segunda-feira, outubro 24, 2005

Aviso aos bloggers
Este blog devia ter mais cuidado com o tipo de pessoas que deixa que escrevam.

Reparem no post do Ismael sobre a Latada 2005, por exemplo. É óbvio que só podia ter sido escrito por alguém que estivesse de ressaca. Muito sintético, deixando escapar montes de pormenores. E muito superficial: o que quer dizer, por exemplo, “grande jantar?” Quer dizer que se comeu bem? Que se bebeu muito? Que se pagou mais ainda? Que o Danish “regressou” à cantina do ISCA, com a sua omolete? Que se falou de coisas tão diversas como as expectativas do raio do curso que se tirou, dos filmes de boxe dos anos 80, da nobreza de apelidos portugueses como Lencastre, Telles e Avillez por oposição aos apelidos do povinho, tipo Sousa, Costa, Nunes, Silva ou Paulino, ou ainda da situação contratual de Jacques Villeneuve em 2004? “Grande jantar” não explica rigorosamente nada.
Tal como “um grande passeio à luz das estrelas…” Mas o que é isto?!!?? Influências do ultra-romantismo (Português, 12º ano)? Em que consiste? Demorou muito tempo? Teve, ou não, paragens pelo meio? Seria objectivo do grupo ir directamente do restaurante (aliás, nem disse que restaurante foi) para o Latódromo? Além de superficial, é extraordinariamente omisso. Não refere os encontros com pessoas conhecidas, por exemplo o João Matos e o Nuno “Gordo” da SAPE, num café e ligeiramente embriagados, a levantar suspeitas sobre as arbitragens ao longo dos últimos torneios de futsal da FEUC e sobre as sucessivas vitórias das equipas do Portela, Tsubasa Team ou outras, e não refere que ambos enviaram cumprimentos para o Berto. Esquece-se que a ideia original era parar no karaoke do Guitarras, mas que as escadas de S. Tiago estavam completamente cheias de gente e nem sequer tentámos entrar. Olvida a primeira “visita” do Tiago ao prédio medieval de três micro-andares, relativamente bem preservado, ali na esquina do Guitarras. E quanto às dezenas de pessoas incomodadas nos seus pensamentos com as frases “Vota Alegre! Abaixo os partidos!”, incluindo dois agentes da autoridade?
Além disso, é um texto impregnado de uma melancolia estranha, como se o autor estivesse a pensar na vida mas não soubesse bem o quê. As referências bíblicas não lhe são nada habituais: “os céus que se abrem”, como se fosse um dilúvio, e Cristo sobre as águas. Era como se o céu lhe tivesse caído em cima só por reconhecer que tinha de se ir embora mais cedo contra vontade, mas de qualquer forma quem mandou trazer sapatilhas? A meteorologia não prometia chuva já há uma série de dias? Pois que trouxesse sapatilhas extra, ou então botas, mesmo que não fossem Timberland!
Por outro lado, os agradecimentos e saudações especiais são do mais vago que pode haver. Omite-se o reencontro com pessoas ligeiramente embriagadas, como a Liliana ou o Gilberto (em estranha descompensação psicológica); omitem-se as cervejas pagas pelo Pedro, primo da Ana, ao Reinold e ao próprio autor (uma boleia paga regiamente, e um excelente aperitivo antes do jantar); o generoso gasto do económico Danish num só dia não é sequer imaginado; esquece-se o facto de o Reinold ter falado com algumas pessoas mais nesta única noite do que desde sempre; a serenidade e alegria estóica da Andreia C face à vida não transparece; a dormida no 8º andar da Wilma e a t-shirt (não reclamada ainda) da Andreia não estão lá…
Este absurdo texto, que mais parece uma seca nota de rodapé, esquece ainda o que o Pedro aprendeu sobre a colonização timorense dos salões de jogos de Coimbra, os encontros com os srs. Francisco Guterres e Lino, o encontro imediato de terceiro grau com o sr. Cigano, da Marinha Grande, e ainda o espírito aventureiro do Daniel e do Tiago, dormindo na carrinha em que vieram, como se estivessem em viagem pela Europa.
Conhecendo a tendência do blogger Ismael para a ocasional pirosice, semelhante aliás à do blogger Sousa naquele post “uma estória para sempre recordar” (ninguém sabe se fugiu, foi suspenso ou está em licença sabática), só admira que não tenha acrescentado a este post uma quadra deste género (neste caso de autoria do poeta leiriense Afonso Lopes Vieira):

Vou-me embora com tristeza
Com tristeza sempre vou:
Que ninguém tem a certeza
De voltar ao que deixou.

Em suma, recomendo aos Administradores que passem a seleccionar cuidadosamente os indivíduos que escrevem para aqui, sob pena de aparecerem mais barbaridades como esse post “Latada 2005.” Ou, pelo menos, que uns se acrescentem/corrijam aos outros, pois tenho a certeza que este Ismael não é o dono do blog. Aliás, parafraseando o Manuel Alegre, “Não há donos do blog! Não há donos da democracia!”

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