SEXO - Contrastes
"Ora, se me dão licença, quero insurgir-me contra esta ideia de pornografia para todos. Sobretudo, acho indecoroso este laxismo diante do canal Viver. E, por favor, não insinuem que estará subjacente ao que vos digo uma ideia conservadora da sexualidade. É exactamente o contrário. É porque acho que a sexualidade dos adultos é uma questão de saúde pública, que penso que a pornografia para todos deveria merecer uma reflexão mais cuidadosa. E porque as crianças não merecem confundir o cio com a sexualidade, julgo que a pornografia para todos é um mau-trato. E é porque não tenho duvidas de que a sexualidade é um espaço onde se aprende que amar é dizer eu e tu ao mesmo tempo que acho que a pornografia para todos é uma tentativa com que nos tentam fazer crer que o mundo é um império dos feios, sem lugar para pessoas bonitas, bondosas ou leais."
"Resta sempre a constatação (…) sobre as razões que continuam a determinar a procura [da prostituição]: os «desejantes indesejáveis», quer dizer, os homens (e também mulheres) que têm ambições eróticas acima das suas posses. Os que, não sendo nem bonitos, nem sedutores, nem jovens, nem elegantes, apreciam tudo isso e o compram como fazem aliás com tudo o resto. Os que se movem por um desejo de alternância, ou seja, todos os pais de família e senhores (senhoras) bem situados que querem experiências e aventuras que não questionem as suas formas de vida, o seu estatuto e a sua família. Os que deliberadamente querem escapar aos códigos exigentes da sedução e da reciprocidade e que assumem (ou quase) que querem uma relação sexual sem terem de se preocupar com o outro, sem sentirem que estão numa situação de exame, sem estarem preocupados com o serem gentis, com o bom desempenho, com a figura que fazem.
Em resumo, os muitos que, longe do instituído, sentem que a sexualidade não tem a ver com o afecto nem o prazer sexual se tem de inscrever num contexto de relação."
(Estes dois textos de sinal contrário estão na mesmíssima revista - NM, anexo do DN, 20/11/05)
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