As origens da efeminação moderna
“Pedro era, de facto, o tipo da beleza masculina, como o compreendiam os antigos. O gosto moderno tem-se modificado, ao que parece, exigindo nos seus tipos de adopção o que quer que seja franzino e delicado, que não foi por certo o característico dos mais perfeitos homens de outras eras.”
Júlio Dinis, As Pupilas do Senhor Reitor (1866)
Parece que em 1866 já Júlio Dinis se queixava do apanascamento progressivo da beleza masculina, o que me leva a pensar:
- o processo é muito mais antigo do que poderíamos supôr;
- o que diria Júlio Dinis se estivesse entre nós e visse o Esquadrão G, o Beckham e o Cláudio Ramos?…
Efemérides
- Assinalaram-se ontem os 60 anos do início do julgamento dos líderes nazis, em Nuremberga, os 30 anos da morte de Franco, antigo ditador espanhol, e o primeiro ano de Durão Barroso como presidente da Comissão Europeia.
As memórias históricas são sempre passíveis de gerar controvérsia. Seja como for, trata-se de lutar contra o esquecimento…
Rituais de passagem
Já ninguém sabe dizer quando passa um adolescente à idade adulta. Antigamente, o casamento e o início de uma nova família coincidiam com a saída de casa dos pais e com a independência completa. (Mesmo que o novo casal continuasse a necessitar da ajuda de pais e sogros; as dificuldades económicas estragam os quadros mais bonitos.) Hoje, com o recuo do casamento como instituição, as dificuldades acrescidas de emprego para jovens, a escolaridade que se prolonga, os muito mais elevados padrões de vida socialmente aceites, os jovens adultos prolongam a estadia em casa dos pais e adoptam estilos de vida novos e indefinidos. Como saber onde acaba a adolescência e começa a idade adulta?
Primeiros indícios de puberdade; conduzir motociclos de 50cc; fumar; beber; namorar; ter relações sexuais; estudar noutra cidade (se for o caso); votar, ou não se recensear; ir à tropa (?); conduzir automóveis ligeiros; primeiro emprego; manter uma esfera de privacidade em relação aos pais; trabalhar noutra cidade, ou noutro país; casar; sair de casa dos pais… (Todos estes rituais exteriores escondem a verdadeira transformação, que é interna.)
Em todo o caso, acho que não interessa muito estabelecer um momento preciso para a transição. Talvez precisem disso aqueles que não se sabem governar por si próprios (porque muitos passam pela idade adulta e chegam à velhice sem se saberem verdadeiramente governar.) Vivemos numa sociedade livre, o que implica sermos responsáveis pelas escolhas que fazemos. É verdade que nem todos têm as mesmas oportunidades (especialmente em termos económicos), mas há hoje mais opções sobre o estilo de vida que queremos. Haverá talvez excesso de estímulos, excesso de informação, desorientação – é o preço de se viver numa sociedade aberta, livre e globalizada. A maior parte de nós prefere ter mais opções do que menos, mesmo que seja mais difícil escolher…
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