OS ASSUNTOS EUROPEUS NO MEIO DO ATLÂNTICO
É certo que o post do meu caro amigo Ismael com um texto da Zaida sobre os licenciados em Relações Internacionais tem potenciado uma discussão interessante entre os bloguistas saripianos (e ainda bem que assim é), no entanto depois de verificar o comentário a esse post do meu caro amigo Fernando, senti-me na obrigação de escrever um post sobre o conteudo das afirmações deste Saripiano.
Antes de mais, é necessário dizer-te Fernando, que não existe na orgânica governamental qualquer Secretário Regional dos Assuntos Europeus.Existe sim um Director Regional dos Assunto Europeus.
Naturalmente estou ao teu lado na indignação que sentiste quando ouviste o que disse a tal pessoa que falou convosco sobre o papel que é dado ( ou não é dado) aos licenciados na nossa área, no entanto, a justificação que apresentas a seguir é preocupante e pode ser um dos motivos pelos quais essa entidade governamental não dá o devido valor aos especialistas em ciencia politica e relações interacionais. Passo a explicar:
Aquilo que esse senhor diz sobre os licenciados em Gestão e Economia, de facto, é verdade, ou seja, são os gestores e conomistas que estão qualificados e têm competências para fazer formulários de candidaturas a programas de financiamento comunitários e ainda bem que assim é. Relembro-te que nós não somos tecnocratas.A nossa formação é completamente antagónica a esse tipo de funções ( e ainda bem).
Depois, esclareço-te que para teres o devido sucesso na obtenção desses fundos, de nada serve o conhecimento ou não do funcionamento das organizações europeias, ou do sistema politico da união europeia ou de qualquer assunto sobre matérias politicas da união europeia. Tens sim que ter um conhecimento técnico profundo sobre matérias financeiras ( casos dos gestores e economistas).
Depois esclareço-te que os Açores são os lideres no ranking nacional de aproveitamento de fundos comunitários. Muitas têm sido as infra-estruturas construidas com dinheiros europeus e certamente que, depois do IV Quadro Comunitário de Apoio, muitas outras serão.
Depois esclareço-te que em nenhuma ocasião foram vetadas candidaturas açorianas devido à "falta de conhecimento sobre o funcionamento das organizações europeias".
Finalmente digo-te que no teu comentário está o grande problema de muitos estudantes e licenciados na nossa área. Ou seja, a abrangência da nossa área e o vasto leque de formação que temos ao longo do curso, faz com que percamos capacidade técnica e de especialização em determinadas áreas, mas é essa a essência do nosso curso, a formação em ciência politica. Uma formação que permite fazer reflexões politicas, criar pensamento politico, promover e fomentar o conhecimento na nossa área e dar apoio politico às instituições.
Sem qualquer desprimor para os que se dedicam a essa área, acho que temos formação teórica e politica demais, para sermos obrigados a preencher formulários de candidaturas a fundos europeus, até porque não temos formação técnica para isso.
Estamos sim preparados para fazer o enquadramento dessas candidaturas e para fazer reflexões sobre a importancia dos fundos de coesão para a sociedade europeia contemporânea. Se existem qualificados na nossa área que querem fazer esses formulários, que o façam, mas estão num campo completamente oposto ao nosso. São competências completamente diferentes.
O Governo dos Açores, por vezes e mal ( e sublinho o mal para que não pensem que estou a ser tendencioso, até porque o Governo Regional não precisa de mim para ter os seus "advogados de defesa"), marginaliza a área europeia e os assuntos internacionais, mas talvez seja também por causa de perspectivas e justificações como a tua.
Esta é a minha humilde visão. Apesar de respeitar discordo completamente da tua.
Saudações Saripianas.
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