A Contradição
“Foi a mão de Deus.”
Diego Maradona, a propósito de um dos seus golos no jogo Argentina-Inglaterra no Mundial de 1986.
“Não vale a pena rezar, porque Deus não se interessa por futebol.”
Padre David Barreirinhas, “capelão” da União de Leiria, a propósito do péssimo início de campeonato da equipa
Notícias da Fórmula 1 – O inevitável campeão
Acreditem ou não, quando vi, na qualificação, o Tiago Monteiro a descrever a curva do Mergulho (a penúltima antes da recta da meta), o carro parecia deslizar de uma tal maneira que tive a nítida sensação que o homem estava nos limites e ia fazer um excelente tempo.
Por isso, não me surpreendeu muito que tivesse alcançado a melhor qualificação de sempre de um português, batendo os dois Williams e o Coulthard e deixando o indiano a mais de um segundo. Para mim, esse resultado compensa o primeiro abandono. Um recorde, ou melhor, uma simples estatística, não vale tanto como um momento de magia. Os leitores vão-se rir, mas é como eu vejo esta volta de qualificação do português. São daqueles momentos que os pilotos dão que nos dão a sensação – por vezes, visual – que se estão a superar a si próprios. O Schumacher já nos deu dezenas de ocasiões dessas (por exemplo, o que ele fez durante o GP de San Marino deste ano.) É como no futebol, com os grandes golos, as grandes exibições (Portugal contra a Inglaterra, no Euro2000), ou as grandes defesas sem luvas; são os momentos que ficam gravados na memória. Para mim, o 13º tempo do Monteiro vai ficar na memória.
O resto já era esperado. Alonso só dependia de si próprio para obter um terceiro lugar, e fê-lo com facilidade. A McLaren, também com facilidade, obteve finalmente a dobradinha que lhe escapava desde o ano 2000 (quem se lembra da regularidade infalível de Hakkinen e Coulthard?), a dobradinha que devia ter alcançado mais cedo. Com sabor amargo.
Sem comentários:
Enviar um comentário