sexta-feira, dezembro 30, 2005

"EU NUNCA ME ENGANO E RARAMENTE TENHO DÚVIDAS"
«Cavaco Silva é como um eucalipto, que provoca aridez à sua volta»
Miguel Cadilhe, antigo Ministro das Finanças do Governo do Dr. Cavaco Silva


Depois de ler, atentamente, alguns artigos de opinião recentes sobre as Presidenciais 2006 resolvi escrever sobre esse tema. Quando leio que o Doutor Cavaco Silva é um homem de diálogo, além de ficar chocado, sinto-me na obrigação de tecer alguns comentários sobre esta matéria. Apesar de ser insignificante ao pé de alguém com o historial e currículo de uma personalidade como Cavaco Silva, tenho a certeza de uma coisa, dialogante é um adjectivo que jamais poderá ser empregue para classificar este Senhor. Dizer o contrário demonstra desconhecimento e cegueira (talvez causada pelo nevoeiro sebastianista que envolve a candidatura de Cavaco Silva).
Analisando as candidaturas e respectivos manifestos eleitorais, tentamos perceber que garantias cada uma oferece para os próximos 5 anos e de que forma o candidato, sendo eleito, vai cumprir e exercer da melhor forma os poderes presidenciais. Além destes pressupostos, o perfil e percurso de cada um dos candidatos é um factor que se revela determinante numa eleição deste tipo.
Depois do 25 de Abril, Portugal enfrentou períodos conturbados até conseguir alcançar alguma estabilidade política a partir de 1985. Dai que, não descurando a importância histórica do período entre 1974 e 1985, o período a partir de 85 é determinante para o Portugal de hoje. Ou seja, a crise que hoje atravessamos deve-se, também, às orientações e politicas adoptadas a partir desse ano. Como todos sabem o Primeiro-ministro de Portugal, a partir de 1985, foi Cavaco Silva. É inquestionável que Portugal se desenvolveu nos anos em que o referido candidato foi primeiro-ministro. No entanto, algumas politicas adoptadas (e a falta delas) nos 10 anos de Governação “Cavaquista” custaram caro a Portugal e revelam-se preocupantes no mundo de hoje. O panorama económico favorável com a entrada na CEE e os fundos comunitários permitiram que Portugal progredisse em termos de infra-estruturas. No entanto, nunca foi dada a atenção devida àquilo que hoje se revela como, provavelmente, o maior problema estrutural de Portugal: os altos índices de analfabetismo funcional da nossa população. Estamos na Cauda da Europa. Em alguns sectores estamos muito atrás dos países europeus que, só agora, entraram para a União Europeia. Isto acontece porque as medidas estruturantes para um desenvolvimento sustentável e um crescimento equilibrado não foram tomadas. Quando os alicerces são mal construídos, a casa cai.
Deveria ter sido dada mais atenção à formação e qualificação das pessoas. O Binómio Qualidade/Desenvolvimento foi substituído pelo Binómio quantidade/desenvolvimento. O crescimento em termos de infra-estruturas deveria ter sido acompanhado por um plano de formação.
Não basta aumentar a escolaridade obrigatória. Era imperativo promover a formação profissional. Hoje, estamos a pagar, muito caro, essa falta de visão estratégica e a falta de perspectiva a médio longo prazo.
Além destes erros estruturantes, muito mais poderia ser dito sobre a postura de Cavaco Silva enquanto Primeiro-ministro e da instabilidade social que o País atravessou. Os métodos usados, que relembram os tempos da “velha senhora” são apenas alguns exemplos que jamais poderão ser esquecidos.
Queremos um Presidente regulador, garante da estabilidade e do cumprimento da Constituição da República ou um Presidente governante, com poderes de ingerência na acção governativa?
Queremos permitir o constante atropelo institucional entre Presidência da República e Governo ou uma colaboração estreita entre estes dois órgãos de soberania, cada um com as suas competências já definidas?
Uma das questões que tem marcado a agenda política nesta pré-campanha eleitoral é o reforço dos poderes presidenciais.
Eu pergunto porquê e para quê?
Os poderes actuais são mais do que suficientes para que o Presidente da República seja um garante da estabilidade e do cumprimento dos valores e princípios de um sistema político democrático. Temos exemplos recentes disso mesmo. Posições tomadas que foram ratificadas pelo “órgão” mais soberano – Os eleitores.
Querer fazer do Presidente da República um Primeiro-ministro “alternativo”, pode subverter as reais funções Presidenciais de um regime republicano como o nosso e criar um período de instabilidade irreversível no nosso País.
Aliás, aqueles que agora apoiam Cavaco Silva e que defendem o reforço dos poderes presidenciais, são os mesmos que há cerca de um ano e meio atrás defendiam exactamente o contrário, tomando posições ao sabor do vento, que é o mesmo que dizer ao sabor das conveniências partidárias. A dissolução da Assembleia da República provocou um debate sobre a redução dos poderes presidenciais onde os grandes defensores da diminuição desses poderes eram aqueles que agora querem um Presidente com “poderes reforçados”.
Além destes pressupostos é fundamental que o Presidente da República, pelo período que o nosso país atravessa, seja alguém com uma apurada sensibilidade política.
Uma visão tecnocrata e neoliberal do futuro agravará os problemas sociais que hoje enfrentamos. É devido a este imperativo de sensibilidade política que o perfil do próximo Presidente da República será determinante para responder aos desafios que o futuro apresenta. Cavaco Silva não tem este perfil.
Votar Cavaco Silva é votar na instabilidade social, política e Institucional. É votar no pai do “monstro” que é o défice orçamental, é votar num dos principais culpados pela crise que hoje atravessamos, é votar na prepotência e arrogância de quem um dia disse “eu nunca me engano e raramente tenho dúvidas”.
Esta afirmação não significa pragmatismo ou objectividade como alguns agora dizem, significa arrogância e falta de sensibilidade política que jamais poderá caracterizar um Presidente da República e que pode originar uma grave crise política, associada à crise económica que hoje vivemos.
Termino parafraseando um antigo ministro de um Governo do Dr. Cavaco Silva, Miguel Cadilhe, que defende que Cavaco Silva é o pai do “monstro” que é o défice orçamental. Tendo em conta as funções governamentais do autor desta afirmação, penso que não haverão grandes dúvidas acerca da sua veracidade. Se um antigo ministro classifica desta forma o seu Primeiro- ministro quem somos nós para discordar?

terça-feira, dezembro 27, 2005

“Cada material tem o seu cheiro. Dá para identificar o material pelo cheiro.”
“Se cheirares o P.O.M, ficas ganzado. Até ao queimares, a chama é diferente, é azul.”
Joaquim, operário da secção de injecção da Key Plastics

Extractos da entrevista de Ricardo Araújo Pereira com Ana Sousa Dias, no programa Por Outro Lado (26/12/2005)
- começámos pelo Natal dos Hospitais, que é sempre o topo da carreira, e a partir daí foi sempre a descer.
- Se tiver dinheiro, talvez a próxima série tenha um nome composto, tipo Lopes da Silva, ou então com hífen, como Corte-Real.
- …mas no início, se tivéssemos dinheiro, teríamos optado por contratar actores a sério para fazer os sketches.
- O Zé Diogo perde a compostura, começa a rir-se a meio do sketche, é um palerma…
- O “brainstorming” é feito em casa do Zé Diogo, que é solteiro, e não tem crianças…
- Temos tido convites para uma nova série por parte de vários canais… tamém não há assim tantos… mas de canais de cabo também. É como o Durão Barroso, sabe que vai ser primeiro-ministro, só não sabe quando.
- Temos duas fontes: isso que já referiu, Monty Python, Big Train, Woody Allen, Seinfeld… e também a vida real, as coisas do dia-a-dia. Ou então, como diz o Woody Allen, “a arte não imita a vida, a arte imita a má televisão.”
- …Esse sketche derivou do Marco, do Big Brother, que dizia “quando eu vejo que há por aí palhaços que falam, falam e não os vejo fazer nada.” A Gisela, do Masterplan, dizia permanentemente “certas e determinadas coisas” para fazer conta que tinha alguma coisa para dizer… e o actual treinador do Sporting está sempre a dizer “fundamentalmente…”
- Gosto mais deste seu programa aqui na 2 do que na rtp1. É que lá, você tem sempre o mesmo convidado… (
ASD: sabe, é que está no contrato…)
- Quando eu faço de matarruano, é o meu próprio lado matarruano que está em jogo; ou quando faço de palerma, é a minha própria palermice que aparece ali…


Boas Entradas e Saídas
E um Feliz 2006 a todos os leitores e amigos. Pelos próximos dias, quem quiser pode procurar-me aqui.

Fórmula 1 – Os Dez Mais (segundo o Anuário)
1 – Alonso
2 – Raikkonen
3 – Coulthard
4 – M. Schumacher
5 – Trulli
6 – Fisichella
7 – R. Schumacher
8 – Montoya
9 – Button
10 – Webber
Alonso e Raikkonen mantiveram, ao longo de toda a época, um nível muito elevado de rapidez, regularidade e trabalho de “boxes”, e ambos demonstraram que poderiam ser campeões. O Anuário fez a sua opção segundo as duas ou três ocasiões em que Kimi exigiu demais dos pneus ao início (Austrália e Europa) ou subiu demais aos correctores, contribuindo para um abandono (S. Marino) – o que é discutível. Em todo o caso, ambos justificaram plenamente o material que conduziram e as duas primeiras posições.
Não pensei que o Anuário colocasse Coulthard numa posição tão alta. Eu e um ou dois leitores deste blog fazemos uma espécie de clube anti-Coulthard e ficámos aliviados quando o segundo McLaren ficou livre deste fardo. Mas a verdade é que acabo por concordar com a atribuição. Uma classificação subjectiva deve ter em conta o máximo de factores possíveis; ora, a verdade é que os três pilotos que, ao longo de 2005, mantiveram níveis mais elevados de rapidez, regularidade, trabalho de “boxes”, fazendo a diferença em relação ao material que conduziram, são de facto os três mencionados. Antes de abrir o livro, pensei que o inevitável Schumacher estivesse em terceiro; de resto, a esmagadora maioria dos pilotos passou por diversas fases de motivação, concentração, ou simplesmente cometeu erros a mais. Com mais uma ou duas pontuações, talvez o próprio Monteiro tivesse lugar nos Dez Mais.
Coulthard leva 12 temporadas completas de Fórmula e um padrão: é mais competitivo em carros inferiores. Andava ao nível de Hill e Hakkinen de 94 a 97; e foi o primeiro piloto da McLaren em 2001. Quando a McLaren teve carros capazes de ganhar o campeonato, Coulthard ficava na sombra; ora de Hakkinen, de 98 a 2000, ora de Raikkonen, em 2003. É possível que se encontrasse muito desmotivado em 2004 e que o novo ambiente, com menos pressão, o fizesse renascer. A aposta foi ganha. Coulthard levou o Red Bull a lugares bem acima do esperado; pontuou com regularidade (mais que na McLaren…), raras vezes andou atrás dos jovens colegas (ao contrário do que cheguei a pensar), foi um claro líder de equipa e a renovação para 2006 foi um passo lógico. A carreira de Coulthard renasceu e vai ser certamente ser encerrada de forma muito digna. (E a Red Bull cobriu de vergonha toda a gestão anterior, fazendo 34 pontos só num ano, enquanto a Jaguar fez 49 em 5 anos…)
De Schumacher já tudo se disse, e não deixa certamente de ser o melhor dos outros. Em todo o caso, o Schumacher de 1996 dava tudo por tudo para ganhar mais um pontinho que fosse, enquanto o de 2005 (compreende-se…) andou desmotivado (especialmente visível na última corrida!). Os Ferrari andaram muitas vezes lado a lado e isso não é normal. Em todo o caso, quando havia hipóteses de um bom resultado, Schumacher estava lá, conseguindo alguns segundos lugares – e uma fantástica corrida em S. Marino, uma daquelas que nos faz gostar de o ver correr, e a que só Alonso conseguiu responder. Há que ter em conta o Hepta para 2006.
Os outros (apesar de haver suspeitas sobre o favorecimento da Renault a Alonso) acumularam desmotivação, lesões a jogar ténis/motocrosse, erros na escolha de estratégia, má gestão dos pneus (que regra tão estúpida…) enfim, muitos altos e baixos. Eu talvez colocasse Heidfeld à frente de Webber, que não se mostrou tão forte como esperado.
De Villeneuve esperava-se que fosse na Sauber o que Coulthard foi na Red Bull, mas a grande desilusão do ano foi o Sato; depois da boa temporada de 2004, andou completamente desastrado, e a léguas de Button. Acabou por confirmar o que eu esperava: para se ser o melhor japonês de sempre não basta fazer algumas corridas de bom nível. E, para mim, o Katayama fez melhor. (É interessante comparar com os Dez Mais de 2004.)

sexta-feira, dezembro 23, 2005

Eu podia falar do debate entre Soares e Cavaco. Podia ter feito uma referência ao solstício de Inverno, na passada quarta-feira, e podia até dito que o Código da Vinci sugere que o Natal foi marcado de modo a coincidir com a festa que religiões pagãs e celtas faziam quando os dias recomeçavam a crescer. Podia dizer que ficámos todos chocados com a saída de Manuela Moura Guedes do Jornal Nacional da TVI.
Não falei disso porque, como já se disse, o blog não tem donos - além de que esta tem sido uma semana muito natalícia; primeiro andava a dormir à meia-noite para acordar às 4, como se estivesse em véspera de exames, e para cúmulo o meu organismo esgotou o stock de vitamina C. Por isso, limito-me à honra que me atribuíram.

O CASAMENTO DA ÂNGELA – parte 3
O Domingo já não faz parte do casamento; mas esta história ficaria incompleta sem a viagem a Gouveia, a casa da Andreia.

De manhã, o Nuno foi à sua vida enquanto nós ficávamos a olhar para o tecto, hesitantes em sair para o frio. Pelo meio ficaram considerações várias sobre os mistérios das mulheres, os problemas dos longos namoros, acções e investimentos, viagens, mais ou menos opções de vida, enfim, fumo e nevoeiro que logo se desvanece - mas de que fica a memória, especialmente deste porque é um tema de que já falei longamente com a Ana:
- vinhas para Vila Nova de Paiva e o que é que há para fazer?
- Nada.
- E eu, na Marinha, o que é que há para fazer além de ir ao café, ou à voltinha dos tristes, ou a um centro comercial? Não se faz nada em parte nenhuma…não se está aqui tão mal.
Serão assim tão poucas as diferenças entre as grandes urbes, as médias cidades e as Santas Terrinhas de Portugal? Será que o tédio e a pasmaceira condenam os domingos, seja onde for?…
Saímos “rapidamente”, com muitas aspas, das camas depois da Andreia nos ter convidado para almoçar na sua casa, em Gouveia. E, de certa forma, fazia todo o sentido ir a Gouveia no mesmo momento em que viemos a Vila Cova e a V.N. Paiva. É como se o ciclo se completasse. Mas não sem antes saudarmos fortemente o Nuno que tão bem nos recebeu.
Deixar umas serras e partir em direcção à Serra. Experimentámos um desvio: se fôssemos de Vila Nova por Sátão-Penalva do Castelo-Mangualde, era desnecessário ir a Viseu. Infelizmente, em Sátão há muito mais igrejas que placas de sinalização, e acabámos (o instinto do Reinold é que estava certo…) por ir ter á estrada para Viseu, cheia de passeantes e papa-reformas, e já estávamos bem atrasados… seguimos por um estreito e engarrafado IP5 até Mangualde, também cheia de rotundas e atulhada de obras. Era quase impossível descobrir a estrada para Gouveia… finalmente apanhámos uma estrada parecida com os jogos de corridas da Mega Drive: por mais que andássemos em frente, as montanhas lá ao fundo estavam sempre na mesma – a encosta ocidental da Serra da Estrela. Cruzámos um Mondego muito pequeno, numa “Livraria” parecida com a outra, e chegámos ao Intermarché de Gouveia já depois das três. Para não ceder ao sono e aliviar a sede, bebemos umas colas e observámos um puto excitadíssimo a jogar na Xbox do super-mercado, e que respondia ao tédio domingueiro do pai que o chamava com “cala-te, já vou!” Pouco depois a Andreia chegava.
A casa é muito bonita, a ligação a África é mais que evidente e a vista… bem, dá vontade de pôr uma cadeira na varanda e perder os olhos no vasto horizonte… Começámos a almoçar por volta das 16h, sob o “olhar atento” dos pais da Andreia, que – espero eu – compreenderam o estado geral de “cansaço” derivado da festa do dia anterior… deve ser realmente uma enorme tortura viver uma vida em África e depois conviver com o frio da Estrela, mas isso não afecta a simpatia dos pais da Andreia, em especial da mãe, que, de resto, tem “muito bom aspecto”… Da parte que me toca, e depois de conhecer o sr. Vítor Gomes, este ano tem sido muito enriquecedor no que toca ao contacto com a “classe” mal-compreendida e vítima do maior drama do século XX português que são os retornados. Se o convite se concretizar, talvez o contacto se repita… tivemos ainda a magnífica indicação personalizada do caminho até Seia – correndo ao longo do sopé da serra - já que os pais da Andreia insistiram para que não nos perdêssemos…
A partir de Seia, já noite fechada, regressámos ao vale do Mondego, até Nelas. Não havia tempo para mais paragens; o Danish tinha ainda uma longa viagem de expresso pela frente e eu ia entrar no turno das 5h, pelo que não devia deitar-me tarde.
A política do desenvolvimento pelo betão tem sido muito criticada, mas tem algumas vantagens. Entre Nelas e Leiria a viagem decorreu a uma velocidade média superior a 120 km/h; primeiro pelo IC12 (com a placa indicadora da celebérrima Canas de Senhorim), depois pelo IP3 e finalmente pela A1, onde (entre os nós de Coimbra Norte e Coimbra Sul, na vasta planície do Mondego) indiquei aos outros passageiros uma paisagem única: Coimbra nocturna iluminada, vista a 5 km de distância – e a Cabra ali tão perto… o Daniel não terá visto, paciência.

Resta-me repetir os votos de muita felicidade à Ângela e ao Anderson, e encerrar com uma espécie de discurso:
“Porque, nos dias de hoje, e ao contrário do que por vezes se diz, o casamento não é a estabilidade aborrecida e monótona: a vida está tão difícil que o que é monótono é permanecer sem grandes projectos, esperando pacientemente que os anos passem, até acordarmos de repente e pensarmos que não conseguimos – nem tentámos! – construir algo de nosso. A vida está tão difícil que o casamento é uma aventura e um risco – e é essa aventura e esse risco que (…) vamos viver, de mãos dadas e corações em sintonia.”

quarta-feira, dezembro 21, 2005

O Casamento da Ângela – parte 2
Deixamos para trás a placa de indicação de localidade de Vila Cova à Coelheira, onde alguém pintou o símbolo dos Xutos, e seguimos em marcha lenta até Vila Nova de Paiva. O copo-d’água seria na Escola Secundária da vila.
(Edifício em blocos, ao estilo dos anos 80, mas com revestimento exterior a tirolês, uma moda arquitectónica muito passageira de finais dos anos 70, pouco bonita mas muito durável, ao contrário da habitual tinta que se desgasta facilmente.)
Após um pequeno compasso de espera, a entrada para a sala de buffet. Dizem os espanhóis que não gostam de ver bons princípios aos filhos, querendo dizer que o que começa mal, acaba bem. Assim, o episódio da porta da rua que o chefe de sala ia praticamente destruindo e que arrancou algumas gargalhadas só podia ser visto como bom sinal.
Efectivamente, sucederam-se as boas surpresas. Primeiro, a variedade de petiscos, e bebidas; o serviço personalizado, com uma série de menus extra (feijoada, etc.) a serem servidos individualmente aos convidados; a simpatia dos criados, em especial do chefe de sala; mas a grande surpresa foi mesmo a música ao vivo.
Um grupo misto de quatro acordeonistas e uma… tamborista preencheram o silêncio entre os diversos grupos (deveria dizer “guetos patéticos”?) da melhor forma. O Quim Barreiros, que carrega uma concertina de teclas e compõe músicas todas com o mesmo ritmo, é um simples entertainer. Ali, tratava-se de músicos a sério. (Já toquei teclado e já toquei acordeão de botões e asseguro-vos que o acordeão de botões exige muito trabalho…) Excelente coordenação entre os músicos que tocaram sem parar durante cerca de 20 minutos; resultado de muitas horas de trabalho, e de muita dedicação. Simplesmente espantoso!
Todos para a mesa. Sem combinarmos, a distribuição ficou bem: um enorme centro de mesa florido, sobre uma base de cristal de pé alto impedia o contacto visual directo entre quem estivesse imediatamente à nossa frente, e a Cláudia e o Nuno colocaram-se em dois extremos da mesa.
(Macei-os a ambos, separadamente, com a minha história sem interesse sobre a única ocasião social em que os meus pais se encontraram após a separação, e de como geriram bem a situação - evitando cruzarem-se - e acabaram por estar como normalmente se está numa festa. A ideia era precisamente que ambos, Nuno e Cláudia, encarassem o casamento da Ângela como uma festa, e evitassem pensar em cenas menos agradáveis. Não sei se ajudei alguma coisa, mas foi o que me lembrei…)
Sopa, peixe, carne. Os músicos voltam à carga, com o seu “líder” natural a fazer um show à parte com as corridas por entre as mesas e por uma série de saltos e meias-piruetas parecidas com as das tunas, sempre sem que o acordeão parasse, como de resto a Andreia pode comprovar, já que teve direito a alguns segundos de música especialmente para si. O hiperactivo Rocco (4 anitos) parecia ter descoberto a sua vocação…
Quando vi que estavam a instalar o sistema de som no palco, achei que era a melhor altura para ligarmos ao Fernando antes que o barulho começasse – é verdade, o aniversariante do dia, que desta forma recebeu os parabéns de nós todos sucessivamente, noiva incluida. (Infelizmente, os Talheres a Exigir Beijinhos também dificultaram a ligação entre Vila Nova de Paiva e as Furnas, mas penso que todos se entenderam.)

De barriga bem cheia e espírito alegre, deixámos o copo-d’água ao pôr do sol e demos uma pequena volta pelo centro de Vila Nova de Paiva (Câmara, largo da Festa), parando num café muito tranquilo e com cadeirões excelentes, onde tratámos das “burocracias” próprias de um casamento. A típica e fatal separação sexista fez com que ao fim de um bocado os homens fossem jogar snooker e as mulheres ficassem na mesa com conversas de mulheres… Na Sport TV, a Académica perdia com o Braga.
Regresso ao copo-d’água para o “jantar.” Da minha parte, não tinha fome nenhuma… limitei-me a petiscar e a beber Casal Garcia.
Não sei dizer de onde me veio o instinto para dançar – e quando digo dançar, é no sentido tradicional da palavra. Não dançava desde a segunda metade dos anos noventa e apesar disso o meu cérebro lembrou-se dos passos essenciais em poucos segundos…e até inventou um ou dois passitos de tango! Só isso bastaria para eu recordar este casamento pela vida fora. Dancei com a noiva, com duas irmãs da noiva, com a mãe da noiva – só me faltou mesmo dançar com o noivo…
O final da noite encontrou-me e ao Daniel numa longuíssima conversa com o pai da Ângela, que só veio confirmar tudo o que ela nos contava dele. Um emigrante sem ponta de arrogância, que em pequeno levava com o cinto (como todos) e que soube interromper a cadeia de violência com uma sabedoria inexistente em muitos pais portugueses. Sabedoria também na hora de aconselhar a filha no curso a escolher; e muito orgulho na filha que saiu “com cabeça” e que teve um efe-érre-á no dia do casamento. Acabámos por ser praticamente expulsos, já que a escola tinha que fechar…
(O distúrbio mais grave ocorrido neste casamento acabou por ser o roubo do centro de mesa, que eu achei que servia perfeitamente como lembrança para a Ana, e que chegou inteirinho a Leiria. Espero que a Ângela me desculpe; afinal, foi por amor…)

O Nuno serviu-nos de guia pela noite de Vila Nova de Paiva. Paragem noutro café, com muito Virtua Striker, Sega Rally 2 e matraquilhos à mistura; paragem na discoteca A Pinha, a “pastilhar” graves com uma violência impressionante (e onde acho que nem todas as noites se vêem indivíduos de fatinho e gravata a curtir a metralhada); e rumo a casa do Nuno. Os mais destemidos do frio serrano (isto é, todos menos os nascidos em climas tropicais) foram ao pão quente. O passeio nocturno incluiu a primeira formação de gelo no solo, muitas casas típicas de granito (mas certamente restauradas e bem equipadas por dentro, tal como a do Nuno) e uma longa dissertação do Nuno sobre os bloqueios sócio-económicos do Interior português e da estagnação, tão visível na sede de concelho como nas pequenas aldeias. Contudo, como se nos quisesse provar que Vila Nova de Paiva não é terra de saloios que nunca viram nada, levou-nos a ver um fenómeno singular: uma maciça casa de granito, rústica e tradicional por fora – como todas as outras – e tendo por dentro, não um simples café, mas um grupo de viciados a jogar um jogo tipo Counter Strike em rede (LAN), em computadores último modelo. Que melhor combinação entre o antigo e o moderno?
(O Xinho, o MALTÊS, o Sakamoto XXX e outros entretinham-se a morrer, em média, uma vez em cada 20 a 30 segundos. Parece que ficam ali das 22h às 8h, num planeta à parte, e gritando frases confusas como “foda-se não o vi” ou “onde está o salvador da pátria?”.)
As camas que costumam servir ao Nuno e aos irmãos serviram-nos perfeitamente, e só faltava repetirmos aquele “festival” de quando dormimos em casa da Ângela e da Cláudia, em Coimbra. E por falar em Ângela, a essa hora deveria estar a gozar a sua noite de núpcias… (ou a dormir depois de um dia de estoirar?…)

(continua)

segunda-feira, dezembro 19, 2005

O Casamento da Ângela – parte 1

Chegou finalmente o momento esperado e a visita a Vila Cova à Coelheira. Como sempre, sublinho que este "relatório" parte do meu ponto de vista pessoal, e portanto as distorções e/ou omissões aos factos são da minha única responsabilidade. A caixa de comentários está aberta a questões, complementos, etc.
Às 7 hora da manhã de Sábado, dia 17 de Dezembro de 2005, estava pronto a partir para Vila Cova à Coelheira, na Beira Alta, e sentei-me à espera da boleia que havia de chegar da Marinha Grande, e que demorou um bocado mais do que o previsto. Até às 7:35, estive a ver a CNN - em Nova Orleães, vão ser organizadas excursões para ver os destroços do furacão Katrina, o que, naturalmente, divide as opiniões locais, já que não será de muito bom gosto… finalmente a boleia chegou – o Danish tinha chegado na sexta-feira a casa do Daniel e o Reinold foi lá ter de manhã.
Temperatura baixas, geada, mas sem gelo na estrada. Até Coimbra não houve história que não o reencontro dos saripianos e muita música, para todos os gostos mas com especial incidência para pimba.
Eu nunca tinha andado no IP3 e percebo agora o motivo de tantos acidentes. Enormes ravinas no lugar de bermas inexistentes; faixas de rodagem estreitas, entre as ravinas e o separador central; curvas com inclinação e raio para todos os gostos… estrada de emoções fortes! Isto para além das zonas de nevoeiro…Fiquei a saber onde é o fenómeno geológico conhecido como Livraria do Mondego, curioso vale bastante profundo e vertical.
À passagem por Santa Comba Dão, um de nós propôs que, no regresso, fizéssemos uma paragem para dançar em cima da campa de Salazar (curiosamente, o mesmo saripiano que defende que a Ponte 25 de Abril deveria manter o seu nome original.) A proposta ficou em stand-by.
Por volta das 9 horas chegámos a Viseu, cidade das mil rotundas. Certamente que a cidade merece uma visita mais cuidada mas, obviamente, não tínhamos tempo para isso. Arriscávamo-nos já a chegar atrasados à cerimónia… combinámos encontro com a Cláudia no McDonald’s, e ela chegou pouco depois de nós. O McEmpregado encarregado da limpeza e manutenção ficou a olhar para nós, com cara de patego, sem perceber porque raio um carro deu uma volta completa ao parque de estacionamento estando o restaurante fechado. Cinco minutos depois, colocou um sinal portátil de "trânsito proibido" à entrada, para impedir novas surpresas…
De seguida, esperámos pela Andreia e pela Brígida, que vinham com cautelas redobradas devido à existência de gelo na estrada… apesar de tudo, lá pelas 10 horas e depois de mais uma quantidade de rotundas, estávamos já a caminho de Vila Nova de Paiva.
Boa estrada, pouco trânsito, muitas placas de sinalização. Foi fácil chegar a Vila Nova e mais fácil ainda chegar a Vila Cova, pelas 11 horas. Estacionar rapidamente, sem confusões entre a igreja e a capela próxima, e entrar com a máxima discrição possível, mas sem deixarmos de ser o centro das atenções, ao entrarmos a monte. Logo aí encontrámos o Nuno, que evitava o frio do interior do edifício.
Com mais ou menos atrasos, a verdade é que chegámos no preciso momento em que se iniciava a troca de alianças. O sistema de som trazia até ao fundo da igreja a voz de uma Ângela nervosa e ligeiramente chorosa, naturalmente emocionada, que se controlou ao máximo para que a cerimónia decorresse normalmente. Pensei na última vez que a tinha visto (no meu jantar de despedida de Coimbra, em fins de Maio de 2004) e pensei também nas voltas que a vida pode dar…
Devido à marcação de três casamentos para o mesmo dia, o padre acelerou o ritmo da cerimónia, o que, associado ao seu sotaque da Beira Ialta, fez com dificilmente percebêssemos o que estava a dizer. Em todo o caso, terá sido uma experiência enriquecedora para os dois convidados de formação não-católica, o Reinold e o Danish. (Quê? Mas tão-se a cumprimentar todos para quê?)
Enquanto decorriam fotografias e assinaturas, fomos buscar as capas para o esperado momento que a própria Ângela já nos havia pedido para o seu casamento, muito tempo antes de conhecer o Anderson. As capas foram estendidas, em tapete de honra, à saída, e pouco depois rodeámos a noiva, de vestido branco e capa preta na mão. Acreditem que fico muito orgulhoso por ter tido a honra de liderar o efe-érre-á que lhe fizemos, enquanto ela lacrimejava mais um bocadinho, e tenho pena de me ter esquecido de fazer referência à "doutora" Ângela. Contudo, tal não impediu que tivéssemos uma enorme salva de palmas no final, que nenhum de nós esperava.
Mais algumas fotografias e, finalmente, um pouco de tempo para olhar em volta. Vila Cova é a típica aldeia beirã: as tradicionais casas de granito, piso em paralelos, montanhas em toda a linha do horizonte (próximo das serras de Montemuro e Leomil), um manso burro numa casa próxima. A toda a volta eram visíveis os estragos dos grandes incêndios de Verão, apesar do verde das chuvas recentes. Numa coisa, contudo, Vila Cova é diferente: a forte ligação ao Brasil, já uma vez documentada num telejornal, e que se reflectia não só no noivo, claro, mas também no nome da rua onde estacionámos: Avenida do Brasil.
Para os não nascidos em Portugal, terá sido estranho que um dos convidados tivesse lançado alguns foguetes a partir do adro da Igreja. Mas, se pensarmos bem, em muitos países, as pessoas disparam tiros de Kalashnikoff para o ar em sinal de festa. Em Portugal, as tradições são de brandos costumes…
Pouco depois do meio-dia, o buzinante cortejo de carros atravessava o Rio Covo a caminho do copo d’água, em Vila Nova de Paiva. Não sei se ou quando voltarei a Vila Cova à Coelheira, mas levo na cabeça uma série de imagens que suponho guardar na memória para sempre.

(continua)

domingo, dezembro 18, 2005

Casamento da nossa grande amiga Angela Costa

quinta-feira, dezembro 15, 2005

1ª Aula de Prespectivas Comtemporâneas de Relações Internacionais II (2004)

Escolas de pensamento ético em RI
Cepticismo: - desconfiança quanto é aplicabilidade universal de regras morais
- RI são determinadas por opder e por células de interesse nacional
- "vacuo ético", juízos de prudeência...
Internacionalismo: - actores internacionais agem num quadro ético minimo.
- pacta sunt sernada, jus ad bellum, jus in bellum.
Cosmopolitanismo: - Direitos Humanos, humanitarismo, ambientalismo
- todos são destinatarios de algumas normas morais identicas.
Enormidades Bombásticas (entre o céu e o inferno)

Os Beatles são mais famosos que Jesus Cristo.
John Lennon

I'm special.
José Mourinho

O meu pai ganha mais num mês que o teu em 10 anos.
Autor não-identificado

Saber escrever português é para quem quer ser escritor ou professor assistente na FEUC, para um simples bancário o que é necessário é ser proactivo, criativo, empenhado, inteligente e bonito.
Daniel Sousa, blog da SARIP, 12/12/05

Saber escrever português é para quem quer ser escritora ou professora, para fazer o curso de Arquitectura o que é necessário é ser proactiva, criativa, empenhada e bonita. Nem é preciso ser muito inteligente.
Ex-aluna de Tomás Taveira

o III Reich vai durar 1000 anos.
Hitler

O Pinto da Costa é o meu pai!
Emplastro

terça-feira, dezembro 13, 2005

"Olha lá, mas este homem não é muito velho para jogar? Não estou a perceber o que estou a ver…"
Reacção da minha mãe à aparição de Jorge Costa, com a camisola do Standard Liège, num noticiário televisivo

Viagem a Portugal: a Universidade…
"Enfim, esta é a Universidade de Coimbra, donde muito bem terá vindo a Portugal, mas onde algum mal se preparou. O viajante não vai entrar, ficará sem saber que jeito tem a Sala dos Actos Grandes e como é por dentro a Capela de S. Miguel. (…) a este Pátio das Escolas se limita a dar a volta, sem gosto pelas estátuas da Justiça e da Fortaleza que o Laprade armou na Via Latina, mas de gosto rendido diante do portal manuelino da Capela de S. Miguel, e tendo entrado pela Porta Férrea por ela tornou a sair". (…)
…a Sé Nova…
"A fachada da Sé Nova é um cenário teatral, não por exuberâncias cenográficas (…) mas pela neutralidade, pelo distanciamento. Diante desta fachada pode representar-se um drama de capa e espada ou uma tragédia grega, o Frei Luís de Sousa" (…)
…e Santa Clara-a-Velha
"Santa Clara-a-Velha vê-se muito bem a distância, mas depois, dá-se a volta, segue-se ao longo de uns prédios e desaparece. Enfim torna a aparecer, é uma construção arruinada, melhor ainda, uma ruína total, confrange-se o coração de ver tal abandono sob a grande chuva que continua a cair. Há aqui uma escada de ferro, é legítimo subi-la, ao menos para procurar abrigo, e quando lá está dentro pode fechar o guarda-chuva, dar as boas tardes ao guarda, que é surdo e responde pelo mexer dos lábios ou se lhe gritam alto, e estando isto esclarecido, olha enfim os grandes arcos, as abóbadas, e também o céu através dos rasgões das paredes.
Santa Clara-a-Velha foi convento feminino, e, realmente, há nesta melancólica igreja uma atmosfera particular de gineceu (…) [o viajante] ouve contar a história dos subterrâneos que ligavam os conventos a outros conventos, e a este de Santa Clara-a-Velha vem dar um que começa no Jardim da Manga, e a meio caminho, debaixo do chão, há uma sala com uma mesa de pedra e bancos em redor, e que tem as paredes forradas de azulejos" (…)
José Saramago, Viagem a Portugal (1995)

sexta-feira, dezembro 09, 2005

Relativismo da Óptica


Estamos em Época Natalícia...

"Opá, ‘tavas bem era a dormir!"
Reacção de uma operária da Marinha Grande à aparição de Mário Soares num noticiário televisivo

"Biografia" revista de Simón Bolívar, "o Libertador" das guerras de independência das colónias espanholas na América do Sul: o sonho…
"Acusavam-no de ser instável na sua forma de julgar os homens e de manejar a história, (…) de fazer a guerra de morte contra Espanha e de ser um grande promotor do seu espírito, de se ter apoiado no Haiti para ganhar e depois considerou-o um país estrangeiro para não o convidar para o Congresso do Panamá, de ter sido maçon e ler Voltaire na missa, mas era o paladino da Igreja, de cortejar os ingleses enquanto ia casar com uma princesa de França, de ser frívolo, hipócrita e até desleal, porque adulava os amigos na presença deles e denegria-os pelas costas.
- pois bem, tudo isso é certo, mas circunstancial – disse – porque fiz tudo com o único objectivo de tornar este continente num país independente e único, e nisso não tive nem uma contradição nem uma só dúvida. O resto são sacanices!"
…e a desilusão final
"A merda é que deixámos de ser espanhóis e depois andámos de cá para lá, por países que mudam tanto de nomes e de governos de um dia para o outro, que já não sabemos nem de onde raio somos."
Gabriel Garcia Marquez, O General No Seu Labirinto (1989)

John Lennon - 25 anos

terça-feira, dezembro 06, 2005

PRESOS POR TER CÃO E PRESOS POR NÃO TER!!
A União dos Editores Portugueses (UEP) considera que a criação de comissões para avaliar e certificar os manuais escolares antes de estes serem lançados no mercado viola a liberdade editorial e serve apenas "o clientelismo partidário"."Estas comissões servem talvez para arranjar subsídios e empregos aos 'boys' dos partidos", acusou hoje o presidente do Conselho de Educação da UEP, Manuel Ferrão, numa conferência de imprensa destinada a analisar o anteprojecto do Governo sobre manuais escolares, uma semana antes de terminar o prazo de consulta pública do documento.Para a UEP, a avaliação prévia dos manuais - prevista no anteprojecto apresentado em Novembro - "é uma forma encapotada de regressar ao livro único", próprio "de regimes autoritários como o Estado Novo", e representa "um atestado de incompetência aos professores", os únicos a quem cabia escolher até agora os livros a adoptar em cada escola entre todos os disponíveis no mercado.Caso o Governo insista na avaliação prévia, os editores defendem que esta seja feita através das universidades, escolas superiores de educação e associações científicas e de professores e não através de uma comissão de peritos cujas decisões não são susceptíveis de recurso.O documento do Ministério da Educação estipula ainda o aumento do prazo de vigência dos manuais escolares de três para seis anos, uma medida que a UEP afirma pôr em causa a qualidade da educação em Portugal."in Público"


A famosa fábula de La Fontaine "O Velho, o Rapaz e o Burro" seria uma excelente leitura de cabeceira para o sr. Manuel Ferrão.Mais um lobbie que vê o seu território em perigo e defende-se com argumentos estapafúrdios. Melhor seria ter referências aos Big Brothers nos manuais ou referências à religião............
Assim vai o nosso país....
HAJA CORAGEM PARA CONTINUAR

segunda-feira, dezembro 05, 2005

Francisco Sá Carneiro
19.07.1934 - 04.12.1980




Retiro espiritual
O isolamento e a contemplação como via para alcançar o auto-conhecimento, a felicidade... etc...


sexta-feira, dezembro 02, 2005

RI Comemora 10 Anos
Recebi isto por mail..pa tds que frequentam ou frequentaram o curso:
Caros colegas, antigos colegas e demais amigos, como certamente sabem a Licenciatura em Relações Internacionais da Faculdade de Economia da Universidade festeja este ano o seu 10º aniversário. Para comemorar esta efeméride o NERIFE organizou-se para realizar um jantar-buffet comemorativo. Decorrerá no dia 7 de Dezembro próximo por volta das 20h no Centro Cultural D. Dinis, aqui em Coimbra. O preço do jantar será de 7€50 para estudantes e antigos estudantes no desemprego, e de 12€50 para antigos estudantes empregados, docentes e funcionários. A inscrição no jantar deverá ser feita para o e-mail nerife.aac@gmail.com
Para além da vossa entusiasta participação (mesmo considerando o curto aviso) pedimos ainda que espalhem a notícia o melhor possível, através dos vossos antigos colegas e amigos de curso. Muito obrigado pela atenção, Até dia 7! Pela organização, Filipa Barreiros Tel.: 962903571