Road to the Afghanistan
Julgo que uma boa parte dos leitores deste blog conhece pessoalmente o Ricardo Gomes, a.k.a. Katchaw (ou Catxau, em grafia portuguesa), morador em Picassinos, Marinha Grande, e amigo do co-blogger Sousa. A maior parte desses leitores saberá igualmente que Portugal está a enviar militares da Força Aérea e dos Comandos para o Afeganistão, integrados num esforço de paz desenvolvido pela comunidade internacional – e portanto o Katchaw, Comando, (e jogador de Championship Manager nas horas vagas) integra esse contingente.
No passado Sábado, estive na festa de despedida do Katchaw e foi-me depois pedido para fazer uma referência ao facto neste blog. Na verdade, pensei que tal caberia melhor ao co-blogger Sousa, mas aceito com todo o prazer.
Algumas pessoas de gerações anteriores, nascidas sob a ditadura, impressionam-se com o espectáculo, agora frequente, do envio de forças militares ou para-militares portuguesas para diversos cenários de pacificação pós-conflito. O choque da Guerra Colonial ("adeus e até ao meu regresso") foi muito grande, e perdura, apesar de silencioso.
- Pensei que com o 25 de Abril isto ia acabar. Pensei que nunca tínhamos de mandar tropas para lado nenhum…
Escusado será dizer que discordo totalmente. Só num ponto de vista emocional se poderá comparar a Guerra Colonial com as missões na Bósnia, no Kosovo, em Timor, no Iraque ou no Afeganistão.
No Sábado falei com o sr. Vítor Gomes, pai do Katchaw, nascido em Moçambique. Ele concorda comigo: não era possível sustentar indefinidamente a opção política de Salazar e do seu regime. Negociações, independências à imagem da Rodésia de Ian Smith, um processo igual ou idêntico ao sugerido por Spínola no célebre Portugal e o Futuro… qualquer coisa se podia ter feito, entre o extremo de Salazar e o extremo de Mário Soares.
Portugal é hoje uma democracia consolidada (um bocado saloia, mas isso é outra história) e um parceiro aceite pela comunidade internacional É nesse contexto que devemos considerar a participação portuguesa nas missões de paz, largamente analisadas pelos estudantes de RI. Portugal já não envia tropas para defender um império arcaico centrado em Lisboa. As tropas portuguesas vão dar o seu melhor, sempre dentro das limitações e perigos que a posição ambígua de "peacekeeping force" traz consigo, para contribuir para a segurança, o bem-estar e a felicidade das populações que lhes foi incumbido proteger – ao mesmo tempo que contribuem para o prestígio de Portugal no mundo (e nós que estamos sempre tão necessitados dele…)
A missão não é um passeio cor-de-rosa, não será fácil, mas é muito digna e todos esperamos que os militares portugueses estejam à altura dela, como sempre – e o Katchaw no meio deles. Boa sorte.
(Parece que o massacre de Srebrenica, na Bósnia, em 1995, se deveu em parte á inércia de um contingente holandês encarregado de vigiar a área. Ó Katchaw, se vires por lá alguém de mãos atadas a levar um tiro no meio dos olhos, não fiques parado…)
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