sábado, setembro 17, 2005

Já tás a falar demais e a exagerar!!!! Cala-te!!!!!

Celas no imaginário queirosiano
[Carlos da Maia] “Matriculou-se realmente (Medicina, Coimbra) com entusiasmo. Para esses longos anos de quieto estudo o avô preparara-lhe uma linda casa em Celas, isolada, com graças de cottage inglês (…) Um amigo de Carlos (um certo João da Ega) pôs-lhe o nome de “Paços de Celas”, por causa de luxos então raros na Academia (…)
Ao princípio este esplendor tornou Carlos venerado dos fidalgotes, mas suspeito aos democratas; quando se soube, porém, que o dono destes confortos lia Proudhon, Comte (…) e considerava também o país uma choldra ignóbil – os mais rígidos revolucionários começaram a vir aos Paços de Celas tão familiarmente como ao quarto do Trovão, o poeta boémio, o duro socialista, que tinha apenas por mobília uma enxerga e uma Bíblia. (…)
À noite, havia ruidosos e ardentes cavacos, em que a Democracia, a Arte, o Positivismo, o Realismo, o Papado, Bismarck, o Amor, Hugo e a Evolução, tudo por seu turno flamejava no fumo do tabaco, tudo tão ligeiro e vago como o fumo. E as discussões metafísicas, as próprias certezas revolucionárias adquiriam um sabor mais requintado com a presença do criado de farda desarrolhando a cerveja” (…)
Eça de Queirós, Os Maias (1888)

Substituam os Paços de Celas pelo Quartel da SARIP, e pelo Scala; o Positivismo e o Realismo pelo Futebol; Bismarck por Bush; Hugo por outra coisa qualquer; e o criado pelo tio Augusto, que a classe média/baixa já não tem criados. (O país continua a ser uma choldra ignóbil.)
Lá no fundo, as diferenças não são muitas, mas são algumas…

Letras de músicas de Irmãos Catita!

Putas em Portugal e no Mundo
As putas de Aveiro aceitam dinheiro
Mas as de Mação são pagas com cartão

As putas do Minho enchem-se de vinho
A puta mais fina cheira cocaína

A do interior chupa no prior
A do litoral chupa no industrial

As putas de Algodres andam todas podres
As de Guimarães trabalham com cães

A puta do Porto faz o seu aborto
A puta de Espinho é um rapazinho

A do Caramulo gosta do seu chulo
Mas a da cidade aprecia a liberdade

A puta de Faro leva muita caro
A puta barata nunca lava a rata

A de Torres Vedras curte grandes pedras
A de Benavente encharca-se em aguardente

A de Figueiró quer dinheiro para o Tó
A de Celorico troca um chuto por um bico

Pu-pu-u-tas
Pu-pu-u-tas
De todas as terras e luga-a-a-res
Pu-pu-u-tas
Pu-pu-u-tas
Pu-tas às centenas aos milhares

As putas de Aveiro preferem dinheiro
Mas as do Japão são pagas com cartão

A puta do Gana fode à canzana
Já a da Guiné gosta de foder em pé

As da Estremadura querem picha dura
Mas as do Tirol apreciam picha mole

As da Patagónia fazem cerimónia
Mas as do Peru gostam de levar no cu

A puta da rua fode toda nua
A puta «armã» nunca tira o soutien

As de Leninegrado fodem com agrado
Mas as de Moscovo pertencem ao povo

Refrão

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