e laico esta a ser reflexo de um fenomeno externo ao proprio Islão, ou seja, a Globalização.
Sempre que um organismo se sente ameaçado, seja ele de que natureza for, a sua reacção normal é defender-se, esta é uma das leis da natureza a luta pela sobrevivência. No mundo global, não há lugar para o Fundamentalismo Islamico, tal como não há lugar para o Catolicismo do século XIV, nem há lugares a quaisqueres tipo de fundamentalismo religiosos ou sociais. Sentido esta ameaça, do aumento de afiliados Muçulmanos "modernos" e da diminuição dos fundamentalistas. Cada oportunidade, por mais patetica que seja, é prontamente utilizada pelos fundamentalistas Islamicos para, em jeito de grito desesperado, buscarem mais afiliados para que nao sejam extintos rapidamente.
Este facto, não impede que estes cartoons sejam ofensivos para todos os Muçulmanos no mundo. Se saisse num jornal um cartoon dos meus pais que eu considerasse muito ofensivo, das duas uma, ou agarrava no meu taco de basebol e dava uma boa sova ao cartoonista e ao director do jornal ou processava o jornal por uma choruda indeminização. Agora agarrar em bandeiras de Portugal e queimá-las, ou destruir e pegar fogo à Camara Municipal isso seria uma "patetice" completa.
Inventar culpados não se deve fazer, vai contra o senso comum, não resolve os problemas nem apazigua a revolta. A liberdade de expressão é algo que faz parte das leis dos paises ocidentais sem se colocar em questão seja para o que for. No entanto, o que assistimos hoje em dia é a uma "libertinagem de expressão", as pessoas abusam da liberdade e confundem-na com libertinagem. Liberdade não significa fazer o que queremos quando queremos, significa fazer o que queremos quando queremos sem por em causa o bem estar dos outros e foi o que faltou neste caso. Os jornalistas abusam do poder que têm, consideram-se um poder, julgam que podem pôr e dispôr quando bem querem e lhes apetece. Se os Muçulmanos invadissem os jornais que publicaram estes cartoons, ou fizessem prostestos a incitar todos os ocidentais a não comprar mais destes jornais, talvez tivessem a ser mais correctos e mais justos.
Resumidamente, considero que estes incidentes são uma completa palhaçada como não há memoria. Sinto que o mundo chegou a um ponto tão pacifico que ate por nada se tenta fazer guerra. Para os Muçulmanos, fica o recado de não entrarem em conflitos com quem nada tem a haver com este caso. Para os jornais que publicaram estes cartoons, fica a esperança que aprendam a lição que apesar de haver liberdade de expressão à tambem o dever de respeitar as crenças de todos os seres humanos sem excepção por mais estupidas que estas nos possam parecer.
3 comentários:
Estamos a ser manipulados pelos radicais! É apenas uma boa jogada da Al-Qaeda... os cartoons saíram há 4 meses, ninguém tinha prestado atenção!
concordo em absoluto.os cartoons são um pequeno pretexto....TOU FARTO DE RADICAIS!!!
trata-se de uma política agressiva de marketing por parte de vendedores ambulantes... de onde vieram de um momento para o outro tantas bandeiras dinamarquesas para serem queimadas????
Enviar um comentário