THE WEDDING – parte 2
O dia do casamento é um dia de festa – deve ser por isso que o stress domina os corações e as mentes, e conflitos e discussões saltam à menor faísca. Acaba por não ser festa nenhuma, mas sim um dia cansativo que queremos ver rapidamente terminado.
Começa com o pequeno-almoço em casa do pai da noiva, onde convém encher a barriga já que o almoço não vai ser propriamente à hora do almoço, e onde os convidados começam a ver os primeiros desconhecidos, que são a grande maioria dos “outros.” A comparação das indumentárias começa imediatamente – com destaque especial para as mulheres (alvo dos babosos olhares masculinos e dos avaliadores e maledicentes olhares femininos), nem que se trate de irmãs – ou especialmente se se tratar de irmãs, já que “competem” mais proximamente. O sol queima e a malta de fato e gravata procura uma sombra. Tiram-se umas primeiras fotografias – mas não convém demorar muito senão perdem-se os melhores lugares na igreja
Cerimónia – Ao contrário dos casamentos da minha infância, nos modernos dispensa-se o tradicional “órgão”/piano/teclado e a Marcha Nupcial. A música esteve a cargo de alguns amigos dos noivos, equipados com guitarra e cavaquinho (a fazer lembrar os coros de escuteiros, ou os dos grupos de jovens que recentemente viajaram até à Alemanha ao encontro do Papa Bento XVI) e de um violinista contratado para o efeito (que só actuou mais para o fim.) A entrada do noivo foi ao som de “I Want To Break Free”, dos Queen. Aos leitores que acharem estranho que um noivo escolha esta música para o seu casamento, direi que estão contaminados pela propaganda actual que encara o casamento como uma gaiola; pelo contrário, é no casamento que o noivo exerce a sua liberdade – e se que se liberta dos pais. A noiva entrou ao som de uma música francesa que desconheço.
O senhor padre fez uma homilia curta e sem muita palha. Falou na igreja como uma casa de paz (fazendo uma curiosa referência aos colonos judeus que se refugiaram nas sinagogas de Gaza para, supostamente, evitarem a expulsão) e exortou os presentes a esquecerem desavenças e saírem dali com a harmonia nos corações. Foi-me mais tarde explicado que era uma indirecta para alguns problemas entre as famílias dos noivos. Entretanto, elogiou as qualidades paroquianas dos noivos (cristãos participativos) e passou rapidamente à sagração do matrimónio, elemento central da cerimónia – que acabou por não se revelar muito longa.
Longos foram os cumprimentos finais dos noivos a todos os presentes e mais uma sessão de fotografias – desta vez com o altar como pano de fundo. Quando saí para a rua, vi o início de uma coluna de fumo ao longe – começara mais um incêndio no concelho de Ourém.
Por volta das 14:30, os carros seguiram ordeiramente para a quinta onde seria servido o almoço. Os noivos foram num camião coberto com ramos e verduras, que me trouxe imediatamente à ideia o Cortejo da Queima das Fitas.
A Quinta - Mais umas quantas fotografias no jardim, mais um pouco de confusão e anarquia – por volta das 16h comecei a debicar a entrada de melão com presunto.
O banquete não foi assim tão demorado, já que por volta das 18:30 tínhamos acabado de almoçar – sopa, peixe, carne, fruta, sobremesa, e o café servido já na rua. O céu estava já coberto por uma espessa camada de fumo e o cheiro era intenso… esperto foi aquele miúdo que trouxe uns calções e, em vez de atolar de comida, foi nadar para a piscina da quinta…
O jantar foi bem melhor, já que foi servido em self-service e portanto todos acabaram de comer muito mais depressa e foi possível vir para a rua tomar uma bebida e observar os morcegos, a lua alaranjada devido ao fumo e os indivíduos que já tinham bebido de mais. Apesar de tudo, os casamentos são verdadeiramente bons é para as crianças que podem correr e brincar. Ou para quem gosta de dançar ao som de música tradicional portuguesa, ou valsa, ou tango. Quando os DJ’s atacarem este mercado, e o bailarico tiver House, Hip-Hop, Techno, etc., etc., as coisas serão radicalmente diferentes – e aí veremos se é a juventude que fica parada a olhar.
O Domingo foi mais um banquete, mais uma insuportável sensação de enfartamento (apesar de tudo, é difícil resistir a comer mais um doce ou mais umas uvas) e uma certa sensação de niilismo, da “náusea” de Jean-Paul Sartre, de que nada vale a pena. Felizmente que pude jogar um pouco de Playstation e, assim, regressar um pouco à vida.
Conclusões a retirar?
- espero sinceramente que os noivos sejam muito felizes;
- sinto, e não só eu, um imenso alívio por este frete ter terminado;
- se eu vier a estar no centro de uma cerimónia deste género, há de ser com bastante simplicidade;
- E estou um pouco fatigué de parler un demi em português e un autre demi en français, precisava de ir para Albufeira 2 ou 3 dias para esquecer… ou pelo menos ficar umas 7 ou 8 horas seguidas a ver a Sky News ou a CNN.
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