terça-feira, fevereiro 21, 2006

Alguns leitores dirão que isto está a ficar chato - e então? Há mais co-bloggers, e felizmente têm estado activos. A mim, o defeso de Inverno põe-me doente.

Fórmula 1 - O artista tenta explicar a sua obra: Ayrton Senna sobre a primeira volta do GP Europa, 1993
(sem tradução do brasileiro)
"A partir do momento em que o Schumacher me deu o aperto, eu guiei como nos tempos da Fórmula Ford, sobretudo em condições difíceis. A pista tinha muita água, os carros pesados, com tanque cheio, os pneus cm pressão baixa, frio. A gente não sabe o ponto de frenagem numa curva. Não sabe se vai travar o freio dianteiro, se vai escorregar ou nãovai, se vai acquaplanar, ou não, se vem alguém em cima de você. É tudo uma loteria. É totalmente baseado no instinto: pilotar de forma agressiva, mas ao mesmo tempo tere um controle tremendo, ter um domínio muito gande sobre si próprios e a máquina...
Como eu posso te dizer? Você deixa a máquina te absorver. É como se você derretesse dentro dela e ocupasse todos os cantos que existem e se transformasse numa única coisa, totalmente integrada àquele momento: a água, a chuva, a incerteza, a falta de referência, o medo e a indecisão de outros pilotos. Você se arrisca a jogar tudo fora no primeiro minuto e meio, e a corrida tem mais uma hora e 58 minutos e meio. Você precisa estar muito seguro para não fazer papel de idiota e sair reto, ir para a caixa de brita e ficar ali parado...
Mas aí entra a sensibilidade de saber que aquele minuto e meiovale por um GP. Você eia jogar tudo ali. Ao mesmo tempo, não é simplesmente blefar: é preciso a certeza de que é aquilo mesmo o que você tem de fazer. Dessa forma, não existe meio termo, não existe o momento de indecisão queé quando você comete os erros e deixa brechas para problemas. Você entra sabendo exactamente o que vai fazer, como vai fazer e vai fazer. Foi realmente uma volta espectacular. Prost, Hill e quem tinha chance de ganhar demorou cinco ou seis voltas para encontrar o ritmo.
(...) Lógico que me lembro da ultrapassagem a Wendlinger. (...) Então você mergulha num S rápido continuamente à direita e de repente à esquerda, aí freia e vai para uma curva à direita. Foi no meio do S que tirei por fora e fui em frente. Foi uma manobra calculada porque eu sabia que ali o líder ia maneira um pouco, o segundo mais um pouco, o terceiro mais um pouco e assim por diante. Todos teriam uma atitude, digamos, muito reservada e (...) ninguém ia esperar que eu viesse por fora, seguro da velocidade real. Mas eu já estava suficientemente integrado, tinha derretido dentro do carro desde a primeira curva. Vim embalado, tirei e passei batido, por fora e já preparei a ultrapassagem sobre Hill. Eu estava determinado. Sabia que a minha chance estava ali, na primeira volta, se eu conseguisse recuperar as posições de largada, inclusive aquelas que eu perdi por terlargado mal. Todo o mundo estava se achando, e as vantagens de pegar a liderança numa corrida como aquela, com pista limpa, sem problemas de visibilidade e guiando agressivamente, me permitiram abrir uma diferença nas duas primeiras voltas. Isso ia descontrolar a cabeça dos caras que depois precisariam recuperar. (...)

Curiosidade - Prost e Schumacher sobre Senna, Grã-Bretanha 1993

1 comentário:

Daniel Sousa disse...

ja fizes-te mais de 30 artigos sobre F1... nunca fizes-te uma biografia como deve de ser acerca do melhor piloto de F1 de sempre...